Blog do Mauricio Stycer

O melhor e o pior dos Jogos Olímpicos na TV

Mauricio Stycer

1. O tiro n´água: Anunciado como atração do SporTV, Galvão Bueno acabou tendo uma participação desastrada. Mal-humorado, reclamou dos melhores momentos da festa de abertura, protagonizou uma briga antológica no ar com Renato Mauricio Prado e acabou ofuscando os bons narradores oficiais da emissora.

2. A mãe de todas as gafes: Mal terminou a cerimônia de abertura, Ana Paula Padrão, toda feliz, deu início à apresentação do “Jornal da Record”, de dentro do Estádio Olímpico, em Londres. “Você está assistindo o ‘Jornal da Globo’ ao vivo”, disse, para espanto geral. Na tentativa de explicar, saiu-se ainda pior: culpou o fuso horário pela gafe.

3. O narrador apressadinho: No final dos 200 m borboleta, o narrador Rafael Ribeiro, da Record, comemorou a vitória de Michael Phelps quando ele bateu em primeiro lugar nos 100 m. “E ele vem para o ouro! Michael Phelps!”, gritou Ribeiro, logo se dando conta que a prova não havia terminado. “Ainda não! Tem mais 100 metros”, corrigiu-se. Phelps terminou em segundo.

4. O vexame: O Twitter suspendeu a conta de um jornalista inglês, do “The Independent”, depois que ele fez críticas duras à transmissão que a rede americana NBC estava fazendo dos Jogos. Um dia depois, a empresa devolveu a conta ao jornalista e se desculpou.

5. Troféu Sobriedade: Coube ao veterano Alvaro José narrar a mais inesperada das medalhas de ouro do Brasil, a do ginasta Arthur Zanetti. “O Brasil tem um novo herói olímpico'', disse, ciente da importância do feito, mas sem se esgoelar.

6. Mancada de “especialista”: Encerrada a luta final de Esquiva Falcão, contra o japonês Ryoto Murata, o comentarista Acelino de Freitas, o Popó, pediu a palavra e, vendendo confiança, avisou ao público da Record: “Venceu com dois ou três pontos de vantagem”. Esquiva perdeu por 13 a 12 e ficou com a medalha de prata.

7. Comentarista-torcedor: O que mais teve na tela da Record foi ex-atleta encarregado de comentar as competições, mas preferindo torcer. “A gente precisa forçar o saque”, dizia Virna durante os jogos do vôlei feminino, como se fizesse parte do time, não da equipe de transmissão.

8. O “poeta” da bola: Numa de suas brigas mais famosas, Romário disse: “Pelé calado é um poeta”. Como comentarista de futebol da Record, o Baixinho foi o próprio Pacheco (torcedor-símbolo da Copa de 82). Na final contra o México, disse que o lateral brasileiro Rafael merecia “um esporro” por uma jogada errada que fez e decretou o fim da era Mano Menezes. “É muito fraco”.

9. A melhor resposta: Esperança na equipe brasileira de atletismo, Ana Claudia Lemos decepcionou com o quinto tempo nas eliminatórias dos 200 m rasos. “O que você achou da sua participação?”, perguntou o repórter do SporTV logo depois da prova. “Uma merda”, resumiu Ana Claudia. Para piorar a situação, o comentarista de atletismo, Andre Domingos, e o narrador Roby Porto, recriminaram a atleta.

10. Apatia olímpica: Limitada por não dispor dos direitos de transmissão, a Globo fez uma cobertura protocolar do evento. Só se referiu às competições no passado, para não promover as disputas que ainda iriam ocorrer. Na véspera da abertura, o “Globo Esporte” falou até de sumô para não ter que divulgar a festa alheia. Para quem se diz parceira dos esportes olímpicos brasileiros, deixou muito a desejar.

Em tempo: Publicado originalmente aqui, na página do UOL Olimpíadas, este texto conclui um trabalho cansativo, mas muito divertido, que realizei ao longo de três semanas, acompanhando os Jogos Olímpicos pela televisão.