Blog do Mauricio Stycer

As dez melhores atrações da televisão em 2011: uma retrospectiva

Ao longo do ano, fiquei tempo demais diante da televisão e abusei da paciência do leitor com muitos textos sobre o assunto. Ao olhar para trás, no esforço de fazer um balanço, noto que vi mais coisas ruins do que boas, mas também tive muitas surpresas. Apresentarei, então, um resumo de 2011 em três partes – os melhores, os inesperados e os piores do ano. Como sempre, terei o maior prazer em acolher os comentários e observações dos leitores, apontando as injustiças das minhas listas e me lembrando do que esqueci. Aqui está o meu Top 10 com os melhores:

1. Cordel Encantado: Salpicada de elementos da literatura de cordel e dos contos de fada, a história de Duca Rachid e Thelma Guedes foi o destaque em teledramaturgia. A novela das 18h da Globo  teve elenco bem escalado, ótimo texto, direção de verdade, fotografia com padrão de cinema, figurinos e iluminação impecáveis. Com a difícil tarefa de sucedê-la, “A Vida da Gente”, de Licia Manzo, não fez feio, muito pelo contrário. E “Fina Estampa”, de Aguinaldo Silva, teve o mérito de reconquistar o público do horário das 21h com uma história bem popular e divertida.

2. Chegadas e Partidas: O GNT marcou um gol com a adaptação deste reality show holandês. Apresentado com sensibilidade por Astrid Fontenelle, o programa conta breves histórias de gente transitando pelo aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Os fragmentos de realidade exibidos conquistaram o público, levaram a emissora a providenciar uma segunda temporada ainda em 2011 e garantiram um lugar para o programa na grade no ano que vem.

3. Agora é Tarde: O humorista Danilo Gentili se reinventou à frente do talk show lançado pela Band. Mostrou talento como entrevistador e deixou de lado a imagem algo truculenta de seus tempos no “CQC”. O programa conquistou a audiência, ganhou espaço de outras atrações da casa e ainda obrigou Jô Soares a dar uma sacudida em seu talk show.

4. Jogos Pan-Americanos: Maior investimento da Record em 2011, a cobertura da competição continental em Guadalajara foi um aperitivo do que o brasileiro verá na tela nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Ao adquirir com exclusividade o direito de transmissão destes dois eventos, a emissora rompeu com uma hegemonia histórica da Globo nesta área.

5. O Astro: A pressão da concorrência levou a Globo a investir na sua programação de fim de noite. Não foi um “remake”, uma novela refeita, nem uma condensação dos 180 capítulos originais de Janete Clair para os 60 exibidos. Foi um tributo, escrito por Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, com grande atuação de Regina Duarte, a uma novela que simboliza os melhores momentos da teledramaturgia.

6. Jornal Sensacionalista: A ousadia que faltou à Globo, levando ao cancelamento dos programas “Aline” e “Junto e Misturado”, sobrou ao Multishow. O “Jornal Sensacionalista” foi uma das boas apostas em humor inteligente, debochado e, de quebra, repleto de referências ao conservador telejornalismo brasileiro.

7. Furo MTV: Apresentado por Dani Calabresa e Bento Ribeiro, o programa comemorou a sua 500ª edição. Segue como uma das melhores atrações da emissora e um dos raros programas no ar com coragem de rir abertamente da baixa qualidade da televisão brasileira, do grotesco mundo de celebridades e da própria MTV.

8. Esquenta! : Com referências a Chacrinha e Jorge Perlingeiro, um cenário colorido, sambistas do primeiro time e a alegria de sempre, Regina Casé encontrou num programa de auditório dominical o ambiente ideal para vender alto astral e otimismo. “Porque tem a sina de ser popular”, canta Arlindo Cruz no samba feito para ser música-tema do programa. Já de volta à grade da Globo, neste final de 2011, “Esquenta!” mostra que Regina tem condições de virar atração fixa na programação da emissora.

9.Seriados: Várias emissoras apostaram no formato em 2011. O maior investimento foi feito pela Globo, com muitos altos e baixos, como é normal. Gostei de “Divã” e “Tapas & Beijos” , entre outras. A TV Brasil também fez um esforço significativo, exibindo três seriados no ano, dos quais eu destaco “Natália” e “Vida de Estagiário”. Digno de nota, igualmente, “Modern Family”, uma das melhores séries americanas recentes, chegou à segunda temporada no canal pago Fox.

10. Roda Viva: Um dos mais importantes programas de entrevistas da TV brasileira, o “Roda Viva” perdeu as suas principais características e a sua importância ao ser reformulado em 2010. A mudança não deu certo e, um ano depois, a TV Cultura resolveu ressuscitar o formato antigo, agora com apresentação do jornalista Mario Sergio Conti. Foi uma rara boa notícia vinda da emissora pública paulista, que cortou custos, demitiu funcionários e cancelou programas no ano.

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Sucesso inesperado de “Chegadas e Partidas” arquiva “Happy Hour”

nullO sujeito foi levar a mãe ao aeroporto Schiphol, em Amsterdã, mas o vôo atrasou. Ele ficou então observando a emoção daquela gente chegando e partindo até que teve um estalo: isso dá um programa de televisão. Nascia assim, com o mesmo título de uma famosa canção dos Bealtes, o reality show “Hello Goodbye”, exibido pela TV pública holandesa NCRV a partir de 2005.

Ideia simples, mas genial, “Hello Goodbye” logo ganhou versões na Inglaterra e na Austrália e, em março de 2011, estreou no GNT, apresentado por Astrid Fontenelle. Escrevi, na ocasião, que o programa inovava o gênero dos realities exibindo apenas fragmentos da realidade, sem contar o que aconteceu antes nem depois daqueles encontros e desencontros no aeroporto de Guarulhos.

Com 13 episódios, a versão brasileira agradou tanto que o GNT correu para produzir uma não planejada segunda temporada ainda este ano. Com isso, adiou-se, por tempo indeterminado, a volta do “Happy Hour”, que Astrid apresentou até 2010 e que seria reformulado ainda este ano.

“O ‘Chegadas’ não permite fazer outra coisa”, conta Astrid ao blog. A produção contabiliza cinco diárias em Guarulhos para realizar um programa, com três ou quatro histórias. “Às vezes, depois de três horas no aeroporto, não conseguimos nada e desistimos. Às vezes, descobrimos cinco histórias incríveis”.

O desafio de prosseguir num programa cujo formato é tão básico que não permite mudanças não assusta Astrid. “É, de fato, um formato ‘imexível’. Mas as pessoas surpreendem quando menos você espera”, conta ela. “Você disse apenas ‘oi, tudo bom?’ e o cidadão quer conta a vida inteira dele”.

Prepare o lenço. “Eu sempre choro vendo o programa. Muito. Pelo menos, agora, eu chorei por mim mesma”, diz uma das entrevistadas do programa de estreia da segunda temporada. E olha que a história dela é a mais leve da noite…

“Chegadas e Partidas” reestréia nesta quarta-feira, às 21h30.

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“Chegadas e Partidas” inova gênero ‘reality’ com fragmentos de realidade

Passeando pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, Astrid Fontenelle encontra uma menina desolada, segurando um bebê no colo. A jovem tem 16 anos e aguarda a chegada do pai da criança, um peruano, a quem ela chama de marido. Segundo a menina, o avião dele já aterrissou, mas ele foi impedido de entrar no país por problemas com seu visto.

A história é tristíssima. Agachada, Astrid entrevista a menina. Com jeito e delicadeza, vai fazendo a jovem contar a sua história, a gravidez aos 15 anos, a reação da família, a relação com o marido, os seus medos… “Muito difícil a sua situação”, constata a jornalista. “Quase impossível de solucionar”, diz a menina. “Só posso, sinceramente, te desejar boa sorte e falar que você tem que ir à luta”, encerra Astrid.

A câmera, então, se afasta e vemos a jovem deixar o aeroporto com seu bebê no colo. Não sabemos seu nome, não temos ideia do que aconteceu antes nem do que pode ter ocorrido depois do encontro.

A cena faz parte do segundo episódio de “Chegadas e Partidas”, que o canal pago GNT vai exibir nesta quarta-feira, às 21h30. Baseado num formato criado na Holanda, intitulado “Hello, Goodbye”, trata-se de um reality show que, de alguma forma, vai contra a própria ideia por trás destes programas.

O que seduz num reality show é o convite, como diz o nome, a conhecer a “realidade”, a “vida real” dos participantes. “Chegadas e Partidas” não subverte este princípio básico, mas o renova. No caso da menina cuja história será vista no programa, tudo se resume a um vídeo de sete minutos.

Nunca mais saberemos dela, provavelmente. Só podemos imaginar, fantasiar, o que aconteceu com a garota, com seu bebê e com o pai, que ela diz ter sido barrado pela Polícia Federal.  Sua “vida real”, assim, se resume aos sete minutos que o programa vai mostrar. Nada mais.

A cada programa, Astrid conta quatro histórias de “chegadas” ou “partidas”. O princípio é sempre o mesmo. Nesta quarta-feira, ela vai mostrar também a comovente despedida de um jovem de 18 anos, do “interior de São Paulo”, em direção a Budapeste, onde o aguarda um time de futebol. Seus pais estão tristes, mas esperançosos. A namorada chora. O que vai acontecer?

O programa não promete cenas dos próximos capítulos – e, creio, reside aí o seu maior interesse. “Eu fico aqui na expectativa de que as pessoas nos contem um pouco de suas histórias”, diz Astrid na abertura. Só isso. Nem mais nem menos. Fragmentos de histórias.

A primeira temporada de “Chegadas e Partidas” tem previsão de 13 capítulos e deve ser exibida até setembro. Os episódios inéditos vão ar às quartas, às 21h30, e têm inúmeras reprises ao longo da semana.

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