Blog do Mauricio Stycer

O que era ousadia está virando repetição no “Pânico”

Mauricio Stycer

O “Pânico” conquistou muitos fãs ao longo dos anos pela coragem de expor os seus bastidores e ridicularizar sem dó os próprios integrantes. Também viu sua audiência crescer ao transformar notícias sobre os seus humoristas em atração do próprio programa.

Nos últimos meses, porém, ambos os expedientes foram incorporados com tanta freqüência ao humorístico que perderam a graça. O que era ousadia começou a virar rotina ou, pior, sinal de falta de imaginação.

Este ano, o público já viu uma panicat raspar a cabeça ao vivo, um produtor levar fora da namorada, Sabrina Sato promover um interminável concurso para encontrar um novo namorado e, este domingo, uma encenação sobre a suposta substituição de Eduardo Sterblitch.

O pretexto para a piada desta semana foi uma notícia do jornal “Extra”, no sábado, dando conta que o humorista iria trocar a Band pela Globo.

O público mais fiel do “Pânico” deve ter vibrado com o grito de Sterblitch ao final do programa: um sonoro “Chupa, Globo!”. Também adorou o discurso de Emilio Surita, criticando jornalistas e sites que reproduziram a notícia do “Extra”.

Compartilho com Surita a preocupação com a má qualidade do jornalismo que “recorta e copia” informações alheias, sem checá-las (veja, a este respeito, o texto que escrevi na “Folha” em julho). Mas o “Pânico” não precisava ficar quase três horas fazendo suspense sobre quem quem iria substituir Sterblitch por esta razão.

O link, ao vivo, mostrando incessantemente um personagem com máscara dentro de uma limosine dirigindo-se à Band, tinha outro objetivo, menos nobre do que a crítica à imprensa: tentar levantar a audiência perdida do programa. Não sei se conseguiu, mas o programa foi muito chato e sem graça.

Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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