Blog do Mauricio Stycer

Em debate engessado e sem jornalistas, é exagero ter dois apresentadores
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Mauricio Stycer


Em matéria de ataques pessoais, o terceiro debate entre Dilma Rousseff e Aécio Neves foi bem mais ameno do que os dois primeiros. Mas mostrou, novamente, que as rígidas regras impostas pelas assessorias dos candidatos impedem que ocorra, de fato, uma discussão de ideias.

Sem perguntas de jornalistas, diferentemente do que ocorreu no debate da Record do primeiro turno, os candidatos se sentem à vontade para repetir questões já feitas antes em outros encontros. Aproveitam para levantar assuntos com o objetivo não de ouvir o que o outro tem a dizer, mas sim o de discursar sobre temas de seu próprio interesse.

Uma pergunta de Dilma sobre o Enem ganha uma resposta de Aécio sobre creches. E por aí vai, de parte a parte, esse diálogo de surdos – pelo menos, desta vez, sem maiores ofensas.

Aos mediadores, não resta muita coisa a fazer. “Tempo esgotado, candidata”, diz Celso Freitas. “É a sua vez de perguntar, candidato”, avisa Adriana Araujo. Por 105 minutos, tempo de duração do debate, essas foram as principais intervenções dos dois apresentadores da emissora.

Outra função que coube a Freitas e Adriana foi pedir para a claque dos dois partidos não se manifestar, no que não foram respeitados. Ou seja, a emissora não precisava escalar dois mediadores para isso. Um era mais do que suficiente.

Como já havia ocorrido no debate do primeiro turno, a Record teve dificuldades para acertar a luz no estúdio sobre os candidatos. O espectador viu inúmeras oscilações ao longo do primeiro bloco.

Diferentemente do que ocorreu no final do debate no SBT, quando os candidatos foram entrevistados pela emissora, na Record os apresentadores é que deram entrevista.

Segundo dados prévios do Ibope, o encontro rendeu média de 12 pontos à Record, com 14,6 de pico. Uma boa audiência. A emissora ficou 13 minutos na liderança.

Em tempo: Como este blog trata de televisão, e não de política, só publicarei comentários que digam respeito ao tema do meu texto. Declarações de votos e ofensas a um ou outro candidato não serão aceitos.

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“Tô triste por você e pela tilápia”: diversão e crueldade na cozinha
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Na coluna deste domingo na “Folha”, escrevi sobre “MasterChef”, um dos melhores programas do ano na TV aberta. No texto, comento uma cena do episódio exibido pela Band nesta quarta-feira (15) — o momento em que o trio de jurados avalia o peixe feito pela candidata Bianca. A cena impagável, de três minutos, pode ser vista acima e resume muito bem o mix de diversão e crueldade oferecido pelo programa. A coluna pode ser lida aqui.


Livro vai contar o que ocorreu com os personagens de “Twin Peaks” após 1992
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twinpeaksplacaO anúncio da volta de “Twin Peaks” deixou os fãs da série criada por David Lynch com uma dúvida: como retomar em 2016, e com os mesmos personagens, uma história encerrada em 1991?

A dúvida acaba de ser esclarecida com o anúncio do acordo para a publicação do livro “The Secret Lives of Twin Peaks”. Escrito por Mark Frost, produtor executivo e criador da série ao lado Lynch, a obra vai contar o que aconteceu com Dale Cooper e os demais personagens nestes mais de 20 anos. Não menos importante, Frost também promete se aprofundar em relação ao mistério da morte de Laura Palmer.

O livro está previsto para sair nos Estados Unidos no final de 2015. No Brasil, será publicado pela Companhia das Letras, que adquiriu os direitos na Feira de Frankfurt.

“Twin Peaks” foi exibido entre 1990 e 91 pela rede ABC. No início deste mês, Frost confirmou que a série voltará em uma temporada única de nove episódios a ser exibida em 2016 pelo canal a cabo Showtime.

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Sugestão: por que “Sexo e as Negas” não faz piada com a mulata “Globeleza”?
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nayarajustinoQuem acompanha este blog sabe que lamentei a campanha feita contra “Sexo e as Negas”, cujo boicote foi pedido por militantes do movimento feminista e da defesa da igualdade racial antes mesmo da estreia do seriado.

Não vi racismo no programa. Ao contrário. Acho que Miguel Falabella colocou o dedo na ferida do problema ao apresentar as suas quatro protagonistas, moradoras de uma favela no Rio, como negras, batalhadoras e independentes, tanto em suas relações familiares como íntimas.

Uma das páginas no Facebook criadas em protesto contra o programa propunha, além do boicote à série, “refletir sobre a representação da mulher negra na TV”.

Entendo que esta seja uma reflexão importante a fazer, sempre. E, neste ponto, tendo a concordar com quem critica a forma como a Globo usa, para promover a sua cobertura de Carnaval, o estereótipo da imagem da mulher negra por meio da “Globeleza”.

O noticiário desta semana informa que a mais recente ocupante do posto, Nayara Justino (imagem acima), não teve seu contrato renovado. É a senha, possivelmente, para a Globo promover, como fez em outras ocasiões, um concurso para eleger uma nova titular para o cargo.

Seria interessante ver em “Sexo e as Negas” alguma piada sobre este surrado clichê da mulata “Globeleza”. Se entendi direito a série, as protagonistas devem ter uma boa ideia a respeito do que significa essa vinheta da emissora.


UOL Vê TV mostra como é o reality “A Fazenda” por trás das câmeras
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O programa desta semana mostra o resultado de uma visita ao set de gravações do reality “A Fazenda'', da Record, em Itu. Além de entrevistar o diretor-geral Rodrigo Carelli, o diretor Rogério Farah e o caseiro Clebis, eu e o cinegrafista Alexandre Santos entramos no “corredor das câmeras'', o local onde são gravados, sem que os participantes vejam, cenas do programa. Também visitamos a “sala de controle'', onde profissionais acompanham o que acontece na fazenda por meio de monitores das 50 câmeras espalhadas pela propriedade. O tour incluiu ainda passagens pelo campo de provas e pelo celeiro.


Debate rende maior audiência do ano para a Band
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DebateBand

Com média de 11,3 pontos e picos de 13,6 pontos, a Band alcançou a sua maior audiência no ano com a transmissão do primeiro debate presidencial no segundo turno, entre Dilma Rousseff (PT) e Aecio Neves (PSDB), na noite de terça-feira (14). O programa foi ao ar de 22h31 à 00h08, na faixa em que a emissora exibe o reality “MasterChef”, cujo Ibope médio é três vezes menor (entre 3 e 4 pontos).

A emissora comemora, ainda, ter ficado em primeiro lugar por 40 minutos ao longo da transmissão. Comparando ao debate presidencial do segundo turno em 2010 (10/10/10), o crescimento da audiência foi de 184%, segundo a Band.

As maiores audiências da emissora em 2014 haviam ocorrido durante a Copa do Mundo. O melhor resultado foi a transmissão da partida entre Brasil x Chile, em 28 de junho. Vencida pela seleção brasileira nos pênaltis, depois de um empate em 1 a 1, a transmissão registrou, na ocasião, 10,9 pontos para a Band. Já a vitória da seleção por 4 a 1 sobre Camarões, em 23 de junho, alcançou 9,5 pontos.

Para quem tinha dúvidas sobre o interesse da população a respeito da eleição, estes números são eloquentes.


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Em tempo: Como este blog trata de televisão, e não de política, só publicarei comentários que digam respeito ao tema do meu texto. Declarações de votos e ofensas a um ou outro candidato não serão aceitos.


Porta dos Fundos queima a largada e o filme em estreia na TV paga
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Mauricio Stycer

portadosfundosfoxA aguardada estreia do Porta dos Fundos na Fox, nesta terça-feira (14), provocou mais dúvidas do que risadas. O programa se resumiu à compilação de uma dezena de vídeos disponíveis na rede, exibidos originalmente entre agosto de 2012 e abril de 2014.

De novo, só o texto lido por Gabriel Totoro ao apresentar alguns vídeos. O humorista fez algumas boas piadas autodepreciativas sobre o grupo do qual faz parte, além de rir de colegas e outras emissoras.

Com dois patrocinadores fixos, o compacto com reprises parece ser uma espécie de aperitivo para uma série inédita que o Porta dos Fundos produzirá em 2015 para a Fox.

O risco desta estratégia, desconfio, é cansar o eventual público-alvo com vídeos já vistos exaustivamente e desperdiçar o “efeito-surpresa” que teria um programa, de fato, novo do Porta dos Fundos na televisão.

Qual é o sentido de exibir na TV paga reprises de vídeos disponíveis gratuitamente no You Tube? Do ponto de vista do entretenimento, nenhum. Imagino que interesse ao canal e aos patrocinadores da atração, mas e ao público?

Um dos selecionados para a estreia, “Na Lata”, protagonizado por Fabio Porchat, foi visto na internet mais de 16 milhões de vezes desde janeiro de 2013. Jamais o grupo alcançará esta audiência com as suas apresentações na Fox.

Para quem sempre fez questão de mostrar independência em relação à televisão, esse programa do Porta dos Fundos, além de não acrescentar nada ao repertório do grupo, coloca em questão uma imagem muito boa e respeitável, construída nestes quase três anos.

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Detetive Vê TV: Carro capota várias vezes, mas a sacola não sai do lugar
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Mauricio Stycer

imperiobeatrizO capítulo desta segunda-feira de “Império” terminou com uma cena muito bem filmada. Abalada com as ofensas que ouviu em um supermercado, por aceitar viver com Claudio (José Mayer), mesmo sabendo que o marido é gay, Beatriz (Suzy Rego) se distrai ao volante, colide com um outro veículo e sofre um grave acidente.

A cena teria sido perfeita não fosse por um pequeno detalhe na imagem divulgada pela Globo, observado pelo telespectador Brenno no Twitter: a sacola que Beatriz deixou no banco do passageiro. Como é que o objeto continuou no mesmo lugar depois que o carro que dirigia capotou tantas vezes? Um milagre…

Cenas de “Império''

Cenas de “Império''

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Cada vez mais absurdo, “Teste de Fidelidade” encena prisão de “adúltero”
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Mauricio Stycer

testefidelidadepoliciapalco
Para os fãs do “Teste de Fidelidade”, saber se os casos relatados são verdadeiros ou encenados é o que menos importa. A graça do programa apresentado por João Kleber na RedeTV! reside justamente nas situações absurdas que propõe e nas cenas “quentes” que exibe.

Todo domingo à noite, o espectador sabe que verá um caso de adultério filmado por “câmeras escondidas” e uma discussão pública, no palco, entre o homem que “traiu” e a mulher “enganada”. É um formato aparentemente engessado e repetitivo, mas que não cansa os fãs graças à criatividade de quem produz a atração.

Em agosto, observei que o “Teste de Fidelidade” havia entrado em uma nova fase, mais ousado, investindo em um tom “pornô soft”. Em setembro, a RedeTV! anunciou ter pedido a reclassificação do programa, antes indicado para maiores de 14 anos, tornando-o recomendável só para maiores de 16 anos. E agora, antecipando-se ao horário de verão (que começa dia 19), a emissora também alterou o horário atração – passou a ir ao ar um pouco mais tarde, a partir das 23h30.

Neste domingo (12), João Kleber mostrou o resultado destas alterações. O “Teste de Fidelidade” foi talvez o mais ousado já exibido. “Uma superprodução”, segundo o apresentador.

TesteFidelidadePoliciaComo de hábito, o quadro começou com um homem comprometido sendo seduzido por uma das modelos contratadas do programa. Eles já estavam na cama quando dois homens armados (um deles usando jaleco com a inscrição “polícia”) invadiram o local aos gritos. De cueca, sentado na cama, o homem que traía sua mulher foi “preso”, algemado e colocado dentro de um “camburão”.

Dentro da viatura, como se nada estivesse ocorrendo, continuou se agarrando com a sedutora. Tudo sublinhado pelos gritos de alegria de João Kleber: “Até algemado o cara quer transar!!!”. E também: “Ela ficou nua dentro do camburão!!!”

Usando um capuz e conduzido por um “policial'' armado, o homem foi levado à presença de João Kleber na RedeTV!. O apresentador fingiu ser um contrabandista e gritou (ao microfone): “Pegou minha mercadoria? Pegou minha mulher?” O infiel suplicou: “Não me mata!!!”. E o apresentador, com voz grossa, completou: “Agora vou te colocar numa fria, mermão!”.

testefidelidadepoliciajk2No palco do programa, enfim, as algemas e o capuz foram retirados e o programa retornou ao seu padrão, exibindo a briga do infiel com a mulher que encomendou o teste.

Como vem ocorrendo nesta fase mais ousada, ao exibir as cenas de traição, cada vez mais quentes, João Kleber fica gritando: “Tira a tarja, diretor!” Ou: “Tira a tarja, desgraçado!”, sendo atendido em vários momentos.

Quem tiver paciência pode ver abaixo, nos dois vídeos do programa, a cena que acabei de descrever. Mesmo para quem está acostumado com o “teatro da fidelidade”, a encenação da prisão do infiel foi uma das cenas mais surpreendentes – e absurdas – da história do programa.

Em tempo: O esforço de João Kleber e de sua produção não foi recompensado pela audiência. Segundo o Ibope, o programa marcou apenas 1,7 ponto. Ainda assim, foi a maior audiência da RedeTV! no domingo. Na visão de gente que trabalha na emissora, foi um erro a programação colocar a série “Hawai 5-0″ entre o “Te Peguei na TV'' (pegadinhas) e o “Teste de Fidelidade''.

Aqui, a primeira parte:

E aqui, a segunda:


Zé Carioca ri da falta de bons entrevistados nos talk shows brasileiros
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Mauricio Stycer

ZeCariocaTalkShowsCom a estreia do “The Noite”, em março deste ano no SBT, a TV brasileira passou a oferecer três talk shows noturnos durante a semana. Exibido de segunda a sexta, o programa comandado por Danilo Gentili concorre com o decano deles, o “Programa do Jô”, também cinco vezes por semana, na Globo, e com o “Agora É Tarde”, apresentado por Rafinha Bastos, de terça a sexta, na Band.

Esta situação inédita estimula a concorrência, o que é ótimo, mas também revela um problema sério: não há tanta gente interessante assim para preencher a pauta de tantos programas parecidos.

ZeCariocaTalkShows3Jô Soares com muita freqüência recorre a artistas da própria Globo para montar o cardápio do seu talk show. O procedimento é adotado também, ainda que com mais dificuldades, porque os elencos da Band e do SBT são menores, por Rafinha Bastos e Danilo Gentili.

A disputa por entrevistados já produziu situações embaraçosas. Ao saber que a cantora Dulce Maria seria a convidada de Gentili numa determinada noite, a Band decidiu adiar a conversa dela com Bastos, programada para ir ao ar no mesmo dia. Disputado, também, pelos dois programas, o funkeiro MC Nego do Borel se viu na situação de ficar “preso” no SBT para não ir no concorrente.

Para minha surpresa, quem melhor soube rir desta disputa entre os três talk shows foi um personagem de HQ, o “Zé Carioca”. No número mais recente do gibi, nas bancas, ZeCariocaTalkShows2o personagem se vê no centro de um leilão promovido entre “Xô Xuarez”, “Vanilo Dentili” e “Patinha Pastos”.

Os três querem entrevistar, sem saber que se trata do Zé Carioca fantasiado, uma barata sambista, que ajuda a promover uma loja de comércio popular. A história prossegue irônica até o fim (não vou dar spoiler), mostrando o desespero dos três entrevistadores em arrumar qualquer pessoa para seus programas. É um retrato (roteiro de Denise Ortega; desenhos de Luiz Podavin) bem pouco lisonjeiro dos talk shows nacionais.