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UOL Vê TV: Sem contratos nem papéis, atores veteranos reclamam da Globo
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Mauricio Stycer

Lima Duarte e Beatriz Segall são alguns dos consagrados atores veteranos que estão com dificuldades de encontrar papéis à sua altura na teledramaturgia brasileira. Para complicar, eles ainda enfrentam uma nova política da Globo, que agora está contratando por trabalho e não mais por períodos longos, como fazia no passado.

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Cora, a vilã que solta pum, encara o assaltante hipnotizador em “Império”
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Mauricio Stycer

imperiocorajeiro
É interessante observar como Aguinaldo Silva tem recorrido com frequência ao humor para atenuar o mau caráter dos vilões de “Império”.

O caso mais nítido é o do blogueiro Téo Pereira (Paulo Betti). Os exageros, tanto do texto quanto na interpretação do ator, produzem uma espécie de alívio cômico, mas o recurso não têm a intenção de justificar o comportamento do personagem. Pelo contrário. Como já escrevi, creio que, por meio do humor, o autor deseja torná-lo ainda pior aos olhos do público.

O mesmo ocorre com a vilã Cora (Drica Moraes). No esforço de apresentá-la como falsa moralista, Aguinaldo Silva está transformando a personagem numa comédia ambulante.

Cora dominou o capítulo desta terça-feira (28) de “Império”. Ela acorda no meio da noite, com “calores”, e decide dar uma volta na rua, para “chamar o sono”. Descendo as escadas da casa, observa: “Ai, que horror! To cheia de gases”. Ela, então, coloca a mão na barriga e, em seguida, ouve-se o conhecido som. “Ai, deve ser o champagne”, explica.

É noite e, meio bêbada, a vilã sai para o seu passeio noturno. Sentada em um banco, em Santa Tereza, ela conversa com um gato de rua que está miando. “Louco por uma gata no cio, né? Também… com essa lua, nessa cidade… Cidade da perdição”. Fazendo carinho no gato, continua. “Todo mundo nas suas casas, todo mundo no vuco-vuco… Tudo que você queria, né, gato safado?”

A vilã prossegue, segurando o seu terço: “Mas eu não. Eu to aqui, ilibada, imaculada, zelando pela minha pureza, sozinha… Mas antes só do que mal acompanhada”.

É quando aparece Jairo (Julio Machado), filho de Jurema (Elisângela), que ganha a vida assaltando mulheres na rua. Ele agarra a bolsa de Cora e os dois ficam se encarando. Ela diz: “Vamos ver quem pisca primeiro.” Jairo fecha os olhos por um instante.

“Hipnotizadorzinho de araque”, diz Cora. “Me obedece, tô mandando”, responde o assaltante. “Não acredito em truque de circo. Larga”, responde ela, recuperando a bolsa. “Ta pra nascer o safado que vai roubar a bolsa de Cora dos Anjos.”

Na sequência, sozinha, Cora suspira por Jairo: “Uma coisa não posso negar. O sujeito é ladrão, mas tem um olhar de fogo. Será que é só o olhar?” E Jairo, encantado, segue a vilã, até descobrir onde ela mora. No capítulo desta quarta-feira, ele vai propor um encontro a vilã.

Acho interessante ver como Cora está cada vez mais ridícula. Mas a estratégia do autor é arriscada. Vilões, como se sabe, são essenciais no folhetim. Mostrar Cora soltando pum e hipnotizando assaltantes é divertido, mas pode transformar a vilã num mico de circo.

Cenas de “Império''

Cenas de “Império''


“Cidade Alerta” exibe como nova matéria velha do “Domingo Show” sobre Zina
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Mauricio Stycer

zinadomingozinacidadealerta1No final de maio, exibindo uma longa reportagem sobre Marcos da Silva Heredia, o Zina, ex-integrante do “Pânico”, o “Domingo Show” alcançou uma de suas melhores audiências, empatando com a Globo. Quatro meses depois, na falta de um drama melhor para exibir, o “Cidade Alerta” reeditou vários trechos da mesma história, contada por Geraldo Luis, sem avisar ao espectador que estava mostrando uma reprise.

Marcelo Rezende começou o programa desta terça-feira (28) informando que recebeu, pela manhã, um telefonema de Geraldo: “Tá sabendo? Zina foi preso de novo”. O apresentador do “Cidade Alerta” então disse: “Geraldo, eu preciso que você conte bem essa história”. Teve início, então, a reprise do “Domingo Show”, mas com novas legendas e a logomarca do programa de Rezende. Só faltou o sempre  presente selo de “exclusivo”.

zinaO mais curioso é que a nova prisão de Zina ocorreu há cerca de dois meses, segundo informou, na segunda-feira (27), a irmã do humorista no programa “A Tarde É Sua” , da RedeTV. Além de dependente químico, ele tem problemas psiquiátricos.

O drama de Zina vem sendo explorado por diferentes programas de televisão desde 2009, quando foi preso pela primeira vez, por posse de droga. O próprio Geraldo, em 2012, quando apresentava o “Balanço Geral”, já havia tirado uma casquinha do caso. Na ocasião, Zina se disse abandonado pelo “Pânico” e o apresentador se dispôs a ajuda-lo.


Drama pessoal de cantor turbina promoção de novo disco na TV
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Mauricio Stycer

HudsonFantastico
No dia 22 de setembro, sete meses depois de ser internado para tratar de dependência em drogas e álcool, o cantor Hudson deixou um centro de reabilitação, em São Paulo. Uma semana depois, no domingo, 28, deu uma entrevista ao “Fantástico”, no qual descreveu sua passagem pelo inferno e a volta:

“Eu via o diabo todo dia dentro de uma garrafa. Todo dia, eu trocava um almoço, meu café da manhã, por uma talagada de uísque. Aí, entrei nessa de cocaína. Acho que eu fui o primeiro artista no mundo sertanejo que botou a cara a tapa'', disse ao programa da Globo.

Só no final da entrevista a repórter Giuliana Girardi mencionou que a saída do cantor da clínica coincidia com o lançamento do novo disco da carreira da dupla Edson & Hudson. Como já era sabido, o álbum “De Edson Para Hudson” foi gravado em duas etapas, uma em um estúdio, por Edson, e outra na clínica onde Hudson ficou internado.

EdsonHudosnHojeemDiaA reportagem se encerrou com a dupla cantando uma música nova do CD e o convite a ouvi-la, na íntegra, no site do programa. De lá para cá, Edson e Hudson tem feito bastante divulgação do trabalho, sempre sublinhando o drama pessoal do cantor.

Foi assim, por exemplo, na entrevista a Chris Flores, do “Hoje em Dia”, da Record: “Todo sofrimento dele lá dentro eu passei aqui fora”, revelou Edson, na conversa, exibida no último dia 22.

EdsonHudosnCaldeiraoE foi assim, também, no “Caldeirão do Huck”, neste sábado (25). “A gente vai abrir o ‘Caldeirão’ contando uma história que tem a música como ferramenta de superação”, explicou o apresentador. Curiosamente, Luciano Huck reapresentou boa parte da reportagem do “Fantástico” antes de convidar a dupla a cantar no palco do seu programa.

Programas populares de televisão adoram “histórias de superação”, em especial as que fazem o espectador chorar. O caso de Hudson é um prato cheio, neste sentido. Além de ser um caso de “superação”, é também a história de um “famoso”, o que confere ainda mais emoção ao caso.

As emissoras faturam em audiência e a dupla consegue boa promoção para o seu trabalho. O problema é que o espectador nunca sabe se o objetivo de tanta exposição é ensinar algo sobre o drama de um ex-dependente ou vender discos.


Cinco sugestões para melhorar os debates eleitorais
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Todo mundo parece estar de acordo que os debates eleitorais nesta campanha de 2014 contribuíram muito pouco – ou nada mesmo – para esclarecer os eleitores. As razões para isso são conhecidas.

As assessorias dos candidatos impõem regras cada vez mais rígidas, infelizmente aceitas pelas emissoras. Os marqueteiros, no fundo, não querem que ocorram boas discussões. Para eles, é importante garantir que seus candidatos não saiam do roteiro estabelecido, o que faz os debates parecerem propaganda eleitoral.

Deixo para a reflexão cinco sugestões que, se adotadas no futuro, poderiam tornar os debates mais interessantes a quem importa, o eleitor:

1. A presença de jornalistas com direito a fazer perguntas: é uma forma de evitar que o candidato levante assuntos com o objetivo não de ouvir o que o outro tem a dizer, mas a fazer propaganda própria. Em alguns debates, no primeiro turno, até houve perguntas feitas por jornalistas.

2. Além de fazer perguntas, os jornalistas deveriam ter o direito de poder fazer réplicas. Como essa regra nunca é aceita, o jornalista faz uma pergunta, o candidato não responde e fica por isso mesmo.

3. Mediadores deveriam ter o direito de interromper os candidatos em algumas situações. Por exemplo, quando Dilma perguntou sobre Enem e Aécio respondeu sobre creches, o mediador deveria poder dizer: “Candidato, o senhor está fugindo do assunto''. Ou quando Aécio perguntou sobre corrupção no governo e Dilma respondeu falando de corrupção no governo Fernando Henrique. “Candidata, o assunto é outro''.

4. Banco de horas. Essa é uma proposta já apresentada este ano em conjunto por UOL, “Folha de S.Paulo'', SBT e Jovem Pan aos candidatos e nunca aceita. Em vez de limitar o tempo de cada resposta ou réplica, cada candidato teria direito a um número total de minutos em cada bloco e administraria esse tempo da forma que bem entendesse.

5. Ataques pessoais e ofensas deveriam ser punidos na hora por uma equipe da emissora em que o programa é exibido. Uma punição, por exemplo, poderia ser a perda do direito de fazer uma pergunta. Ou perda de tempo de resposta. Dessa forma os candidatos se sentiriam inibidos a partir para ataques gratuitos.

Texto e vídeo foram publicados originalmente aqui, no UOL Eleições 2014.

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Debate presidencial eleva audiência da Globo em 40%
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Mauricio Stycer


A Globo está festejando os excelentes números alcançados com o debate presidencial, exibido entre 22h10 e 0h da noite de sexta-feira (24), antevéspera da eleição. Em São Paulo, a emissora registrou, segundo dados prévios do Ibope, 30 pontos.

Nas últimas quatro sextas-feiras, a emissora havia marcado média de 21 pontos no horário, o que significa um crescimento de 41%. A Record ficou em segundo lugar (7 pontos), seguida por SBT (6), Band (2) e RedeTV (1). O debate presidencial exibido pela Globo no primeiro turno deu 21 pontos.

No Rio, igualmente, a emissora registrou ótimo resultado: 30 pontos, um crescimento de mais 7 pontos (ou 29%) em relação à faixa horária das últimas quatro sextas.

Em tempo: Como este blog trata de televisão, e não de política, só publicarei comentários que digam respeito ao tema do meu texto. Declarações de votos e ofensas a um ou outro candidato não serão aceitos.

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Desencontro entre Pelajo e Waack produz momento cômico no “Jornal da Globo”
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Mauricio Stycer

Desencontros durante a leitura de notícias em telejornais são comuns. Menos comum é um apresentador reclamar com o outro ao vivo. Foi isso que chamou a atenção na noite de quinta-feira (23) no “Jornal da Globo”. “Sou eu”, diz Christiane Pelajo a William Waack depois de ouvir o colega da bancada ler uma chamada que caberia a ela. A apresentadora, então, faz questão de ler novamente a mesma chamada. É um momento engraçado, quase infantil, do telejornal.


UOL Vê TV: De repetição de programa a cueca trocada, o espectador nota tudo
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Mauricio Stycer

É impressionante como nada escapa ao olhar dos espectadores na televisão. No programa desta semana, trato de dois casos que mostram como há gente atenta aos mínimos detalhes do que passa na tela. Falo de um novo quadro do “Agora É Tarde”, semelhante a um programa apresentado nos anos 80, e mostro um discreto erro de continuidade em uma cena — muito boa, por sinal — exibida na novela “Império''.

São apenas detalhes, nada mais que detalhes. Mas como dizia o arquiteto Mies van der Rohe, “Deus está nos detalhes”. Criei uma seção do blog, o “Detetive Vê TV”, justamente como um canal para diversão dos espectadores que apreciam, além de ver televisão, notar os pequenos erros que aparecem na tela.

Os problemas apontados aqui, insisto, não comprometem o trabalho de Rafinha Bastos, no “Agora É Tarde”, ou de Joaquim Lopes e Aguinaldo Silva em “Império”. São apenas curiosidades.

Agradeço aos “detetives” Ana Flavia Weidman, Calberto e Munizla, que me chamaram a atenção para o erro de continuidade em Império, e a Olavo Nunes, que lembrou da semelhança de “No Fio da Navalha” com “Cadeira de Barbeiro”, exibido na Manchete, em 1988.

Cenas de “Império''

Cenas de “Império''


Globo não planeja repetir série com eleitores indecisos do debate eleitoral
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Mauricio Stycer

retratosbrasileirosAssim como ocorreu em 2010, a Globo contará, novamente, com um grupo de eleitores indecisos, selecionados pelo Ibope, para fazer perguntas a Dilma Rousseff e Aécio Neves no encontro programado para esta sexta-feira (24), antevéspera da eleição.

Mas a emissora não pretende repetir desta vez o projeto que desenvolveu em 2010 após o debate entre Dilma e José Serra. Naquela ocasião, os onze indecisos que fizeram perguntas aos candidatos foram posteriormente acompanhados ao longo de quatro anos por repórteres da emissora.

Cada um dos onze eleitores recebeu oito visitas de equipes da Globo, uma média de duas por ano – um esforço jornalístico, até onde eu sei, inédito no Brasil.

Os repórteres tentaram mostrar como as preocupações que os eleitores tinham em 2010, expostas nas perguntas que fizeram, se refletiram em suas vidas e nas de suas famílias nos anos seguintes.

Para surpresa de muita gente, inclusive dentro da Globo, o resultado da ação não foi visto no “Jornal Nacional”, no “Globo Repórter” ou em um programa especial da emissora. O projeto resultou em uma série na GloboNews, chamada “Retratos Brasileiros”, exibida em julho deste ano.

A Globo afirma que, desde o início, não havia certeza sobre o destino do projeto. Ao longo do tempo, concluiu-se que não caberia em nenhum programa existente. Teria havido dúvida se deveria ser exibido na própria Globo ou na GloboNews, até que decidiu-se pelo canal pago.

O fato é que “Retratos Brasileiros”, um dos maiores investimentos jornalísticos da Globo nos últimos tempos, teve muito pouca repercussão. E não será repetido este ano.

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Em debate engessado e sem jornalistas, é exagero ter dois apresentadores
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Mauricio Stycer


Em matéria de ataques pessoais, o terceiro debate entre Dilma Rousseff e Aécio Neves foi bem mais ameno do que os dois primeiros. Mas mostrou, novamente, que as rígidas regras impostas pelas assessorias dos candidatos impedem que ocorra, de fato, uma discussão de ideias.

Sem perguntas de jornalistas, diferentemente do que ocorreu no debate da Record do primeiro turno, os candidatos se sentem à vontade para repetir questões já feitas antes em outros encontros. Aproveitam para levantar assuntos com o objetivo não de ouvir o que o outro tem a dizer, mas sim o de discursar sobre temas de seu próprio interesse.

Uma pergunta de Dilma sobre o Enem ganha uma resposta de Aécio sobre creches. E por aí vai, de parte a parte, esse diálogo de surdos – pelo menos, desta vez, sem maiores ofensas.

Aos mediadores, não resta muita coisa a fazer. “Tempo esgotado, candidata”, diz Celso Freitas. “É a sua vez de perguntar, candidato”, avisa Adriana Araujo. Por 105 minutos, tempo de duração do debate, essas foram as principais intervenções dos dois apresentadores da emissora.

Outra função que coube a Freitas e Adriana foi pedir para a claque dos dois partidos não se manifestar, no que não foram respeitados. Ou seja, a emissora não precisava escalar dois mediadores para isso. Um era mais do que suficiente.

Como já havia ocorrido no debate do primeiro turno, a Record teve dificuldades para acertar a luz no estúdio sobre os candidatos. O espectador viu inúmeras oscilações ao longo do primeiro bloco.

Diferentemente do que ocorreu no final do debate no SBT, quando os candidatos foram entrevistados pela emissora, na Record os apresentadores é que deram entrevista.

Segundo dados prévios do Ibope, o encontro rendeu média de 12 pontos à Record, com 14,6 de pico. Uma boa audiência. A emissora ficou 13 minutos na liderança.

Em tempo: Como este blog trata de televisão, e não de política, só publicarei comentários que digam respeito ao tema do meu texto. Declarações de votos e ofensas a um ou outro candidato não serão aceitos.

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