Blog do Mauricio Stycer

Encolhe esta barriga, Tufão

Mauricio Stycer

Novela é obra de ficção, sem compromisso com a realidade. Ainda assim, e com frequência, os autores recorrem a aspectos do “mundo real” para envolver ainda mais o espectador ou ajudá-lo a se situar na trama.

“Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro, a nova novela das 21h da Globo, se passa num bairro fictício, Divino, na zona norte do Rio. Na primeira fase da novela, em 1999, um dos protagonistas da trama é um jogador de futebol, Tufão, que atua no Flamengo.

A referência a um time real não obriga João Emanuel a tratar o universo do craque de forma realista. Não há possibilidade de confusão: o espectador sabe que nunca houve um Tufão no Flamengo, em 1999.

Mas é necessário que o espectador olhe para Tufão e pense que seria possível o Flamengo ter um jogador com aquelas características. É preciso haver verossimilhança na situação.

Tufão já jogou na Europa e já teve problemas com bebida. Não está no auge da carreira, mas ainda é um craque. O jogador foi o artilheiro do Campeonato Carioca de 1999 e ainda fez o gol que garantiu o titulo ao Flamengo.

Pelas informações dadas nos primeiros três capítulos, ele está longe de ser aquilo que os cronistas esportivos, com ironia, chamam de “ex-jogador em atividade”, ou seja, um ex-craque, hoje se arrastando em campo. Tufão ainda é um jogador importante.

Tudo isso para dizer que Murilo Benício, no papel do jogador, não passa verossimilhança ao personagem. O ator, que fará 40 anos em junho, está longe de ter a aparência de um craque com talento para ser o artilheiro do torneio. Além da idade, está claramente fora de forma, acima do peso que um jogador da sua categoria deveria exibir (a foto acima ajuda a dar uma ideia).

Para ajudar o público a acreditar em Tufão, creio, Benício poderia ter perdido alguns quilos e surgido em cena com a aparência mais jovem.

Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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