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“Aumenta o som aí na UTI”, pede Faustão, antes de Leonardo promover novo CD

Mauricio Stycer

30/04/2012 10h45

 "Você tem condição de cantar?", perguntou Faustão, momentos antes de Leonardo cantar, sem maior embaraço, "Além do Sol, Além do Mar", música de trabalho de seu mais recente CD.

"Você não tem obrigação nenhuma", acrescentou o apresentador, consciente da enorme confusão que ocorria no palco do seu programa na tarde de domingo. "Até porque é o seguinte: você veio aqui… ninguém te obrigou ou exigiu… é o cara que mais vezes veio a este programa. Você tem que ficar bem à vontade"

Dirigindo-se à assessora de imprensa de Leonardo, Faustão disse: "Ede Cury, aumenta o som aí na UTI do Sírio. A gente espera que logo logo, com a oração de todo um país, a fé de uma família, ele esteja de volta".

Com o filho Pedro internado em estado grave, Leonardo cumpria agenda de divulgação do seu trabalho, ao mesmo tempo em que falava de seus sentimentos como pai. Situação complicada…

Foram 17 minutos de marketing musical misturados a exploração da dor alheia, temperados com mistificação. "Foi colocada no quarto em que ele está uma televisão", disse o repórter Cesar Menezes, ao vivo, do hospital. "Neste momento ele está escutando, não consegue assistir normalmente, mas está escutando tudo que estamos aqui falando… É um bom momento para você, Fausto, e principalmente para você, Leonardo, falar com seu filho. Ele está te escutando e precisando desta força."

Faustão contribuiu bastante para a confusão, ora estimulando a pieguice, ora se eximindo de responsabilidade pelo que estava acontecendo.

Na apresentação de Leonardo, disse: "Um dos cantores mais queridos do Brasil, que mais vezes frequentou esse programa. São 58 ou 60 vezes… Mesmo não tendo nenhuma obrigação, ele quis vir aqui pra mostrar que ele é forte e essa força vai se transferir com certeza pro filho dele. Ele vem aqui, em respeito, para agradecer as orações do Brasil inteiro."

Em outro momento, conseguiu resumir tudo em uma frase: "Uma boa notícia para o Pedro, que está nos ouvindo na UTI do Sírio Libanês: a música do pai dele está em primeiro lugar nas rádios de todo país."

Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.