Blog do Mauricio Stycer

Livro mostra que Galvão é bom de papo, mas não tem quase nada a dizer
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Mauricio Stycer

Como tudo que Galvão Bueno faz ou deixa de fazer, o lançamento de seu livro de memórias se tornou um acontecimento. Como era de se esperar, em poucos dias “Fala, Galvão!” ocupou o topo da lista dos mais vendidos.

falagalvaoEscrito em parceria com o experiente jornalista Ingo Ostrowsky, o livro reproduz o estilo coloquial do narrador. Você lê a obra como se estivesse ouvindo Galvão falar.

E ele fala sem parar. Na maior parte das 312 páginas, Galvão presta homenagens aos amigos que conheceu no mundo do futebol e do jornalismo esportivo – Pelé, Luciano do Valle, Michel Laurence, Arnaldo Cezar Coelho, Falcão, Ronaldo, Casagrande, Junior, Zico e Kaká, além de inúmeros colegas de trabalho e superiores hierárquicos na Globo a quem dedica os mais variados elogios.

O mesmo acontece no universo do automobilismo. O narrador vê o mundo sob a ótica de suas amizades, mais do que dos fatos esportivos. Dessa forma, presta homenagens caprichadas a Ayrton Senna, Nelson Piquet, Emerson Fitipaldi, Rubens Barrichello, Felipe Massa e Reginaldo Leme.

Entre um e outro elogio, entre uma e outra bajulação, sobra espaço para poucas confissões. Tipo: “Eu sou um personagem”, diz, resumindo a sua carreira. “Sou um cara competitivo, quase doentiamente competitivo”, acrescenta.

Num raríssimo instante de sinceridade, reconhece hoje que a famosa gritaria ao festejar a conquista do tetra na Copa de 94 foi “meio ridículo”. E, em outro momento de honestidade, confessa que, em 2002, foi escalado por Felipão para fazer uma pergunta de interesse do treinador em uma entrevista coletiva – e cumpriu o pedido.

Além da famosa história sobre a narração de um jogo que não aconteceu, na Copa de 74, Galvão só reconhece no livro um outro erro em toda a sua carreira – o gol de Oscar que, por distração, não narrou em um amistoso da seleção, no início de 2014. Contra quem? O autor nem se dá ao trabalho de dizer.

Livro dedicado a falar bem dos amigos, “Fala, Galvão” traz uma discreta crítica ao trabalho de Felipão e Parreira na Copa de 2014. Na visão do narrador, o maior pecado da dupla foi elevar a expectativa dos brasileiros afirmando que o Brasil iria ganhar o Mundial. E critica a incompetência – “não sei de quem” – de deixar a seleção sem nenhum jogo no Maracanã, na certeza de que ela jogaria a final no estádio.

Mais discretas ainda são as críticas a João Havelange e Ricardo Teixeira. Sobre o primeiro, a quem chama de “um estadista”, observa que “existem sombras e negociações não muito bem explicadas”, mas que tem “profundo respeito” pelo seu trabalho no esporte.

Sobre o segundo, Galvão se permite ser um pouquinho mais duro e diz que a gestão de 24 anos de Teixeira foi “um acúmulo de excessos”. Quais? “Excesso de poder, excesso de tempo no poder, excesso de nuvens escuras, excesso de perguntas sem respostas.” E pronto.

É verdade, como diz o narrador, que “até quem não gosta (de mim) me assiste”. Mas acho que esses não precisam ler “Fala, Galvão!” (Globo Livros, R$ 40). Trata-se de um livro apenas para quem realmente gosta muito do narrador.

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Dos melhores do ano, Os Experientes merecia mais episódios e horário nobre
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Mauricio Stycer

osexperientesjoanaselmaExibido o último episódio, não é exagero dizer que “Os Experientes” se habilita a entrar na lista dos melhores programas de 2015. Produto da O2, de Fernando Meirelles, a série contou quatro histórias independentes ligadas pelo tema do envelhecimento.

osexperientesjucaCom roteiro de Antonio Prata (o primeiro) e de Marcio Alemão Delgado (os outros três) e direção dividida entre Meirelles e o filho Quico, “Os Experientes” abriu espaço para um timaço de atores veteranos brilharem.

De Beatriz Segall a Juca de Oliveira, passando por Selma Egrei, Joana Fomm, Otavio Augusto, Lima Duarte, Othon Bastos, entre outros, a série ofereceu espaço para variados solos dramáticos de atores que hoje, de uma maneira geral, só conseguem espaço como coadjuvante em novelas.

OsExperientesWilsondasNevesO episódio “Os Atravessadores do Samba” ousou ainda mais, ao escalar os veteranos músicos Germano Mathias, Wilson das Neves e Zé Maria e o jornalista Goulart de Andrade como protagonistas. A falta de traquejo como atores foi compensada pela comovente entrega dos intérpretes.

A rigor, foram quatro especiais, cada um contando uma história original, sempre em tom agridoce, tratando de pequenos dramas com pitadas de humor e auto-ironia. Como escrevi a respeito da estreia, é muito raro ver na TV aberta tão boa combinação de direção, edição, texto, trilha sonora e elenco, tudo funcionando muito bem para contar histórias emocionantes, sem ser piegas.

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O quarto capítulo, talvez o mais bonito e forte, ao apresentar um romance entre duas mulheres mais velhas, propôs algumas ligações entre os personagens que apareceram ao longo de toda a série. As personagens de Selma Egrei e Joana Fomm assistiram ao espetáculo de samba protagonizado pelos artistas do segundo episódio. O gerente de banco do primeiro capítulo, vivido por Eucir de Souza, era o filho da personagem de Egrei e o advogado do terceiro episódio, interpretado por Othon Bastos, era amigo da família.

O que estranho em relação a “Os Experientes” foi a hesitação da Globo em lançar o programa. Consta que estava pronto há pelo menos um ano. Segundo Roberto Irineu Marinho, presidente do Grupo Globo, em entrevista ao “Valor”, a série teria sido gravada há três anos e “estava na prateleira”.

O programa foi ao ar naquele que é considerado o pior horário da linha de shows da emissora – sextas-feiras, depois do “Globo Repórter”. Obteve audiência razoável, entre 12,7 pontos (na estreia) e 11,8 (no último dia 24).

“Os Experientes” merecia não apenas duração maior como um horário melhor na grade. Quem sabe a emissora não encomenda uma segunda temporada.

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Fátima Bernardes completou a transição do jornalismo para o entretenimento
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Mauricio Stycer

FatimaPoledance2
Perto de festejar três anos à frente de um programa de auditório (estreou em 25 de junho de 2012), Fátima Bernardes pode considerar que completou de forma brilhante a transição do jornalismo para o entretenimento.

Neste período, ela mostrou total entrega à função de apresentadora, o que inclui descontração, falta de vergonha e disposição para se submeter a todos os “micos” e constrangimentos que a função exige.

Mais que isso, Fátima se tornou uma das maiores estrelas e um símbolo dentro da Globo. É chamada para todo o tipo de participação especial – já esteve nas novelas “Cheias de Charme” e “Geração Brasil”, no humorístico “Tá no Ar”, além de narrar os desfiles das escolas de samba do Rio.

Este ano, ela apresentou o “Show 50 Anos”, ao lado de Pedro Bial, e esteve entre os 16 profissionais da casa que relembraram, no “Jornal Nacional”, o cinquentenário do jornalismo da emissora.

Além disso, a apresentadora já apareceu como atriz em duas novelas que estão no ar, “Alto Astral” e “Babilônia”. Na primeira, contracenou com Claudia Raia, a Samantha. E na segunda, dividindo a cena com Fernanda Montenegro, interpretou o papel que costuma fazer em seu programa e entrevistou a advogada Teresa.

Por tudo isso, a cena exibida esta manhã (01) em seu programa não chega a surpreender. Ao contrário, era até previsível. Mostrando o trabalho de dançarinas que praticam pole dance, Fátima foi convidada a subir no poste. É óbvio que foi.

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Datena critica venda do Ibope a empresa de publicidade
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Mauricio Stycer

datenabrasilurgente1Jose Luiz Datena criticar o Ibope não chega a ser novidade. O apresentador da Band já deu vários ataques ao vivo contra o instituto que mede a audiência da TV no Brasil. O que foi original na crítica que fez esta tarde, ao longo do “Brasil Urgente”, foi a ironia destinada ao grupo britânico WPP, que comprou o Ibope da família Montenegro no final de 2014 .

“Diz que o Montenegro vendeu o Ibope. Deve ter vendido para algum parente dele, porque não muda nada!”, reclamou o apresentador. Em seguida, fez a crítica mais dura: “Diz que quem comprou o Ibope tem agência de publicidade junta. Como é que pode? Medir audiência e fazer publicidade junto?”

Veja abaixo:


Leitor vê incoerência no “CQC Haters”; repórter do programa se explica
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Mauricio Stycer

cqchaterslucas1Áreas de comentários em sites, blogs ou nas redes sociais se tornaram o espaço para disseminação de preconceitos, ofensas, mentiras e muito ódio. Anônimos ou com a cara exposta, os chamados “haters” não têm medo ou vergonha de expor, com violência verbal, o que pensam a respeito de pessoas que nem conhecem ou de situações que não entendem.

É com o objetivo de confrontar esses comentaristas que o “CQC”, da Band, tem apresentado um quadro bastante peculiar, chamado “Haters”. O programa busca identificar autores de comentários odiosos e o repórter Lucas Salles tenta entrevistá-los.

Nesta terça-feira (28), recebi um e-mail sobre o quadro. O estudante Lucas Lima me escreveu fazendo uma crítica que julguei muito pertinente à atração. Deixando muito claro que é contra os comentários odiosos, ele escreveu o seguinte:

“À primeira vista achei simpático o quadro ‘CQC Haters’, porém essa impressão durou pouco. Passei a enxergar o quadro como pouco afeito à liberdade de expressão. Sim, devo admitir que a intenção de surpreender os ‘haters’ em seu pretenso anonimato é interessante, mas há aí um problema que uma fala do repórter Lucas Salles nesta edição explicitou. Ele disse: ‘Você não pode sair por aí dizendo tudo que você pensa, porque o que você pensa pode ser uma merda’.

Ora, a liberdade de expressão abrange tudo que não fira a Constituição e as leis. No caso brasileiro, não se pode incorrer em calúnia, injúria e difamação, bem como fazer apologia ao crime, à violência e ao consumo de drogas ilícitas. Não se enquadrando em nenhuma das práticas citadas, todos têm direito de digitar a merda que quiserem. Um programa com pretensões humorísticas e jornalísticas com certeza não deve ser o lugar de julgar opiniões alheias, correndo o risco de assim equiparar-se aos intolerantes haters.”

Procurei o repórter Lucas Salles e mostrei a ele o e-mail de seu xará. Antes de ler a resposta que ele me enviou, veja abaixo o quadro que motivou o protesto do estudante:

Agora, a resposta de Salles:

cqchaterslucas3“Em primeiro lugar, muito obrigado pelo seu ponto de vista! Sua opinião é muito importante para o programa e, principalmente, para mim. De verdade. Irei me explicar agora.

Em segundo lugar, confirmo a frase citada por você. Sim, eu a disse e, nesse momento, afirmo que foi um erro. Ela pode ser muito mau interpretada (e foi!). O erro foi meu. Mais de ninguém. Por isso, agora, peço desculpas ‘pessoalmente’ por ela. Gostaria de levantar alguns pontos!

Com certeza, eu fui infeliz nesta frase. Mas, o que eu queria dizer, é que antes de falarmos alguma coisa, devemos pensar sobre. Não façam o mesmo que eu fiz ao ‘falar essa frase’. Dei o exemplo da pior forma possível! Porém, a minha frase, na maneira em que foi colocada, não dizia a respeito sobre ninguém, nem sobre nenhum caso e nem refletia nenhum pensamento/sentimento meu (preconceito, ódio, raiva). Minha frase foi colocada como uma ‘dica’. É claro que é um pensamento meu, mas sem nenhum pré conceito. Usei as palavras erradas? Usei. Isso é um erro? É. Por isso, peço desculpas por ela.

cqchatersfraseO quadro ‘Haters’, do qual eu me orgulho muito em fazer parte, vai atrás de pessoas que disseminam o seu ódio através de comentários maldosos, preconceituosos e mal intencionados. Muitos, inclusive, vêem isso como uma ‘profissão’. Ficam horas atrás de um computador, mandando mensagem de ódio para outras pessoas e, às vezes, hackeam a vítima afim de descobrir seu telefone, sua residência, entre outras coisas.

Tem que haver um limite para isso, sim, Lucas. Isso, sem sombra de dúvidas, é uma merda. E olha que eu pensei antes de falar! Mas não acho nenhuma outra palavra melhor que possa resumir a situação chata que é causada pelos haters! E é por isso que criamos este quadro. Primeiro, para entender o que se passa na cabeça de uma pessoa que faz esse tipo de comentário. Segundo, para conversar com o ‘hater’ e saber qual finalidade ele queria atingir com o seu comentário. E terceiro, porque achamos importante criamos uma ‘consciência’ para o nosso público. Onde as pessoas possam ver que, um ‘simples comentário’, faz uma filha chorar, uma mãe sofrer, um amigo ficar irritado…

Queremos mostrar a lei mais simples do universo: toda ação gera reação. E não é por que você está na internet que você está protegido. Estamos atrás deles, custe o que custar.

Mais uma vez, peço desculpas pela má interpretação da frase. Viva a liberdade de expressão! P.S.: Mas viva também o respeito pelo próximo, né? P.S.2: Não queremos “cagar regra'', tá? É mais para mostrar ao público e criarmos essa consciência!''

Os meus parabéns aos dois Lucas. É assim, educada e civilizadamente, que se discute.

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UOL Vê TV: Globo comemora 50 anos, mas nada dá certo no “Vídeo Show”
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Mauricio Stycer

UOL Vê TV – Globo comemora 50 anos, mas nada dá certo no Vídeo Show

Em pleno aniversário de 50 anos da Globo, o “Vídeo Show'', programa que fala exclusivamente sobre a programação da própria emissora, passou novamente por uma série de mudanças, mas nada parece estar dando certo.

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“Jornal Nacional” muda para reforçar a aposta na informalidade
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Mauricio Stycer

bonnerrenata2015Os créditos de encerramento do “Jornal Nacional” já apareciam quando William Bonner e Renata Vasconcellos se levantaram da bancada e caminharam em direção à tela. Um pouco antes de desaparecerem de vista, o apresentador fez uma saudação, com a mão, para alguém escondido à direita (imagem acima), enquanto sua colega de bancada abria um grande sorriso.

A informalidade deste momento final foi apenas a cereja no bolo da edição de segunda-feira (27). O programa marcou a apresentação de um cenário reformado, novos recursos tecnológicos (em especial, um telão lateral maior) e movimentos de câmera originais no enquadramento de Bonner e Renata.

jnmariajuliaUm dos efeitos interessantes foi provocar a impressão de que os jornalistas que falavam à distância estavam em um mesmo cenário do que os apresentadores. Veja na imagem ao lado, por exemplo, a interação entre Renata e Maria Julia Coutinho, que estreou como apresentadora da previsão do tempo no JN, falando de São Paulo.

Mais do que tudo isso, porém, o que chamou mesmo a atenção foi a informalidade de Bonner e Renata. Em diferentes momentos, eles caminharam pelo cenário, entrevistaram correspondentes e até deram notícias em pé.

Estas novidades reforçam um movimento que já ocorre há alguns anos, no sentido de tornar o “Jornal Nacional” menos sisudo (sonolento?) e mais próximo do espectador.

A troca de olhares entre os apresentadores, iniciada ainda com Fátima Bernardes na bancada, já sinalizava este esforço de dar um ar de normalidade a quem lê as notícias, como que dizendo que eles são “gente como a gente”.

E o conteúdo? Imagino que muitos estão se perguntando isso. Cada vez mais, como se sabe, a embalagem é um elemento tão ou mais fundamental. Em tempo de incessante fuga de audiência da TV aberta, manter o espectador preso diante da tela ouvindo notícias, muitas delas já vistas durante o dia na internet, é um desafio e tanto.

Resta ver se este esforço do JN, legítimo, vai ter sucesso.

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