“Malu de Bicicleta” mostra que o cinema não precisa imitar a TV
Ao apresentar “Malu de Bicicleta” no Festival de Paulínia, em julho do ano passado, o ator – e produtor – Marcelo Serrado mencionou Woody Allen e “Beijos Roubados”, de François Truffaut, como influências. Pode ser. Mas eu não iria por aí no esforço de “vender” o filme.
Trata-se de uma comédia romântica com a pretensão de não ser descartável, é verdade, mas acho que a grande contribuição de “Malu de Bicicleta” é outra. O diretor Flavio Tambelini mostra como a combinação de alguns elementos técnicos básicos é suficiente, mesmo num obra leve, para distinguir cinema de verdade de filmes feitos com a cara da televisão.
O filme conta a história de Luiz (Serrado), um empresário da noite, cuja maior diversão é trocar diariamente de mulheres. De passagem pelo Rio, um dia, ele esbarra em Malu (Fernanda de Freitas), que anda de bicicleta pelo calçadão de Ipanema, e se apaixona por ela.
Baseado no romance de Marcelo Rubens Paiva, o filme deixa de lado vários aspectos da história para se concentrar basicamente na evolução do caso de amor – e ciúme – entre Luiz e Malu, acompanhado de perto pela divertida equipe do empresário e por uma amiga da garota.
Seguro, Tambelini conduz esta história num ritmo que, para o espectador de seriados de televisão, habituados a uma piada a cada 30 segundos, pode soar enfadonho. Não é. O ótimo roteiro, de Paiva, com a colaboração de Bruno Mazzeo e João Avelino, evita os clichês, o excesso de didatismo e as piadas sem graça.
Outra qualidade notável de “Malu de Bicicleta” é conseguir mostrar São Paulo e Rio sem incorrer na reprodução de lugares comuns e cacoetes sobre uma ou outra cidade. É um filme, de fato, escrito por alguém que transita muito bem na Ponte Aérea.
Por fim, mas não menos importante, “Malu de Bicicleta” dá oportunidade ao público conhecer melhor uma ótima atriz, além de muito bonita, que é Fernanda de Freitas, além de trazer um elenco afiado, com bons desempenhos de Marcelo Serrado, Marcos Cesana e Marjorie Estiano.
“Malu de Bicicleta” não é um caso isolado. Há outros filmes brasileiros recentes que se saíram muito bem na tarefa de produzir entretenimento de qualidade sem repetir os modelos consagrados da televisão. Mas não é todo dia que isso acontece e é sempre bom saudar o fato.
Para quem não viu, cito três, “É Proibido Fumar”, de Anna Muylaert, “As Melhores Coisas do Mundo”, de Laís Bodansky, e “Reflexões de um Liquidificador”, de André Klotzel. E espero que essa lista possa aumentar.
Em tempo: Mais informações, trailer, ficha técnica, fotos e uma crítica de “Malu de Bicicleta” podem ser encontrados aqui, no UOL Cinema.
Atualização às 20h30: Só agora li o texto que meu amigo José Geraldo Couto escreveu sobre “Malu de Bicicleta” em seu blog. Estou até com vergonha. Além de muito melhor, há algumas semelhanças de ideias e exemplos. A diferença é que o texto dele foi publicado três dias antes do meu. Leia aqui.

Dentro dessa linha de entretenimento de qualidade que foge aos padrões televisivos, citaria um pequeno grande filme: o desconcertante “Estômago”, Maurício.
O grande problema é que não há uma boa distribuição para filmes bons, desses 3 que vc citou, nenhum deles saiu no cinema daqui, moro em aracaju, e algo que está acontecendo por aqui é que as locadoras tão fechando, não tem mais nenhuma perto da minha casa, enfim, são bons filmes que eu quero alugar, mas não tenho outra opção a não ser baixar para assistir.
Bom, se tem o dedo do Mazzeo na parada dá pra acreditar que se trate de um filme nacional assistível no mínimo. Eu até acredito que o cinema nacional pode estar enfim saindo de sua longa e chatíssima infância (primeira infancia, bem entendido) e ensaiando uns passinhos. Mas acho meio tarde demais.
Bom mesmo!! Dos filmes que você citou só não asssiti o da Laís. Mas os outros dois já são um bom parametro. É bom esse olhar diferenciado, sendo comunicativo e incisivo. Trazendo um pouco o que nos falta, e sobra no cinema argentino, um olhar para as pessoas e os absurdos e surpresas escondidos nas frestas do cotidiano.
Sem dúvida, Guilherme. Sou um grande fã deste filme. Não o citei porque já é um pouquinho mais antigo.
Maurício, há uma comédia brasileira que você poderia incluir na lista do seu artigo: “Bendito Fruto”, de Sérgio Goldenberg. Ótimas atuações de Otávio Augusto, Zezeh Barbosa e Vera Holtz, além de coadjuvantes impagáveis feito Lúcia Alves. Um filme leve que tangencia assuntos sérios (preconceito racial, homossexualidade, o crime no Rio) de forma leve e inteligente. E é cinema mesmo, nada de produto televisivo disfarçado. Infelizmente poucos assistiram a “Bendito Fruto”. E se “Malu de Bicicleta” é tudo isso que você falou, um bom motivo para ir ao cinema. Sem contar que “As Melhores Coisas do Mundo” é um achado precioso. Enfim, era isso. Se não conhece “Bendito Fruto”, assista sem receios. Abs!
Nossa acabei de assistir o Trailler desse filme e jurava que era a Deborah Secco..
Pra que a globo precisa de um clone da Debora secco ( essa menina ai que nao sei o nome ) e da Juliana Paes (Carol Castro)???
Deve ser pq o povo engole qualquer coisa mesmo né?
Se um dia alguma nao puder gravar poe o clone mais jovemlkkk
Alias a Debora Secco fazendo papel de ninfeta no Bruna Surfitinha quando ela tinha 16 anos foi de doer….
Depois o povo fala mal do cinema brasileiro que só vive de sexo e violencia…
Gostaria de ver mais filmes menos bairristas pq se ta no RJ a gente com certeza tera que ouvir aquele sotaque arrastado de carioca…prefiro nao assistir…ja basta a maioria dos dubladores brasileiros serem cariocas e eu ter que ligar tecla SAP para assistir filmes americanos …kkkk