Blog do Mauricio Stycer

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“Joia Rara” prometeu muito mais do que cumpriu
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Mauricio Stycer

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O maior desafio para quem escreve sobre novelas é o primeiro texto. Fazer a crítica de um trabalho que terá 173 capítulos com base em um ou meia dúzia de episódios é sempre muito difícil e arriscado.

Tenho o hábito, sempre que uma novela termina, de reler o primeiro texto que escrevi a respeito dela. Fico orgulhoso quando constato que a minha impressão original coincide com a última. Mas nem sempre isso ocorre.

No caso de “Joia Rara”, sou obrigado a dizer que a minha empolgação inicial revelou-se exagerada. Os interessantes conflitos esboçados, a intensidade com que a história foi contada na primeira semana e a própria complexidade sugerida dos personagens principais deram espaço, com o passar do tempo, a um drama comum, repleto de clichês.

Duca Rachid e Thelma Guedes sugeriram que a novela ia ter como pano de fundo um dos momentos políticos mais ricos e conturbados da história do Brasil, os anos 30 e 40, sob Getúlio Vargas e a Segunda Guerra Mundial.

Mas, num caminho muito distinto do trilhado por “Lado a Lado”, a última novela de época do horário, que raramente saiu do trilho proposto, todos os temas com alguma relevância de “Joia Rara”, como a luta sindical, a batalha das mulheres por seus direitos e o conflito de classes, foram rapidamente deixados no caminho.

joiararamundoExemplar desse esvaziamento, o personagem Mundo (Domingos Montagner), que prometia brilhar, foi perdendo importância, até praticamente se tornar exclusivamente o marido ciumento de Iolanda (Carolina Dieckmann).

O outro grande tema da novela, o budismo, ao contrário, ganhou um tamanho desproporcional. A certa altura, “Joia Rara” pareceu estar fazendo propaganda, até. “Eu vou ser uma pessoa melhor na outra vida”, disse o ex-vilão Ernest (José de Abreu) no leito de morte (foto no alto do texto).

joiararaernestmanfredFoi, igualmente, visível a falta de fôlego das autoras no desenvolvimento do próprio melodrama que criaram. O conflito entre o vilão Manfred (Carmo dalla Vecchia) e os mocinhos Franz (Bruno Gagliasso) e Amélia (Bianca Bin) se tornou mais repetivivo que desenho de Tom & Jerry. O primeiro grande vilão da história, Ernest, se redimiu radicalmente, contagiado pelo amor da neta Perola (Mel Maia).

A novela levantou outros bons temas na segunda metade, como o amor de uma mulher rica, Laura (Claudia Ohana), por um homem de origem humilde, mais jovem e negro, Artur (Icaro Silva), assim como o encanto de Joel (Marcelo Medici) por outro homem, Aderbal (Armando Babaioff), mas não teve ímpeto para aprofundá-los.

Como observou Nilson Xavier em seu balanço, os núcleos de humor de “Joia Rara” acabaram se sobressaindo – as muitas histórias divertidas envolvendo personagens do cabaré Cabaré Pacheco Leão e da pensão de Dona Conceição (Cláudia Missura) deram leveza e graça à novela.

Mel Maia, no papel de Perola, surpreendeu a cada capítulo. José de Abreu e Carmo dalla Vecchia também deixaram uma marca em “Joia Rara”. O número de bons atores na novela, aliás, é enorme – mérito de quem escalou o elenco.

joiararagloriamenezesUma observação sobre o capítulo final. Quem sobreviveu ao choro, depois da morte de Ernest e da infinidade de casamentos e nascimentos, teve a chance de apreciar a solução muito boa de um epílogo narrado nos dias de hoje por Perola (Gloria Menezes).

O tom geral do meu comentário pode passar a ideia de que não gostei de “Joia Rara”. Não é bem isso. Achei a novela simpática, muito bem feita e dirigida, com atores em grande forma, mas fiquei com a impressão de que ela prometeu muito mais do que cumpriu.


Seria trágico se não fosse cômico
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Mauricio Stycer

Morena podia ter falado com a delegada Helô, podia ter advertido a mãe, podia ter pedido ajuda ao capitão Theo, podia ter gritado na rua, podia ter feito várias coisas para se livrar dos vilões que a escravizam. Só não podia, justamente, pedir socorro à chefe do tráfico internacional de mulheres, Lívia Marini. Sobrou para Jessica.

Ao se dar conta de que estava diante da vilã, a loirinha esboçou pedir ajuda, mas esqueceu de correr. Pior, paralisou. Lívia abriu a bolsa, sacou lá de dentro a mais comum das armas, uma seringa com agulha, e a espetou no pescoço da colega de Morena. Fim da história para Jessica.

Novela é novela… E Gloria Perez, a autora, aprecia as soluções mais dramáticas e menos verossímeis. Os olhos arregalados de Carolina Dieckmann na cena (veja a foto acima) sugerem que nem ela acreditou no que estava vendo… O que importa é que na segunda-feira (21)  “Salve Jorge” alcançou 37 pontos no Ibope, índice idêntico ao marcado no segundo capítulo, o melhor até hoje.

Atualizado às 22h: No capitulo de terça-feira, “Salve Jorge” exibiu um diálogo para justificar a inusitada presença de uma seringa letal na bolsa da vilã. A emenda saiu mais cômica do que o soneto. Veja:

Wanda: A sorte foi você estar com aquela seringa dentro da bolsa.
Livia: E eu saio sem ela pra algum lugar? No nosso ramo, a gente não sabe quando vai precisar.

“TV Pirata” revive.


Cena de estupro que não houve é mistério em “Salve Jorge”
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Mauricio Stycer

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Em edição do “UOL Vê TV”, comento a polêmica cena de estupro envolvendo a personagem Jéssica (Carolina Dieckmann) na novela “Salve Jorge”. Muito aguardada pelos espectadores, especialmente após declarações da atriz de que gravá-la havia sido chocante e exigira muito do seu preparo físico e psicológico, a cena não mostrou praticamente nada e deixou uma pergunta no ar: a Globo censurou a exibição? Ao ser questionada no Twitter, Glória Perez respondeu que optou-se pelo “bom senso”.  Por que a produção gravaria uma cena tão difícil, que envolveu, segundo “O Globo”, até dublê, para simplesmente descartá-la depois? É um mistério.

Atualizado em 20 de novembro: Duas semanas depois da não exibição da famosa cena, Carolina Dieckmann falou sobre o ocorrido: “A cena foi cortada sim, mas eu entendo. Os diretores acharam muito forte para ir ao ar”.

Atualizado em 26 de novembro: A atriz voltou a tratar do assunto em entrevista a “O Globo”: “Eles viram a cena montada e avaliaram que não era necessário mostrar tudo como foi gravado. Ninguém teve dúvidas de que ela foi estuprada. O importante é contar a história”, disse.


Em defesa de Nanda Costa
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Mauricio Stycer

Tenho várias restrições à “Salve Jorge”, mas em um aspecto, ao menos, concordo com Gloria Perez: a escolha de Nanda Costa para protagonizar a novela foi um acerto.

Em primeiro lugar, há o efeito-surpresa. Em meio a um elenco de rostos conhecidos, interpretando papéis que parecem reciclados, a escolha de uma atriz pouco experiente para o papel principal, de Morena, dá frescor à novela.

Em segundo lugar, e mais importante, entra o talento. É uma questão subjetiva, claro, mas o currículo relativamente pequeno de Nanda Costa está repleto de acertos.

A atriz, de 26 anos, fez apenas três novelas, “Cobras e Lagartos” (2006), “Viver a Vida” (2009-10) e “Cordel Encantado” (2011). Na primeira, como Madá, não fez feio contracenando com Carolina Dieckmann. Na segunda, no papel de Soraia, ofuscou Giovanna Antonelli, uma das protagonistas da trama. E na terceira, encarnou Lilica, um personagem menor numa novela brilhante.

Nanda Costa também se saiu muito bem como uma das protagonistas de “Sonhos Roubados”, filme de Sandra Werneck, exibido em 2009. Ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival do Rio e no Festival de Biarritz (este, dividido com as outras duas protagonistas, Amanda Diniz e Kika Farias).

A atriz também dá banho em “Febre do Rato” (2011), de Claudio Assis, e tem participação marcante, ainda que curta, em “Gonzaga, de Pai para Filho” (2012).

Manoel Carlos, autor de “Viver a Vida”, considerou a atriz uma das revelações (ao lado de Adriana Birolli) da sua novela. No final de 2010, entrevistado por uma revista feminina sobre mulheres em quem eu apostaria para 2011, citei o nome de Nanda Costa.

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Gloria Perez enxerga uma campanha contra a atriz. E compara as críticas que Nanda vem recebendo às que Adriana Esteves ouviu em 1993, quando protagonizou “Renascer”, de Benedito Ruy Barbosa. “A @Nandacostareal incomoda esse povinho, hem? Fizeram a mesma sacanagem com a Adriana Esteves, alguém tá lembrado?”, escreveu Gloria no Twitter.

Adriana era ainda mais jovem que Nanda (tinha 23 anos) quando protagonizou “Renascer” e já tinha aparecido como atriz principal em outra novela, “Pedra Sobre Pedra”, dois anos antes. Segundo seus relatos, entrou em depressão com as críticas que recebeu.

Acho Nanda Costa o menor dos problemas de “Salve Jorge”. Ou melhor, um dos poucos trunfos em uma novela difícil.

Leia mais: Uma entrevista com a atriz pode ser lida aqui: “Me perguntam se eu vou dar conta”, diz Nanda Costa. A resposta da autora de “Salve Jorge” aos críticos pode ser lida aqui: Gloria Perez confirma a morte da personagem de Carolina Dieckmann.

Um vídeo: Um comentário meu sobre atores fazendo personagens parecidos em novelas de Gloria Perez pode ser visto abaixo:

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“Desliga a internet”… Em que mundo vivia Carolina Dieckmann?
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Mauricio Stycer

Confirmando-se as informações até o momento disponíveis, Carolina Dieckmann foi vítima de um golpe clássico na internet: cedeu seus dados pessoais em resposta a um e-mail mal intencionado.

Muita gente já perdeu dinheiro por conta de golpes deste tipo. Carolina perdeu outro bem de valor, a privacidade. Fotos suas caíram na rede e se espalharam como vírus, com a típica velocidade que o meio propicia.

Nesta segunda-feira, ela concedeu uma primeira entrevista sobre o caso, ao “Jornal Nacional”. “Encontrei uma Carolina mais tranqüila esta tarde no Rio, aliviada, depois de dias de exposição da intimidade, constrangimento e chantagens”, narrou Patrícia Poeta, enquanto a câmera ia direto aos olhos da atriz, que brilhavam, como se estivesse chorando.

Como se sabe, Carolina não é uma celebridade típica, daquelas que fazem qualquer negócio para aparecer na mídia. Não por acaso, ao se referir a esta entrevista, o “Jornal da Globo”, mais tarde, sublinhou a dificuldade de falar com a atriz: “Carolina Dieckmann aceitou conversar com Patrícia Poeta”.

É verdade que o fato de ser representada por um advogado criminalista muito famoso acabou dando uma dimensão ainda mais espalhafatosa ao episódio. Mas Carolina não parece ter conseguido avaliar exatamente o que ocorreu, nem a proporção que o caso tomou.

Veja, por exemplo, o que ela fez ao ficar sabendo do vazamento das fotos: “Liguei para a Ana, que trabalha na minha casa, e falei: ‘Desliga a internet’. Davi, meu filho de 13 anos, estava em casa. Tinha muito medo de ele ver aquelas fotos e não estar lá para explicar. Minha preocupação era só falar para desligar a internet, que eu não queria que ele tivesse acesso àquilo.”

Este pedido, “desliga a internet”, é de uma ingenuidade comovente. Confirma que Carolina não segue o modelo-padrão de conduta dos famosos, mas acrescenta um dado a mais ao episódio: até aquele momento a atriz não fazia ideia do mundo em que está vivendo. Como se desligar a conexão caseira fosse impedir o filho de ver ou saber do que estava acontecendo.


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