Blog do Mauricio Stycer

Livro de assessor de Roberto Marinho traz elogios, mas poucas novidades

Mauricio Stycer

Além de Roberto Marinho (1904-2003), que apostou no negócio, há consenso que dois outros homens foram fundamentais para a consolidação e o sucesso inicial da Rede Globo: Walter Clark (1936-1997) e Jose Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni (nascido em 1935).

Há, porém, um quarto nome nesta história, nem sempre mencionado, o do americano Joe Wallach, um nova-iorquino nascido em 1923, cuja participação nestes anos iniciais da emissora carioca é considerada tão importante quanto a dos dois executivos brasileiros.

Nunca se conheceu em detalhes o papel de Wallach na Globo, nem mesmo quando ele prestou depoimento numa CPI do Congresso brasileiro, em 1966, instalada com o objetivo de averiguar a atuação do grupo de mídia americano Time-Life na empresa comandada por Marinho (na foto à esq., os dois, no Natal de 1978).

Entre 1962 e 1970, o grupo estrangeiro investiu cerca de US$ 6 milhões na Globo. Com formação na área de contabilidade e administração, Wallach chegou ao Rio em agosto de 1965, enviado para cuidar dos interesses do sócio de Marinho. Cinco anos depois, com a saída da Time-Life do negócio, naturalizou-se brasileiro e permaneceu na emissora, como “superintendente executivo'', até 1980.

Em “Meu Capítulo na TV Globo”, que acaba de publicar, Wallach anuncia a intenção de contar a história de seus 15 anos na Globo. Era, por motivos óbvios, um depoimento muito esperado, mas que resulta altamente frustrante.

Além dos elogios ao “grande líder” Roberto Marinho, que se repetem a cada página, há poucas novidades e informações relevantes que já não fossem conhecidas por quem se interessa pela história da televisão no Brasil.

Para quem aprecia o gênero, duas outras biografias tratam deste período inicial da Rede Globo com riqueza muito maior de detalhes. “Roberto Marinho”, de Pedro Bial, lançado em 2005, traz a versão oficial da história. E “O Campeão de Audiência”, de Walter Clark e Gabriel Priolli, publicado em 1991, apresenta o olhar do principal executivo do grupo, 14 anos depois de ter sido demitido.

Wallach descreve a situação de caos financeiro e administrativo da Globo nos seus primórdios, a sua ajuda na ascensão de Clark ao posto de principal executivo da emissora e o seu papel como confidente e garoto de recados de Roberto Marinho.

A demissão de Walter Clark (esq.), então um dos executivos mais bem pagos no Brasil, com salário de US$ 1 milhão ao ano, merece um exame mais detalhado de Wallach. O americano observa, de passagem, que Roberto Marinho sentia ciúmes de Clark, mas atribui a decisão de afastá-lo ao seu “alcoolismo”.

Gabriel Priolli, para quem Clark ditou suas memórias, lembra a este blogueiro que o executivo era “um empregado que aparecia mais do que o patrão, e parecia até mais dono da Globo que o próprio dono”. Segundo o jornalista, “Walter tem certeza de que foi isso, mais do que qualquer outra coisa, que azedou a maionese dele”, embora reconheça que seus excessos com bebidas e drogas tenham lhe causado problemas.

Na sua autobiografia, Clark conta que foi Wallach quem o encontrou, por telefone, em um hotel em Nova York, em maio de 1977, e lhe deu a noticia da demissão. Em seu livro, o americano é categórico: “Da minha parte, jamais disse uma palavra”. Segundo ele, foi Clark quem telefonou “bêbado” e disse: “Joe, sei que ele (Roberto Marinho) vai me mandar embora. Se você não conseguir uma indenização decente para mim, vou te matar”.

Outro episódio importante, sobre o qual há divergências nos relatos de Clark e Wallach, diz respeito à criação do “Jornal Nacional”, em 1969. O brasileiro diz que Armando Nogueira (1927-2010), diretor de jornalismo da emissora, foi contra, inicialmente, o projeto. Achava que a emissora não tinha condições técnicas de realizá-lo. Já o americano diz que deve-se  a Nogueira “a grande liderança na criação e expansão do JN”.

Dos quatro personagens-chave ligados ao nascimento da Globo, só falta a biografia de Boni (na foto com Wallach, em Angra dos Reis, em 1980). É um livro aguardado há muito tempo, sobre o qual volta e meia se diz que ele estaria escrevendo. Espero, se vier, que traga mais novidades e menos elogios.

Mais informações: “Meu Capítulo na TV Globo”, de Joe Wallach (Topbooks, 232 págs., R$ 49). “Roberto Marinho”, de Pedro Bial (Jorge Zahar, 400 págs, R$ 59). “O Campeão de Audiência”, de Walter Clark com Gabriel Priolli (Editora Best-Seller, 422 págs., esgotado, mas facilmente encontrado em sebos)

  1. nilton de souza moraes

    15/12/2011 10:18:31

    eu quero é botar meu bloco na rua,sergio sampaio

  2. Livro expõe quatro divergências essenciais entre Boni e Walter Clark, os criadores da Rede Globo | Blog do Mauricio Stycer

    06/12/2011 06:16:24

    [...] nesta história tratam do assunto. O primeiro, de onde se reproduziu a foto no alto deste texto, é “Meu Capítulo na TV Globo”, de Joe Wallach. O segundo é a biografia oficial “Roberto Marinho”, de Pedro [...]

  3. Globobo

    03/10/2011 18:53:30

    Livro de Daniel HerzBaixe e leia!!Ponha no google:a historia secreta da rede globo pdf

  4. Globo reconhece erros em documentário sobre Roberto Marinho | Blog do Mauricio Stycer

    04/09/2011 12:04:50

    [...] disso, decidiu comprar a parte do grupo americano. Os principais relatos sobre o caso, inclusive de Joe Wallach, que acaba de publicar um livro, indicam que foi o Time-Life que perdeu o interesse no negócio em [...]

  5. Marcello Giovanni Pocai Stella

    31/08/2011 10:37:31

    E por quê ninguém fala do acordo entre família Marinho e ditadura militar? O mais engraçado é que na biografia do Bal, consta que senhor Roberto Marinho tinha medo de ser o primeiro a ser morto, caso ouvesse um contra ataque comunista no golpe militar. Pois este homem não faria falta á história do Brasil.

  6. Almir

    31/08/2011 10:12:20

    Será que algum dia será revelado quem mandou colocar fogo na Excelsior, Tupi, Record............???

  7. Italo

    31/08/2011 09:39:27

    Leiam livros para saber sobre a Históra do Brasil, como os citados e Chatô, de Fernando Morais. Este "Muito Além de Cidadão Kane" não foi produzido pela BBC, mas pelo Channel Four, um SBT da Inglaterra. Dizem que é da BBC para dar credibilidade, coisa que não tem. Roberto Marinho e a Globo não são santos, longe disso, mas este documentário é apenas um libelo esquerdopata apontando como máculas usar novelas para entrenimento, como todas as emissoras já faziam e é parte da cultura brasileira (é fato), e inserir a propaganda comercial nelas - isto seria manipulação das massas e incentivo ao consumismo (capitalismo). Detalhe: o criador deste mesmo documentário tem um outro sobre as seitas evangélicas no Brasil, sobretudo uma de um certo bispo (cheio de virtudes) e dono de emissora.

  8. Observador

    31/08/2011 08:37:17

    Além do documentário “Muito além do Cidadão Kane”, realmente não há muito o que se falar do serviçalzinho da ditadura...

  9. luiz roberto

    31/08/2011 07:53:39

    Ese assunto de ROBERTO MARINHO ja deu tudo o que tinha dar,não tem mais nada pra ser dito,pro bem e pro mal, o resto ou é cara invejoso querendo defestrar o empresario ou puxa-saco querendo ser mais realista que o rei.Agora,o Sr. devia voltar a comentar "a fazenda" que faz mais o seu tipo de jornalismo, a fofoca.

  10. Roberto AM

    31/08/2011 07:49:46

    Vejam o livro de René Armand Dreifuss, 1964, A Conquista do Estado (Vozes,1981).Lá conhecerão a verdadeira História do Brasil documentada.Aí saberão quem é quem em nosso país.A importãncia deste livro está nos documentos anexados. Garanto que se surpreenderão com seus ídolos "bem sucedidos" no Brasil.

  11. Ronaldo Costa

    31/08/2011 01:42:43

    Não gosto da programação da Globo. Entretanto, admito que não existe nada melhor em suas concorrentes e assim, se estou com vontade de ver TV aberta, na maioria dos horários a melhor opção continua sendo ela. O jornalismo é melhor, as transmissões esportivas, apesar dos ridículos comentaristas, são melhores e os filmes tambem são, em geral melhores e mais atuais. O problema da apologia a desvios de conduta feito em novelas não é exclusivo da Globo, bem como a apelação à crendice popular não é exclusividade das emissoras evangélicas, que o diga o Pe.Marcelo e até alguns rabinos, e outros pregadores de crenças diversas que tem espaço nas madrugadas de fins de semana globais. O que posso afirmar, sem medo de estar sendo leviano, é que a Globo exibe muito mais respeito pelo telespectador, com seus intervalos comerciais curtos e menos frequentes, do que qualquer outra emissora que conheço no país.

  12. Danielj

    30/08/2011 21:20:11

    HIPOCRESIA É ASSISTIR A PROGRAMAÇÃO MEDIOCRE UM PASSATEMPO DESINFORMATIVO PARA QUEM NÃO QUER ENXERGAR E DAR O BRAÇO A TORCER Q ELA SÓ TEM LIXO E INUTILIDADE P/ O POVO!!! VC Q NÃO ACREDITA VEJA A HISTORIA SECRETA DA GLOBO NO YOUTUBE, VC VERÁ PQ O BRASIL ESTA ENGESSADO E SEM AÇÃO CONTRA ESSA TV Q TE ENGANA POR DÉCADAS, PQ O BRASIL FOI MANIPULADO PELA GANANCIA DA GLOB-OSTA , SE NÃO ACREDITA CONTINUE NA GLOB-OSTA SE ENCHENDO DE INUTILIDADES E REPETIDO A FRASE "VC VIU NA GLOBO, VC VIU NO JN"? HAHHAAHAHAHA!!!!!! O POVO ACORDOU NÃO ACREDITA MAIS EM FARSAS E MENTIRAS E COMPLETENDO VC VIU NO FANTASTICO REPORTAGEM DE PROTESTO CONTRA(COMPARSAS) TEIXEIRA E CBF? ENGRAÇADO NÃO TEVE NÉ! PRIM PRIM

  13. Denise

    30/08/2011 21:08:47

    Talvez não exista mais novidade mesmo... Este assunto é repetitivo e antigo. Busque novidades de fato. A própria Globo fala de seus problemas no http://memoriaglobo.globo.com/ Veja no item "polêmicas".

  14. Antonio Pereira da Silva

    30/08/2011 21:02:12

    LEONARDO...parabens o seu comentario foi ótimo!!!!! Têm pessoas que criticam pelo coração , por magõas....o certo é criticar pela RAZÂO, eu não sou globista mas admiro esta grande empresa que é chamada REDE GLOBO....qem não admira , é so montar uma empresa e tentar ficar no mercado pelo menos uns vinte anos pra ver o que é ter estabilidade...crie juizo pessoal critique pela RAZÂO......beijos fuiiiiiiiii

  15. Ary Nunes

    30/08/2011 21:00:09

    Nem Walter Clark, nem Pedro Bial. A melhor biografia contada da Rede Globo é "Muito além do Cidadão Kane", produzido pela BBC. Ali se coloca pingos nos is e mostra quem de fato foi Roberto Marinho.

  16. William

    30/08/2011 17:00:22

    Achei que a parte sobre o Armando Nogueira, como colocado, não é divergente. Ele pode muito bem ter sido contra no inicío e após ser voto vencido ter assumido a liderança e expansão do JN.

  17. Leonardo

    30/08/2011 15:44:50

    Como tem alguns brasileiros hipócritas não sei por que tanta raiva da globo, qual empresa não tem problema? principalmente nesse ramo e em praticamente todos os meios de negócio, olha por exemplo as empreiteiras do Brasil... são santas??? A maioria é pura inveja, não tem a capacidade necessária para estar trabalhando numa globo por exemplo...

  18. renato gitti

    30/08/2011 14:40:18

    EU LI LIVRO HÁ FUNDAÇÃO ROBERTO MARARINHO É MUITO BOM RECOMENDO AS PAGINAS NEGRAS DA REDE GLOBO.....

  19. BETO

    30/08/2011 11:37:39

    a globo esta perdendo padrao de qualidade, vide ultimo capitulo de IC,mas em finestampa a personagem da renata sorrah deve aprontar algodo tipo aquele dr nassif de sp de fertilizacao. sera que ela coloca embriao de ovulo dela e semem do marido morto nas clientes?????

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