Blog do Mauricio Stycer

A cena da semana: Fafá de Belém chora diante do calouro

Mauricio Stycer

Provocar o choro do espectador ou de um entrevistado é o sonho de dez entre dez diretores de programas populares na televisão. Para alcançar este objetivo, muitos recorrem a artifícios pouco escrupulosos ou, em outras palavras, à apelação pura e simples.

Faz toda a diferença quando a emoção ocorre de forma inesperada, totalmente espontânea, sem planejamento ou manipulação. A cantora Fafá de Belém protagonizou este momento raro no papel de  jurada da nova edição do programa “Ídolos”. Veja o que ocorreu:

[uolmais type=”video” ]http://mais.uol.com.br/view/13269025[/uolmais]

 

Mencionei o fato ao escrever sobre a estreia do programa. O texto abaixo foi publicado originalmente no UOL Televisão.

Com candidatos sem medo do ridículo e júri eclético, “Ídolos” diverte mais

Shows de calouros, tanto os de antigamente quanto as versões modernizadas, como “Ídolos”, assentam-se na certeza de que sempre haverá gente sem medo do ridículo disposta a nos divertir.

Mas não basta a coragem de encarar o palco com uma música mal escolhida e a voz desafinada. É preciso um bom apresentador e um eclético corpo de jurados para tornar o prazer completo.

Em sua edição 2012, o programa da Record parece ter encontrado um ótimo time, quase inteiramente renovado em relação ao ano anterior. Saíram Rodrigo Faro, apresentador, Luiza Possi e Rick Bonadio, jurados, e entraram Marcos Mion, Fafá de Belém e Supla. Só Marco Camargo permaneceu.

Nesta fase da competição, em que são apresentadas as eliminatórias regionais, o papel do apresentador é bem pequeno. Mion conseguiu se destacar pelas piadas sem graça, tipo: “Quem vê cara não vê que horas são”. Em alguns momentos, chegou a se confundir com os candidatos que aguardavam a hora de cantar. Estava tão desajeitado que foi engraçado.

Camargo representa o jurado mau, impiedoso, sádico. É o tipo mais engraçado, que leva o programa nas costas. “Você é o típico cantor de barzinho que entra para cantar às 3 da madrugada e já tá todo mundo chapado”, disse para um candidato, dispensando-o.

Supla interpreta o papel que o consagrou – o tipo doidão, moderno, “não tô nem aí pro que pensam de mim”. Aprovou candidatos desafinados pelo prazer de chocar. “Champs, eu acho você um tanto quanto bizarro. Por isso tem meu sim”, disse a um, vetado pelos outros jurados.

Fafá de Belém levou a tarefa a sério. Deu pequenas aulas sobre alguns dos músicos interpretados, avaliou os candidatos tecnicamente e, num momento raro, chorou muito depois de ouvir um rapaz muito simples, ascensorista, cantar dois sambas lindos no programa.

Qualidade musical? Por enquanto passou longe.  Mas, em matéria de diversão, “Ídolos” 2012 deu sinais de que será mais divertido que o anterior.

Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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