Blog do Mauricio Stycer

“Não tenho nada contra música sertaneja”, diz autora de “Rock Story”

Mauricio Stycer

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No ar desde a segunda semana de novembro de 2016, “Rock Story” tem se saído bem na tarefa de suceder duas novelas de sucesso, “Haja Coração” e “Totalmente Demais”, com uma proposta muito diferente.

A primeira novela assinada por Maria Helena Nascimento tem como protagonista um roqueiro no ocaso da carreira, Gui Santiago (Vladimir Brichta), e como antagonista um jovem cantor romântico, Leo Regis (Rafael Vitti). Os universos musicais que ambos representam servem de pano de fundo da história.

MariaHelenaNascimento3RockStoryNesta entrevista ao UOL, Maria Helena comenta alguns aspectos da novela, fala de seus gostos musicais e diz que enxerga Leo Regis como Justin Bieber. Ela também esclarece que não tem nada contra música sertaneja e afirma que é apenas uma coincidência o fato de o roqueiro protagonista ter o nome de uma dupla conhecida no universo sertanejo.

Por mais de 20 anos assinando como colaboradora de autores como Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Antonio Calmon, Maria Helena só teve a oportunidade de assinar como autora, pela primeira vez, agora, já bem experiente e madura.

Gostaria de saber como você encarou este longo percurso. E de que forma esta experiência acumulada teve impacto em “Rock Story”.
Esse longo caminho me deu a segurança que eu precisava antes de encarar uma empreitada deste tamanho. Trabalhei de perto com mestres e aprendi não só os princípios desse tipo de dramaturgia, como o método de cada um. Método é tão importante como criação, num trabalho de 180 capítulos. Na vida pessoal também foi bom ter esperado – não consigo imaginar o que é fazer uma novela com filhos pequenos ou adolescentes. E acho que tem um dado de geração também, na minha é comum as pessoas acontecerem meio tarde. Talvez seja um resto de herança hippie.

rockstorydiana2Os personagens de “Rock Story” são muito humanos, com qualidades e defeitos, contraditórios, multidimensionais, enfim. Falo não apenas do protagonista, mas de vários outros. Isso não deveria surpreender, mas as novelas andam tão simples, didáticas, que este aspecto da tua novela chama a atenção. Você sentiu alguma resistência, seja da emissora ou do público, para mostrar personagens assim?
Pelo contrário. Isso sempre foi apontado como uma qualidade, desde o começo, e fico feliz que seja assim, porque é resultado de um esforço consciente mesmo. Para mim, as contradições são o que a gente tem de mais humano e interessante.

Outra característica muito interessante de “Rock Story” é a valorização, como diz o título, do rock e de toda uma mitologia em torno dele (o dono da gravadora, a namorada, o empresário etc). Você concorda que a novela é nostálgica?
É sim. Aquela gravadora é completamente vintage, não existe mais uma assim na realidade…

Escrevi recentemente que “Rock Story” faz uma defesa da boa música brasileira, dos anos 60, 70 e 80. Vejo essa postura quase como a de um manifesto em meio à repetição que se ouve nas rádios atualmente. Como você vê esta questão? A novela está tocando as músicas que você gosta?

Está. Adoro ver o repertório do Gui, da banda, da Laila… A escolha das músicas passa mais pelo Dennis (Carvalho), porém estamos super afinados. Mas é menos um manifesto e mais como montar uma lista de músicas para uma festa de amigos. Acho que esse repertório da novela tem um caráter afetivo muito forte.

rockstoryleoregisUma curiosidade: você sabia que existe uma dupla sertaneja chamada Guilherme & Santiago? Muita gente no universo sertanejo entendeu a escolha do nome do protagonista como uma provocação.
Descobri por acaso, dias antes da estreia! Nem dava mais para mudar… Mas não tem provocação nenhuma. Não tenho o menor problema com música sertaneja, pelo contrário. E na minha cabeça o Léo é pop, é um Justin Bieber.

Você já disse que a inspiração inicial da história surgiu da leitura da biografia de um integrante do One Direction. Podemos esperar que a banda Quatro Ponto Quatro troque o rock por música mais comercial?
Um pouquinho, sim. Mas apesar do nome da novela e de gostar de rock, vou confessar que prefiro música pop. Ela pode ter mais apelo comercial, mas tem um apelo emocional muito forte também.

O que podemos esperar mais de “Rock Story”?

Estamos trabalhando duro aqui pra manter a novela movimentada e ir mais fundo nessas contradições e imperfeições dos personagens. E ainda vamos ter muita música, claro.

E quais são seus planos para depois da novela? Tem outros projetos de teledramaturgia engatilhados?
Plano pra depois da novela: férias. E tenho dois projetos que vou rever com calma no meio do ano, com a cabeça descansada.

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Crédito da foto de Maria Helena Nascimento: GLOBO/Sergio Zalis

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Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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