Blog do Mauricio Stycer

Em busca da notícia (e de cenas dramáticas) em Realengo

Mauricio Stycer


Escola Municipal Tasso da Silveira. Terça-feira, 19 de abril, 7h50 da manhã. Próximo ao portão, o repórter de uma emissora de televisão entrevista um aluno que volta ao colégio pela primeira vez desde o massacre de 7 de abril. Acompanhado da mãe, o garoto deve ter uns 10 anos e muito pouco a dizer. Ao final da entrevista, o jornalista os orienta a recuar 20 metros, para o câmera poder filmá-los chegando. Ele explica: “Vem de lá, aí quando estiver perto do portão você se despede e dá um beijinho nele”. A mãe faz exatamente o que ele pediu.

Enviado pelo UOL Notícias, passei dois dias diante do portão da Tasso da Silveira. Na segunda-feira, houve o retorno às aulas das crianças no 9º ano. Na terça, de todas as demais. Fiquei impressionado com a tensão e o desespero dos repórteres e câmeras de televisão. Além do empurra-empurra para conseguir imagens banais, presenciei inúmeras situações como a descrita acima, em que os colegas agem como “diretores” de cena, orientando os entrevistados, com o objetivo de conseguir imagens mais dramáticas e falas mais fortes.

Um dos momentos mais tristes foi ouvir Renata dos Reis Rocha, mãe das gêmeas Bianca e Brenda. A primeira morreu e a segunda ficou ferida no ataque. Revoltada, Renata decidiu pedir a transferência da menina sobrevivente da Tasso da Silveira. O seu desabafo aos repórteres foi muito forte. “Eu não podia nem levar merenda pra minha filha lá em cima. E um estranho pode?

Uma repórter de TV, porém, perdeu o início da entrevista de Renata e não registrou o momento em que ela revelou ter decidido tirar a filha da escola. Aflita, na frente de todos os colegas, que continuavam conversando com a mãe, a repórter enfiou o microfone na cara de Renata e implorou: “Fala isso pra mim: ‘Ela não tem condições de estudar aqui’. Entendeu? Fala pra mim”.

Os repórteres de TV sofrem pressão maior quando são convocados a entrar ao vivo, em programas de suas emissoras. Segurando o diretor da escola, Luis Marduk, a repórter de uma emissora aguardava o momento para entrevistá-lo ao vivo, mas o sinal não chegava. “Um minuto, um minuto”, dizia ela. Todos foram ficando impacientes, até que o diretor reclamou. “Queria ter relógio de repórter. É um inferno”. Ao que a jornalista responsável pela situação respondeu: “Mas eu esperei o senhor 25 minutos”.

Nem todo mundo à porta da escola é pai ou parente de aluno. A concentração de jornalistas atrai muitos curiosos. Que também são entrevistados e dão palpites sobre o massacre, sobre segurança nas escolas, sobre o que for. Ouvi uma senhora dando entrevista. A repórter tentou várias perguntas, sem conseguir tirar nada “forte''. Até que mandou: “A senhora acha que o massacre prejudicou a imagem do bairro?”

A secretária de Educação, Claudia Costin, pediu aos jornalistas que não abordassem os alunos. O pedido, naturalmente, não foi acatado . Pior, vi uma repórter reclamando depois de entrevistar alunos. “Duas crianças que não falam absolutamente nada. Não rendeu nada”.

Na expectativa de ouvir frases de efeito, dramáticas, ela não atinou para a graça do diálogo que teve com um menino. “Como foi esta volta às aulas? Foi difícil rever a escola? E encontrar os amigos? Como foi?”, ela questionou. E o garoto, em uma palavra, disse tudo: “Maneiro”.

Crédito das imagens: AFP (alto) e Ricardo Cassiano/UOL

  1. Ricardo

    10/05/2011 23:37:10

    Mauricio, na era das urgências alguns colegas esquecem que urgente é o sentimento de quem perde um filho e deseja encontrá-lo o mais rápido possível lá do outro lado. Esquecem que a realidade não se reproduz, se capta. Sentimentos não se constroem. A falsidade sim, essa é a manipulada. A falta de educação e a sensação de ser único no mundo transformam alguns repórteres de tv em palhaços, que se acham deuses, os tornando mais palhaços ainda. Você acaba de publicar todos os erros primários e falhas de caráter que identifico em diversos colegas que trabalham com reportagem para televisão. O triste é ter que ainda ser rotulado pela atitude da maioria.

  2. PEDRO PEREIRA

    28/04/2011 11:42:31

    PRONUNCIAMENTO PÚBLICO DO CENTRO DE DEFESA DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – CEDECA RIO DE JANEIRO –Assunto: Exposição das crianças e adolescentes vítimas do massacre ocorrido na Escola Municipal Tasso da Siqueira (Realengo – RJ)“Nenhum tipo de violência é justificável e todo tipo de violência é evitável”. (ONU, Estudo Mundial sobre Violência contra Crianças)O CENTRO DE DEFESA DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – CEDECA RIO DE JANEIRO - vem a público repudiar os excessos e o sensacionalismo que a mídia tem cometido na exposição das crianças e adolescentes vítimas, não somente as que foram vítimas fatais (perda da vida), mas todas as crianças que passaram pelo extremo stress emocional da tragédia ocorrida no dia 07/04/2011 na Escola Municipal Tasso da Siqueira (Realengo – RJ). A cobertura da imprensa nos primeiros dias seguiu o padrão e até mesmo o dever da cobertura - um fato de grande impacto demanda cobertura, demanda mobilizar todos os meios e recursos, cobertura ao vivo e demais práticas. No que pese alguns exageros, de modo geral era cobertura do fato. Contudo, agora, a imprensa, especialmente os telejornais, passam a ir à casa dos estudantes que estavam no local e solicitam longas e detalhadas narrativas: - como você fez para fugir? – o que você sentiu quando seu colega foi baleado? - você ficou com medo de morrer? A criança, postada em frente a uma casa simples, uma rua qualquer da região, ao lado de outro colega também vitimizado. Submetidas a processo de revitimização ao relembrarem o sofrimento que passaram, tornam-se alvo da curiosidade de milhões de telespectadores. Repudiamos a exploração do uso da imagem dessas crianças e adolescentes que há dias corriam para salvar suas vidas. Diversos programas, transmitidos praticamente para todo o país e de grande audiência, exploram a imagem dessas crianças e adolescentes pela exposição pública do sofrimento físico e psíquico a que foram submetidas.Tais programas não só têm violado o direito ao respeito e à dignidade dessas crianças e adolescentes, como também afrontam os valores éticos e sociais de toda a sociedade, comunidade de Realengo, professores e funcionários da escola e das famílias das vítimas. CEDECA - RIO DE JANEIRO (Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente)Avenida General Justo, 275 Sala 317-A, Bloco B – Castelo - 20.021-130 - Rio de Janeiro – RJ – Brasil website: www.cedecarj.org.br e-mail: cedecarj@cedecarj.org.br skype: cedeca.rj Telefone: (55 21) 3091-4666Apoio: VIC - Vlaams Internationaal Centrum e Stichting Sint Martinus - NederlandFiliado à ANCED - Asssociação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (Seção DCI Brasil)

  3. Vinícius

    25/04/2011 11:35:13

    Acho que o assuno já deu. por mais que a coluna seja critica a imprensa em geral, esse assunto não tem mais que ser comentado. Foi uma fatalidade que prejudicou muitas famílias e a volta constante nessa questão não deve ser agraadavel. Vocês, jornalistas deviam começar a se por no lugar dessas famílias e ver se gostariam de serem quesionados como vocês questionam.

  4. neder

    24/04/2011 12:55:04

    Se não houvesse demanda por notícias sensacionalistas, esse tipo jornalismo não faria sentido e seria deficitário. Os veículos de informação, obviamente, se pautam pelo gosto do público, que é quem forma a audiência. E o gosto atual do público televisivo brasileiro é esse lixo jornalístico que está aí. Só uma revolução na educação elevaria o nível de exigência do espectador. Parabéns pelo post. Sempre quis saber um pouco sobre o modo de atuar dos trogloditas.

  5. Marcelo

    24/04/2011 09:15:11

    Stycer, na rotina de assessor de imprensa constantemente me confronto com esses absurdos da cobertura de TV. A aflição começa na produção: quando estão seguindo um assunto, por exemplo, ligam de 15 em 15 minutos em busca de novidades; emissoras com mais recursos deixam até produtores de plantão na nossa porta nessas situações. Em pautas especiais ou polêmicas, como questões ambientais, por exemplo, constantemente pedem para levar nossas fontes ao cenário, mesmo que o local já tenha sido alvo de uma diligência meses antes (portanto, algo completamente inútil). Nas gravações, ainda hoje, utilizam-se de subterfúgios do cinema para editar as matérias, como gravação de contra-planos fake, caminhadas, cenas do entrevistado folheando documentos, etc... É tanta coisa que é rara a entrevista-gravação que dure menos de meia hora, isso para se aproveitar sonoras que vão de 30 segundos a 1 minuto. Por mais que esteja há anos na profissão não me acostuma 100% com essas práticas, mas o caso mais tosco ocorreu num velório, quando era repórter de um grande jornal e ainda um "foca". Fiz uma pergunta que acabou causando emoção no pai da vítima, que chorou. Uma repórter de um programa sensacionalista de TV, logo após o sujeito virar as costas para se consolar com a família, me agarrou, me beijou e disse: "era disso que eu precisava!. ele não tinha chorado com minhas perguntas."

  6. Zebrão

    23/04/2011 14:41:50

    Ótimo enfoque da reportagem. Um tema atualíssimo: a ética jornalística. Vale muita discussão. Mas o que efetivamente resolverá a questão é a educação da maioria da população e o acesso à cultura de verdade. Cidadãos que tem um baixo índice de educação, e pouco acesso a cultura consomem todo o lixo que temos atualmente em nossas Tvs, revistas, jornais, internet, música e literatura. Os jornalistas são incentivados a produzir esse lixo, porque é isso que vende... O sensacionalismo, a fofoca, as novelas ridículas e sem conteúdo, o BBB e a Fazenda atolados no incentivo a pornografia e no marketing barato, com resultados totalmente arranjados pelas emissoras, e os programas de auditório feitos para quem não tem nada na cabeça dominam o cenário atual. Numa sociedade minimamente educada, consciente e com uma pequena noção de sua própria cultura esses tipos de programas até existem (na Europa e nos EUA, por exemplo). Mas lá eles são OPÇÃO (para que tem estômago forte e QI fraco, e escolhe assisti-los). Jamais dominam a pauta das redações, a temática das novelas, e o nível dos programas de entretenimento. Só a educação ampla salvará a sociedade deste atrofiamento mental.

  7. Marcelo Quintão e Silva

    22/04/2011 19:08:05

    O papel da imprensa se justificaria por relatar, transmitir os fatos, prestando o seu testemunho honesto com a finalidade de informar o leitor/telespectador/ouvinte. A intenção de "buscar cena mais forte" é algo que beira o obsceno, pelo menos. É tirar proveito, alguma forma de satisfação do episódio, para agarrar a audiência, não pelo conteúdo de informação, mas pelo apelo sádico-masoquista. O gostinho pela desgraça do outro.O papel dos meios de informação, além disso, não podem ficar esquecidos na proliferação de eventos como esse. Afinal de contas, eles têm um lugar privilegiado no processo da globalização.

  8. salvador

    21/04/2011 23:37:46

    ISSO E UMA VERGONHA NO ALGE DE UMA TRAJEDIA, VIRAMOS REFEM DESSAS EMISORA QUE SO SE PREOCUPAM COM LUCROS!!!!!!!!!

  9. Daniela

    21/04/2011 21:55:20

    Prezados, Sou jornalista e moro nos Estados Unidos, o que é irrelevante para o tema mas relevante ao se considerar que assisti a tragédia de Realengo da mesma forma que os brasileiros que não estão no Rio de Janeiro. Só digo uma coisa: o Brasil é signatário da CONVENÇÃO DOS DIREITOS DA CRIANÇA do Unicef, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, e isso torna o nosso país responsável pela proteção desses menores em risco. Entenda-se por menores em situação de risco aqueles que são expostos à violência, abusos, doenças, constrangimento, etc. Os responsáveis pela proteção dessas crianças são primordialmente os pais, adultos, responsáveis, o Estado e JORNALISTAS, que devem exercer a profissão com ética e profissionalismo a fim de proteger a integridade dos menores. Mesmo quando os pais autorizam a entrevista, às vezes por força da ocasião, do microfone ou da câmera, o JORNALISTA deve usar essa cartilha: primeiro vem o bem-estar da criança. Ainda se, ao final, a entrevista for realizada, é preciso proteger a identidade dos menores, ocultar os rostos, não fazer perguntas que causem comoção, não levar a uma resposta induzida, entre outras coisas. Os alunos e familiares que sobreviveram, mesmo sem feridas ou marcas, são vítimas de um caso de homicídio em massa, portanto se enquadram nessa descrição. Senti um misto de revolta e vergonha ao assistir uma criança absolutamente adorável e indefesa dar um testemunho de mais de 15 minutos ao vivo a uma equipe de televisão, com detalhes impressionantes das cenas que presenciou nos momentos de terror e, no final, ver que o responsável pela entrevista CHOROU, assim como os 'comentaristas' no estúdio. Deveriam todos chorar por colocar aquilo no ar. Segue o link para a cartilha do Unicef: http://www.unicef.org/media/media_tools_guidelines.html

  10. Júnior

    21/04/2011 21:41:42

    "Maneiro" seu texto, Maurício. Tanto que não tenho nada a comentar, só vim aqui elogiar . Parabéns.

  11. Thiago Teixeira

    21/04/2011 21:17:57

    É fácil chamar os repórteres e fotógrafos de abutres. Mas, se não chegarem com uma manchete dalí, os editores os enforcam. Os editores são os abutres.Fácil chamar os editores de abutres. Se os concorrentes os furarem, os donos das empresas de comunicação os enforcam. Eles são os AbutresSe o publisher da emissora X não quiser cobrir o caso, o publisher Y vai cobrir e ficar com os anunciantes. Eles são os Abutres.Os anunciantes ficam com a emissora que cobre de forma mais abusiva este tipo de caso, por que há uma demanda popular. A emissora que atender melhor essa demanda terá mais espectadores, o que satisfaz os anunciantes, que farão comerciais sobre desenvolvimento sustentável e paz no mundo.E aí? Vamos chamar os espectadores de abutres? São a ponta frágil dessa conta, mas não são inocentes. Há demandas populares que são questionáveis, masquem pode dizer-se acima do povo para não atendê-las ou mesmo censurar quem as atenda?Acredito em um jornalismo que consiga atender essas demandar sem transformar estes casos em malhação de judas, intensifcando o coro da massa, legítimo por querer justiça quanto ao descaso que o Estado lhe oferece, mas que considero equivocado na forma como busca essa justiça.

  12. Okuma

    21/04/2011 20:40:11

    Interessante como os repórteres, ávidos por algo que desse ibope, serviram para dar ibope para quem supostamente não queria: Mauricio Stycer.

  13. márcia

    21/04/2011 19:20:14

    Muito bom, já não é sem tempo observações como estas virem a público. Só nós de casa horrorizados assistimos aos espetáculos gratuitos dos repórteres, cheo a ter vergonha das barbaridades ditas. Alguém precisa fazer o papel de advogado do diabo nessa imprensa. É necessário valorizar e acionar o Ombudsman.

  14. Mauricio

    21/04/2011 12:13:42

    Stycer, eu vi você no Jornal Nacional, ao lado de uma entrevistada, a câmera te pegou o tempo todo... muito legal, abraços

  15. José Carlos Ribeiro Garcia

    21/04/2011 08:37:35

    O tempo esta mercadoria rara - cada vez mais, não tinha me permitido ler antes a matéria contemplada no blog sobre a já tão batida questão de Realengo, mas o texto abre um leque. Bom, muito bom, mas complexo. Formamos um quadro com os procedimentos sociais, culturais, políticos e econômicos, que gera um emaranhado tão grande, que seria necessário , algum evento drástico para que alguém pudesse ( este alguém nos inclui , mas é de um plural gigantesco ) colocar os olhos e a mente sobre onde vamos parar , e o que podemos fazer para reverter o processo.Ética é bom, mas a considero ainda inexperiente para a função. Ordem e disciplina , são duas senhoras, que não encontraram força para dar andamento à todo o processo. Ora, tem a cultura, mas esta não tem liderança, seria uma ótima aliada, mas não faria o serviço sozinha. E aí, quem ? Talvez o velho Bom Senso pudesse dar alguma orientada num projeto amplo. Pois o que se vê na busca tresloucada pela melhor notícia é a apenas o resultado de toda uma sistemática que valora o mais: seja ele fruto da maladrangem, da invasão danosa de um momento de dor, seja ele a irresponsável provocação numa criança traumatizada. Azar ! Vale a manutenção do IBOPE, vale a preservação do emprego, vale ser mais do que os colegas, vale agradar os anseios da emissora, que se reflete em publicidade e que se consolida em salários em dia, e emprego, minimamente, garantido. Mudar como? Se quem faz a cabeça de "geral" é a própria emissora. Que acolhe o conceito da mais valia, venha ela de onde e da forma que vier.Estamos num mato sem cachorro ??? Por ora ... breve vão cortar o mato.

  16. Rejane

    21/04/2011 03:33:55

    Caro Luiz Henrique Castro Neves, queria que tivéssemos ao menos 1 quarto da educação e sabedoria o povo japonês. Maurício, a sua reportagem é muito boa. E onde estavam as autoridades que não proibiram esses urubus de chegarem perto das crianças, familiares e profissionais da escola, pelo menos nesses primeiros dias do retorno das mesmas? Uma coisa desse tipo dificilmente ocorreria em qualquer outro lugar. E tem mais, se fosse em uma escola de classe média, particular, tenho certeza também de que pais e donos da escola se encarregariam de articular autoridades para serem melhor protegidos contra esses sanguessugas da imprensa. Agora o povo, este que se proteja como Deus quiser e que cuide sozinho da proteção dos seus. Sei não viu, cada dia mais cheia de ver tanta barbaridade. E essa dos jornalistas nessa escola, é uma falta de respeito total com os que foram atingidos por essa tragédia.

  17. Marcos Vinicius

    20/04/2011 23:39:45

    "O que acho que nao dá é para ver alguém como o Luiz Henrique Castro Neves dizer que a ‘IMPRENSA… SÃO UNS IDIOTAS! A começar pelos erros de português e depois porque a tv, assim como todos os veículos de comunicação, retrata aquilo que as pessoas gostam. ”Fabélia, você não ouviu falar em sua trajetória jornalística em silepse?

  18. Toretto

    20/04/2011 22:52:07

    Novidade nenhuma.

  19. H. Júnior

    20/04/2011 20:10:58

    O que no Brasil chamam de liberdade de imprensa, soa como um verdadeiro acinte à inteligencia humana. Criaram uma nação cheia de minorias, exceções etc., às quais são concedidos direitos com base em situações do passado que sequer se lembram mais. Só que esquecem-se estes que concedem estes direitos que não importa a classe social,profissional, o credo ou posições politicas; o ser humano tende a usar do poder que adquire em prol de si próprio, formando oligarquias, que ignoram todos os demais à sua volta, pois, se no passado foram os coitadinhos oprimidos e perseguidos pelo sistema (à época o governo militar), hoje utilizam-se dos direitos extraordinários que a sociedade lhes deram como compensação pelos danos alegados, justamente para oprimir psicologicamente, criar e divulgar factóides(falsas notícias) com objetivo de lucrar com o sensacionalismo. Várias são as vezes que desacreditam os bons e glorificam os maus. São quase inesistentes as reportagens que falam de bons exemplos na sociedade brasileira, mas elas acontecem todos os dias inumeras vezes. O Brasil está cheio de heróis e heroínas, que são pobres, ricos, de todas as clases, etnias, desasistidos ou não, mas que realizam grandes coisas todos os dias e que dariam excelentes matérias jornalísticas porém este jornalismo televisivo pífio tido como um dos melhores do mundo(duvido) da provas de total incompetência e falta de ética, quando ópta pela reportagem fácil, banal, destrutiva. Quero ver é fazer o difícil como naquele programinha publicitário do antigo Banco Bamerindus "Gente que Faz" e olhe que dava uma audiência e tanto.

  20. Paulo Cappelli

    20/04/2011 20:08:58

    PS: A propósito, sem crase! Só para constar :)

  21. Paulo Cappelli

    20/04/2011 19:55:07

    Maurício, eu estou começando a minha carreira como jornalista e repórter, e, infelizmente, vejo esse tipo de abordagem por parte de nossos colegas o tempo todo. Colher boas imagens e bons depoimentos é importantíssimo para nós, jornalistas, mas há de se respeitar acima de tudo a ética.Certo dia, após a tragédia, um amigo meu, sabendo que sou jornalista, comentou: "Você viu a repórter do telejornal "X" ? Ela estava pegando o depoimento de uma mãe que chorava e, após terminar a sonora, disse: 'Joia. Agora vamos voltar ao estúdio...' " JOIA? É essa a palavra que ela usa após o depoimento de uma mãe que chorava a perda da filha? Tá certo que a repórter devia ser inexperiente e estava com a adrenalina à flor da pele, mas bom senso é fundamental.À propósito. Parabéns pela matéria!

  22. José

    20/04/2011 19:31:56

    Por que esses jornalistas não abrem os microfones e cameras para a viuva doToninho de Campinas e os parentes do Celso Daniel de Santo André????

  23. Lucas

    20/04/2011 19:23:47

    Temos que entender o esforço e a profissão dos jornalistas, porem achei tudo isso uma falta de respeito não só com os alunos mas sim com todas as familias que ainda sofrem com este ocorrido Meus parabéns Mauricio Stycer

  24. Bárbara Guimarães

    20/04/2011 19:13:14

    É pavoroso isso. Fico me perguntando desde quando a maior parte da imprensa passou a ser marrom… e também em como parte da população se presta a esse papel. E me lembro disso aqui, do mestre Chico Buarque:“Aproxima-se o repórter da TV Promontório dizendo ‘Ouvimos a mãe do principal suspeito’. Aí a índia perde a razão, agarra as lapelas do repórter e desata a chorar no microfone e berrar ‘ele não é criminoso!, meu filho é um moço decente!’, mas o cameraman, que está trepado no capô da camionete, grita ‘não valeu, não gravou nada, troca a bateria!’. A índia pára de chorar, olha para o setor da imprensa e diz ‘imagine o meu filho, que é até doente, estrangulando um professor de ginástica’. Volta o repórter da TV Promontório e pede-lhe para repetir a fala anterior, que ele achou bem forte.” (Estorvo, editora Companhia das Letras, p. 45.)

  25. Fabélia Oliveira

    20/04/2011 19:06:01

    O colega que escreveu o blog está coberto de razão. Eu trabalho em TV e também vejo muita coisa exatamente desse modo. Não vivencio essa loucura no dia a dia. Estou no interior, sossegada, com poucas emissoras e aqui temos a tranquilidade para o trabalho mesmo quando estamos em situações mais delicadas. O que acho que nao dá é para ver alguém como o Luiz Henrique Castro Neves dizer que a 'IMPRENSA... SÃO UNS IDIOTAS"! A começar pelos erros de português e depois porque a tv, assim como todos os veículos de comunicação, retrata aquilo que as pessoas gostam. Qtas vezes ele (Luiz) deve ter assistido as matérias relacionadas ao caso de Realengo.Também acho que pais (familiares), alunos, professores (demais funcionários) deveriam ser respeitados nesse momento.

  26. Tércio Max

    20/04/2011 18:55:49

    O Uol verdadeiramente poderia e deveria investir mais em matérias de reflexão; a abstração da notícia, o olhar crítico. Precisamos de bons colunistas. Gostei da reportagem. Parabéns M. Stycer.

  27. Luiz Henrique Castro Neves

    20/04/2011 18:53:49

    Apredam com os Japoneses como Lidar com tragédias.... esse nosso País é uma vergonha... Imprensa escrita, falada e televisiva são uns idiotas urubus atras de carniça... Claro existe Jornalistas Sérios,,,mas a maioria são idiotas...LIÇÕES do Japão (Dez coisas a serem aprendidas com o Japão) 1 – A CALMA Nenhuma imagem de gente se lamentando, gritando e reclamando que “havia perdido tudo”. A tristeza por si só já bastava. 2 – A DIGNIDADE Filas disciplinadas para água e comida. Nenhuma palavra dura e nenhum gesto de desagravo. 3 – A HABILIDADE Arquitetos fantásticos, por exemplo. Os prédios balançaram, mas não caíram. 4 – A SOLIDARIEDADE As pessoas compravam somente o que realmente necessitavam no momento. Assim todos poderiam comprar alguma coisa. 5 – A ORDEM Nenhum saque a lojas. Sem buzinaço e tráfego pesado nas estradas. Apenas compreensão. 6 – O SACRIFÍCIO Cinquenta trabalhadores ficaram para bombear água do mar para os reatores da usina de Fukushima. Como poderão ser recompensados? 7 – A TERNURA Os restaurantes cortaram pela metade seus preços. Caixas eletrônicos deixados sem qualquer tipo de vigilância. Os fortes cuidavam dos fracos. 8 – O TREINAMENTO Velhos e jovens, todos sabiam o que fazer e fizeram exatamente o que lhes foi ensinado. 9 – A IMPRENSA Mostraram enorme discrição nos boletins de notícias. Nada de reportagens sensacionalistas. Apenas calmas reportagens dos fatos. 10 – A CONSCIÊNCIA Quando a energia acabava em uma loja, as pessoas recolocavam as mercadorias nas prateleiras e saiam calmamente.

  28. Jan - São Caetano do Sul

    20/04/2011 18:53:21

    Podre, triste e corajoso....apesar de que, se o autor ( Mauricio Stycer ) estiver num veículo onde tem de se expor ao ridículo, duvido que ele prefira esse esforço a ser demitido ou perder a vez.

  29. Rogerio

    20/04/2011 18:38:57

    Excelente sua reportagem.

  30. Silvio

    20/04/2011 18:35:58

    Boa tardeEsta matéria esta nota 1000Pois sou de uma Cia. de Dança Filantrópica e temos dois trabalhos em Realengo, um próximo desta escola. Eu estou endignado com alguns jornalistas que estão agindo como urubus de notícia. No dia de ontem estive lá, quando estive passando pelo local vi cenas fortes, de pessoas praticamente sendo forçadas a lembrar do dia, enquanto abria o porta mala para tirar mantimentos, um jornalista bem conhecido gravava com algumas pessoas, e fiquei chocado da forma que ele entrevistava, falandoLEMBRE DO DIA, LEMBRE DOS GRITOS, COMO FOI FER TODO O SANGUEIsso foi palavras que ele utilizava para fazer as pessoas lembrarem e se emocionaremO MAIS TRISTE É QUE VEZ DESTAS PESSOAS DEIXAREM AS FERIDAS DOS SENTIMENTOS CICATRIZAREM, CADA VEZ FICAM MAIS E MAIS PROFUNDAS...DEUS TENHA PIEDADE

  31. Maurici Spindola

    20/04/2011 18:35:42

    É uma vergonha e ao mesmo tempo um abuso total da privacidade dos pais e principalmente alunos, diga-se são todos menores de idade e sofreram ou ainda sofrem sequelas emocionais, e quem sabe quantos destes terão problemas psicológicos irreparáveis, por exemplo Síndrome do Pânico.Até quando as Leis do Brasil permitirão tais importúnios da imprensa escrita, falada e televisada. A luta pela melhor manchete ou furo de reportagem fazem com que profissionais da área sejam verdadeiros tubarões da notícia, não se importando do sofrimento alheio. Parabéns a matéria que retrata tristemente o assédio de reportagem.

  32. Gisele

    20/04/2011 18:30:34

    Realmente lamentável a atitude destes profissionais e de suas emissoras, pois atrás de um reporter explora e desgasta aos envolvidos, há um programa e/ou emissora sensacionalista e preocupada con seu ibope. Parabéns pela coragem em seu artigo!

  33. Laercio

    20/04/2011 18:24:02

    Papa-defuntos da notícia ou da má notícia

  34. Celso Moura

    20/04/2011 18:22:17

    A discussão suscitada pelo colega Mauríco está longe de esgotar, pois tem uma relação direta com as linhas editorias das Tvs, que com a escassez do "furo", tornaram-se um vale-tudo as declarações obtidas com "exclusividade". Para validar a informação (fato editado, meio que forjado) tem que ter o tal do "exclusivo". O fato em si já não tem tanta relevância, é preciso algumas pitadas e dramatização, orientanção cênica, enquadramento de impacto, tem que mostrar a dor (mesmo que substantivo abstrato). Tem que emocionar para ter "contéudo", ou seja sensacionalismo. Até quando será assim não sabemos, pois a lógica do mercado-notícia-informação é imprevisível, cujas alterações dependem da audiência, ou seja do público consumidor. Enquanto durar com alguma eficiência a espetacularização do mundo, este representado ao sabor das intencionalidades midiáticas, com destaque para a televisão, esse tipo de tratamento dado aos fatos terá continuidade.O essencial na maioria das vezes não é obordado no noticiário. O problema é como estamos conduzindo esta civilização. A matança perpetrada na Escola Tasso da Silveira não é um fato isolado da sociedade contemporênea, mercadológica, consumista, predadora e insaciável em todos os níveis da existência. 'Consumo logo existo".E aí não tem ética, os valores foram às favas... Para ser visto, aceito, reconhecido merecedor de alguma atenção, carinho, respeito é preciso estar referendado, tutelado por alguma marca, lugar, consumo, aparição. Tudo isso também alimentado pela televisão principalmente. É um duplo jogo de sentidos.O cara lá que matou 11 inocentes era certamente um ser perturbado, um angustiado pelo nosso mundo apolíneo e por todas essas seitas absurdas que em nome de Deus praticam toda sorte de barbárie. Perturbado mentalmente fez o que fez... Mas o aprofudamento dessas questões não interessa às grandes redes de informação. As meninas que estão com um microfone na mão, salvo exceções vivem no pais de Alice. Precisam mostrar serviço ao chefe.

  35. Laercio

    20/04/2011 18:20:18

    Vejo também que o entrevistado sente a necessidade de "aparecer" por alguns segundos na TELINHA.É o verdadeiro talk shown da miséria humana.

  36. Augusto Rocha

    20/04/2011 18:18:53

    A matéria reflete perfeitamente o que o UOL tem tentado combater: A imprensa URUBU. É esta parcela patética de JORNALISTAS e JORNAIS que vendem a morte, o sofrimento, a dor e a derrota de seres humanos.O mais incrível, é que não basta a miséria e a dor que surgem por conta própria, ela precisa ser provocada, piorada e estampada diante das câmeras e do microfone. Tudo por uma boa imagem. Aliás, uma péssima imagem. Isto é o que estas mídias sanguessugas conseguiram criar de si mesmas.Esta matéria devia estar na capa da Folha.Depois que as cenas chocantes e impactantes são exibidas, relembradas e levadas à exaustão, o que sobra é a indiferença do leitor e telespectador. É triste. Lamentável. É de chorar...

  37. Wilson José de Castro

    20/04/2011 18:18:52

    Li seu texto como se fosse um desabafo meu. Também sou jornalista e já cansei de me revoltar com as atitudes ridículas da maioria dos colegas. Felizmente trabalho em uma emissora que me dá certa autonomia para pesar minhas atitudes e reconheço que outros veículos exercem mesmo uma pressão muito grande sobre seus profissionais, mas não entendo que isso justifica a falta de senso de alguns colegas. E isso sem contar a falta de ética profissional. Em coletivas ou eventos com autoridades é possível ver como alguns se tornam verdadeiros animais em busca de carniça, sem nenhuma colaboração entre si, com um querendo passar por cima do outro, em busca da imagem ou entrevista exclusiva sem dar a minima se está ou não atrapalhando o colega ao lado. Situações em que se houve um minimo de organização e diálogo seria possível garantir que todos conseguissem a matéria sem nenhum problema. O pior é saber que a maioria ganha o mesmo salário de miséria enquanto os executivos estão em suas salas com ar condicionado faturando milhões as nossas custas.

  38. Igor

    20/04/2011 18:18:36

    Ô racinha sem escrúpulo e sem respeito ao próximo é jornalista.

  39. valdecir xavier

    20/04/2011 18:18:18

    Não sou jornalista e concordo com os argumentos acima, mas eu penso em quanta pressão esses repórteres sofrem para cobrir notícias bizarras. Gostaria de saber como eram no começo da carreira os jornalistas que agora são experientes e tem um nome?Muitos deles talvez se comportassem da mesma maneira.Por que as pessoas reclamam tanto de atitudes de jornalista e dão tanta audiência a tais programas?

  40. Flavio

    20/04/2011 18:16:49

    Mauricio, tome cuidado com comentários como esse. A imprensa é inatacável! Não pode ser criticada! Sobretudo na própria imprensa! Veja o que aconteceu na eleição presidencial do ano passado. A imprensa disse o que queria, fornecia a versão que queria e ninguém tinha nada a ver com isso. Qualquer crítica à imprensa era vista como um atentado às liberdades democráticas. Cuidado Mauricio, você pode não perceber agora, mas seu emprego está com os dias contados :)

  41. Laercio

    20/04/2011 18:16:49

    Comparo a estes ditos "profissionais" aos não menos famosos "papa-defuntos" que se aproveitam da dor e sensibilidade dos parentes do ente querido que se foi. No meu caso, houve um desses cara-de-pau que queria de qualquer maneira vender os seus préstimos funerários independente de minha dor da perda.São verdadeiros abutres em busca de carniça.

  42. joão palma

    20/04/2011 18:16:22

    É uma vergonha o comportamento de ``jornalistas`` à cata do furo, da informação exclusiva. Culpa da chefia? Do modelo de jornalismo que temos hoje? Da falta de controle (cruz credo mangalô treze vezes) da imprensa?. É inimaginável que a tragédia na escola no Realengo seja apenas um prato a ser digerido - quente ou frio - enquanto a audiência estiver aquecida. Um desrespeito às vítimas e às famílias enlutadas.

  43. Evandro

    20/04/2011 18:15:57

    Parabéns pelo texto! A notícia muito além da notícia...

  44. luiz

    20/04/2011 18:14:55

    Esses somos nos , infelizmente um Pais mediocre de valores morais , onde reporteres manipulam criancas , com perguntas imbecis , pra se conseguir audiencia de 3 minutos , expondo maes , crinancas , professores !uma vergonha , classe jornalistica , que piada sao vc's quero deixae meu humilde parabens por essa materia , e aquele site que mostra as pessoas de biquinis na praia , ou a filha de fulano chupando pirulito , meu DEUS vc's me envergonham mas hoje me sinto um pouco aliviado diante dessa materia existe luz no fim do tunnel ! ou so um vagalume piscando o bum bum ... vai saber ....

  45. Viviane Alves

    20/04/2011 18:11:33

    Parabéns ao Maurício! Excelente reportagem, aliás, uma das poucas exceções aqui no UOL. Expor ao público de forma clara e direta os meandros do (sub)mundo da mídia espetaculosa, nestes tempos, em que informar corretamente a população virou crime (leia-se wikileaks), carece de coragem! Infelizmente matérias como esta são atos isolados e não fazem parte do nosso cotidiano. Com maior amplitude e profundidade, o Mauricio poderia escrever um livro. Coragem e competência para isso, ele já demonstrou. Parabéns!

  46. nice

    20/04/2011 18:11:20

    Os reportes deverias intrevistar a pessoa( inrresponsavél) que deixou aquele desiquilibrado entrar na escola...Queria ver cara dessa pessoa depois da burrada....

  47. Alexandre

    20/04/2011 18:09:59

    Parabens pela materia........

  48. Anderson Serrano

    20/04/2011 18:05:49

    O nível da imprensa já deixa a desejar a muito tempo. O que o sensacionalismo e o ímpeto de "vender o peixe" não importando se é podre ou não faz o bom senso e a ética serem deixados para trás. Onde está o conselho de classe numa hora dessas?Lamentável.

  49. Rosineide Cordeiro

    20/04/2011 18:05:30

    Parabéns Maurício!Belo texto!Sua postura demonstra zelo e solidariedade com as crianças, familiares e professores. Mostra também como as imagens e depoimentos são montados em certos "furos",

  50. Francisco Lima Gomes da Silva

    20/04/2011 18:05:13

    Bem vindos ao mundo onde reporteres viraram caçadores de aspas.É lamentável mas essa é a realidade do jornalismo no mundo.

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