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Categoria : Cinema

“Dez Mandamentos”: filme desnuda as falhas e os exageros da novela
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Mauricio Stycer

DezMandamentosFilmeEra de se esperar, no processo de transformar uma novela de 176 capítulos em um filme de 120 minutos, que muita coisa marcante ficasse de fora. O que mais chama a atenção em “Os Dez Mandamentos”, no entanto, é que ele se livrou de tudo que fez a fama do folhetim bíblico. E acho que isso fez bem para o longa-metragem.

Todas as tramas paralelas, os amores impossíveis, os dramas terríveis, os três grandes vilões, enfim, as invenções mais rocambolescas de Vivian de Oliveira se tornaram acessórias ou simplesmente sumiram no filme.

Nefertari (Camila Rodrigues), que passou nove meses com o coração dividido entre Ramsés (Sérgio Marone) e Moisés (Guilherme Winter), mal abre a boca na tela grande. Sua mãe, Yunet (Adriana Garambone), uma das vilãs mais implacáveis da teledramaturgia brasileira, quiçá mundial, só comete uma pequena vilania no filme.

O capataz Apuki (Heitor Martinez), que passou a novela espancando a mulher, oprimindo a filha e chicoteando os escravos, só tem importância na cena da adoração ao bezerro. O hebreu traíra Corá (Vitor Hugo), que entre outros absurdos roubou o cajado de Moisés, passa as duas horas no cinema praticamente calado.

O filme também sumiu com todas as histórias de amor impossíveis, em especial a de Oséias (Sidney Sampaio) e Ana (Tammy Di Calafiori). E a da princesa Henutmire (Vera Zimmerman) e o joalheiro hebreu Hur (Floriano Peixoto).

Todo o núcleo de Meketre (Luciano Szafir) e Tais (Babi Xavier) simplesmente desapareceu (nesse caso, duvido que alguém reclame). Por outro lado, o ótimo sacerdote Paser (Giuseppe Oristânio) e seu hilário assistente Simut (Renato Livera) mal dão as caras.

O terrível drama da hebréia que foi obrigada a se prostituir na casa de Senet não é mencionado. Assim como também é ignorada a saga do casal formado por Uri (Rafael Sardão) e Leila (Juliana Didone), divididos em relação a fé e o amor. Bem como todas as histórias de Zipora (Gisele Itiê) e suas irmãs, em especial a da que se apaixona por Moises e vira prostituta.

dezmandamentospragasramsesOs 50 intermináveis capítulos dedicados às dez pragas do Egito viraram 20 minutos de filme – e você não faz ideia de como ficou mais legal.

Você deve estar se perguntando: o que sobrou? Bem, o filme se limita a relatar as histórias bíblicas conhecidas por qualquer leitor do Velho Testamento. Nada muito além disso. Para quem assistiu a novela, o mais bacana é ver as cenas de maior impacto na tela grande – a diferença é notável.

A história de Vivian Oliveira, porém, não foi pensada originalmente para o cinema e isso acarreta um outro problema. Ao excluir todo o recheio que a autora inventou, muitos fios ficam soltos, difíceis de entender. Para resolver isso, Josué (ex-Oseias) surge como o narrador da história, num tom que lembra professor de história do primário.

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Nos últimos dez minutos, o filme avança na trama, mostrando uns poucos episódios que a novela não exibiu. Serão seguramente vistos na chamada “segunda temporada” de “Os Dez Mandamentos”, que a Record ainda não definiu quando vai estrear.

Quem não assistiu a novela vai se surpreender, talvez, com o tom de pregação religiosa de Moisés e seus familiares – uma característica marcante do folhetim bíblico da emissora. Mas, tirando isso, não vai se aborrecer muito com o filme.

As duas horas correm rápido e, nos momentos épicos mais conhecidos (as pragas, a abertura do Mar Vermelho, a entrega das tábuas por Deus), não fica devendo muita coisa a outros filmes do gênero.

Em tempo: Prepare-se. Na sessão em que vi “Os Dez Mandamentos” fui obrigado a assistir a trailers de quatro filmes com temática bíblica e/ou mística que vão estrear nos próximos meses. A saber: “Ressurreição”, com Joseph Fiennes, “Deuses do Egito”, com Gerard Butler, “Deus Não Está Morto 2” e “O Jovem Messias”. Sai de baixo.

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Spoiler do filme “Os Dez Mandamentos”: as imagens que a novela não mostrou
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Mauricio Stycer

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Com estreia programada para 28 de janeiro, o filme “Os Dez Mandamentos” caminha para se tornar uma das grandes bilheterias do cinema brasileiro. Com 2,3 milhões de ingressos já vendidos, o filme será lançado em mais de mil salas.

As imagens acima mostram o momento em que Moisés vê os Dez Mandamentos serem gravados em pedra por Deus. Em seguida, ele descerá do Monte Sinai e entregará as tábuas ao povo hebreu.

Esta sequência deveria ter sido vista no final da novela, em novembro de 2015, mas foi guardada para ser um dos atrativos do longa-metragem e da segunda temporada da novela, que a Record deve exibir a partir de março.

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Uma lição do professor Snape que pode interessar a atores de novelas
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Mauricio Stycer

A morte do ator Alan Rickman, anunciada nesta quinta-feira (14), está sendo uma oportunidade para lembrar como se deu a composição do personagem Severus Snape na versão de “Harry Potter” para o cinema.

Anos antes de publicar o último livro da série, J. K. Rowling revelou a Rickman como seria o desfecho do personagem. Por confiar muito no ator, a autora contou a ele que Snape mostraria um lado bom até o fim da série.

De posse desta informação fundamental, Rickman criou o seu Snape no cinema – um tipo ambíguo, com nuanças. “Era divertido ver quando diretores mandavam Alan agir de determinada forma em uma cena e ele respondia: ‘Não, eu não posso fazer isso. Eu sei o que vai acontecer com o personagem e você não’”, contou o produtor David Heyman ao lamentar a morte do ator.

Acrescenta o produtor: “Ele tinha uma compreensão real do personagem e, agora, olhando para trás, você pode ver que havia sempre algo mais lá — um olhar, uma expressão, um sentimento, uma dica sobre o que estava por vir. A sombra que ele lança nesses filmes é enorme e a emoção que ele transmite é imensurável”.

Essa oportunidade que Rickman teve, de saber logo no início o que iria acontecer com o personagem sete filmes depois, é algo que todo ator sonha. Uma das dificuldades dos atores de novela, justamente, é não saber o que vai ocorrer com seus personagens ao longo da trama.

Por trabalharem com obras abertas, os autores dos folhetins da TV muitas vezes alteram o rumo e, mesmo, o caráter dos personagens no meio da história, deixando os atores perdidos.

Os fãs da série de filmes “Harry Potter” devem agradecer a Rowling pela ajuda que ela deu ao ótimo Rickman.

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Para passar na TV, ficção sobre guerra em favela vira “quase documentário”
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Mauricio Stycer

Pegue um filme de ficção, exibido com algum sucesso nos cinemas, acrescente 25 minutos de imagens reais, captadas por equipes de jornalistas, grave cenas adicionais com atores e transforme tudo isso num programa para a TV em quatro episódios. É isso, resumidamente, o que ocorreu com “Alemão”, de José Eduardo Belmonte.

Um dos dez filmes brasileiros mais vistos em 2014, o drama conta a história ficcional de cinco policiais infiltrados no Complexo do Alemão em 2010, quando ocorreu a tomada da favela pelo Exército e a polícia.

Para adaptá-lo, o diretor Guel Arraes, da Globo, convocou o próprio Belmonte. O cineasta teve acesso a 40 horas de material do departamento de jornalismo da emissora e, com a ajuda do jornalista Marcio Sternick, selecionou inúmeros trechos.

“Alemão” conta com Cauã Reymond no papel de Playboy, o chefe do tráfico local, e de Otávio Müller, Gabriel Braga Nunes, Marcello Melo Jr., Milhem Cortaz e Caio Blat como os policiais disfarçados. Vai ao ar na Globo a partir desta terça (12) até sexta (15).

O UOL assistiu ao primeiro episódio – intenso, ágil, muito bem dirigido e realizado. Em meio a “flashes” do noticiário da Globo, os personagens às vezes parecem fazer parte de um documentário.

Para dar lógica à narrativa, alguns atores que participaram das filmagens em 2013 foram convocados para gravar novas cenas, incluídas no “Alemão” da TV. Pelo menos um ator que não participou do filme, Eucir de Souza, ganhou um papel no programa.

“Parte da ficção lembra muito documentário. E o jornalismo, pelo tamanho do evento (a ocupação do Alemão), parece ficção”, diz Arraes. Vale lembrar que a Globo ganhou Emmy Internacional em 2011 justamente por sua cobertura das operações policiais na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão.

Como chamar esta mistura de ficção com jornalismo? No material de divulgação, a emissora diz que se trata de uma série. Arraes fala em “docudrama”. E como classificar este tipo de produto, um filme que vira série de TV, ganha 25% de imagens de não-ficção e ainda acrescenta novas filmagens com atores? “Não sei”, diz Arraes.

“O cinema não é mais a única tela para o Autor”, diz Belmonte, questionado pelo UOL se ele não se ofende com esta transformação de sua obra. “Está tudo bagunçado. Novos paradigmas. Acho mais correto falar em realizador de audiovisual”, afirma.

Neste processo, um aspecto é fundamental, lembra Arraes: “Que o diretor aprove o corte final”. Belmonte acrescenta: “Fiquei três meses na Globo. Foi muito legal”.

TimRoberto1Para entender estes dois comentários é preciso voltar um ano no tempo. Em janeiro de 2015, a Globo exibiu “Tim Maia”, uma versão do filme de Mauro Lima. Na véspera da estreia, o diretor escreveu em uma rede social: “Aos seguidores que não viram ‘Tim Maia’ no cinema sugiro que não assistam essa versão que vai ao ar hoje e amanhã na Globo. Trata-se de um subproduto que não escrevi daquele modo, nem dirigi ou editei”.

Na realidade, lembrou Guel Arraes, Lima foi contratado e recebeu da Globo para ajudar na adaptação.

Este texto foi publicado originalmente no UOL TV e Famosos.

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Disputa do Oscar de filme estrangeiro está entre 4 filmes acima da média
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Mauricio Stycer


Fato pouco comum, quatro dos cinco candidatos ao Oscar de filme estrangeiro estão atualmente em cartaz em cinemas de São Paulo – e os quatro são muito bons.

“Relatos Selvagens” (Argentina), “Ida” (Polônia), “Leviatã” (Rússia) e “Timbuktu (Mauritânia) apresentam boas histórias, contam com grandes atores e emocionam. O quinto candidato, “Tangerines” (Estônia”), ainda está inédito no Brasil.

O filme do argentino Damian Szifrón é o que está há mais tempo em cartaz. “Relatos Selvagens” é formado por seis histórias independentes, todas elas tratando, como diz o diretor, de “impulsos primitivos do ser humano”. Como não poderia faltar, o mais famoso ator argentino da atualidade, Ricardo Darín, protagoniza um dos episódios. Ele vive um engenheiro às voltas com problemas burocráticos que, um dia, perde a razão e ganha o apelido de “Bombita” (mais não conto).

OscarIdaO polonês Pawel Pawlikowski conta, em “Ida”, uma história delicada e triste. Filmado em preto-e-branco, o filme se passa em 1962, quando o país vivia sob um regime socialista, e evoca um drama ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial. Prestes a fazer seus votos em um convento, uma noviça, Anna, é instruída pela madre superiora a conhecer uma tia, Wanda, que mora em Varsóvia. Juntas, as duas vão percorrer o país, tentando esclarecer um episódio bem doloroso para ambas. Além da história ótima, as duas atrizes, Agata Kulesza e Agata Trzebuchowska (foto), valem o ingresso.

OscarLeviataDiretor do premiado “O Retorno”, Andrey Zvyagintsev pinta um retrato cinzento da Rússia atual em “Leviatã”. O filme mostra a luta kafkiana de Kolia (Aleksey Serebryakov), dono de uma oficina mecânica, em uma cidade próxima ao Mar de Barents, para manter a sua casa, cobiçada pelo prefeito, que pretende se apropriar do terreno para erguer um empreendimento imobiliário. Na cena mais famosa do filme, Kolia e seus amigos vão fazer um picnic em uma área afastada, com direito a brincar de tiro. Os alvos são fotos enquadradas de políticos russos dos últimos cem anos. “Leviatã” ganhou o prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes.

OscarTimbuktuJá Abderrahmane Sissako conta em “Timbuktu” uma história de ficção inspirada em situações reais, sobre a ocupação de uma cidade com este nome no Mali por fundamentalistas islâmicos. Eles impõem o terror no local, proibindo mulheres de exibir o corpo, e banindo a música e o futebol, entre outros. Ainda que de forma não exagerada, o filme é abertamente crítico e, até, debochado com os fundamentalistas, mostrando o absurdo e o ridículo de muitas de suas decisões. O ataque aos cartunistas e jornalistas da revista francesa “Charlie Hebdo”, em janeiro, de certa forma dá ainda mais visibilidade a “Timbuktu”.

Qual vai levar a estatueta? Prefiro não especular. Quis apenas, com estes breves resumos, chamar a atenção para a qualidade muito acima da média destes quatro filmes e do privilégio que é poder vê-los neste momento.

Abaixo, trailers dos quatro concorrentes ao Oscar:

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Roberto Carlos diz que desconhecia humilhação a Tim Maia exibida em filme
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Mauricio Stycer

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Pivô de uma grande polêmica a respeito do filme “Tim Maia”, o cantor Roberto Carlos finalmente se manifestou sobre o assunto em uma entrevista a Amaury Jr., na RedeTV!, exibida na madrugada de quarta-feira (28).

Lançado em outubro de 2014, o filme de Mauro Lima passou quase em brancas nuvens. Mas, no início de janeiro deste ano, quando a Globo apresentou uma minissérie baseada no longa-metragem, uma grande confusão ocorreu.

A versão da TV suprimiu uma cena em que um secretário de Roberto humilhava Tim Maia, atirando dinheiro para ele pegar no chão. Questionado por Amaury, o Rei afirmou desconhecer a história. Veja a cena e o comentário do cantor abaixo.

Roberto Carlos só soube ‘muita coisa’ sobre Tim Maia ao ver filme (10)

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Produtor do filme “Tim Maia” aprova versão da Globo: “valoriza o produto”
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Mauricio Stycer


Produtor do longa-metragem “Tim Maia”, Rodrigo Teixeira não se surpreendeu com a adaptação drástica feita Rede Globo, exibida na forma de minissérie em dois episódios na última semana. Ao contrário, o produtor se diz satisfeito. “Valoriza o produto e tem retorno financeiro.”

O produtor defende as alterações feitas pela Globo no conteúdo, como a inclusão de entrevistas e mesmo a exclusão de cenas do filme. “É legítimo ouvir o Roberto Carlos. A emissora quer audiência, não está errada.” Na sua visão, a série da TV não minimiza o papel de Tim na carreira de Roberto Carlos.

“O Roberto diz no seu depoimento: ‘Tim Maia cantava mais que todos nós’. Pode elogio maior que esse?”, pergunta o produtor. “Nelson Motta diz no seu depoimento que Roberto Carlos lançou Tim Maia, o que também é verdade. Gravou a primeira música dele”, defende.

RodrigoTeixeiraTeixeira afirma ter feito dois negócios com a Globo. Vendeu os direitos de exibição do filme, na íntegra, na televisão, bem como o de fazer a minissérie. “Foi uma oferta muito boa. E eles deixaram claro que iam mexer no filme”.

Ainda segundo Teixeira, Mauro Lima, diretor do longa-metragem, trabalhou por duas semanas junto à equipe da Globo que fez a adaptação para a minissérie. “O roteiro foi submetido a ele, assim como ele soube das entrevistas que seriam feitas”, diz o produtor.

“Quando li a mensagem dele no Instagram, imaginei que ia dar confusão”, diz, referindo-se à recomendação de Lima para que seus seguidores não assistissem ao programa da TV. O cineasta disse posteriormente que aquela era uma mensagem privada e que não tinha a intenção de atacar o trabalho da Globo.

O filme foi visto por apenas 810 mil espectadores nos cinemas. A expectativa de Teixeira era bem maior, algo entre 1,5 milhão e 3 milhões. O produtor tinha em mente os resultados de outras cinebiografias, como “Gonzaga, de Pai para Filho” (1,4 milhão), “Cazuza, o Tempo Não Para” (3,2 milhões) e “Dois Filhos de Francisco (5,5 milhões).

“E a série da Globo foi vista por 45 milhões de pessoas”, diz, estimando o público com base na boa audiência alcançada. “Quando o filme passou, ninguém falava de Tim Maia. Hoje, depois que passou na TV, virou assunto. “As pessoas agora querem ver o filme. Isso vai render.”

A emissora tem o direito de exibir o longa-metragem a partir do segundo semestre de 2015.

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Diretor do filme “Tim Maia” pediu aos fãs para não verem a série da Globo
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Mauricio Stycer

Em mensagem publicada no Instagram, o cineasta Mauro Lima, diretor do filme “Tim Maia”, pediu a seus seguidores que não assistissem “Tim Maia – Vale o que vier”, série exibida pela Globo entre quinta (1º) e sexta-feira (02).

“Aos seguidores que não viram ‘Tim Maia’ no cinema sugiro que não assistam essa versão que vai ao ar hoje e amanhã na Globo. Trata-se de um subproduto que não escrevi daquele modo, nem dirigi ou editei”, escreveu o cineasta.

Como a emissora informou, o programa foi “uma recriação do filme” de Lima. A Globo eliminou cenas, acrescentou outras, incluiu depoimentos de contemporâneos do cantor e ainda gravou imagens nas quais o ator que interpreta Tim Maia narra trechos da própria história

TimRobertoFãs de Tim Maia que viram tanto o filme quanto a série reclamaram muito da forma como foi abordada, na TV, a conturbada amizade do cantor com Roberto Carlos, seu contemporâneo na juventude na Tijuca.

Baseado no livro de Nelson Motta, “Vale Tudo – O som e a fúria de Tim Maia”, o filme abraça a versão de que Roberto Carlos deu de ombros e até humilhou o amigo quando ele o procurou no início da carreira. Na TV, uma sequência forte que mostra esta situação foi eliminada e, em seu lugar, entrou um depoimento do cantor dizendo que ajudou, sim, Tim Maia.

Mauro Lima não comentou as alterações feitas pela TV. Irônico, apenas disse que a série é uma versão que não tem relação nenhuma com o seu trabalho. “Seria um ‘director´s non cut’.” E recomendou: “Sugiro esperar sair no Now ou em DVD na sua forma original”.

Atualizado em 5/1: Em depoimento à “Folha”, Mauro Lima explica que não quis “atacar” o trabalho da Globo.

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Em nome do didatismo, Globo “recria” filme sobre Tim Maia
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Mauricio Stycer

TimMaiaQuem viu “Tim Maia”, filme de Mauro Lima, lançado em outubro de 2014, não deve ter entendido direito o primeiro episódio de “Tim Maia – Vale o que vier”, exibido pela Globo na noite de quinta-feira (1º).

A emissora chama o projeto de “uma recriação do filme”. Um diretor (Luis Felipe Sá) e uma roteirista (Patricia Andrade) se debruçaram sobre o longa-metragem, eliminaram cenas, acrescentaram outras, incluíram depoimentos de contemporâneos do cantor e ainda gravaram imagens nas quais o ator que interpreta Tim Maia narra trechos da própria história.

O que era originalmente uma cinebiografia, ao ir para a televisão virou um híbrido de documentário com situações encenadas para dar mais ênfase ao que estava sendo narrado de forma ficcional.

Acredito que a intenção da Globo foi deixar a história ainda mais clara e didática para o espectador, mas achei o resultado confuso e desigual.

É estranho pensar que o diretor do filme tenha aceitado ver o seu projeto ser “recriado”, para não dizer transfigurado, de forma tão radical. Mas certamente alcançou um público muito maior na televisão do que no cinema.

O segundo e último episódio de de “Tim Maia – Vale o que vier” será exibido nesta sexta-feira (2).

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Dois grandes atores em cena
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Mauricio Stycer

Aproveito que hoje é sábado para recomendar um filme, “À Procura do Amor”, com dois grandes atores, Julia Louis-Dreyfus e James Gandolfini, ambos marcados por trabalhos feitos para a TV – ela, em “Seinfeld”, “The New Adventures of Old Christine” e “Veep”; ele, em “Família Soprano”.

Comédia romântica com momentos amargos, “À Procura do Amor” mostra as idas e vindas de um romance entre dois cinqüentões, ambas separados. É um dos últimos trabalhos de Gandolfini (1961-2013), que morreu em junho deste ano, em Roma. Tinha 51 anos.

A convite da “Folha” escrevi o texto Interação entre dois grandes atores de TV fortalece ‘À Procura do Amor’, publicado na edição de terça-feira (03) do jornal.

Abaixo o trailer do filme: