Blog do Mauricio Stycer

Record diz que não pensa mais na Globo e cutuca SBT: “Sem mudanças repentinas”

Mauricio Stycer

Amargando a terceira posição no ranking nacional de audiência há 14 meses, a Record festejou agora em fevereiro a subida de uma posição, deixando o SBT para trás. Os números do PNT (Painel Nacional de Televisão) mostram que a emissora de Edir Macedo fechou o mês com média de 5,6 pontos, contra 5,2 do canal de Silvio Santos. A Globo manteve a liderança com 13,8 pontos.

Do ponto de vista do investimento em programação, este terceiro lugar da Record sempre foi difícil de entender – o calcanhar de Aquiles da emissora é a madrugada, ocupada por programação da Igreja Universal, que derruba a audiência. Agora em fevereiro, finalmente, mesmo este ponto fraco não foi suficiente para impedir a conquista da vice-liderança.

Vice-presidente artístico da Record desde junho de 2013, Marcelo Silva enxerga a posição alcançada como “resultado de um trabalho pacientemente planejado”. Segundo ele, nunca a emissora trabalhou tanto com pesquisas para entender os humores do espectador.

Abandonado o slogan “a caminho da liderança” e a obsessão com a Globo, o foco agora é atender o espectador. “Aqui não mais se dorme e acorda pensando em como passar a Globo. Nosso interesse é sermos bons produtores de conteúdo”, diz.

“Acabou-se a era das mudanças repentinas, movidas por estratégias na busca por audiência, em detrimento ao respeito por quem está assistindo e acompanhando nossa programação”, acrescenta, numa frase que faz pensar no SBT.

Leia abaixo a íntegra do depoimento solicitado pelo blog, enviado por Silva nesta sexta-feira (3)

“Para nós, o segundo lugar alcançado nas 24 horas do PNT é resultado de um trabalho pacientemente planejado; apesar de que, há muito tempo já somos segundo lugar no horário de 7 da manhã a meia noite, onde mais investimos. Horário que todos sabemos ser o mais importante para os investimentos publicitários.

Certa vez li que a Record gasta mais do que o SBT e, ainda assim, estava em terceiro lugar nas 24 horas do PNT. Gastamos mais, sim, para oferecermos mais conteúdo e de melhor qualidade para os telespectadores. Tenho dito que nossa prioridade é o respeito ao telespectador. Aqui não mais se dorme e acorda pensando em como passar a Globo. Nosso interesse é sermos bons produtores de conteúdo.

Acabou-se a era das mudanças repentinas, movidas por estratégias na busca por audiência, em detrimento ao respeito por quem está assistindo e acompanhando nossa programação. Nos últimos três anos nunca se trabalhou tanto com pesquisa na Record para entender o comportamento e expectativa do telespectador.

Atento a essas pesquisas, demos continuidade ao projeto das novelas bíblicas, fizemos modificações no “Hoje em Dia”, que numa decisão corajosa trocamos elenco e direção. Substituímos o “Programa da Tarde”por dramaturgia e a audiência quase que dobrou. Reformulamos o domingo com a estreia do “Domingo Show”e modificações artísticas no programa do Faro e no “Domingo Espetacular”. Além das novas contratações, investimentos em realities e séries.

Gostaria de salientar a importância da faixa de novelas das 19:30. Quando decidimos exibir a novela “Escrava Mãe” neste horário, já tínhamos planejado que, se a audiência e faturamento correspondessem, iríamos seguir com “A Escrava Isaura”para termos tempo de produzirmos uma novela inédita, “Belaventura” e, a partir daí, consolidarmos o segundo horário de novelas inéditas.

A respeito da reexibição de “A Escrava Isaura”, li críticas de que na Record não tinha quem soubesse planejar. Como professor de história, só tenho que argumentar com a questão sócio-antropológica da “estranheza que o mundo do outro” causa e que dá vida aos preconceitos, guerras, dominação sobre outras culturas, etc. Simplesmente, a forma que um determinado grupo planeja pode ser diferente do outro; mesmo que aos olhos deste seja errada. Isso não quer dizer que não houve planejamento.

Estamos vivendo constantes mudanças no nosso negócio. E elas são cada vez mais rápidas. Exemplo recente é o que acontece com o streaming. Antes reproduziam conteúdo e agora investem em produções próprias de alta qualidade. Justamente onde a televisão sempre reinou. Por isso, continuaremos trabalhando para acompanhar as novas tendências e demandas do telespectador e mercado. Acredito que este segundo lugar agora nas 24 horas no PNT, e já há algum tempo no chamado horário comercial, seja um reconhecimento do telespectador a tudo isso que comentamos.”

Veja também
Após mais de um ano, Record volta a ser 2º lugar isolado em ibope no Brasil

Siga o blog no Facebook e no Twitter.

Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.title}}

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Blog do Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Maurício Stycer
Topo