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Com formato incomum na TV brasileira, “Justiça” quer reeducar fã de novela
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Mauricio Stycer

JusticaAdrianaEstevesCom estreia programada para 22 de agosto, um dia após o término dos Jogos Olímpicos do Rio, “Justiça” vai chamar a atenção por seu formato, tão ousado quanto incomum na televisão brasileira.

A série conta quatro histórias diferentes, de pessoas que passaram sete anos presas, condenadas por crimes variados. No ar de segunda à sexta (menos às quartas), a cada dia um destes casos é relatado. Em todo episódio, porém, há cenas conjuntas, em que os personagens das outras histórias se entrecruzam.

Na segunda-feira, por exemplo, o público acompanhará o drama de Elisa (Débora Bloch), cuja filha Isabela (Marina Ruy Barbosa) foi assassinada pelo noivo Vicente (Jesuíta Barbosa). Na terça, será o dia da história de Fátima (Adriana Esteves), que matou o cachorro do vizinho, um policial (Enrique Diaz), e acaba presa, acusada de tráfico de drogas.

Fátima trabalha como empregada doméstica no apartamento de Elisa. Desta forma, uma personagem será vista, em função coadjuvante, na história da outra. Os protagonistas das outras duas histórias também aparecerão em todos os episódios (no fim do texto há um álbum de fotos com o resumo de cada história).

Com texto de Manuela Dias (“Ligações Perigosas”) e direção de José Luiz Villamarim (“O Canto da Sereia”, “Amores Roubados”, “O Rebu”), “Justiça” irá ao ar por cinco semanas, sempre depois da novela das 21h15.

“O que acho legal da série é este formato”, diz Villamarim ao UOL. “A gente tem que avançar na televisão. Depois dos seriados americanos, de tudo que aconteceu na televisão, o nosso desejo é que avance. Temos que reeducar o nosso espectador, de certa maneira”.

JusticaDeboraBlochCassioGabus“A gente vai botar no ar uma série em que na segunda-feira termina com uma mulher com um revólver indo matar o assassino da sua filha e só retomar isso na outra segunda-feira”, avisa o diretor.

“Nós, brasileiros, que vemos muita novela, estamos acostumados a ter na terça-feira imediata o resultado disso. Mas vamos ter que ver outra história, na qual esta personagem também aparece, e esperar até a outra segunda-feira para saber o que acontece. Isso, pra mim, é muito importante. É importante a empresa estar fazendo isso”, completa Villamarim.

“Acho que faz parte dos nossos desafios sempre avançar um pouco”, concorda Manuela. “Dar um pouco do que as pessoas já sabem e dar um pouco do que elas não sabem – um tanto para elas se agarrarem àquela narrativa e um tanto para elas terem vontade de se agarrar”.

Como diz Picasso…

A proposta de cruzar diferentes histórias dentro de um mesmo enredo não é nova. Vários filmes já se arriscaram, com sucesso, por este formato, como “Short Cuts” (1993), de Robert Altman, “Crash” (2004), de Paul Haggis, além dos três primeiros longas de Alejandro Iñarritu (“Amores Perros”, de 2000, “21 Gramas”, de 2003, e “Babel”, de 2006).

Questionado a respeito, Villamarim cita uma frase famosa, atribuída ao pintor Pablo Picasso (1881-1973): “Os bons artistas copiam, os grandes roubam”. E diz: “Acho essa frase genial. Não há nada de novo sob o sol. Não tenho esse tipo de preocupação”.

justicamanueladiasManuela (foto) acrescenta: “Esse formato veio muito junto com a própria ideia. Nasceu como uma forma de eu explorar a ideia. Dar volume humano para a cidade”, diz. “Você quer que o ônibus pare no ponto, mas o motorista pode ter perdido a mãe no dia anterior. Ou a mulher dele foi presa. Nesse sentido, a cidade é um personagem”, acrescenta.

“O formato potencializa a própria ideia de pesquisar uma dimensão pessoal escondida”, diz a autora. “A intimidade de quando a justiça é feita acontece no quarto das pessoas, no banheiro, na sala. Não é na rua”.

Iscas para fisgar o público

JusticaCauaVillamarimO diretor de “Justiça” enumera os trunfos da série, capazes de manter o espectador fiel ao programa. O primeiro é justamente a vontade de saber o que acontecerá com aqueles personagens soltos em alguns episódios. “O Cauã Raymond aparece no episódio 1 no telefone. Quando ele se vira, ele vê a mulher dele saindo do teatro. No episódio 2, ele aparece na empresa. No episódio dele (o de sexta-feira), você vai entender essas cenas. Todo mundo cruza. É engenhoso. É como se fosse dramaturgia com matemática”, diz Villamarim.

Em segundo lugar, o diretor aposta na representação realista, quase documental, da trama, baseada em histórias muito dramáticas e factuais. “Interfiro menos no que está ao nosso redor. Até a questão da luz (feita por Walter Carvalho). Cabe dentro de uma série que tem uma história dramática muito forte e muito próxima do cotidiano da gente”.

JusticaDricaCalloniE, por fim, a emissora aposta em um elenco de peso, com muitos atores conhecidos em cada episódio. Além dos já citados, há ainda Drica Moraes, Antonio Calloni, Cassio Gabus Mendes, Luisa Arraes, Marjorie Estiano, Vladmir Brichta, Camila Marques, Jéssica Ellen.

Villamarim cita “House of Cards” e outros seriados americanos ao falar de outro aspecto importante de “Justiça”, o que ele chama de “exercício de roteiro”. “Por que o personagem está aqui? Não tem que explicar tudo. O espectador vai acreditar”, diz. “A serviço de contar uma história de ficção, você faz exercícios de roteiro. Há uma cultura brasileira da reiteração que você tem que questionar”, acrescenta.

Um caso real

Na origem de “Justiça” está um caso que a autora, Manuela Dias, presenciou em seu cotidiano. “A moça que trabalhava na minha casa pediu ajuda porque o marido dela tinha sido preso por ter matado o cachorro do vizinho, que invadia a casa dele. O vizinho era um policial. O cara ficou preso. A semente do negócio foi esse. Claro que tudo isso foi metamorfoseado na minissérie.”

O título da série pode levar o espectador a entender que o tema é outro. Manuela esclarece: “A série é muito mais sobre o justo do que sobre a justiça ou sobre leis. Não tem nenhuma cena de tribunal ou de cadeias. A ideia é pesquisar como na vida pessoal cada um a justiça passa devastando”.

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Série olímpica do JN expõe cinco pecados do jornalismo esportivo “fofo”
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Mauricio Stycer

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Às vésperas dos Jogos Olímpicos do Rio, a Globo está exibindo uma série de 16 reportagens no “Jornal Nacional” dedicada a atletas olímpicos. Apresentada pelo repórter Pedro Bassan desde o último dia 11, é um exemplo do que chamo de jornalismo esportivo “fofo”, destinado a fazer o espectador se emocionar a qualquer custo.

Patrocinadora dos Jogos Olímpicos do Rio, a Globo pagou US$ 200 milhões (cerca de R$ 700 milhões) pelos direitos de transmissão do evento.

Escrevi no último domingo (17) na “Folha” um texto criticando a ênfase nas passagens poéticas das reportagens e na encenação teatral de algumas situações, além da omissão em relação à realidade das modalidades esportivas no Brasil. Comentando a reportagem de Bassan com Artur Zanetti, concluía meu texto assim:

Como a grande maioria das modalidades esportivas olímpicas, a ginástica olímpica brasileira padece de enormes e graves problemas, de todas as ordens. A trajetória de Zanetti, como se sabe, é um caso excepcional, que está longe de configurar regra. Nada contra louvar o desempenho do atleta, mas fazer isso com poesia e teatro, e não com bom jornalismo, pode até provocar lágrimas e angariar pontinhos no ibope, mas nada além disso.

Em resposta ao texto, recebi de um experiente jornalista, que pede para se manter anônimo, uma mensagem na qual ele aponta cinco pecados deste tipo de reportagem “fofa”.

1. O primado da forma sobre o conteúdo. Há um excesso de inserções de arte em 3D sem nenhuma necessidade, uso de filtros para colorir artificialmente as imagens, “embelezando'', sem falar no excesso de importância atribuído à “passagem'' (o trecho em que o repórter põe a carinha no vídeo). A passagem em que o repórter surge montado a cavalo num VT sobre pentatlo moderno foi demais. O Bassan estava se achando John Wayne?

2. A duração das reportagens. Nove minutos de VT só se explicam pelo fato de estarmos em julho, um mês de noticiário fraco. Mas o resultado é: no dia do atentado de Nice, em 14 de julho, não derrubaram um VT do Bassan de 9 minutos, que acabou ocupando praticamente o mesmo tempo da cobertura do atentado, um evidente erro editorial.

3. A mania das “séries''. Em TV, onde é preciso encher muita linguiça, a série é uma solução confortável para as chefias. Preenche “tempo de produção'' e exige pouco raciocínio para criar.

4. Falta de originalidade. Toda Olimpíada é a mesma coisa. Resulta em “perfilzões” que permitem a todo mundo “brilhar'': o repórter, que faz passagens bonitas; o produtor, que viaja para entrevistar pai, mãe, cachorro, papagaio; o editor de imagem, que faz uma edição caprichada e com tempo; o cinegrafista, que faz imagens top, etc.

5. E o jornalismo? Em meio a tudo isso, o que menos importa é se a matéria é relevante. E tome choro de pai e mãe, muita emoção (“TV é emoção'') etc. Tocar em assuntos espinhosos, como doping, assédio sexual, fraude nas obras olímpicas, dinheiro mal gasto no esporte? Jamais. Isso, sim, daria trabalho.

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Encrenca: “Maior produtor cultural brasileiro é quem tem celular”
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Mauricio Stycer

Programa baseado em vídeos enviados por espectadores, o “Encrenca” é um fenômeno de audiência difícil de caracterizar. Neste vídeo, a produtora Taís Crepaldi ouve os quatro integrantes da trupe da RedeTV! em busca de respostas. Com sinceridade, Ricardo Xavier de Mendonça define: “Hoje, o maior produtor cultural brasileiro é quem tem celular, não precisa de Lei Rouanet nem nada disso''. Tatola Godas acrescenta: “A gente não é parecido com o 'Pânico' em nada''.

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Adnet promete “desconstruir positivamente” convidados de seu novo programa
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Mauricio Stycer

marceloadnightDepois de muito mistério e alguma especulação, a Globo começou a revelar esta semana detalhes do talk show que Marcelo Adnet apresentará a partir de 25 de agosto. A primeira surpresa é que “Adnight” não terá praticamente nada de um programa de entrevistas tradicional.

A começar pelo fato de que não tem sofá, como contou Adnet ao UOL. “Não tem o momento ‘vamos sentar e conversar’. Essa não é a minha principal característica, não sou um entrevistador. Vamos ter perguntas, as informações das entrevistas, mas isso vai acontecer, na imensa maioria das vezes, em situações feitas sob encomenda para os entrevistados, mas não num sofá”.

Se não é um “talk show” é o quê? Na falta de um selo melhor, o novo programa está sendo chamado de “late show”, uma denominação usada, nos Estados Unidos, para caracterizar os programas de entrevistas que vão ao ar no fim da noite – o que não é o caso do “Adnight”, que será exibido às quintas-feiras antes do “Jornal da Globo” e do “Programa do Jô”.

“Adnight” terá uma primeira temporada com 14 episódios de cerca de 45 minutos. A cada quinta-feira, o apresentador receberá um convidado, que será submetido a diferentes situações e brincadeiras. Até agora, estão confirmadas as participações de Galvão Bueno e Mateus Solano.

O narrador da Globo será cobaia da primeira gravação, neste sábado (23), mas não deverá ser o entrevistado do programa de estreia. Solano foi o convidado do programa piloto, gravado em 2015, que levou a direção da emissora a aprovar o projeto. Ele será novamente entrevistado, agora para valer.

Tentando definir o que é o “Adnight”, o apresentador diz: “É um programa que desconstrói positivamente o convidado, busca uma humanização para além da figura pública”. Não espere confrontos entre Adnet e as figuras ilustres que espera receber no estúdio: “Se a gente erra no tom com o convidado, a gente cria um ambiente hostil. Não é interessante pra ninguém. Até o público se sente incomodado”.

adnight2Seguindo esta linha de raciocínio, Emerson Muzeli (imagem), diretor-geral, diz que o lema do programa é “humor com amor”. Ele aposta muito na capacidade de improviso de Adnet para envolver os convidados neste clima de brincadeira. Muzeli, que trabalha com a diretora Fernanda Telles, enxerga em Adnet uma mistura de Jerry Lewis e Dean Martin, a dupla que fez um sem número de comédias no cinema.

“Jerry Lewis é um grande elogio”, responde Adnet. “Mas quando você faz um programa deste tipo, ele fica com a cara do apresentador. Esse é o diferencial. O (Fabio) Porchat vai fazer um negócio que é a cara dele, o Danilo (Gentili) já tem um programa que é a cara dele. Eu espero fazer um programa que fique com a minha cara.”

O programa conta com uma banda formada por oito músicos, entre quais Gustavo Pereira, conhecido por seu trabalho como dublador (é o “Nemo”), um antigo parceiro de Adnet. Há também uma trupe de cinco artistas com habilidades circenses, liderados por Thiago de Los Reyes. Na plateia, 100 pessoas.

A equipe de redação conta com Mauricio Cid (Não Salvo), Pedro HMC, Andre Brandt, Juliano Enrico, Alessandra Colassanti e Marceu Vieira. Vários destes nomes são talentos nascidos na internet, que serão fundamentais no esforço de “prolongar” o programa fora da tela principal, nas redes sociais.

“Adnight” vai estrear na mesma semana do “Programa do Porchat”, na Record. “Acho que o nosso vai ser o menos sentado dos programas, o programa com menos entrevistas”, diz Adnet, citando também o “The Noite”, apresentado por Gentili no SBT. “O nosso programa nunca foi cotado para ser diário. Sempre foi um programa semanal. Até pelo tamanho das coisas que vão acontecer, pela produção”.

Além de apresentar e inspirar o título do programa, Adnet tem também o crédito de “redação final”. “Participei de reuniões sobre tudo. Figurino. Vou usar gravata? Cenário. Quem é a plateia. Os convidados. Roteiro…”, conta.

“Mal ou bem, no ‘Tá no Ar’, eu dividia as responsabilidades com o Marcius Melhem e o Mauricio Farias, que são dois caras que têm muito mais experiência na casa do que eu. Então, para mim, estar na frente de um programa e ao mesmo tempo tendo que estar na frente nos bastidores, é uma experiência nova”.

Viajei ao Rio a convite da Globo. Crédito das imagens: Estevan Avellar/Globo

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Adnet quer processar quem “fez manchete sobre algo que não aconteceu”
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Mauricio Stycer

marceloadnet2Duas semanas depois que fotos de Marcelo Adnet em uma noitada no Baixo Gávea foram divulgadas por um paparazzo, causando enorme alvoroço, o ator falou pela primeira vez sobre o assunto, em entrevista ao UOL.

“Esse episódio é bem diferente do outro porque eu não fiz nada. Por isso, até, não me pronunciei em público, não pedi desculpas. Não vou pedir desculpas por uma acusação infundada”.

O outro episódio a que se refere foi também um flagrante de paparazzo, registrado em novembro de 2014, no Leblon, no qual aparecia beijando uma mulher. Naquela ocasião, Adnet pediu desculpas públicas à mulher, a atriz Dani Calabresa.

As fotos divulgadas desta vez foram feitas na noite na noite de 7 de julho. Adnet estava com integrantes da equipe de seu novo programa, “Adnight'', que estreia no final de agosto. “A gente tinha acabado de escolher o lugar onde será a coletiva de imprensa do programa, uma casa em Copacabana, e fomos confraternizar”, diz. “E mesmo não tendo nada demais, ele (o fotógrafo) montou uma história em cima daquilo. Mas bola para frente. Está tudo certo em relação a isso.”

Ainda assim, o ator estuda tomar medidas judiciais em relação aos veículos que publicaram as fotos tirando conclusões sobre as imagens. “É contra os meios de comunicação que, sem prova nenhuma, fazem uma manchete afirmativa sobre algo que não aconteceu. É aí que cabe uma ação. Contra os meios que deram essa notícia sem responsabilidade.”

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Adultos são maioria do público da série jovem e das novelas infantis do SBT
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Mauricio Stycer

garotadamotojoanaExibindo novelas infantis em seu horário nobre desde 2012, o SBT está fazendo uma experiência interessante com “A Garota da Moto”, uma série destinada a um público saído da adolescência.

O programa tem ido ao ar na sequência da exibição de “Cúmplices de um Resgate” e “Carrossel” (reprise), por volta das 21h40. Exibidos os primeiros cinco episódios, a sua audiência tem oscilado entre 10 e 11 pontos em São Paulo, basicamente o mesmo resultado das duas novelas.

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cumplicesdeumresgatelarissa2Uma análise do perfil dos espectadores, segundo o Kantar Ibope, explica a razão deste equilíbrio. Tanto os dois folhetins infantis quanto a série para pós-adolescentes são vistos por um público parecido, em sua maioria formado por adultos. Somando as últimas três faixas, ou seja, os maiores de 25 anos, representam 59% dos espectadores de “Cúmplices'' e 61% de “A Garota da Moto'' e “Carrossel''.

“A Garota da Moto” é uma co-produção do SBT com a Fox, realizada pela Mixer. Conta a história de Joana (Chris Ubach), uma motogirl com jeitão de super-heroína, que protege o filho da perseguição de Bernarda (Daniela Escobar), uma milionária malévola.

Com parte dos recursos captados junto ao Fundo Setorial do Audiovisual, da Ancine, “A Garota da Moto” exibe um padrão de qualidade superior aos das novelas do SBT, com muitas cenas externas e ótimas imagens de motocicletas pelas ruas de São Paulo.

Texto e direção de atores, porém, deixam a desejar. Apesar de destinada ao público pós-adolescente (ou “early 20´s'', no jargão do mercado), a série trata o espectador como criança, explicando a ação por meio de depoimentos das duas protagonistas ou com diálogos mastigados demais. Talvez por conta desta deficiência, a encenação é frequentemente teatral, sem naturalidade alguma.

Ainda assim, há um mistério envolvente na história, capaz de manter o espectador ligado. Há também um núcleo de humor curioso, em torno de uma empresa de motoboys.

Ao final dos 26 episódios, em meados de agosto, o SBT volta com a sua programação normal (o programa de Ratinho tem entrado mais tarde por conta da série). “A Garota da Moto” é vista como um teste pela emissora. Espero que estimule a produção de outras.

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Porchat lamenta estar na Record na primeira chamada de seu novo programa
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Mauricio Stycer

Na primeira chamada do “Programa do Porchat'', divulgada na noite desta quarta-feira (20) em um intervalo da novela “A Terra Prometida'', o comediante fez piada com o fato de o seu talk show ir ao ar na Record.

O vídeo de 45 segundos mostra Fabio Porchat chegando para uma reunião, na qual está sendo discutida a estratégia de divulgação no novo programa. Ele, então, sugere programar participações no “Domingão do Faustão'', no “Mais Você'', no “Video Show'' e no “Jornal Nacional''. Alertado que o talk show é na Record, ele diz: “Não fala nem brincando isso''. E abaixa a cabeça em sinal de desalento.

Em junho, em entrevista ao UOL Vê TV, Porchat falou que estava tendo liberdade total na Record, incluindo, até, a realização das chamadas do seu novo programa. O talk show tem estreia prevista para 22 de agosto e irá ao ar de segunda a quinta.

Na entrevista, ele reconhece que enfrentará dificuldades com o elenco de convidados, uma vez que a Globo veta os seus contratados, mas tem esperanças de que a situação mude. Também comenta sobre as restrições para falar de religião na emissora, da busca desenfreada pela audiência e promete lutar por qualidade no talk show.

rafaelcortezgeladeira1 (1)Não é a primeira vez que a Record exibe chamadas irônicas em relação à própria emissora. Em 2014, promovendo a estreia do programa “Got Talent Brasil'', foi ao ar um vídeo que mostrava o apresentador Rafael Cortez saindo literalmente de uma geladeira para comandar a nova atração. “A gente tirou você da geladeira para esquentar os nossos corações'', dizia a narração.

No ano seguinte, antes da estreia de Xuxa, a Record veiculou uma chamada em que a apresentadora se dizia desempregada em busca de trabalho. Saber rir de si mesmo é uma qualidade essencial.

Abaixo, a entrevista de Porchat ao UOL Vê TV:


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Mauricio Stycer

Há mais de 30 anos fazendo programa ao vivo na televisão aberta, Fausto Silva coleciona gafes, trapalhadas e confusões. Neste domingo, ocorreu mais uma, com a inesperada ausência de Diego Hypolito no quadro “Ding Dong''. Em homenagem ao apresentador, o “UOL Vê TV'' relembra outras 10 situações constrangedoras que tornaram mais alegre o domingo do brasileiro.

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“A Liga” exibe reportagens inéditas guardadas na gaveta desde 2014
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Mauricio Stycer

aligacazepresidioCriado pela Eyeworks e exibido pela Band, “A Liga” se diferencia de outros programas jornalísticos por exibir um time de repórteres recrutado fora do ambiente jornalístico. Já passaram pela atração, por exemplo, o músico Lobão, o humorista Rafinha Bastos, a atriz Rosanne Mulholland e a apresentadora Sophia Reis, entre outros.

Em 2016, como vem ocorrendo desde o início, o programa mudou mais uma vez. Saíram a atriz Mel Fronckowiak e o apresentador Cazé Peçanha e entraram a atriz Maria Paula e o jornalista Guga Noblat.

Para surpresa dos fãs de “A Liga”, o episódio exibido nesta segunda-feira (18) trazia reportagens conduzidas por Mel e Cazé. Segundo a Band, o material inédito estava na gaveta desde 2014, mas a emissora os considerou atuais.

Cazé visitou o presídio do Roger, em João Pessoa, onde fica a primeira ala para LGBTs do Brasil. Já Mel mostrou a vida de moradoras de rua grávidas. Ambos os temas são atuais, de fato, mas careciam de alguma atualização ao serem exibidos dois anos depois de feitos.

Abaixo, a reportagem de Mel Fronckowiak com grávidas que moravam na rua:

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Em 1º semestre de recordes, “The Voice Kids” elevou Ibope da Globo em 60%
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Mauricio Stycer

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Exibido entre 3 de janeiro e 27 de março, o “The Voice Kids” foi o maior fenômeno de audiência do primeiro semestre de 2016. O show de talentos infantil proporcionou à Globo um crescimento de 60% em relação a 2015.

No PNT (Painel Nacional de Televisão), que registra o Ibope em 12 grandes centros urbanos, os 13 episódios do programa alcançaram média de 19 pontos (cada ponto equivale a 241 mil residências ou 684 mil espectadores). De cada 100 aparelhos ligados no horário, 43 sintonizaram na emissora. Em 2015, na mesma faixa horária, a Globo marcou média de 12 pontos no PNT.

O sucesso do “The Voice Kids” é o que chama mais atenção em um primeiro semestre muito positivo da emissora carioca. A Globo registrou no horário das 7h da manhã à 0h, no PNT, uma média de 16,4 pontos, um aumento de 6% em relação aos 15,4 pontos de 2015.

EtaMundoBomestreiaComo as suas concorrentes, a emissora está festejando progressos em vários programas no primeiro semestre em comparação com os primeiros seis meses de 2015.

O trio formado por “Êta Mundo Bom”, o telejornal local das 19h e “Totalmente Demais”/”Haja Coração” deu grande impulso ao crescimento. Os três programas registraram, em média, seis pontos a mais que as atrações exibidas no mesmo horário no ano passado.

ligacoesperigosaspatriciaseltonOs dez episódios de “Ligações Perigosas”, exibidos em duas semanas de janeiro, na faixa das 23h, elevaram em cinco pontos o Ibope no horário. Já a “Escolinha do Professor Raimundo”, exibido aos domingos, nas primeiras semanas do ano, elevou em quatro pontos.

Programas que registraram mais três pontos de audiência em relação ao ano passado no PNT: “Chapa Quente”, “Globo Repórter”, “Domingo Maior” e “Temperatura Máxima”. Crescimento de dois pontos: “Bom Dia Praça”, “Globo Esporte”, “Jornal Nacional”, “Mr Brau”, “Tá no Ar”, “BBB”, “Zorra”.

E um ponto de crescimento: “Hora 1”, “Bom Dia Brasil”, “Mais Você”, “Bem Estar”, “Encontro”, “Praça TV 1”, “Jornal Hoje”, “novela das 21h”, “Tela Quente”, “Domingo Maior”, “Como Será”, “Globo Rural”, “Auto Esporte”, “Esporte Espetacular”, “SuperStar” e futebol (nas noites de quarta-feira e nas tardes de domingo).

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