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A cena da semana: “Você está assistindo o ‘Jornal da Globo’ ao vivo”
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Mauricio Stycer

Acidentes acontecem, mas alguns são piores do que outros. Ao vivo, começando a transmissão do “Jornal da Record”, pela primeira vez dentro do Estádio Olímpico de Londres, na noite de sexta-feira (27), Ana Paula Padrão cometeu a maior gafe do dia, dizendo que estava no “Jornal da Globo”. Veja o vídeo:

[uolmais type="video" ]http://mais.uol.com.br/view/13071674[/uolmais]

 

No texto que escrevi sobre transmissão da cerimônia de abertura dos Jogos, comento sobre outras gafes. Reproduzo-o abaixo:

Sóbria, Record erra menos, mas SporTV diverte mais com gafes e mau humor de Galvão

Narrar cerimônia de abertura de Jogos Olímpicos é tarefa quase tão complicada quanto descrever o que acontece ao longo de um desfile de escolas de samba.

Nesta sua estreia como dona da festa na TV aberta brasileira, a Record fez a opção pelo “menos é mais”. Evitou o excesso de euforia, deixou de lado a tentação de preencher todos os momentos com explicações, mas não traduziu vários momentos importantes. Cometeu menos erros, enfim, mas pode ter deixado o espectador boquiaberto, sem entender algumas passagens.

Bem diferente da transmissão eufórica dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, há um ano, a equipe escalada pela Record para a festa de abertura, os narradores Mauricio Torres e Alvaro José e a apresentadora Ana Paula Padrão, todos in loco, optou pela sobriedade e, em muitos momentos, pelo silêncio.

Em estilo oposto, a equipe do SporTV, com os narradores Milton Leite e Luiz Carlos Jr. no estádio, apoiados por Galvão Bueno do estúdio, apostou numa transmissão barulhenta, com muitos comentários e abobrinhas. Foi mais engraçado.

Falando o tempo todo, por cima do áudio da transmissão, o trio do SporTV não deixava o público descansar. Além das redundâncias, houve espaço para gafes, mau humor e piadas variadas.

Luiz Carlos tropeçou no português e falou em “problemas urbânicos” (sic). Galvão reclamou de um dos momentos mais legais, dizendo que Sean Connery, e não Daniel Craig, o atual intérprete do 007, é que deveria participar da festa, levando a rainha Elizabeth ao estádio. Ranzinza, também criticou a festa: “Tá bonito, mas um pouquinho frio”.

Durante o clipe de “Carruagens de Fogo”, Milton Leite começou a resumir o filme, mas não deu conta de contar tudo e se saiu com essa: “Ai você pega o filme na locadora e assiste”. Na passagem da delegação chilena, o narrador reiventou a geografia e anunciou: “Nosso vizinho, Chile”.

Na Record, também houve um ou outro excesso. Ana Paula, por exemplo, ao ver a homenagem dos ingleses ao seu famoso sistema público de saúde, escorregou: “É o nosso SUS”. Mas foi, de longe, uma apresentação mais contida e menos cômica. Ponto para a emissora.

Em tempo: Na sequência da cerimônia de abertura, Ana Paula Padrão emendou a apresentação do “Jornal da Record” e, para não ficar atrás, cometeu a maior gafe da noite, dizendo que estava apresentando o “Jornal da Globo”.

Obs: O texto foi publicado originalmente aqui. Meus textos sobre a cobertura dos Jogos estão sendo publicados AQUI.


Ana Maria Braga ignora lição de Boni e tortura o público com “barriga tanquinho”
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Mauricio Stycer

A visita de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ao “Mais Você”, de Ana Maria Braga, rendeu muitos comentários por causa de uma piada que fez com o filho (“se eu estivesse na TV Globo ainda, naturalmente colocaria Boninho no meu lugar”).

Pouco se falou, porém, de uma observação que Boni fez sobre o futuro da televisão:

Cada vez mais temos que ir para a programação ao vivo. Essa geração que vem da internet quer coisas rápidas, com outra velocidade, com muita diversificação. A tecnologia traz algumas mudanças importantes. Mas a coisa fundamental continua sendo o conteúdo. A TV aberta indo para os eventos, para programação ao vivo, para informação rápida, para um tipo de entretenimento que seja cada vez mais parecido com a cultura da internet, ela vai existir o tempo todo. Acredito no futuro da TV aberta.

Pelo que se viu nesta terça-feira, apenas dez dias depois da entrevista, Ana Maria Braga e sua equipe não prestaram atenção no que Boni falou. Só isso pode explicar o “Mais Você” ter dedicado 30 intermináveis minutos para falar sobre “barriga tanquinho”.

Ao vivo, três homens exibiram suas barrigas para Ana Maria e o Louro José. Em reportagens gravadas, atores da Globo passaram pelo constrangimento de levantar a camisa para mostrar os seus atributos físicos. Um repórter ainda foi à praia em busca de depoimentos engraçados sobre o tema. Por fim, a apresentadora trouxe um professor para dar lições aos interessados no assunto.

Em resumo, o oposto do que Boni recomendou.


A cena da semana: Globo e Record irritam o espectador com marketing do “ao vivo”
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Mauricio Stycer

“Voltamos ao vivo”, disse Galvão Bueno na madrugada deste domingo, numa transmissão que estava sendo objeto de críticas justamente por não ser ao vivo.

O vexame ocorrido em maio, quando disse estar ao vivo exibindo uma luta já ocorrida de Junior Cigano, levou a emissora a ter o cuidado, desta vez, de esclarecer que a transmissão da luta de Anderson Silva começaria 30 minutos depois de encerrada a disputa, em Las Vegas.

Galvão sabia disso, e provavelmente se esqueceu durante a transmissão ao falar “voltamos ao vivo”. O público que acompanha a transmissão e comentava no Twitter não perdoou o narrador.

Já a Record faz propaganda dizendo que seu reality show, “A Fazenda”, é exibido “24 horas”. “Um reality de verdade”, anuncia a emissora. Porém, sempre que algo importante acontece o sinal do site da emissora é cortado. Na sexta-feira à noite, quando Gretchen tomou a iniciativa de largar o programa, o site que exibe reality “ao vivo” saiu do ar. Guardou as imagens para mostrá-las no programa de sábado à noite.

A emissora faz o que quiser com as imagens do programa. Se quisesse, poderia mostrar a saída de Gretchen daqui a uma semana. O que incomoda é o marketing, é ouvir Britto Jr. diariamente encher o peito para anunciar “acompanhe a Fazenda 24 horas no site”.  É propaganda enganosa.

Atualizado em 9 de julho: Na visão da Record, deve ser feita uma distinção entre os termos “ao vivo” e “24 horas”. A emissora não considera que ao prometer “24 horas” de transmissão no site esteja se comprometendo com uma transmissão “ao vivo”. Então tá.

Diz a Record em mensagem enviada no início da tarde desta segunda-feira: “Na transmissao do R7 de ‘A Fazenda’, nao usamos o termo ao vivo, quando a ‘Fazenda’ não está ao vivo. Usamos o termo ’24 horas’ porque em alguns momentos temos o ‘Fazenda on line’, programa para os internautas que acompanham ‘A Fazenda’. O ‘ao vivo’ é restrito a momentos em que ‘A Fazenda’ esta ao vivo”.


De Valeria Monteiro a Renata Vasconcellos, o “ao vivo” ficou “menos vivo”
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Mauricio Stycer

Vinte anos atrás, trabalhando na “Folha”, participei da equipe enviada para a cobertura da Rio-92, que o jornal chamava de Eco-92. Uma das minhas diversões diárias era assistir, às 20hs, Valéria Monteiro ancorar, ao vivo, o “Jornal Nacional” no meio do Riocentro.

(Infelizmente, não localizei nenhuma imagem dela no local; a foto que ilustra este texto a mostra na bancada do “Fantástico”, possivelmente em 1993)

Linda, de pé, mas nervosa, a jornalista atraia uma pequena multidão para vê-la de perto. Inexperiente na arte do “ao vivo”, ela às vezes tropeçava na conversa com o estúdio e na leitura das notícias, mas ainda assim era um colírio para quem estava habituado a ouvir Cid Moreira e Sergio Chapelin lendo burocraticamente as notícias.

Vinte anos depois, na Rio+20, o espetáculo mudou um pouco. Nesta manhã, Renata Vasconcellos, protegida por um estúdio de vidro, apresentava o “Bom Dia Brasil” daqui do Riocentro.  Patricía Poeta é esperada na sexta-feira, último dia, para ancorar o “JN” do mesmo local.

O estúdio de vidro oferece muito melhores condições de trabalho, imagino, mas tira toda a emoção do “ao vivo”. Renata estava aqui, mas distante. Um “ao vivo” pouco “vivo”.

Em tempo: A caprichada cobertura do UOL da Rio+20 pode ser vista aqui.


Assistir TV ao vivo é hábito em queda nos EUA
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Mauricio Stycer

Jornalista especializado em mídia, David Carr escreveu nesta segunda-feira, no “New York Times”, que assistiu a apenas dois minutos e um segundo de televisão no mês de maio – o tempo de duração do famoso Kentucky Derby, transmitido pela NBC no último dia 5.

Como assim? Um crítico de mídia que não vê TV? Calma. Carr explica no texto que, em sua casa, todos continuam assistindo televisão. O que morreu foi o hábito de assistir ao vivo.  “Eu continuo sendo fã de alguns produtos das grandes redes de TV; eu só não os consumo mais quando eles são exibidos”, escreve.

Carr e sua família fazem parte de uma nova realidade – a dos consumidores que gravam as atrações que planejam assistir ou, quando é o caso, compram por diferentes sistemas “pay per view”, conectados diretamente à TV.

Segundo o crítico, 50% dos lares americanos terão algum sistema de gravação de TV até 2013. Hoje, metade das casas nos EUA já dispõe da possibilidade de ver programas em sistema “pay per view” (ou “on demand”).

O instituto Nielsen, que mede a audiência das TVs nos EUA, estima que até 2015 terão sido comercializados em todo o mundo cerca de 350 milhões de aparelhos que permitem conexão direta entre televisão e internet – tipo Apple TV.

Neste novo mundo, explica Carr, a medição da audiência não registra mais a realidade do que está sendo visto. Tanto o Nielsen quanto o Ibope, no Brasil, apontam o que o espectador está vendo ao vivo em determinado momento.

A queda crescente no número de aparelhos ligados não significa que menos gente esteja consumindo programas de TV – significa, com certeza, que há menos espectadores assistindo ao vivo.

Ainda assim, as grandes redes de TV seguem atraindo o grosso da publicidade. As quatro maiores redes americanas tiveram um faturamento de US$ 9 bilhões em 2011, um crescimento entre 2% e 4% no ano. As emissoras a cabo, que superaram as grandes redes pela primeira vez, faturaram US$ 9,6 bilhões.

Em tempo: David Carr é o personagem principal do documentário “Page One”, que retrata a luta do “New York Times” para sobreviver nestes tempos de jornalismo digital. Ele virá ao Brasil em julho, para participar do congresso da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo). O texto que comento neste post pode ser lido aqui  (em inglês).


Pela primeira vez, shows do “Criança Esperança” serão gravados previamente
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Mauricio Stycer

Sábado é dia de agenda cheia – e lucrativa – para a maioria dos músicos brasileiros. Mas é também o dia de participar do “Criança Esperança”, que a Globo exibe há 25 anos. Pega mal recusar convite para subir ao palco do evento beneficente.

Como conciliar estas duas atividades? Em eventos anteriores, artistas chegaram a providenciar helicóptero para deixar o Projac a tempo de cumprir compromissos profissionais. Os atrasos aumentaram, reclamam alguns músicos, depois que Wolf Maia passou a dirigir o “Criança Esperança”, em 2009.

A informação não consta do material de promoção da Globo, que divulga apenas o horário do início do programa (“logo após ‘Insensato Coração’”), mas os shows do programa deste ano serão gravados previamente.

A gravação dos números musicais se dará entre 18h e 20h30 do próprio sábado. Ao vivo, o público verá apenas as intervenções jornalísticas, com os pedidos de doação.

Resta ver se o resultado final desta operação não vai tirar o impacto do evento.

Questionada pelo blog, a emissora informou agora à tarde: “A exemplo de outros shows que a Rede Globo exibe, neste ano, o Criança Esperança será pré-gravado. Já a apuração será ao vivo, com Sandra Annenberg comandando a “Central da Doação” e o “Mesão da Esperança”. Durante a exibição do espetáculo, a jornalista entrará, em flashes, informando o balanço das doações e mostrando o grupo de artistas em ação.”


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