Blog do Mauricio Stycer

Filme pinta criador do Facebook como gênio do mal


“A Rede Social”, como se sabe, trata da criação do Facebook e das duas disputas judiciais que Mark Zuckerberg, seu idealizador, enfrentou. Uma foi promovida pelo brasileiro Eduardo Saverin, seu primeiro sócio, e a outra por Divya Narendra e os gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss, que o acusam de ter roubado a ideia deles.

O filme é narrado na contraposição de dois tempos – nos dormitórios e bares da Universidade Harvard, em 2004, quando os estudantes, todos no final da adolescência, se conheceram; e nas audiências judiciais, realizadas poucos anos depois.

Apesar do elenco inexpressivo, o filme conta com três nomes de peso nos bastidores. É dirigido pelo competente David Fincher (“Alien 3”, “O Clube da Luta”, “Seven”, “Zodíaco”, “Benjamin Button”), com roteiro de Aaron Sorkin (criador da série de TV “The West Wing”), baseado no best-seller “Bilionários por Acaso”, de Ben Mezrich.

Para alguns críticos entusiasmados, ao reconstituir a saga da criação do Facebook, Fincher realizou, na verdade, o filme que define uma nova elite americana. Ela seria formada por esses jovens geniais, de origem étnica e classe sociais variadas, pouco afeitos a hierarquias e regras estabelecidas, unidos pelo talento de criar e desenvolver produtos inovadores para a Internet.

Entende-se o fascínio que o filme está despertando. O Facebook contabiliza 500 milhões de contas ao redor do mundo. É um fenômeno tão grande, ocorrido de forma tão rápida, que transformou Zuckerberg no mais jovem bilionário da história – um ícone da estirpe de Steve Jobs ou Bill Gates, com a diferença que é 30 anos mais moço. Trinta.

O livro que deu origem ao filme se baseia em depoimentos, em particular de Eduardo Saverin, uma figura misteriosa. Sabe-se pouco sobre este brasileiro de origem judaica, nascido em São Paulo, criado no exterior, que deu o apoio financeiro fundamental para a criação do Facebook.

No filme, ele expõe o desejo de ser aceito pela elite de Harvard e sugere que o fato de ter sido bem-sucedido causou inveja a Zuckerberg, o filho de um dentista judeu de Nova York, que mostra nítidas dificuldades de relacionar-se socialmente.

Os irmãos Winklevoss (no filme, vividos por um ator só, Armie Hammer, à dir.) representam a velha elite americana. São brancos, ricos e bem educados. Os problemas do cotidiano têm para eles sempre menos importância que o esporte, que os enobrece e é a prioridade de suas vidas (eles são remadores e chegaram a competir nos Jogos Olímpicos de Pequim).

Já Zuckerberg é um nerd insensível, machista, mau caráter, ressentido, inescrupuloso e arrogante – além de hacker e programador genial. Depois de brigar com a namorada, escreve no blog barbaridades sobre ela e inventa um site de cunho sexista para eleger as mulheres “mais quentes” de Harvard. Ouve a proposta de site dos irmãos Winklevoss, compromete-se a desenvolver o projeto, mas cria o seu próprio, batizado inicialmente como The Facebook. Trama contra o melhor amigo (Saverin) e se faz de sonso quando ele é enrolado pelos advogados da empresa.

É sabido que Zuckerberg perdeu as duas ações judiciais. Foi obrigado a indenizar Narendra e os irmãos Winklevoss em US$ 65 milhões (eles querem mais) e devolver a Saverin não apenas as ações da empresa (5%) que ele havia perdido numa manobra espúria como recolocar seu nome como cofundador do Facebook.

Também é notório que as ações judiciais expuseram a intimidade de Zuckerberg, como a mensagem que trocou com um amigo da faculdade. “Então, se você algum dia precisar de informação sobre qualquer pessoa em Harvard basta pedir. Tenho mais de 4 mil e-mails, fotos, endereços, sms…” Ao que o amigo, espantado, perguntou: “Como? Como você conseguiu isso?” E o jovem Zuckerberg respondeu: “As pessoas simplesmente me mandaram. Eu não sei por quê. Elas confiam em mim. Idiotas”.

Zuckerberg não colaborou com o livro de Mezrich e, muito menos, com o filme. Diz que “A Rede Social” é “ficção”. O criador do Facebook dá raríssimas entrevistas e, embora tenha se tornado bilionário graças à exposição da vida privada de milhões de pessoas, não gosta de expor a sua.

“A Rede Social” produz um grande incômodo por esta razão. Conta uma história real, baseada em alguns fatos sabidos, mas interpretados de forma unilateral, apenas pelo olhar daqueles que se tornaram inimigos do protagonista.

Uma espécie de “outro lado” que falta ao filme pode ser lido no perfil de Zuckerberg publicado pela revista “New Yorker” em setembro. Segundo ele, a ideia do site dos irmãos baseava-se em “namoro” e a do seu em “relacionamento social”. O criador do Facebook confirma as mensagens que foram divulgadas com seu nome e se diz arrependido. Ele confessa que era muito imaturo na época (tinha 19 anos). “Acho que cresci e aprendi muito”, diz hoje.

“A Rede Social” é, enfim, um filme muito bem feito e bem construído, mas incapaz de apresentar um retrato crível do seu personagem principal. Zuckerberg está longe de ser um super-herói, mas não pode ser apenas o gênio do mal no qual o filme o transformou. Como retrato de uma geração, reproduz uma imagem excessivamente simplificada e estereotipada, que também não me convence.

Em tempo: mais informações sobre o filme, trailer e fotos podem ser vistos aqui. Uma entrevista exclusiva com Jesse Eisenberg, o ator que interpreta Zuckerberg, pode ser lida aqui. E, em seu blog, José Geraldo Couto escreve sobre o “fastio moral” que filmes baseados em “fatos reais” lhe causam.

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Comentários

Comentários para “Filme pinta criador do Facebook como gênio do mal”

  • Natália disse:

    A Rede Social não é um documentário. É um filme de ficção que se divide entre retratar os acontecimentos e divertir e cativar o público.
    Se você achou o Mark Zuckerberg fictício apenas um gênio do mal, certamente não prestou a atenção devida nas sutilezas na interpretação de Jesse Eisenberg. Ele não é, de jeito nenhum, um personagem plano como você disse.

  • Ana disse:

    Ainda não vi o filme, mas li o livro… e se for realmente baseado na história descrita lá.. Mark está longe de ser o vilão/genio do mal. A história é narrada de forma muito imparcial. E descreve tanto as falhas e acertos de todos os lados, procurando não julgar absolutamente ninguém, deixando que o leitor julgue os fatos de acordo com a sua própria concepção.

  • David disse:

    O comentário da Natália foi perfeito. Também não vi o Zuckerberg ser retratado apenas como um “gênio do mal”. Não sei que filme foi esse que você viu.

  • rodrigo jp disse:

    O filme nao transforma Mark Zuckerberg em um vilao, pelo contrário, expoe as dificuldades pessoais dele sem nunca julgá-lo.

    Preste mais atencao ao filme.

  • Creio que foi um personagem de um filme de John Ford que disse: “entre a verdade e a lenda, imprima-se a lenda”. A história, nesse momento, já está fazendo o julgamento de Zuckerberg, seja ele justo, verdadeiro ou não. O personagem, na ficção e na vida real, já foi incorporado ao imaginário de época e constitui elemento de uma mitologia dos tempos presentes, que tem na figura do “yuppie”, arquétipo contemporâneo surgido nos anos 1980, uma de suas mais emblemáticas figuras.

    Pensar na simbologia do yuppie e o que ela trouxe como representação de um momento é interessante. Afinal, trata-se da glorificação do capital e dos seus mais arraigados valores: a promoção do sujeito individual, descomprometido com os valores de grupo, sejam laços de afetividade, família ou amigos. Em seu lugar, a lógica da eficiência, performance e a perene promessa de um lugar ao sol no panteão daqueles que fizeram seu primeiro mihão de dólares antes dos trinta anos.

  • Ziza disse:

    Vi o filme ontem e não achei esses montes de rótulos negativos no personagem principal. Aliás, o grande mérito do filme é justamente o de mostrar o humano, demasiado humano. Um menino que se sente e é um excluído de seus círculo de pares, que busca amizade para além do único amigo sem saber como fazê-lo; que quer uma namorada sem saber como conseguir mantê-la. Que somente se realiza no contato com a máquina, característica de sua geração.
    Que ele errou, errou. Mas se não errasse, além de gênio, seria um deus, mas ele é humano. Ainda bem.

  • Douglas disse:

    Resumindo…mais um blockbuster chinfrin…..

  • conde disse:

    Não te convence??? Tadinho!!!

  • Djalma disse:

    Eu nem sei pq vcs ainda perdem tempo com o que esse mauricio diz, ele é sensacionalista, coloca as coisas de forma distorcidas apenas para que as pessoas acessem o blog. Nada a ver essa matéria.

  • martins disse:

    Nos dois processos judiciais as alegações dos envolvidos são detalhadas e comprovadas pelos meios de prova existentes no Direito americano. Todos têm oportunidade de arrazoar e comprovar suas alegações. Ele perdeu os dois processos. O filme não deve estar longe da realidade. (E o perfil da “New Yorker” também não é favorável a ele….).

  • Wado disse:

    Discordo totalmente, nao se coloca como um “genio do mal”.

    Filme muito bem feito e que mostra a situacao da sociedade e de sua juventude, retratando a epoca atual sem apresentar rotulos ou posicoes parciais.

    Filme que mostra os fatos e pergunta: estamos no caminho certo em relacionamentos e nos valores sociais e humanos? O que ele produziu vale os bilhoes? Um jovem nao pode errar? Que educacao os jovens estao recebendo? Um grande e valioso filme.

  • José Henrique disse:

    Essa crítica com certeza foi uma das piores que já vi.
    Acho sinceramente que o crítico devia assistir denovo o filme e prestar mais atenção. Enfim, achei a crítica idiota.

  • ronaldo disse:

    Cara, ele so’ e’ mal interpretado. Nao o ator, a indole da personagem. E’ notoria sua dificuldade em resolver problemas. Isso faz parecer um genio malvado, mas nao passa de um idiota imaturo. Malvado, nao.

  • Thiago disse:

    Ainda não vi o filme, porém gostei da crítica.

    Só que não fiquei convencido de que o Zuckerberg seja o “malvado” porque não é do feitio de David Fincher ou Jesse Eisenberg de estipular o “bem” e o “mal”.

    Valeu

  • Liliam disse:

    Gostei muito do filme – como sempre um grande trabalho de David Fincher …
    Porém não concordo que Mark Zuckerberg seja “do mal”. Alias, um dos pontos que gostei do filme, foi justamente que o roteiro deixa espaço para que o espectador tire suas próprias conclusões …

  • Edson Costa disse:

    O pessoal que comenta aqui parece aquelas senhoras em cidade pequena debruçadas na janela, olhando a vida alheia e fazendo comentários ácidos…
    Se estão defendendo o Mark é porque se parecem com ele… Este povo não deve ter uma vida social digna a não ser no twitter…
    Se o Mark retratado no filme não é um gênio do mal, então ele é o que?

  • Manuel disse:

    Esse Maurício não existe. Que filme ele viu? Assisti o filme ontem e achei muito interessante. É exatamento o que as pessoas estão comentando. O filme retrata um rapaz com dificuldades de relacionamento e se aliou a outro de carater duvidoso e fez seu site explodir no mundo. Foi egoista, trapaceiro e perdeu as ações na justiça, em bora seja um gênio na computação.

  • Fulano disse:

    na vdd, axei o contrario,
    ele termina o filme como um injenuo coitado q caiu nas armadilhas da vida e foi induzido a fazer o mal ‘-’

  • Daniela disse:

    De fato essa critica é ridicula , a unica forma de voçê ter essa opnião e se voçê não viu o filme , pegou a sinopse e resolveu causar polemica se colocando em um papel de “polemico” . Tenho pena da sua limitação ! Seu lugar é mesmo criticar reality show de 5ª categoria , é mais simples para seu intelecto primitivo .

  • Cleber disse:

    Fulano, vai estudar português antes de escrever qualquer coisa na internet.

  • Harry disse:

    Como vocês são hostis, desnecessário…
    Eu acho que ele estava certo em quase todos os momentos, o Severin apenas investiu uma grana na empresa quando ela estava começando, e não entrou de cabeça como todos os outros caras.
    Ele até pode ter roubado a idéia dos gêmeos, mas suas idéias não construiriam o império do Facebook como as de Mark construiram. Ele é um gênio, o negócio é dele, a grana é dele, não há como negar.

  • Gilberto disse:

    Nãi vi A Rede Social ainda, mas dizem que a trilha sonora feita pelo Trent Reznor é fantástica. Quem não conhece este músico deve assistir o show de sua banda NIN (Nine Inch Nails) em DVD/Blu-ray “Besides you in time”, um verdadeiro terremoto visual e sonoro.

  • pow fala serio o principal como vilão eu nahum acredito nisso.
    pow eu vi o filme e se a historia for akela mesma nahum creio que ele seja do mal.
    pow ele apenas pegou uma ideia a a fez muito muito melhor…
    tipo se vc construir uma cadeira melhor nahum significa que vc tenha que pagar pras quem a criou….

    meu blog… dicasinformatica2011.blogspot.com

  • daniel disse:

    ele vai ser mais rico que bill gates

  • Gislene disse:

    Assisti ao filme duas vezes e não creio que o colocam como vilão. Ele era uma pessoa com dificuldades de se relacionar, em plena adolescência e imaturo para lidar com tantos acontecimentos marcantes em sua vida. Isso é ser vilão? Ele é apenas uma pessoa real colocada em um filme.

  • Hilderson Marques disse:

    Ví o filme e no meu humilde ponto de vista, trata-se de alguém com um potencial intelectual diferenciado que em algum momento sofreu interferência de um mau caráter como o criador do Napster que responde a dezenas de processos da industria fonográfica e com uma vida pregressa lamentável. Usuário de drogas, programas envolvendo menores, enfim, acho que o Mark não é um vilão, é um sujeito lúcido que não tolera incompetência como o faz todos os gênios.
    É óbvio que sua atitude com seu sócio e co-autor do projeto não foi correta e ele pagou o preço por isso. Já sua relação com os gêmeos trata-se de uma relação onde os caras tiveram um embrião de idéia e ele aperfeiçoou e fez acontecer e era o unico no grupo com capacidade de fazê-lo. É assim nesse meio, a informação anda na velocidade da luz e não respeita fronteiras.

  • itaphb disse:

    Alguém que põe seus interesses financeiros acima de qualquer valor moral(como os valores que se cultiva nas verdadeiras amizades), não pode ser uma pessoa de boa índole. Ele, no filme, se mostrou ganancioso e traiçoeiro. Por outro lado não o vejo como um anti-herói pois ele conserva traços de uma boa pessoa e, talvez, a idade(19) tenha contribuído para suas atitudes impensadas. O certo é que se fez justiça e acho que hoje ele deve ter outra mentalidade e as pessoas que estão com ele tambem devem tomar mais cuidados ao assinar contratos.

  • alex areias disse:

    O filme conta o resumo de um pouco do que se passou na vida real, mas nem tudo o que realmente se passou foi mostrado, por vezes quem cria ou tem uma ideia na sociadade que vivemos não vai muito longe porque o sistema não premite…………………..e há muita gente igonorante e egóista que não dá uma chance….

  • Carla disse:

    Interessante como alguém que cria um site que promova a interação social não tenha valorizado suas próprias relações: o que ele fez a ex-namorada foi ridículo e o que ele fez ao amigo, as pessoas próximas a ele, então… Sim, ele é um vilão. Pretensioso, frio, aproveitou as fraquezas das pessoas próximas a ele para alcançar seus objetivos. Um montrinho esse rapaz…