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Categoria : Cinema

SBT vai exibir “Carrossel, o Filme” depois do “Programa do Ratinho”
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Mauricio Stycer

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Quarto filme brasileiro mais visto em 2015, com cerca de 2,5 milhões de espectadores, “Carrossel – O Filme” chega à televisão na próxima semana. O SBT programou a sua exibição para terça-feira (12), às 23h15, depois do “Programa do Ratinho”. Se não atrasar, a sessão vai terminar por volta da 1h da manhã. Meio tarde para um filme infantil, mas julho, afinal, é mês de férias.

O lançamento na TV coincide com a estreia de “Carrossel 2 – O Sumiço de Maria Joaquina” nos cinemas. A continuação foi filmada em janeiro deste ano, na esteira justamente do excelente resultado do primeiro filme.

Como lembra o crítico Roberto Sadovski. em 2015, “Carrossel – O Filme” só ficou atrás de “Meu Passado Me Condena 2”, “Vai Que Cola” e “Loucas Para Casar”. Foi o único filme assumidamente infantil na lista dos 30 brasileiros mais vistos no ano.

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Gloria Pires primeiro nega, depois fatura e, enfim, ri do desastre no Oscar
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Mauricio Stycer

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Gloria Pires teve três reações depois de sua já folclórica participação no programa dedicado à entrega do Oscar, na noite de domingo (28), na Globo.

A primeira, assim que se deu conta do desastre, na segunda-feira (29), foi gravar e divulgar um vídeo no qual afirmava ser uma pessoa séria e sincera. Disse ainda que viu “a maioria” dos filmes em disputa e que fez comentários com se estivesse na sala da sua casa. Não colou.

gloriapirescamisetasA segunda medida, anunciada na terça-feira, mostrou que a atriz pode não ter gostado de virar piada em todo o país, mas encontrou um jeito de faturar com isso. Dona de uma loja virtual, chamada Bemglô, Gloria começou a comercializar camisetas (R$ 29,90 a unidade) com frases que disse na noite de domingo: “Eu não sou capaz de opinar”, “Sou ruim de previsões” e “Eu curti, bacana”.

Nesta quarta, a loja informou que os lucro com a venda será revertido para uma ONG que ampara crianças carentes no Rio (veja mais aqui).

A terceira atitude foi, enfim, reconhecer o vexame que protagonizou. E a melhor maneira de fazer isso seria rindo de si própria. Em contraste com o tom do vídeo da véspera (“Sou uma pessoa bastante séria”), Gloria topou participar do “Tá No Ar” fazendo graça de sua pífia participação na noite do Oscar.

gloriapirestanoarO humorístico da Globo apresentou um quadro sobre a cerimônia de entrega do “Golden Hóstia Awards” ao melhor sermão do ano. Assim que cada candidato era anunciado, o público ouvia a voz de Gloria Pires repetindo os seus comentários já famosos no Oscar: “Bacana”, “não assisti”, “médio, médio” e “não sou capaz de opinar”.

O quadro foi escrito em 2013, gravado no ano seguinte e permanecia inédito. Diante da repercussão da participação da atriz na festa do Oscar, houve a ideia de adicionar alguns dos áudios de domingo, com autorização dela. Foi uma ótima sacada – e que ajuda Gloria Pires a deixar para trás o episódio.

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Gloria Pires curte os memes e diz: “Sou sincera e vi a maioria dos filmes”
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Mauricio Stycer

Em vídeo postado na tarde desta segunda-feira (29) em sua página no Facebook, Gloria Pires comentou a enorme repercussão de sua noite como comentarista do Oscar. A atriz afirma que achou os “memes” feitos em sua homenagem “superinteressantes e supercriativos”, mas se assustou com a proporção tomada pelo evento.

oscar2016gloriapiresmemePara “esclarecer algumas coisas”, segundo ela, a mensagem foi gravada. “Sou uma pessoa bastante séria e uma pessoa muito sincera”, diz. “Claro que eu vi a maioria dos filmes. Eu não poderia assistir a uma festa como aquela sem ter visto os filmes. É claro que eu vi, a maioria”, repete.

Gloria diz ainda que participou da cobertura da Globo “a convite de amigos, de pessoas que trabalham comigo”. E acrescentou: “Aceitei com o maior prazer, rodeada por pessoas que realmente entendem disso, que são comentaristas (os jornalistas Artur Xexéo e Maria Beltrão). O que não é o meu caso. Eu sou uma atriz, dando a minha opinião, como se eu estivesse na minha casa, com os meus amigos”.

Por fim, a atriz agradeceu a “todos que tomaram o meu partido”. E disse: “Também quero tranquilizá-los. Está tudo bem, eu não estou doente. Ao contrário, estou muito bem. Alive and kicking. Cheia de planos”.

Segundo o site Noticias da TV, Gloria recebeu cachê de R$ 10 mil por sua participação e ganhou a equipe de transmissão do evento um dossiê completo sobre os concorrentes e todos os DVDs disponíveis dos longas na disputa.

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Gloria Pires foi a terceira opção da Globo para o Oscar
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UOL Interação

O clima na Globo é de perplexidade com o desempenho pífio de Gloria Pires na transmissão da cerimônia de entrega do Oscar, na noite de domingo (28).

Segundo relato ouvido pelo blog, a atriz deu vários sinais de que estava animada com a tarefa — e as chamadas que gravou mostram isso. Ninguém na área do Jornalismo, responsável pelo programa, entendeu o que ocorreu.

É verdade que a atriz não era a primeira opção da emissora. Lazaro Ramos, que participou do programa em 2015, era o nome desejado, mas alegou problemas de agenda (está com uma peça em São Paulo e gravando “Mister Brau”).

Depois que Lazaro declinou, a Globo tentou Fernanda Torres, mas as negociações não chegaram ao fim.

Ao lado dos jornalistas Maria Beltrão e Artur Xexeo, Gloria Pires deu um vexame histórico no domingo, mostrando desinteresse e falta de conhecimento sobre os filmes e candidatos ao Oscar. Veja aqui.

Abaixo, os comentários bem-humorados dos autores do blog Diva Depressão sobre Gloria Pires e outros destaques da noite do Oscar:

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A vergonha da noite: Gloria Pires comenta o Oscar sem ter visto os filmes
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Mauricio Stycer

OscarGloriaPiresmeme2Sem José Wilker (1944-2014), a Globo ainda não encontrou um nome de peso em seu elenco para comentar o Oscar. Em 2015, Lázaro Ramos foi escalado para fazer companhia aos jornalistas Artur Xexéo e Maria Beltrão. Este ano a missão coube a Gloria Pires.

A escalação da atriz se revelou um desastre. Gloria mostrou não ter maior cultura cinematográfica e, pior, a menor disposição para comentar os filmes e prêmios. “Achei interessante”, disse sobre um Oscar para “Mad Max”. “Curti, sim. Foi merecido”, falou sobre outro. “Bacana”, sintetizou.

Se os espectadores estavam com a impressão de que a atriz não viu vários filmes em disputa, a dúvida logo foi esclarecida. Assim que o Oscar de melhor filme de animação foi anunciado, Maria Beltrão perguntou: “Gloria, você gostou de ‘Divertida Mente’?” E a atriz, sem titubear, respondeu: “Não assisti”.

O diálogo lembrou um esquete do humorístico “Tá no Ar”, o quadro “Papo Chato”, no qual uma apresentadora tenta extrair alguma informação de entrevistados sem nada para dizer.

Educada e solícita, Maria Beltrão fez várias tentativas de envolver Gloria Pires nas conversas. Quase sempre sem sucesso: “Você acha que Lady Gaga leva essa?”, quis saber sobre o Oscar de canção original. “Não sou capaz de opinar”, respondeu a atriz, com estonteante sinceridade. “O que achou do Oscar a ‘O Filho de Saul’?” “Não assisti”.

A apresentadora quis saber qual filme a atriz considerava favorito ao Oscar principal. “Sou ruim de previsões”, disse Gloria, antes de dar um palpite. “Gosto muito de ‘Trumbo’.” Ao que Maria Beltrão lembrou: “Não está indicado a melhor filme”.

A performance de Gloria Pires fez a alegria das redes sociais. O nome da atriz foi o mais mencionado no Twitter durante a transmissão da Globo e ela ganhou os mais variados memes, com piadas sobre o seu desempenho (como o publicado no alto deste texto).

Bem informados, Xexéo e Maria Beltrão seguraram a transmissão. O Oscar 2016 na Globo, porém, será lembrado mesmo pela participação inusitada de uma comentarista que não conseguiu mostrar nem interesse nem conhecimento algum sobre o assunto em questão. Uma vergonha.

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GNT dá vexame em sua estreia no tapete vermelho do Oscar
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Mauricio Stycer

oscargntequipe
Pela primeira vez, o GNT mostrou ao vivo o chamado “tapete vermelho” do Oscar, aquele momento em que os atores e as celebridades chegam para a cerimônia. A transmissão pareceu amadora, improvisada e resultou involuntariamente cômica.

oscargnthugogloss2Em Los Angeles, o blogueiro Hugo Gloss foi colocado em uma posição bem distante do centro dos acontecimentos. Por isso, ele basicamente gritava para quem passava, pedindo um “alô” para o Brasil. Ficou muito feliz quando Matt Damon acenou para ele. Constrangedor.

No estúdio, Astrid Fontenelle, Lilian Pacce e Flavio Marinho estavam totalmente perdidos. “Produção, ajuda aí que a gente não consegue reconhecer”, pediu Astrid, a certa altura. Com o seu telefone na mão, Lilian buscava informações sobre os modelos usados pelas atrizes.

oscargntastrid2Os três trocaram nomes, deram informações confusas e passaram muita vergonha ao vivo. Não foi um bom cartão de visitas para a Globosat que, segundo a coluna Outro Canal, na Folha, está empenhada em ter novamente os direitos de exibição do Oscar no país.

A programadora de TV por assinatura do Grupo Globo ofereceu o dobro do que a Turner, do canal TNT, pagou para veicular com exclusividade a premiação do cinema até 2018. Os direitos pertencem ao grupo Disney.

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“Dez Mandamentos”: filme desnuda as falhas e os exageros da novela
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Mauricio Stycer

DezMandamentosFilmeEra de se esperar, no processo de transformar uma novela de 176 capítulos em um filme de 120 minutos, que muita coisa marcante ficasse de fora. O que mais chama a atenção em “Os Dez Mandamentos”, no entanto, é que ele se livrou de tudo que fez a fama do folhetim bíblico. E acho que isso fez bem para o longa-metragem.

Todas as tramas paralelas, os amores impossíveis, os dramas terríveis, os três grandes vilões, enfim, as invenções mais rocambolescas de Vivian de Oliveira se tornaram acessórias ou simplesmente sumiram no filme.

Nefertari (Camila Rodrigues), que passou nove meses com o coração dividido entre Ramsés (Sérgio Marone) e Moisés (Guilherme Winter), mal abre a boca na tela grande. Sua mãe, Yunet (Adriana Garambone), uma das vilãs mais implacáveis da teledramaturgia brasileira, quiçá mundial, só comete uma pequena vilania no filme.

O capataz Apuki (Heitor Martinez), que passou a novela espancando a mulher, oprimindo a filha e chicoteando os escravos, só tem importância na cena da adoração ao bezerro. O hebreu traíra Corá (Vitor Hugo), que entre outros absurdos roubou o cajado de Moisés, passa as duas horas no cinema praticamente calado.

O filme também sumiu com todas as histórias de amor impossíveis, em especial a de Oséias (Sidney Sampaio) e Ana (Tammy Di Calafiori). E a da princesa Henutmire (Vera Zimmerman) e o joalheiro hebreu Hur (Floriano Peixoto).

Todo o núcleo de Meketre (Luciano Szafir) e Tais (Babi Xavier) simplesmente desapareceu (nesse caso, duvido que alguém reclame). Por outro lado, o ótimo sacerdote Paser (Giuseppe Oristânio) e seu hilário assistente Simut (Renato Livera) mal dão as caras.

O terrível drama da hebréia que foi obrigada a se prostituir na casa de Senet não é mencionado. Assim como também é ignorada a saga do casal formado por Uri (Rafael Sardão) e Leila (Juliana Didone), divididos em relação a fé e o amor. Bem como todas as histórias de Zipora (Gisele Itiê) e suas irmãs, em especial a da que se apaixona por Moises e vira prostituta.

dezmandamentospragasramsesOs 50 intermináveis capítulos dedicados às dez pragas do Egito viraram 20 minutos de filme – e você não faz ideia de como ficou mais legal.

Você deve estar se perguntando: o que sobrou? Bem, o filme se limita a relatar as histórias bíblicas conhecidas por qualquer leitor do Velho Testamento. Nada muito além disso. Para quem assistiu a novela, o mais bacana é ver as cenas de maior impacto na tela grande – a diferença é notável.

A história de Vivian Oliveira, porém, não foi pensada originalmente para o cinema e isso acarreta um outro problema. Ao excluir todo o recheio que a autora inventou, muitos fios ficam soltos, difíceis de entender. Para resolver isso, Josué (ex-Oseias) surge como o narrador da história, num tom que lembra professor de história do primário.

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Nos últimos dez minutos, o filme avança na trama, mostrando uns poucos episódios que a novela não exibiu. Serão seguramente vistos na chamada “segunda temporada” de “Os Dez Mandamentos”, que a Record ainda não definiu quando vai estrear.

Quem não assistiu a novela vai se surpreender, talvez, com o tom de pregação religiosa de Moisés e seus familiares – uma característica marcante do folhetim bíblico da emissora. Mas, tirando isso, não vai se aborrecer muito com o filme.

As duas horas correm rápido e, nos momentos épicos mais conhecidos (as pragas, a abertura do Mar Vermelho, a entrega das tábuas por Deus), não fica devendo muita coisa a outros filmes do gênero.

Em tempo: Prepare-se. Na sessão em que vi “Os Dez Mandamentos” fui obrigado a assistir a trailers de quatro filmes com temática bíblica e/ou mística que vão estrear nos próximos meses. A saber: “Ressurreição”, com Joseph Fiennes, “Deuses do Egito”, com Gerard Butler, “Deus Não Está Morto 2” e “O Jovem Messias”. Sai de baixo.

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Spoiler do filme “Os Dez Mandamentos”: as imagens que a novela não mostrou
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Mauricio Stycer

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Com estreia programada para 28 de janeiro, o filme “Os Dez Mandamentos” caminha para se tornar uma das grandes bilheterias do cinema brasileiro. Com 2,3 milhões de ingressos já vendidos, o filme será lançado em mais de mil salas.

As imagens acima mostram o momento em que Moisés vê os Dez Mandamentos serem gravados em pedra por Deus. Em seguida, ele descerá do Monte Sinai e entregará as tábuas ao povo hebreu.

Esta sequência deveria ter sido vista no final da novela, em novembro de 2015, mas foi guardada para ser um dos atrativos do longa-metragem e da segunda temporada da novela, que a Record deve exibir a partir de março.

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Uma lição do professor Snape que pode interessar a atores de novelas
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Mauricio Stycer

A morte do ator Alan Rickman, anunciada nesta quinta-feira (14), está sendo uma oportunidade para lembrar como se deu a composição do personagem Severus Snape na versão de “Harry Potter” para o cinema.

Anos antes de publicar o último livro da série, J. K. Rowling revelou a Rickman como seria o desfecho do personagem. Por confiar muito no ator, a autora contou a ele que Snape mostraria um lado bom até o fim da série.

De posse desta informação fundamental, Rickman criou o seu Snape no cinema – um tipo ambíguo, com nuanças. “Era divertido ver quando diretores mandavam Alan agir de determinada forma em uma cena e ele respondia: ‘Não, eu não posso fazer isso. Eu sei o que vai acontecer com o personagem e você não’”, contou o produtor David Heyman ao lamentar a morte do ator.

Acrescenta o produtor: “Ele tinha uma compreensão real do personagem e, agora, olhando para trás, você pode ver que havia sempre algo mais lá — um olhar, uma expressão, um sentimento, uma dica sobre o que estava por vir. A sombra que ele lança nesses filmes é enorme e a emoção que ele transmite é imensurável”.

Essa oportunidade que Rickman teve, de saber logo no início o que iria acontecer com o personagem sete filmes depois, é algo que todo ator sonha. Uma das dificuldades dos atores de novela, justamente, é não saber o que vai ocorrer com seus personagens ao longo da trama.

Por trabalharem com obras abertas, os autores dos folhetins da TV muitas vezes alteram o rumo e, mesmo, o caráter dos personagens no meio da história, deixando os atores perdidos.

Os fãs da série de filmes “Harry Potter” devem agradecer a Rowling pela ajuda que ela deu ao ótimo Rickman.

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Para passar na TV, ficção sobre guerra em favela vira “quase documentário”
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Mauricio Stycer

Pegue um filme de ficção, exibido com algum sucesso nos cinemas, acrescente 25 minutos de imagens reais, captadas por equipes de jornalistas, grave cenas adicionais com atores e transforme tudo isso num programa para a TV em quatro episódios. É isso, resumidamente, o que ocorreu com “Alemão”, de José Eduardo Belmonte.

Um dos dez filmes brasileiros mais vistos em 2014, o drama conta a história ficcional de cinco policiais infiltrados no Complexo do Alemão em 2010, quando ocorreu a tomada da favela pelo Exército e a polícia.

Para adaptá-lo, o diretor Guel Arraes, da Globo, convocou o próprio Belmonte. O cineasta teve acesso a 40 horas de material do departamento de jornalismo da emissora e, com a ajuda do jornalista Marcio Sternick, selecionou inúmeros trechos.

“Alemão” conta com Cauã Reymond no papel de Playboy, o chefe do tráfico local, e de Otávio Müller, Gabriel Braga Nunes, Marcello Melo Jr., Milhem Cortaz e Caio Blat como os policiais disfarçados. Vai ao ar na Globo a partir desta terça (12) até sexta (15).

O UOL assistiu ao primeiro episódio – intenso, ágil, muito bem dirigido e realizado. Em meio a “flashes” do noticiário da Globo, os personagens às vezes parecem fazer parte de um documentário.

Para dar lógica à narrativa, alguns atores que participaram das filmagens em 2013 foram convocados para gravar novas cenas, incluídas no “Alemão” da TV. Pelo menos um ator que não participou do filme, Eucir de Souza, ganhou um papel no programa.

“Parte da ficção lembra muito documentário. E o jornalismo, pelo tamanho do evento (a ocupação do Alemão), parece ficção”, diz Arraes. Vale lembrar que a Globo ganhou Emmy Internacional em 2011 justamente por sua cobertura das operações policiais na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão.

Como chamar esta mistura de ficção com jornalismo? No material de divulgação, a emissora diz que se trata de uma série. Arraes fala em “docudrama”. E como classificar este tipo de produto, um filme que vira série de TV, ganha 25% de imagens de não-ficção e ainda acrescenta novas filmagens com atores? “Não sei”, diz Arraes.

“O cinema não é mais a única tela para o Autor”, diz Belmonte, questionado pelo UOL se ele não se ofende com esta transformação de sua obra. “Está tudo bagunçado. Novos paradigmas. Acho mais correto falar em realizador de audiovisual”, afirma.

Neste processo, um aspecto é fundamental, lembra Arraes: “Que o diretor aprove o corte final”. Belmonte acrescenta: “Fiquei três meses na Globo. Foi muito legal”.

TimRoberto1Para entender estes dois comentários é preciso voltar um ano no tempo. Em janeiro de 2015, a Globo exibiu “Tim Maia”, uma versão do filme de Mauro Lima. Na véspera da estreia, o diretor escreveu em uma rede social: “Aos seguidores que não viram ‘Tim Maia’ no cinema sugiro que não assistam essa versão que vai ao ar hoje e amanhã na Globo. Trata-se de um subproduto que não escrevi daquele modo, nem dirigi ou editei”.

Na realidade, lembrou Guel Arraes, Lima foi contratado e recebeu da Globo para ajudar na adaptação.

Este texto foi publicado originalmente no UOL TV e Famosos.

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