Blog do Mauricio Stycer

Dez coisas que talvez você não saiba sobre “A Grande Família”

Mauricio Stycer


Ainda sem o aguardado talk show de Pedro Bial, cuja data de estreia segue indefinida, a Globo programou para as próximas cinco semanas, depois do “Jornal da Globo”, “O Álbum da Grande Família”. Trata-se de um tapa-buraco que tem tudo para deliciar os órfãos de um dos grandes seriados da história da emissora.

Segundo a divulgação oficial, “O Álbum da Grande Família” tratará de resumir, a cada semana, a trajetória de um personagem da série com base na compilação de trechos de alguns dos 489 episódios exibidos ao longo de 14 temporadas (2001-14).

Sempre narrada por Lineu (Marco Nanini), a série estreia falando, de segunda à sexta, de Nenê (Marieta Severo). Na segunda semana o foco é em Bebel (Guta Stresser). Na terceira, os homenageados são Agostinho (Pedro Cardoso) e Tuco (Lúcio Mauro Filho). A quarta semana será dedicada a Floriano (Rogério Cardoso), Marilda (Andrea Beltrão), Mendonça (Tonico Pereira), Beiçola (Marcos Oliveira) e Paulão (Evandro Mesquita). E a última falará do próprio Lineu.

“O Álbum da Grande Família” tem roteiro de Patrícia Pedrosa, que foi diretora do seriado, e texto-final de Mauro Wilson, que foi o chefe dos roteiristas do programa nas últimas três temporadas. Wilson é também coautor, ao lado de Max Mallmann e Rodrigo Salomão, de “A Grande Família: o livro” (Casa da Palavra, 144 págs., R$ 39,90).

Lançado em 2015, sem muito sucesso, o livro é uma espécie de almanaque, com inúmeras curiosidades sobre a série. É a fonte de onde tiro estas “10 coisas que talvez você não saiba sobre A Grande Família”.

1. Três programas estrangeiros inspiraram a criação de “A Grande Família”: a comédia “Till Death Us Do Part”, exibida pela BBC, da Inglaterra, entre 1965 e 75; a sitcom “All In The Family”, da CBS americana, apresentada entre 1971 e 79; e “Father Knows Best” (imagem à esq.), uma série cômica nascida no rádio e exibida na TV, pela CBS e NBC, entre 1954 e 60.

2. No Brasil, “All In The Family” ganhou o título de “Tudo em Família” e foi exibida, de forma incompleta, pela Band em meados da década de 70. Já “Father Knows Best”, traduzida como “Papai Sabe Tudo”, foi exibida no Brasil, em diferentes momentos, pela TV Tupi, Globo e Cultura.


3. “A Grande Família” estreou na Globo em 26 de outubro de 1972, escrita por Max Nunes e Roberto Freire, dirigida por Milton Gonçalves. No ano seguinte, tudo mudou. Daniel Filho assumiu a produção e chamou Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, e Armando Costa para escreverem.

4. Na série original, Lineu (Jorge Dória) e Nenê (Eloisa Mafalda) tinham três filhos, o primogênito Junior (Osmar Prado), estudante de medicina politizado, Tuco (Luiz Armando Queiroz), o alienado (ou “desbundado”, como se dizia), e a fútil Bebel (Djenane Machado, depois substituída por Maria Cristina Nunes). Seu Floriano, pai de Nenê, era vivido por Brandão Filho.

5. A primeira versão de “A Grande Família” teve 112 episódios, acabando em 27 de março de 1975. Além de muitos problemas com a censura, a série sofreu o baque da morte precoce de Vianinha, aos 38 anos, em julho de 1974, vítima de câncer no pulmão.

6. Em 1987, a Globo produziu um especial de Natal da “Grande Família”, escrito por Marcílio Moraes, com os mesmos personagens e elenco, vivendo a realidade da década de 80. Bebel tinha um namorado novo, um estudante de teatro, que foi vivido por Pedro Cardoso, justamente o ator que faria Agostinho (imagem) na versão lançada em 2001.

7. A ideia de fazer um remake de “A Grande Família” foi de Guel Arraes. O primeiro roteirista da série foi Claudio Paiva, que contou com a ajuda de Bernardo Guilherme e Marcelo Gonçalves. A equipe recebeu a encomenda de escrever uma temporada única, de oito episódios apenas.

8. A maior mudança em relação ao original foi a decisão de eliminar Júnior, o filho politizado do casal, e alterar o perfil de Lineu, antes calcado nos personagens das séries estrangeiras (o suburbano rabugento), tornando-o um tipo mais consciente e crítico.

9. A música-tema, tocada desde os anos 70, é uma criação da dupla Tom & Dito. No especial de 1987, foi regravada por Beth Carvalho. No remake de 2001, ganhou a voz de Dudu Nobre. Em 2013, Ivete Sangalo gravou. E na última temporada, foi Zeca Pagodinho quem reinterpretou a canção.

10. Vianinha definia assim “A Grande Família”: “É a autogozação das nossas dificuldades. Mas, acima de tudo, é a crônica da família saudável. O que eu quis fazer foi uma democratização do fracasso. São os fracassados, não no sentido da derrota, mas de uma solidariedade com os não vitoriosos. Aquelas pessoas que, sem estar no topo do mundo, sem frequentar as colunas sociais, continuam maravilhosas porque enfrentam e vencem todas as situações apresentadas.”

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Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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