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O mais bacana, a reinvenção, “o cara”, a boa surpresa: os melhores de 2018

Mauricio Stycer

28/12/2018 05h01

Encerro a temporada de retrospectivas de 2018 com uma seleção de melhores do ano – 10 escolhas bem pessoais de programas, apresentadores, grupos e atores que me impressionaram nos últimos 12 meses. Fique à vontade para discordar e apontar os seus melhores na área de comentários do blog.

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O melhor do ano: Nem novela nem série, "Onde Nascem os Fortes" foi apresentada como uma supersérie. Não entendo bem esta nomenclatura, mas tenho certeza que foi a melhor coisa que a TV aberta brasileira exibiu em 2018. Com 53 capítulos, a história de George Moura e Sergio Goldenberg, dirigida por José Luiz Villamarin, ofereceu ao público momentos extraordinários, fortes e comoventes, vividos por um timaço de atores. Com poucos personagens centrais, a supersérie foi construída de forma muito engenhosa, surpreendendo não apenas com ângulos e visuais inesperados, mas com desdobramentos impensáveis da história. Nenhum personagem foi o que se imaginava dele no início. Entre muitos outros, palmas para Fabio Assunção, Enrique Diaz, Patricia Pillar, Alice Wegmann, Debora Bloch, Alexandre Nero, Irandhir Santos, Gabriel Leone, Jesuíta Barbosa e Maeve Jinkings.


O homem do ano: Ninguém apareceu mais na mídia em 2018 do que Silvio Santos. No ano em que completou 88 anos, o dono do SBT não descansou um minuto: inventou brigas com Mara Maravilha, fez propaganda para Michel Temer, constrangeu Claudia Leitte no Teleton, recebeu Jair Bolsonaro para um churrasco, tripudiou de Edir Macedo por causa do sucesso de "Poliana" e lembrou: "Quem não pode fazer amor, come chocolate". Mais um ano em que Silvio mostra que o SBT é ele.


A melhor escolha: Demorou dez anos, mas antes tarde do que nunca. Em 2018, finalmente, a Record encontrou o apresentador ideal para "A Fazenda". E ele estava na casa quase este tempo todo. Marcos Mion foi "o cara" do ano. À vontade, divertindo-se, rindo dos participantes e sem se intimidar com as orientações do diretor, o apresentador conseguiu impor um ritmo próprio ao reality. Sem exagero, é possível dizer que ressuscitou um formato que parecia condenado.


A melhor série: "Sob Pressão" chegou ao final da segunda temporada causando ainda mais impacto do que a primeira. Com a entrada em cena de Renata (Fernanda Torres), a série sobre um hospital público no subúrbio do Rio conseguiu tratar do tema da corrupção. Evandro (Julio Andrade) e Carolina (Marjorie Estiano) voltaram a emocionar o público protagonizando histórias de heroísmo e tragédia na emergência do hospital. Palmas para a equipe de criação, comandada por Jorge Furtado, que já prepara uma terceira temporada.


A melhor surpresa: Várias foram as tentativas nos últimos anos de adaptar sucessos do You Tube para a TV aberta. Nenhuma funcionou direito. O grande acerto da surpreendente decisão de levar o Choque de Cultura para a Globo foi a opção de não interferir no trabalho do grupo de humor. Com esquetes muito semelhantes aos que já exibiam na internet, Caíto Manier, Daniel Furlan, Leandro Ramos e Raul Chequer, encarnando motoristas de van, apresentaram a um público maior os hilários debates sobre cinema protagonizado pelos reis do transporte alternativo.


A inesperada reinvenção: Com enormes serviços prestados à televisão, Gugu Liberato se viu em 2018 sem um programa para chamar de seu. Sem estrelismo, encarou apresentar dois formatos prontos na Record, o reality "Power Couple" e o show de talentos "Canta Comigo". Não foi nenhuma Brastemp, mas não comprometeu e, ajudado pelas características dos programas, adaptou-se bem à tarefa. Assim como Xuxa, à frente do "Dancing Brasil" desde 2017, Gugu mostrou que o bom apresentador, nos dias de hoje, precisa ser maleável.


A mocinha que mais sofreu: Entre 26 de outubro de 2017 e 19 de março deste ano, Vitória Strada sofreu na pele de Maria Vitória, a mocinha de "Tempo de Amar", também conhecida como "Tempo de Sofrer". Lançada pela Globo já no papel de protagonista, a atriz se saiu tão bem que, seis meses depois, em 25 de setembro, ela já estava de volta ao ar, novamente como protagonista. Só que desta vez na pele de duas sofredoras, Cris e Julia, uma no presente e outra no passado, em "Espelho da Vida". Se no final de 2019 Vitória Strada aparecer no especial de Roberto Carlos estará comprovado que a Globo encontrou uma boa atriz para substituir Marina Ruy Barbosa.


A maior goleada: Com o fim do "Pânico na Band", a correlação de forças nas noites de domingo mudou em 2018. Nada mais simbólico do novo estado das coisas que a goleada histórica aplicada pelo "Encrenca", da RedeTV!, na programação da Band. Num certo domingo de junho, o humorístico venceu a emissora rival por 7 a 1, em número de pontos do Ibope. Em uma entrevista, os quatro integrantes do grupo contaram que, no início, queriam que imitassem justamente o "Pânico", o que eles tiveram o bom senso de evitar.


A homenagem mais tocante: Jô Soares esteve três vezes este ano no "Programa do Porchat". Em abril, deu uma longa entrevista, tão emocionante quanto interessante, exibida pela Record em dois episódios. E no final de novembro, participou novamente do programa. Nas duas ocasiões, contou histórias que aparecem nos dois volumes de "O Livro de Jô", sua "autobiografia desautorizada". O primeiro encontro de Porchat com Jô foi especialmente marcante pelo tom de homenagem do aluno ao mestre. Após três temporadas, Porchat deixou a Record em dezembro.


A despedida em alto nível: Foram 52 episódios, exibidos ao longo de quatro temporadas, entre 2015 e 2018. Criada por Jorge Furtado, "Mister Brau" se despediu do público este ano com um episódio gravado na África. Foi um programa histórico – pela primeira vez, um casal de personagens negros bem-sucedidos protagonizou uma série na Globo. "Foi importante, em primeiro lugar, por trazer uma família que não estava na TV brasileira. Uma família de origem humilde que venceu através do seu trabalho, e que celebrava a vida. Isso faltava na televisão e Brau preencheu com maestria", disse Lázaro Ramos.

Outros cinco textos que inspiraram esta lista
1. "Tempo de Amar" foi uma novela na TV e outra nas entrevistas do autor
2. UOL Vê TV: Por que "Espelho da Vida" é uma novela legal, mas chatinha
3. Troféu Sinceridade: Jô consola Porchat por baixa audiência e ele agradece
4. Tão bom quanto os vídeos, livro do Choque de Cultura ri da ignorância geral
5. Em meio a veteranos, Alice Wegmann se destaca em "Onde Nascem os Fortes"

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Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.