Blog do Mauricio Stycer

Troféu Sinceridade: “Se eu fizer baixaria, ganho do Gugu”, ameaça Ratinho
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Mauricio Stycer

RatinhoPanico
O “Pânico” marcou um golaço neste domingo (01) ao entrevistar, ainda que brevemente, Gugu Liberato e Carlos Massa, o Ratinho, protagonistas de uma estridente disputa pela audiência na última quarta-feira (25). O apresentador da Record, que estreava naquela noite, levou enorme vantagem, vencendo não apenas o rival do SBT como também a Globo em parte da noite.

Rodrigo Scarpa (o Repórter Vesgo) e Eros Prado (o Inconveniente) fizeram as entrevistas, fantasiados de Gugu e Ratinho, respectivamente. A conversa com o apresentador do SBT foi a mais interessante.

“Não foi você que ganhou”, disse Ratinho, dirigindo-se a Vesgo. “Foi a Richtofen. Se eu tivesse ganhado, seria a Dona Florinda”, observou, referindo-se às entrevistas que os dois exibiram naquela noite — Gugu fez uma exclusiva, exibida em duas partes, na quarta e quinta-feira, com Suzane Richtofen dentro do presídio, enquanto Ratinho trouxe do México a atriz Florinda Meza, viúva de Roberto Bolaños, criador das séries “Chaves'' e “Chapolin'', falecido em novembro do ano passado.

Em seguida, Ratinho prometeu: “Gugu, se eu resolver fazer o que você está fazendo, eu ganho de você de novo”. “O que ele está fazendo?”, quis saber o repórter: “Baixaria. Tipo o que eu fazia”.

Prado perguntou, então: “O que nós vamos fazer para dar uma segurada no Gugu?” A resposta de Ratinho pareceu sincera: “Vamos partir para a baixaria. Eu acho, Gugu, que nós vamos ter que disputar as baixarias a partir de agora. Vamos mostrar bunda, baixaria, vamos fazer banheira, tudo.”

Ainda que em tom de brincadeira, Ratinho claramente fez uma ameaça, sugerindo que se o rival seguir na toada dos primeiros dias vai desencadear uma guerra pela audiência da pior forma possível.

Mais contido, Gugu procurou ser diplomático ao falar com os repórteres do “Pânico”: “Tem público para nós dois”, disse. E ainda deu uma dica para Silvio Santos: “Conversei com Ratinho sobre essa concorrência. É bom. Assim o SBT pode dar dinheiro para ele fazer um programa melhor”.

Veja abaixo a reportagem do “Pânico'':
Ratinho diz que Gugu está fazendo baixaria na TV

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“Chega Mais” promete “mudar a cara” do domingo, mas não escapa da “mesmice”
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Mauricio Stycer

chegamaistrioapresentadoresDiante da limitada programação da RedeTV!, é preciso elogiar a iniciativa da emissora de estrear um programa de auditório dominical, com apresentadores pouco conhecidos, num horário de dura competição, das 18h30 às 20h.

“Chega Mais” é apresentado por um trio, formado pelo stylist Matheus Mazzafera, a modelo Renata Kuerten e o fotógrafo de moda Adriano Dória. Um grupo de lindas modelos anônimas completa o time no palco.

O perfil profissional desta equipe se explica pelo fato de “Chega Mais” ser produzido por Eli Hadid, dono da Mega Model, uma das principais agências de modelos do país.

Na estreia, Dória prometeu que “Chega Mais” é um programa “para o seu domingão mudar de cara”. Mazzafera acrescentou: “Esperança de um domingo melhor, mais hypado, mais legal. Para sair da mesmice do domingo”. “Às 18h30, bem no meio do seu tédio dominical'', disse ainda Dória.

Diante dos modelos no palco, o stylist se empolgou: “Dá uma olhada nesse nosso elenco: só gente bonita, Renata”. E depois de a câmera dar um close no sorriso das modelos, observou: “Olho o dente delas”.

Bom, a promessa de um domingo com nova cara, melhor e mais legal não durou cinco minutos. O programa caiu na mesmice e no tédio de outros dominicais logo em seu primeiro quadro, o “Cinderelo”, no qual vão mostrar como um jovem recolhido em um abrigo em Pelotas (RS) vai mudar de vida, ao se transferir para São Paulo e virar modelo.

Do assistencialismo o “Chega Mais” partiu para uma competição entre modelos, que exigirá “adrenalina e inteligência'', com provas esportivas, chamada “O Desafio”, outro quadro manjadíssimo nas tardes e noites da televisão brasileira.

Uma ideia menos óbvia, uma competição chamada “Liga das Blogueiras”, disputada por seis blogueiras das áreas de moda e beleza, foi apresentada, na verdade, mais como uma ação comercial do que propriamente um jogo.

chegamaisanittaA primeira celebridade a participar do “Chega Mais” também não poderia ser uma escolha mais óbvia: Anitta, que já esteve em praticamente todos os programas de auditório da televisão brasileira. Ela participou do quadro “Na Mira das Divas'', respondendo a perguntas das modelos que se espalham pelo palco. Perguntas difíceis como: “O seu nome verdadeiro é Larissa, seu nome artístico é Anitta. Quando você é uma e quando você é a outra?'' Ou: “Você se considera mais meiga ou abusada?''

Chamou a atenção na estreia o descompasso entre o texto ruim e empostado lido pelos apresentadores e o esforço dos três em parecerem descontraídos e modernos.

Com muitas menções a redes sociais e a um aplicativo do programa, o apelo à modernidade não combinou muito com a pauta requentada da atração. Com dois anos de atraso, por exemplo, o programa explorou o drama de mães que perderam os filhos no incêndio da boate Kiss, em Santa Maria (RS).

Eclético como todos os seus concorrentes, “Chega Mais” exibiu a reportagem sobre Santa Maria imediatamente depois de um quadro chamado “Dog Star”, no qual acompanhamos a transformação de um cachorro.

“Ter estilo é que nem ter chulé: ou você tem ou não tem”, disse Mazzafera, explicando por que mudou de figurino no meio do programa. Não achei uma explicação muito boa…

O programa estreou com o apoio de cinco marcas — um feito nada desprezível. Como disse no início, também é digno de elogio a iniciativa da RedeTV! de lançar uma atração dominical. Mas a promessa de apresentar algo novo e diferente não resistiu a poucos minutos. “Chega Mais'', infelizmente, acrescentou pouca coisa à cansativa grade de domingo da TV aberta.

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Vida de ex-BBB: “Perdi dinheiro e meu negócio quase acabou”, diz Vagner
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uolvvetvvava
Vagner Lara, o Vavá, participou do “BBB14” por duas semanas. Foi o sexto eliminado na fase “turbo” do programa. Apesar de relativamente curta, a participação foi marcante.

Numa cena antológica, ele brigou com Valdirene, de “Amor à Vida”. Interpretada pela atriz Tatá Werneck, a personagem entrou no “BBB” e interagiu com os participantes por algumas horas. Vagner conta, em entrevista ao “UOL Vê TV”, que não fazia ideia de como a discussão foi mal vista. Ao contrário, ela achava que estava divertindo os espectadores.

Ao sair do programa, ele diz que deixou de lado o negócio que era sua principal fonte de renda, um bufê infantil, para usufruir a vida de “ex-BBB”. Depois de alguns meses, se deu conta do prejuízo que estava tendo. “Fui viver o ilusionismo. Se eu não tivesse retomado o foco, no final do ano, ia fechar as portas”.

Veja abaixo trechos editados da conversa e um vídeo com a íntegra da entrevista:


“Não vejo televisão, só vejo cinema”, diz Silvio Santos; Netflix responde
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Em um programa gravado antes de entrar de férias, mas só exibido neste domingo (22), Silvio Santos voltou a dizer que tem pouco interesse pelo que é mostrado na televisão brasileira – incluindo, é claro, o seu próprio canal, o SBT. O comentário também serviu para o apresentador fazer propaganda – segundo ele, gratuita – do provedor online Netflix. Veja abaixo:

Atento a todas as oportunidades, a Netflix respondeu a Silvio, em um vídeo gravado pelo CEO da empresa, Reed Hastings:

Atualizado em 27 de fevereiro


Mais do mesmo: Globo exibirá quatro concursos musicais licenciados em 2015
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IluminadosGlobo2
O sucesso do “The Voice Brasil”, lançado pela Globo em setembro de 2012, deu impulso a uma nova onda de importação de formatos de concursos musicais, ou shows de talentos. Em abril de 2014, a emissora lançou o “SuperStar”. Agora em fevereiro de 2015, foi a vez de estrear “Os Iluminados”, dentro do “Domingão do Faustão”.

Ainda este ano, além da quarta temporada do “The Voice” e da segunda do “SuperStar”, a Globo vai lançar também o “The Voice Kids”. Ou seja, este ano serão exibidos quatro concursos musicais “diferentes”, todos baseados em formatos estrangeiros licenciados.

Na verdade, não são  nada diferentes. A essência de todas estas competições musicais é exatamente a mesma – a descoberta de “novos'' talentos. É um princípio idêntico, inclusive, a vários outros concursos que, nos últimos 40 anos, foram exibidas na televisão brasileira.

Os Iluminados” é uma versão de um formato turco, chamado “Keep Your Light Shining”. Originalmente, é uma competição com 12 participantes, que ocorre ao longo de 13 semanas, com três jurados. Na adaptação da Globo, são sete candidatos por semana, ao longo de seis domingos, com dois jurados.

A estreia, neste domingo (22), ajudou o “Domingão do Faustão” a registrar a sua maior audiência no ano, média de 15,5 pontos na Grande São Paulo. Explicado de forma confusa ao público, o concurso mereceu dois esclarecimentos ao longo da tarde.

Primeiro, Faustão informou que, diferentemente do que estavam questionando alguns telespectadores, a disputa era ao vivo, e não gravada. Depois, coube ao cantor Sorocaba, um dos jurados ao lado de Ana Carolina, garantir que os candidatos não estavam fazendo playback.

TheVoice2014O “The Voice Kids” foi anunciado pela Globo esta semana. O concurso vai ser disputado por crianças e adolescentes entre 9 e 15 anos. A emissora ainda não divulgou quando irá ao ar.

A segunda edição do “SuperStar” vai trocar dois jurados em relação ao primeiro programa. Saem Fábio Jr. e Dinho Ouro Preto, entram Paulo Ricardo e Thiaguinho. Ivete Sangalo permanece.

Sobre a quarta temporada do “The Voice Brasil” (imagem acima), que está assegurada, ainda há muita especulação sobre a troca, ou não, de um ou mais dos técnicos.

O curioso nesta onda da Globo por concursos musicais baseados em formatos estrangeiros é que, em abril de 2014, o diretor-geral da emissora, Carlos Henrique Schroder, anunciou a criação de cinco fóruns internos com o objetivo de discutir e propor novos programas.

Um dos fóruns, ele contou, é justamente dedicado à criação e desenvolvimento de novos formatos. “Estamos nos forçando um pouco a desenvolver formatos brasileiros. A gente vai muito atrás do mercado mundial e fica um pouco refém. Por que a gente, com a capacidade criativa gigantesca, não cria?”, disse, na ocasião.


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Desafiado a reconquistar seu público, “Pânico” se renova sem mudar muito
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Mauricio Stycer


Ao final de 2014, com audiência e repercussão em queda, todo mundo concordava que o “Pânico” precisava mudar para 2015. A estreia da nova temporada, neste domingo (22), mostra como este é um desafio complexo e difícil de resolver.

A questão é: como renovar um programa no ar desde 2003 sem alterar a sua essência, sem descaracterizá-lo? Como agradar ao fã-clube, ainda fiel, mas atrair novos espectadores?

PanicoTiriricaDe todas as novidades anunciadas pelo programa da Band, a mais ousada e que implica em mais riscos, sem dúvida, é a contratação de Tiririca. O palhaço faz um tipo de humor associado a uma tradição popular que, nos últimos anos, foi objeto de paródia do próprio “Pânico”. A sua presença no programa, por isso, vai criar um “ruído” interessante.

Curiosamente, Tiririca não estreou neste domingo. O apresentador Emilio Surita avisou, assim que abriu atração, que nem todas as novidades prometidas seriam vistas na estreia. Em uma gravação, o palhaço apareceu brevemente, confirmando que estará no “Pânico” no futuro.

PanicoFaustao2A maior novidade acabou sendo a estreia de uma nova imitação de Marvio Lucio, o Carioca, dedicada ao apresentador Fausto Silva. Como outros quadros do “Pânico”, o “Domingão do Fausão” chamou a atenção positivamente pela excelente imitação de Carioca e negativamente pelo roteiro pobre.

Outra surpresa foi a gravação de um quadro, “Igreja do Poderoso”, diante de uma grande plateia em um teatro de Paulínia (SP). A sátira a programas religiosos na TV, comandada por Eduardo Sterblitch, incluiu até a presença de uma “Andressa Ubach”. “Eu tive um baque”, explicou. “No passado, no Carnaval de Salvador eu transei com 70 caras, eu acho, e estou grávida de quatro deles”. “Aleluia”, respondeu o Poderoso.

A saída de Wellington Muniz, o Ceará, mereceu uma resposta típica do “Pânico” – uma nova imitação de Silvio Santos, também feita por Carioca, no palco, ao vivo. “O outro Silvio foi embora?”, ele perguntou.

PanicoLuizAbateComo Ricardo Boechat e Boris Casoy em outros anos, o apresentador Luiz Bacci, da própria Band, foi brindado com uma paródia-homenagem, feita por Gui Santana. “Hora do Abate” mostrou um apresentador vaidoso, à frente de um programa sensacionalista. “Tenho compromisso com a verdade. Por que sou má… maravilhoso.”

Marcas tradicionais do programa, como a trolagem aos famosos, em festas e no aeroporto, continuam sem grandes alterações. “Eu virei gay olhando a sua revista Playboy'', disse Christian Pior para Hortência. Uma panicat, Mari Baianinha, foi promovida a repórter, no lugar de Nicole Bahls, e uma nova modelo, Aline, foi contratada para substituir Renata.

Um personagem dos primórdios, o Mendigo, vivido por Carlinhos da Silva, voltou. Outro humorista, Patrick Maia, estreou fazendo trollagens variadas. Daniel Zukerman mostrou, em uma reportagem séria, o trabalho de paparazzi brasileiros em Los Angeles,

O “Pânico”, em resumo, me pareceu bem-sucedido no desafio de se renovar sem perder as suas marcas principais. A questão a verificar é se isso basta para reavivar o interesse pelo programa. O risco existe, como mostrou Tiririca em uma mensagem exibida no final do programa: “Tô no ‘Pânico na Band’! Pior que tá não fica!”.

Atualizado às 14h30: O “Pânico'' estreou em 2015 com média de 4,9 pontos no Ibope, um índice mediano, mas ainda assim a melhor audiência da Band no domingo.

Veja o novo Silvio Santos do “Pânico''
Pânico apresenta seu novo Silvio Santos

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Saída de Ronald Rios do “CQC” deve terminar na Justiça
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Mauricio Stycer

Ronald Rios entrevista palestino em Gaza
Repórter do “CQC”, da Band”, por três anos, Ronald Rios não teve o seu contrato renovado no final de 2014. A decisão da emissora desencadeou um conflito que, tudo indica, só será resolvido na Justiça.

Em janeiro deste ano, Ronald publicou um vídeo no You Tube no qual critica a direção do programa por não ter incluído uma reportagem especial que fez em Gaza na retrospectiva do “CQC”, exibida em dezembro.

No vídeo, o repórter revela conversas que teve com integrantes da produtora argentina Eyeworks – Cuatro Cabezas, responsável pelo “CQC”, e com diretores da Band. Indignado, fala palavrões e diz que não aceita a decisão da emissora de não mostrar a reportagem feita no Oriente Médio no especial de fim de ano.

Questionada pelo UOL, na ocasião, a Band não quis comentar o teor do vídeo. Mas, agora em fevereiro, Rios voltou ao You Tube com um novo vídeo, no qual acusa a emissora de “tentativa de censura'' por ter enviado uma notificação pedindo que ele retirasse do ar a primeira gravação.

Neste segundo vídeo, o repórter lê trechos da notificação, na qual a Band classifica como injuriosas e difamantes várias das observações originais.

Ouvido por este blog, Rios disse que não vai retirar do ar o vídeo, que teve 90 mil visualizações até hoje. “Seria admitir que fiz algo errado, o que não fiz”, afirmou. “Meu advogado disse que estou usando o meu direito de liberdade de expressão”.

Procurada, a Band reiterou que não comenta o assunto.

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Após deixar CQC, Ronald Rios reclama da Band e do descaso com seu trabalho

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Diretor explica por que terceira reprise de “Rei do Gado” faz tanto sucesso
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Mauricio Stycer

reidogadofagundescortez

Exibida entre junho de 1996 e fevereiro de 1997, “O Rei do Gado'' foi reapresentada no “Vale a Pena Ver de Novo'' em 1999 e no canal Viva em 2011. Nada disso impediu que, em sua terceira reprise, agora em 2015, a novela voltasse a ser um fenômeno de audiência.

A trama de Benedito Ruy Barbosa, exibida no meio da tarde, tem registrado números no Ibope eventualmente mais elevados do que “Malhação'' e “Boogie Oogie'', a novela das 18h. Como registrou a coluna “Outro Canal'', na “Folha'', o sucesso levou a Globo a aumentar o espaço dedicado à reprise em sua grade, espremendo os filmes da “Sessão da Tarde” e o “Vídeo Show”, que ficaram menores.

LuizFernandoCarvalho2014O UOL convidou o diretor da novela, Luiz Fernando Carvalho, a tentar explicar este sucesso. Carvalho já havia dirigido “Renascer” (1993), do mesmo autor. Em 2014, voltou a trabalhar em parceria com Benedito, na recriação de “Meu Pedacinho de Chão”.

Diretor de inúmeros trabalhos marcantes na TV, como as séries “Os Maias”, “Hoje É Dia de Maria”, “Subúrbia”, entre outras, Carvalho (ao lado) no momento se dedica em Manaus à gravação de “Dois Irmãos”, minissérie baseada no romance de Milton Hatoum. Abaixo, suas respostas sobre “O Rei do Gado”.

Você está revendo “O Rei do Gado”? O que está achando?
Luiz Fernando Carvalho – Estou gravando a minissérie “Dois Irmãos”, então revejo apenas partes dos episódios quando muito. Lamento que enredos e universos como os desta novela tenham se tornado tão raros na televisão. Benedito, juntamente com Dias Gomes, talvez sejam os autores que mais se voltaram para o Brasil profundo, o mundo rural e seus desdobramentos sociais. Sem falar de uma certa atmosfera de saga que suas histórias sempre cultivaram.

Então, como um clássico, considero importante reprisar para que as gerações mais novas – tanto de autores quanto a de diretores – percebam o quanto aquela narrativa profundamente lírica faz parte do imaginário que povoa nosso país. Se seus textos sempre foram um generoso trampolim para alçar a imaginação dos artistas que sobre eles se debruçaram, acredito que o mesmo se deu com a imaginação daqueles que os assistiram. “Renascer” e “O Rei do Gado” foram um deleite para mim, espécie de escola, aquele território onde você podia se lançar com segurança que colhia sempre uma lição emocionante sobre como narrar uma história.

reidogadopatriciapillar3Quais são as qualidades principais desta novela?
Brasilidade + Realismo + Emoção. O texto trabalha sobre estas linhas o tempo todo. Isso não é pouco. São passos que precisam ser revisitados por todos nós, e que nos foram roubados pelo acúmulo das repetições e o excesso da tecnologia. Tecnologia é bom e eu gosto. Hoje a tecnologia está em tudo: na forma com que os autores escrevem, que a câmera registra, que os atores se colocam em cena; enfim, tudo a nossa volta se resume a um enorme conjunto de tecnologias. Mas se a tecnologia te domina, você morre, não fazendo o menor sentido você estar ali, qualquer outro poderia estar, ela te anula.

Naquele tempo não havia marcação de luz, era preciso criar a luz no set. E a luz deveria representar simplesmente a realidade e não ficar imitando filme de ação americano, esfriando a imagem ao ponto de deslocá-la do real, afastando a emotividade de um melodrama em troca de uma cor da moda. Se o figurino não estivesse na textura certa, dentro das coordenadas de cada personagem, não havia pós produção para “afinar” tudo. Tudo deveria dialogar diretamente com as emoções do texto que, diga-se de passagem, eram muitas! Esse exercício da construção do real é, no meu modo de sentir, a maior qualidade desta e de qualquer grande novela. É uma qualidade que parte do texto, mas circula por todos os departamentos da produção com o forte propósito de reafirmar a síntese ficcional do autor. “O Rei do Gado” era isso.

Depois de poucas semanas, já é possível dizer que a reprise de O Rei do Gado é um sucesso de audiência. O que esses números do Ibope expressam, na sua opinião?
Expressam excelência. Expressam também autoria. Benedito faz parte daquela família de autores que escrevem sozinhos porque necessitam contar uma determinada história. Uma história que passa por ele e por mais ninguém. Se o autor é movido pela necessidade de contar sua história, encontrará, na grande maioria das vezes, as coordenadas certas para que muitos a escutem.

Em uma entrevista ao UOL, falando sobre “Meu Pedacinho de Chão”, você disse: “É preciso renovar mais e copiar menos''. O sucesso da reprise de “O Rei do Gado” não pode estar sinalizando algo em outra direção, de que o público prefere mesmo rever um novelão clássico?
Colocadas lado a lado com outras narrativas daquela época, “O Rei do Gado” representou sim um grande passo de inovação ético e estético. Em sua primeira fase contou-se uma história com apenas oito personagens, incluindo, entre eles, grandes lançamentos como Caco Ciocler e Marcelo Antony. Era um Shakespeare, ok, mas era um texto que se misturava e livremente se transformava nas memórias do próprio autor: pés de café, convocação do filho para segunda guerra, shindo renmei, etc…

As cenas foram totalmente gravadas em locações como tentativa de humanizar a narrativa, já naquela época bastante contaminada por um modelo único. O texto trazia núcleo de personagens que traçava forte paralelo com a realidade do país, como foram os sem-terra. Enfim, a novela não era cópia de nenhuma outra, foi totalmente inventada pelo Benedito e por mim.

reidogadoverezamarianaTudo muito simples, nada que qualquer um dos romances do final do século XIX já não tivesse proposto. Lembro-me como se fosse hoje o dia em que nos encontramos para falarmos dos personagens. Na história havia uma andarilha, um personagem desgarrado, sem rumo. Nos viramos um para o outro indagando se aquilo era verdadeiro e forte o suficiente. Poderia até ser forte para um velho novelão, mas não mais para o que estávamos buscando. Não demorou muito para que o telefone do escritório tocasse com alguém do outro lado querendo saber que história era aquela de incluirmos os sem-terra na novela. Foi assim.

O público prefere uma grande história e bem contada, contextualizada. Não seria isso que eles estão sinalizando? O tema não importa tanto assim, mas que seja contado com sensibilidade e excelência. Nisso se incluiu uma boa dose de desejo. É fundamental que se tenha a necessidade de contá-la, ou é melhor não se aventurar. O público de hoje, expert em dramaturgia, perceberá os pontos fracos de cara, no primeiro capítulo.

É evidente que o paralelo com a realidade tornou-se em si um gênero da ficção moderna. Todos, através dos celulares, temos uma câmera na mão e com isso uma noção de narrativa e verossimilhança. Todos sabemos quando, diante de nós, um sorriso ou uma lágrima que escorre é resultado de emoção ou puro truque. Ninguém mais engana ninguém. O truque dramático, artístico, depende de mestres no ofício, enquanto amadores serão descartados por um vídeo caseiro. Por isso, antes uma boa história de anos atrás do que uma novinha em folha com gosto de café requentado. Dona Maria não engole mais. Que ótimo!

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Bruna Tang explica o que é ser “vilão” em um reality show
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Mauricio Stycer

BrunaTangA apresentadora e cantora Bruna Tang teve uma participação marcante na mais recente edição da “Fazenda”, o reality show da Record. Ao lado de Diego Cristo, Lorena Bueri e Felipeh Campos, ela formou um grupo de “vilões” assumidos no programa. Articularam votos, provocaram brigas, fizeram fofocas e protagonizaram várias cenas de gritaria durante a sétima edição.

Em entrevista ao “UOL Vê TV”, nesta quarta-feira (18), Bruna rejeitou a classificação”. “Não me vejo com vilã”, diz. Na sua visão, vilão é o participante que ouve uma coisa e, ao passar adiante, distorce o que ouviu. “Repassar informação, o famoso ‘leva e traz’, tá valendo”.

Ainda sobre “A Fazenda”, Bruna contou uma história engraçada sobre o ex-Menudo Roy, que participou da edição, e que falava muito de Deus no programa. “Ele escondia o copo de uísque embaixo da mesa”.

Em outra boa passagem ela diz que “beleza ganha reality show, pobreza não”. Veja abaixo os principais trechos da conversa editados e a íntegra da entrevista:

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“É culpa do autor”, diz Téo Pereira sobre cena “surreal” de “Império”
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Mauricio Stycer

imperioteoerikaDe forma sutil ou escancarada, autores de telenovela sempre mandam recados e dizem o que pensam sobre determinados assuntos por meio de falas de seus personagens.

Em “Império”, Aguinaldo Silva frequentemente recorre a Téo Pereira (Paulo Bétti) para fazer críticas ao jornalismo contemporâneo, especialmente o praticado na internet, bem como para lembrar dos seus tempos de repórter e, ainda, elogiar profissionais que admira ou respeita.

No capítulo desta sábado (14), o autor foi além e colocou na boca de Téo uma crítica à própria novela. Foi, evidentemente, uma brincadeira, mas surpreendente. Deu-se ao final de uma longa cena, na qual o jornalista dialogava com sua assistente, Erika (Leticia Birkheuer).

Por quase três minutos, eles conversaram sobre vários assuntos desimportantes. Teo se disse espantando com os elogios que recebeu por ter feito uma campanha em prol da doação de sangue para Claudio (José Mayer). “A bicha má que ainda existe dentro de mim não gostou nada (dos elogios recebidos)”.

Comentaram, também, sobre as fotos que ele roubou do álbum de Cora, elogiando a jovialidade da vilã (uma brincadeira com o fato de Marjorie Estiano ter voltado a fazer a personagem na fase adulta, depois da saída de Drica Moraes). “Eu vou descolar o produto que ela usa para parecer assim tão jovem”, disse ele.

Téo, então, perguntou a Érika se ela está recebendo convites para ir a camarotes no Sambódromo durante o Carnaval. Ela disse que poucos. Ele observou: “A mim, ninguém convida”. E contou uma história: “Virei figura maldita. Também, quem manda dar nota seis no quesito figurino naquela escola daquele senhor de Nilópolis” (uma referência à Beija Flor). Foi a deixa para emendar outro assunto:

imperioteoerika2“Que saudade que eu tenho dos meus tempos de jurado. Ah… eu sinto até o gosto daquele sanduíche de pernil que serviam”, disse. “De porco?”, questionou Erika. “Não, de veado mesmo, querida”, respondeu o jornalista. “No Carnaval eles proliferam feito capivaras”. Ocorreu então o seguinte diálogo:

Erika: Você não acha que essa conversa está ficando meio surreal, não?
Téo: Está. Mas isso é culpa do autor da novela.
Erika: O quê? Não entendi nada.
Téo: Não é para entender, querida. É só seguir o bloco e não pensar em nada. Porque se pensar, bate o ridículo e, então, já era.

A cena termina com Téo cantarolando, errado, um trecho de “Noite dos Mascarados”, de Chico Buarque, que diz: “Mas é Carnaval! / Não me diga mais quem é você! / Amanhã tudo volta ao normal”.

Como Erika observou, foi realmente uma cena difícil de entender. Não teve utilidade maior na trama e pareceu meramente escrita para preencher espaço, fazer o tempo passar. “Império”, como se sabe, teve a sua duração esticada – vai passar de 200 capítulos – e tem exibido muitas cenas como essa. Ao dizer que a culpa é sua, o bem-humorado Aguinaldo Silva faz um saudável exercício de autocrítica.

Cenas de “Império''

Cenas de “Império''

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