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Na segunda temporada, “MasterChef” fica menos natural e mais encenado

Mauricio Stycer

27/05/2015 00h26

masterchefpaola2015Exibido entre setembro e dezembro de 2014, o "MasterChef Brasil" fez tanto sucesso que a Band providenciou uma segunda temporada logo para maio de 2015. Sem medo de queimar o formato, a emissora apostou tudo no carisma do trio de jurados e em uma seleção mais criteriosa dos candidatos. Algo não saiu exatamente como previsto na receita, no entanto.

O que encantou na primeira edição, a espontaneidade dos jurados, se perdeu neste início do novo programa. Erick Jacquin e Paola Carossella, especialmente, estão agora encarnando personagens que buscam imitar os jurados de 2014, mas exageram nos trejeitos.

masterchefjacquindentistaJacquin, tão cruel quanto engraçado em suas observações com sotaque francês, agora interpreta o chef malvadão e piadista. Já Carosella, a argentina sensível e charmosa, agora vive o papel da chef sedutora, dominadora e irresistível.

Henrique Fogaça, ao menos nestes dois primeiros episódios, me pareceu o mais natural e menos afetado.

masterchefmaeOutro problema foi a escolha dos participantes. Claramente optou-se, desta vez, por candidatos com potencial dramatúrgico, não necessariamente culinário. É natural que seja assim em um reality show, mas na primeira edição esta preocupação não foi tão visível.

Olhando sob a perspectiva dos participantes com chance de "render" mais histórias, foi fácil imaginar quais seriam escolhidos. Além disso, a própria Band fez questão de dar spoiler, mostrando, antes mesmo da seleção, vários dos candidatos que foram selecionados.

Ainda assim, "MasterChef" continua divertido e engraçado. Ouvir Jacquin dizer que se sentiu em "um dentista" diante de um prato mal feito não tem preço. Da mesma forma, foi ótimo se irritar com Paola Carosella, em pose superior, avisando que não come "coisas de lata".

O reality da Band é muito bom e continua com ótima edição e direção. Mas é impossível não observar que perdeu parte do encanto.

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Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.