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Detetive Vê TV: “I Love Paraisópolis” esquece fundo falso e mostra estúdio
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Mauricio Stycer

ILoveSemChroma

Gravada no Projac, no Rio, mas ambientada em São Paulo, “I Love Paraisópolis” frequentemente recorre a fundos falsos, feitos por computação gráfica, no esforço de conferir realismo à trama. O recurso, conhecido como “chroma key”, é usado na televisão há muito tempo e não causa mais surpresa alguma.

Na última sexta-feira (22), o colunista Flavio Ricco até observou, em sua coluna no UOL, que a novela estava abusando do uso de chroma key e, não raro, errando na sua aplicação.

Um dia depois, no capítulo de sábado (23), ocorreu um erro gritante, observado por muitos espectadores, como Diogo Cavalcante (@diogo_cc). Numa das primeiras cenas da novela, Henri Castelli (Gabo) conversa com seu assistente, Raul “Paletó” (Andre Loddi), no escritório da empresa que dirige.

Ao fundo, o espectador deveria ver imagens da cidade de São Paulo, mas por acidente o que se viu foi o fundo original, do estúdio onde a cena foi gravada (acima). No site da Globo, onde o capítulo esta disponível desde domingo (24), o erro foi corrigido (abaixo).
ILovecomChroma

Veja um trecho da cena exibida originalmente:

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“Revista matinal” típica, “Melhor Pra Você” estreia com cara de velho
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Mauricio Stycer

Desalojados do comando do “Hoje em Dia”, na Record, em dezembro do ano passado, Celso Zucatelli (com o cão Paçoca) e Edu Guedes se transferiram para a RedeTV!, onde estrearam nesta segunda-feira (25) um programa idêntico ao que apresentavam antes.

Não se trata, porém, de uma cópia, mas de um modelo que se repete, sem preocupação com novidades, há décadas — um “programa radiofônico'', como bem observou, a certa altura, o próprio Zuca, como é chamado pelos companheiros.

No lugar de Chris Flores, que preferiu não sair, Mariana Leão, que também atuava no “Hoje em Dia”, completa o trio de apresentadores na nova casa. De mãos dadas, os três agradeceram publicamente à emissora que os dispensou e Zucatelli observou: “Tenho certeza que tem muita gente lá (na Record) torcendo pela gente”.

De olho no interesse comercial que esse tipo de “revista matinal” na TV provoca, a RedeTV! se esforçou para deixar a nova atração com cara de velha. Tirando o terraço, onde Zucatelli, Edu e Mariana começaram o programa, é tudo muito parecido com o que já faziam antes na concorrência

Os convidados da estreia dão uma boa ideia desta intenção de provocar o mínimo de surpresas: Ronie Von, Carlos Alberto de Nóbrega, Juca Chaves, Palmirinha e a dupla Rionegro & Solimões. Sem contar uma participação especial do sempre animado (e espaçoso) João Kleber, cujo programa matinal, “Você na TV”, foi transferido para às 17h por conta da estreia da nova atração.

“Deslumbrado” com o cenário do programa, Ronie Von ficou quase uma hora no estúdio elogiando os apresentadores. “Pra onde a gente vai, a gente leva o nosso povinho'', disse, incentivando o trio.

Nóbrega deu entrevista ao vivo, de dentro de um helicóptero. Juca Chaves falou sobre adoção de crianças, seu tema preferido nos últimos anos. Luciano Faccioli mostrou (mas não comeu) uma coxinha de um quilo.

Tirando intermináveis VTs e links ao vivo com elogios e votos de sucesso ao novo programa, a primeira — e única — reportagem foi, como se poderia esperar, sobre o acidente com o avião que levava Luciano Huck, Angélica e filhos no Mato Grosso do Sul. “O piloto merece nossos aplausos”, elogiou Zucatelli, assessorado por Ronie Von, que se disse especialista em aviação. “Aconteceu uma coisa dessas, por coincidência, com meu pai. Tiveram que pousar num canavial'', contou.

O programa foi ao ar às 9h30, dez minutos antes do horário anunciado, e só terminou às 12h, sem nenhum intervalo, mas com meia dúzia de ações comerciais protagonizadas por Zucatelli e Edu. O presidente da emissora, Amilcare Dallevo Jr., apareceu no final para dizer que o Ibope no horário cresceu (a divulgação de números ao vivo não é permitida). Guedes, mais realista, disse que “a audiência vem com o tempo''.

Em tempo: Dados prévios do Ibope indicam que “Melhor Pra Você'' teve média de 1 ponto na Grande São Paulo, o que deixou a RedeTV! em sexto lugar, atrás de Globo (6), Record (4,8), SBT (4,3), Band (1,3) e Cultura (1,2). A audiência consolidada será divulgada nesta terça-feira (26).

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Com fotos e vídeo, filhas reforçam a mitologia sobre Silvio Santos
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Mauricio Stycer

SilvioSantosgravataPor muitos anos, Silvio Santos acreditou que a discrição a respeito de sua vida pessoal ajudaria a atiçar a curiosidade do público sobre a sua figura. Com o tempo, porém, o apresentador relaxou e começou a deixar vazar pequenos detalhes de sua intimidade.

À medida em que se aproxima dos 85 anos, a serem completados
em dezembro, Silvio Santos tem se mostrado cada vez mais à vontade. No auditório, tem explorado com sucesso a imagem de “safadinho”, fazendo piadas picantes, sem constrangimento algum, com suas colegas.

Sem precisar de assessor de imprensa ou relações públicas, o empresário e apresentador também está contando com a ajuda das filhas na função de humanizar ainda mais a sua imagem. Com a anuência do pai, elas têm dado publicidade a imagens e fatos curiosos a seu respeito.

No início da tarde de quinta-feira (21), por exemplo, Silvia Abravanel publicou no Twitter uma foto (acima) de Silvio Santos, no qual ele exibe uma gravata com motivos de cassino e um relógio vermelho. “Que delícia encontrar meu pai amado hoje de manhã todo moderno e eu não resisti e claro tirei essa foto foférrima”.

SilvioSantosFeriasPatriciaEsta foi a terceira imagem engraçada de Silvio Santos divulgada por uma de suas filhas no intervalo de poucos meses.

Em janeiro, curtindo as tradicionais férias na Flórida, o dono do SBT “quebrou a internet” no Brasil quando a filha Patrícia postou uma foto no Instagram, na qual aparecia de camisa florida, bermuda xadrez, meia estampada e sapato.

“Socorro! Para completar o ‘look’ tradicional de férias do meu pai, (camisa florida com shorts xadrez), olha as meias que a Rebeca deu! #ninguémmerece #curtindoasferias #naotánemaí“, escreveu a filha.

silviosantosvideoEm março foi a vez de Rebeca postar nas redes sociais um vídeo no qual Silvio se atrapalha descobrindo as funções de um aparelho celular. Primeiro, ele aparece filmando as suas pernas com pijama. Depois, é visto, de óculos, aparentemente sem se dar conta que está se filmando.

SilvioSantosContigoCoincidência ou não, esta semana a revista “Contigo” trouxe Silvio em sua capa com o título “A intimidade desconhecida”. A reportagem de Renata Telles informa que “familiares, amigos e colegas de trabalho contam histórias inéditas do apresentador mais amado do Brasil”. A revista não traz nenhuma revelação bombástica, apenas curiosidades sobre o cotidiano de Silvio.

Todas estas histórias, bem como as fotos divulgadas pelas filhas, reforçam a imagem de um Silvio Santos feliz, engraçado, de bem com a vida, pouco preocupado com o que pensam sobre as suas manias e idiossincrasias. Um homem de 84 anos, bem-sucedido, admirado e, com esta ação de “marketing familiar”, ainda mais querido. Ainda que seja uma visão parcial, acredito que mostre um Silvio real.

Por fim, é preciso lembrar que, embora não dê o menor sinal de cansaço, Silvio Santos sabe que a sua aposentadoria é um tema presente no SBT. Em novembro de 2014, em entrevista à mesma “Contigo”, a mais jovem das filhas, Renata, falou claramente sobre o assunto:

“Ele é meu mentor. Gosto de observar como ele conduz as reuniões, sua visão e o jeito como trata as pessoas. Não posso falar mais que isso. É óbvio que estamos trabalhando na sucessão, toda função importante tem de ter um plano B. Porém, Silvio Santos é insubstituível”.

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Caçando fantasmas no estúdio, Ratinho bate a Globo e festeja
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Mauricio Stycer

Discutindo com toda a seriedade possível a lenda de que existem fantasmas no estúdio 6 do SBT, o “Programa do Ratinho” superou o “Jornal da Globo” por 31 minutos na última quarta-feira (20). Para comemorar o feito, o apresentador reviveu a “dança do primeiro lugar'', festa que fazia quando isso ocorria no passado. A TV brasileira é uma festa. Veja abaixo:

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Má gestão da crise e novos rumos transformam “Babilônia” em “novela-zumbi”
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Mauricio Stycer

Babiloniavilas

“Babilônia” ainda tem 80 capítulos pela frente, mas a sensação é de que já acabou. Não é a primeira vez que uma novela sofre com rejeição e falta de audiência, mas a forma como a Globo lidou com a “gestão da crise” me parece ter sido desastrosa.

Com exceção do capítulo de estreia, muito elogiado, não houve um só dia desde então sem más notícias sobre a trama de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga.

O beijo entre duas mulheres idosas chocou espectadores mais conservadores e serviu de pretexto para todo o tipo de exploração de telepastores, cada vez mais eficazes no uso das redes sociais. Sem uma manifestação oficial de peso da Globo em defesa da novela, o tema tomou proporções babiloniareginainéditas, estimulando inclusive provocações de emissoras concorrentes (SBT e Record), que viram uma chance de faturar com a rejeição.

A maré negativa foi engrossada pela percepção de que havia problemas estruturais em “Babilônia”. O enredo logo se revelou pobre, sem grandes temas ou histórias. Vários personagens deram sinais de estar mal construídos, sem nada para dizer. Um núcleo de humor se mostrou sem graça. E a heroína, uma chata.

babiloniamuriloaliceNo lugar de resolver algum destes problemas, os autores resolveram mexer justamente no que a novela tinha de melhor. Supostamente, pesquisas identificaram rejeição aos personagens mais interessantes.

Tanto o cafetão Murilo (Bruno Gagliasso), quanto a patricinha Alice (Sophie Charlotte), prestes a ser transformada em garota de programa, morreram e deram lugar a dois personagens totalmente diferentes, descaracterizados.

O casal formado por Estela (Nathalia Timberg) e Teresa (Fernanda Montenegro) praticamente desapareceu e nunca mais se falou sobre homofobia. Destinado a namorar Ivan (Marcello Melo), Carlos Alberto (Marcos Pasquim) nem chegou a sair do armário e voltou a ser heterossexual.

A vilã Beatriz (Gloria Pires) parou de transar com um homem diferente por capítulo e se apaixonou por Diogo (Thiago Martins), filho de um antigo amante que ela assassinou. Também voltou a ser inimiga da vilã Inês (Adriana Esteves) e, sem a frieza habitual, começou a meter os pés pelas mãos.

babiloniaevandroDepois de 50 capítulos jogando golfe e saindo com prostitutas de luxo, Evandro (Cássio Gabus Mendes) resolveu se interessar por sua empreiteira e se apaixonou por Alice, a garota de programa que foi sem nunca ter sido.

A novela, em resumo, perdeu identidade e rumo. Tornou-se uma colcha de retalhos, incoerente, cada vez mais desinteressante e, talvez ainda pior, sem repercussão.

Em meio a esta confusão toda, não se ouviu uma única palavra de Gilberto Braga. Ricardo Linhares tem sido o porta-voz do trio. Em uma declaração espantosa, ele disse: “Sentimos que Beatriz e Inês precisavam voltar a ser inimigas, como na primeira semana. As duas trabalhando juntas, como cúmplices, não funcionou”. Como assim, “não funcionou”? Vocês estavam fazendo testes?

silviodeabreuuolDiretor de Dramaturgia Diária da Globo, Silvio de Abreu também falou pouco em defesa da novela. Duvidando da inteligência do público, disse: “O que eu posso falar é que audiência está indo bem agora. Minha nota para 'Babilônia' é 10“. “Indo bem”?

Abreu reconheceu, ao menos, que várias apostas dos autores “não deram certo”, mas negou que tenha, pessoalmente, reeditado parte da novela. Segundo diferentes colunistas, cerca de doze capítulos de “Babilônia” viraram seis – a outra metade foi para o lixo.

Eu estava de férias, em meados de maio, quando se tornou pública a decisão de encurtar a novela. No lugar de 185 (“Insensato Coração” e “Fina Estampa”) ou 179 capítulos (“Avenida Brasil” e “Salve Jorge”), e muito distante de “Amor à Vida” (221) e “Império” (203), a Globo optou por encerrar “Babilônia” no capítulo 143, tal como ocorreu com “Em Família”.

A novela ainda não tinha chegado ao capítulo 60 quando esta notícia do enxugamento foi dada em vários sites e blogs, inclusive do próprio Grupo Globo. Significa dizer, me parece claro, que a emissora não acredita mais em “Babilônia”.

A informação veio a público porque, em função do encurtamento da atual trama, a próxima novela, “A Regra do Jogo”, de João Emanuel Carneiro, terá que começar a ser gravada mais cedo, já a partir da próxima semana. “Babilônia” ficará no ar até 28 de agosto. Temo que como um zumbi.

Cenas de “Babilônia''

Cenas de “Babilônia''

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Livro mostra que Galvão é bom de papo, mas não tem quase nada a dizer
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Mauricio Stycer

Como tudo que Galvão Bueno faz ou deixa de fazer, o lançamento de seu livro de memórias se tornou um acontecimento. Como era de se esperar, em poucos dias “Fala, Galvão!” ocupou o topo da lista dos mais vendidos.

falagalvaoEscrito em parceria com o experiente jornalista Ingo Ostrowsky, o livro reproduz o estilo coloquial do narrador. Você lê a obra como se estivesse ouvindo Galvão falar.

E ele fala sem parar. Na maior parte das 312 páginas, Galvão presta homenagens aos amigos que conheceu no mundo do futebol e do jornalismo esportivo – Pelé, Luciano do Valle, Michel Laurence, Arnaldo Cezar Coelho, Falcão, Ronaldo, Casagrande, Junior, Zico e Kaká, além de inúmeros colegas de trabalho e superiores hierárquicos na Globo a quem dedica os mais variados elogios.

O mesmo acontece no universo do automobilismo. O narrador vê o mundo sob a ótica de suas amizades, mais do que dos fatos esportivos. Dessa forma, presta homenagens caprichadas a Ayrton Senna, Nelson Piquet, Emerson Fitipaldi, Rubens Barrichello, Felipe Massa e Reginaldo Leme.

Entre um e outro elogio, entre uma e outra bajulação, sobra espaço para poucas confissões. Tipo: “Eu sou um personagem”, diz, resumindo a sua carreira. “Sou um cara competitivo, quase doentiamente competitivo”, acrescenta.

Num raríssimo instante de sinceridade, reconhece hoje que a famosa gritaria ao festejar a conquista do tetra na Copa de 94 foi “meio ridículo”. E, em outro momento de honestidade, confessa que, em 2002, foi escalado por Felipão para fazer uma pergunta de interesse do treinador em uma entrevista coletiva – e cumpriu o pedido.

Além da famosa história sobre a narração de um jogo que não aconteceu, na Copa de 74, Galvão só reconhece no livro um outro erro em toda a sua carreira – o gol de Oscar que, por distração, não narrou em um amistoso da seleção, no início de 2014. Contra quem? O autor nem se dá ao trabalho de dizer.

Livro dedicado a falar bem dos amigos, “Fala, Galvão” traz uma discreta crítica ao trabalho de Felipão e Parreira na Copa de 2014. Na visão do narrador, o maior pecado da dupla foi elevar a expectativa dos brasileiros afirmando que o Brasil iria ganhar o Mundial. E critica a incompetência – “não sei de quem” – de deixar a seleção sem nenhum jogo no Maracanã, na certeza de que ela jogaria a final no estádio.

Mais discretas ainda são as críticas a João Havelange e Ricardo Teixeira. Sobre o primeiro, a quem chama de “um estadista”, observa que “existem sombras e negociações não muito bem explicadas”, mas que tem “profundo respeito” pelo seu trabalho no esporte.

Sobre o segundo, Galvão se permite ser um pouquinho mais duro e diz que a gestão de 24 anos de Teixeira foi “um acúmulo de excessos”. Quais? “Excesso de poder, excesso de tempo no poder, excesso de nuvens escuras, excesso de perguntas sem respostas.” E pronto.

É verdade, como diz o narrador, que “até quem não gosta (de mim) me assiste”. Mas acho que esses não precisam ler “Fala, Galvão!” (Globo Livros, R$ 40). Trata-se de um livro apenas para quem realmente gosta muito do narrador.

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Dos melhores do ano, Os Experientes merecia mais episódios e horário nobre
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Mauricio Stycer

osexperientesjoanaselmaExibido o último episódio, não é exagero dizer que “Os Experientes” se habilita a entrar na lista dos melhores programas de 2015. Produto da O2, de Fernando Meirelles, a série contou quatro histórias independentes ligadas pelo tema do envelhecimento.

osexperientesjucaCom roteiro de Antonio Prata (o primeiro) e de Marcio Alemão Delgado (os outros três) e direção dividida entre Meirelles e o filho Quico, “Os Experientes” abriu espaço para um timaço de atores veteranos brilharem.

De Beatriz Segall a Juca de Oliveira, passando por Selma Egrei, Joana Fomm, Otavio Augusto, Lima Duarte, Othon Bastos, entre outros, a série ofereceu espaço para variados solos dramáticos de atores que hoje, de uma maneira geral, só conseguem espaço como coadjuvante em novelas.

OsExperientesWilsondasNevesO episódio “Os Atravessadores do Samba” ousou ainda mais, ao escalar os veteranos músicos Germano Mathias, Wilson das Neves e Zé Maria e o jornalista Goulart de Andrade como protagonistas. A falta de traquejo como atores foi compensada pela comovente entrega dos intérpretes.

A rigor, foram quatro especiais, cada um contando uma história original, sempre em tom agridoce, tratando de pequenos dramas com pitadas de humor e auto-ironia. Como escrevi a respeito da estreia, é muito raro ver na TV aberta tão boa combinação de direção, edição, texto, trilha sonora e elenco, tudo funcionando muito bem para contar histórias emocionantes, sem ser piegas.

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O quarto capítulo, talvez o mais bonito e forte, ao apresentar um romance entre duas mulheres mais velhas, propôs algumas ligações entre os personagens que apareceram ao longo de toda a série. As personagens de Selma Egrei e Joana Fomm assistiram ao espetáculo de samba protagonizado pelos artistas do segundo episódio. O gerente de banco do primeiro capítulo, vivido por Eucir de Souza, era o filho da personagem de Egrei e o advogado do terceiro episódio, interpretado por Othon Bastos, era amigo da família.

O que estranho em relação a “Os Experientes” foi a hesitação da Globo em lançar o programa. Consta que estava pronto há pelo menos um ano. Segundo Roberto Irineu Marinho, presidente do Grupo Globo, em entrevista ao “Valor”, a série teria sido gravada há três anos e “estava na prateleira”.

O programa foi ao ar naquele que é considerado o pior horário da linha de shows da emissora – sextas-feiras, depois do “Globo Repórter”. Obteve audiência razoável, entre 12,7 pontos (na estreia) e 11,8 (no último dia 24).

“Os Experientes” merecia não apenas duração maior como um horário melhor na grade. Quem sabe a emissora não encomenda uma segunda temporada.

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Fátima Bernardes completou a transição do jornalismo para o entretenimento
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Mauricio Stycer

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Perto de festejar três anos à frente de um programa de auditório (estreou em 25 de junho de 2012), Fátima Bernardes pode considerar que completou de forma brilhante a transição do jornalismo para o entretenimento.

Neste período, ela mostrou total entrega à função de apresentadora, o que inclui descontração, falta de vergonha e disposição para se submeter a todos os “micos” e constrangimentos que a função exige.

Mais que isso, Fátima se tornou uma das maiores estrelas e um símbolo dentro da Globo. É chamada para todo o tipo de participação especial – já esteve nas novelas “Cheias de Charme” e “Geração Brasil”, no humorístico “Tá no Ar”, além de narrar os desfiles das escolas de samba do Rio.

Este ano, ela apresentou o “Show 50 Anos”, ao lado de Pedro Bial, e esteve entre os 16 profissionais da casa que relembraram, no “Jornal Nacional”, o cinquentenário do jornalismo da emissora.

Além disso, a apresentadora já apareceu como atriz em duas novelas que estão no ar, “Alto Astral” e “Babilônia”. Na primeira, contracenou com Claudia Raia, a Samantha. E na segunda, dividindo a cena com Fernanda Montenegro, interpretou o papel que costuma fazer em seu programa e entrevistou a advogada Teresa.

Por tudo isso, a cena exibida esta manhã (01) em seu programa não chega a surpreender. Ao contrário, era até previsível. Mostrando o trabalho de dançarinas que praticam pole dance, Fátima foi convidada a subir no poste. É óbvio que foi.

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