Blog do Mauricio Stycer

Vamos aproveitar para engajar as celebridades brasileiras em mais campanhas
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Mauricio Stycer

Pode parecer “do contra” falar mal de uma iniciativa “do bem” como este desafio do balde de gelo. Mas sinto um desconforto ao ver as imagens de tantas celebridades brasileiras tomando banho de água gelada em rede nacional de TV ou em vídeos postados no Instagram.

A campanha se destina a esclarecer as pessoas e arrecadar recursos para mais pesquisas científicas sobre uma doença terrível, a esclerose lateral amiotrófica, que afeta cerca de 15 mil pessoas no Brasil.

Acho que o problema é a falta de tradição de iniciativas deste tipo no país. Dou os parabéns a quem idealizou esta campanha nos Estados Unidos e conseguiu tamanha adesão. Mas acho estranho ver a empolgação de gente como Ana Maria Braga, Luciano Huck, Bruna Marquezine, Fátima Bernardes, Luciana Gimenez e outras estrelas aparecendo na TV ou na internet tomando banho de balde em público.

Que alguém no Brasil aproveite a disponibilidade e boa vontade de tantas celebridades nacionais para colocar em prática outras campanhas tão urgentes quanto essa.


Detetive Vê TV: A lua piscou em “Império”
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Mauricio Stycer

ImperioLua1

A atenção dos espectadores aos detalhes não cansa de me surpreender. No capítulo desta segunda-feira de “Império”, Xana (Ailton Graça) e Cristina (Leandra Leal) comentam sobre como a lua está bonita naquela noite. Quando os dois se viram para olhar o céu, no primeiro instante (acima) só vê uma tela negra – a lua aparece um segundo depois (abaixo).

As leitoras Danielle e Lucimara me escreveram intrigadas com este raro fenômeno lunar na novela da Globo. Será que foi um efeito especial? Realmente misterioso.

ImperioLua2

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Troféu Sinceridade: Paulo Betti detona “bico” de ator em baile de debutante
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Mauricio Stycer

imperioteopereiraEm uma classe pouco unida como a dos atores, discutir em público questões relacionadas ao próprio ofício é um convite à polêmica. Paulo Betti, porém, não parece preocupado com isso. Em uma entrevista ao “Estadão”, o ator resolveu colocar o dedo em um tema delicado: os bicos que muitos colegas fazem em bailes de debutante.

O motivo da entrevista era o papel de Betti na novela “Império”, o maldoso colunista Teo Pereira. Mas a conversa tomou outro rumo quando o ator foi questionado sobre o seu engajamento político – sempre militou abertamente a favor do PT. Betti explicou que, como está no ar em um período de eleição, vai respeitar uma regra interna da Globo e não fará campanha para nenhum candidato.

A colunista Cristina Padiglione, então, perguntou ao ator se “vale a pena se posicionar (politicamente)”? Ao responder, Betti atacou a nova geração de atores que não faz campanha política e, por outro lado, aproveita o tempo livre para fazer “bico”, indo a festas de debutantes ou outros eventos do gênero. Veja a dura resposta do ator:

“Eu acho que vale a pena se posicionar, paga-se um preço, evidentemente. Eu abomino os jovens atores que no fim de semana vão fazer baile de debutante pra ganhar uma graninha. Na minha época de baile de debutante, eu fazia campanha política. Tem quem não queira associar isso com política, e tudo bem, desde que se faça da sua atividade uma coisa prioritária. Acho que o ator que quer fazer o seu pé de meia e vai fazer baile de debutante está com um pé na coluna policial. Vira um negócio que não tem a ver com a profissão, tem a ver com outra profissão.”

Cenas de “Império''

Cenas de “Império''


“Pânico” vai de grosseria gratuita com atriz a entrevista genial com músico
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Mauricio Stycer

panicomanobrown2É natural que um programa de humor com duração de três horas seja irregular, alternando momentos engraçados com outros sem graça. O problema do “Pânico”, nos últimos tempos, é convencer o público que vale a pena esperar pelas melhores atrações, normalmente deixadas para o final.

Levantamento do site Noticias da TV mostrou que o programa perdeu quase metade do seu público em cinco anos.

A edição deste domingo (17) deu uma boa ideia da situação. Em um mesmo programa, o “Pânico” alternou momentos geniais com outros de puro constrangimento e falta de imaginação.

O ápice ocorreu no final, quando Daniel Zukerman encontrou um entrevistado disposto a falar em seu “Talk Show nas Alturas” – o rapper Mano Brown. O líder dos Racionais estava de ótimo humor e, em alguns momentos, trocou o semblante carrancudo de sempre por surpreendentes sorrisos abertos (a entrevista pode ser vista abaixo).

O repórter do “Pânico” quebrou o gelo ainda no aeroporto, quando disse a Brown que também era “das quebradas”. “De qual?”, quis saber o músico. “De Higienópolis”, brincou Zukerman, citando um bairro de classe alta de São Paulo.

A entrevista a bordo do avião foi excelente. Falaram de música, política, racismo e televisão, entre outros assuntos. Zukerman parecia preparado e Brown se mostrou atencioso e interessado nos temas propostos. Para quem raramente dá entrevista, como é o caso do músico, foi um momento realmente especial.

Há duas semanas, o mesmo Zukerman havia forçado Luiz Felipe Scolari a dar uma entrevista a bordo de um avião. Não conseguiu, mas a cena foi exibida orgulhosamente pelo programa, expondo todo o constrangimento do técnico.

panicolauracardosoEsse prazer em deixar figuras públicas em situação desagradável é uma marca do “Pânico”, mas hoje isso é feito sem critério algum e, pelo que mostra o Ibope, já não causa o efeito esperado.

Veja, por exemplo, um dos quadros do programa deste domingo. A pauta de Amanda Ramalho e Nicole Bahls era “As roupas íntimas dos famosos”. Com o objetivo de descobrir esse segredo essencial, as duas saíram perguntando a cor da cueca ou da calcinha de seus entrevistados. Conseguiram uma ou outra resposta engraçada, mas na maioria dos casos provocaram apenas sorrisos amarelos.

A cereja no bolo foi a abordagem feita com a atriz Laura Cardoso, de 86 anos. Ela não viu graça alguma na pergunta e virou a cara para a dupla. Em vez de descartar a cena na edição final, ocorreu o contrário: a “entrevista” teve o maior destaque na matéria. Não consigo acreditar que alguém se divertiu vendo isso.

Abaixo, a entrevista de Zukerman com Mano Brown:


Livro sobre Mussum relembra golpes baixos de emissoras de TV
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Mauricio Stycer


Lançado no início de julho, o livro “Mussum Forévis” (Leya, 416 págs., R$ 50) resgata em detalhes, de forma cronológica, a trajetória do músico e comediante Antonio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum.

mussumforevisAutor do trabalho, o jornalista Juliano Barreto procura costurar três histórias paralelas no livro: 1) a agitada vida privada, incluindo a tendência ao alcoolismo, de um homem de origem muito humilde, nascido em uma favela carioca; 2) a bem-sucedida carreira musical, à frente do grupo Os Originais do Samba; 3) a fantástica trajetória dos Trapalhões, um dos grupos de humor que ajudaram a escrever a história da TV no Brasil.

Um bom resumo do trabalho pode ser lido nesta entrevista de Barreto a Leonardo Rodrigues, do UOL: Malandro e de formação militar, Mussum era duas pessoas, diz biógrafo.

Para quem se interessa pela história da televisão, “Mussum Forévis” resgata alguns bons “causos”, que enumero a seguir:

Como Mussum virou comediante: Em 1972, Renato Aragão e Dedé Santana estrearam na Record “Os Insociáveis”. O programa, inicialmente com 10 minutos, fez sucesso e logo cresceu, surgindo a necessidade de aumentar o elenco. Barreto diz que, inspirado no sucesso dos comediantes americanos Bill Cosby e Richard Pryor, Didi e Dedé decidiram que o novo integrante do grupo deveria ser negro. O primeiro nome pensado, Tião Macalé, foi descartado porque teria dificuldades em decorar textos e seria indisciplinado. Mussum, já conhecido pelos Originais do Samba, foi a segunda opção.

Sucesso na Tupi com golpe baixo da Record: Em 1974, a Tupi contratou o trio, com uma boa oferta financeira e a oportunidade de Renato Aragão voltar a usar o nome que adotou no início da carreira: Trapalhões. Mauro Gonçalves, o Zacarias, foi incorporado ao time. O sucesso do grupo na Tupi motivou a Record a exibir, no mesmo horário dos Trapalhões, antigos episódios de “Os Insociáveis”. O golpe baixo levou Aragão a escrever uma carta-aberta, alertando: “O que vou dizer deve servir de alerta aos meus companheiros para que nunca assinem contrato com cláusula em que a emissora se reserva o direito de, em qualquer época, exibir os tapes gravados”.

Estreia na Globo com golpe baixo da Tupi: No final de 1976, depois de várias tentativas, a Globo finalmente conseguiu contratar Os Trapalhões. A estreia foi em um programa especial, exibido às 21h de sexta-feira, em 7 de janeiro de 1977. Exatamente na mesma noite e horário em que foi ao ar “Os Trapalhões – Especial”, a Tupi exibiu uma reprise de “Robin Hood, o Trapalhão da Floresta”, diminuindo o impacto e roubando parte da audiência da estreia da concorrente.

Ciúmes e dinheiro explicam a separação: Um dos episódios mais controversos da história dos Trapalhões é a briga entre Renato Aragão, de um lado, e Dedé, Mussum e Zacarias, do outro, ocorrida em 1983. A separação sempre foi creditada a uma divergência em relação à divisão dos lucros com os filmes dos Trapalhões. Barreto confirma esta hipótese, mas enfatiza igualmente uma segunda causa: o trio se sentia em segundo plano em relação a Didi. A gota d´ágia teria sido uma reportagem de capa da revista “Veja”, publicada em julho daquele ano, na qual Aragão é comparado a Roberto Carlos e Janete Clair e os três companheiros ganham apenas uma breve menção no texto. Menos de um ano depois da separação, o grupo voltou a ficar junto.

Convites do SBT: Barreto relata três tentativas de Silvio Santos de levar o grupo – ou parte dele – para o SBT. A primeira ocorreu justamente durante separação, em 1983. A segunda foi em 1988, quando a Globo quase contratou Gugu Liberato. E a terceira deu-se em 1991, quando Dedé e Mussum estavam tendo dificuldades na renovação de seus contratos com a Globo. Em todas as três ocasiões, as conversas não prosperaram.


Detetive Vê TV: Uma garrafa plástica entra de penetra em “Downton Abbey”
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Mauricio Stycer

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Reconstituição histórica dá trabalho, como bem sabem os envolvidos na produção de “Boogie Oogie”. A caça aos erros históricos da novela, como escrevi aqui no blog, se tornou uma das diversões de noveleiros atentos. Mas o problema não é exclusividade da Globo.

Esta semana, os produtores de “Downton Abbey”, uma série famosa por seu rigor histórico, divulgaram algumas imagens para promover a quinta temporada da série, ambientada na década de 20 do século passado.

Para diversão de “detetives”, uma das fotos mostra uma garrafa plástica atrás de dois dos principais personagens, o conde de Grantham (Hugh Bonneville) e sua filha Edith Crawley (Laura Carmichael). O objeto foi esquecido sobre o móvel, ao fundo, entre o vaso e a jarra.

Depois de descoberta a gafe, e ser notícia em vários sites ingleses e americanos, a foto foi retirada do material de divulgação do seriado. A série inglesa é exibida no Brasil pelo canal GNT.

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Especulação sobre causa de acidente compromete cobertura da morte de Campos
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Mauricio Stycer


A cobertura da morte de Eduardo Campos foi, possivelmente, a mais difícil enfrentada pela televisão brasileira desde a tragédia na boate Kiss, em Santa Maria, em janeiro de 2013. Inesperado, chocante e com poucas informações oficiais, o desastre aéreo que causou a morte do candidato do PSB à Presidência e outras seis pessoas colocou as principais emissoras diante de um desafio difícil e complexo.

Pequenos erros e falhas técnicas são comuns e aceitáveis nestas coberturas “a quente”, nas quais os canais permanecem ao vivo por longos períodos de tempo. O que é menos compreensível é o açodamento, a pressa em dar notícia sem ter certeza absoluta dela.

No caso da morte de Campos, a primeira e grande dificuldade foi justamente a confirmação de que o pior havia acontecido. E essa questão foi enfrentada com diferentes graus de cautela (ou falta dela). O canal pago Globo News, por exemplo, deu a morte como certa, recuou e voltou a confirmá-la em questão de minutos.

Os noticiários do inicio da tarde na TV aberta deram, como era de se esperar, tratamento prioritário ao acidente. Foi quando outros problemas começaram. Com audiência em alta, mas pouco a dizer, âncoras da Globo, Record e Band repetiam as poucas informações disponíveis até então.

Ao longo da tarde a situação se agravou. Os programas policiais vespertinos sofrem diariamente com a dificuldade de ter muito tempo disponível e conteúdo insuficiente para preenchê-lo. No caso da morte de Campos, a opção de “Ta Na Tela” e “Brasil Urgente” na Band e “Cidade Alerta” na Record foi discutir as possíveis causas do acidente.

Mas como fazer isso sem informações? Cada um a seu estilo, uns gritando mais, outros menos, Luiz Bacci, José Luiz Datena e Marcelo Rezende estimularam, no limite da responsabilidade, todo tipo de chute a respeito do assunto.

A Globo preferiu exibir a sua programação normal no final da tarde, interrompendo-a para boletins especiais. Soou estranho ver “Cobras e Lagartos” e “Malhação” no ar enquanto os seus concorrentes tratavam da notícia do dia.

À noite, já com mais tempo para preparar e embalar o material apurado, os telejornais das principais emissoras deram tratamento prioritário, extenso e, felizmente, sóbrio ao assunto.


Caça aos erros históricos de “Boogie Oogie” é a nova diversão de noveleiros
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Mauricio Stycer

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Fazer novela de época é sempre um desafio por conta dos muitos os detalhes envolvidos no trabalho de reconstituição – de figurinos a cenários, passando por vocabulário e diálogos. No caso de “Boogie Oogie”, que se passa em 1978, há uma dificuldade adicional: parte dos espectadores lembra deste período e, por isso, não cansa de questionar os elementos “históricos” vistos em cena.

No capítulo desta terça-feira (12), Fernando (Marco Ricca) passeia por um shopping center antes de chegar na loja de Vitória (Bianca Bin) e dar de cara com Susana (Alessandra Negrini). O único problema é que o primeiro shopping carioca, luxuoso como o visto em cena, o Rio Sul, só foi inaugurado em 1980.

Falando na personagem Susana, a leitora Beatriz mandou e-mail comentando outro problema: “Eu, como adolescente na época fervendo nas discotecas da minha cidade no interior de São Paulo, vejo uma porção de gafes. Uma delas é a personagem da Alessandra Negrini com tatuagem. Deviam esconder essa tatoo. Imagina só alguém tatuado naquela época. Era bandido e mulher biscate.”

No capítulo de sexta-feira (08), uma cena chamou atenção do leitor Sidney Falcão. Quando Sandra (Isis Valverde) está no quarto de Vitória, remexendo os seus objetos, a câmera mostra a caixa de uma fita-cassete com a capa do disco “Songs From the Big Chair”, do Tears for Fears – só lançado em 1985. “Ou seja, além do disco ter sido lançado só sete anos depois, o Tears For Fears não existia em 1978. O grupo só surgiria três anos depois'', escreveu.

Desde a estreia, a caça aos erros da novela das 18h da Globo tem sido uma das diversões dos espectadores. Já na estréia, o site Vírgula apontou dez gafes históricas em “Boogie Oogie”, entre os quais a inclusão de uma música, “Heart of Glass”, do Blondie, que só fez sucesso em 1979.

Nenhum desses erros é muito grave ou compromete o andamento da novela. E, no fundo, ajudam a tornar “Boogie Oogie'' mais comentada. O problema é se estes problemas vierem a se tornar o assunto principal da novela.


Detetive Vê TV: Dois personagens, duas novelas, um autor e uma mesma música
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Mauricio Stycer

imperiorobertaoNão é incomum personagens de novelas lembrarem outros, escritos pelo mesmo autor em outras tramas. Mais incomum é o personagem não apenas ser parecido com outro, como a trilha sonora que embala os seus passos ser a mesma.

É o caso, como notou o leitor Mr. Novela, de Robertão (Rômulo Arantes Neto), o irmão de Maria Isis (Marina Ruy Barbosa). O desocupado personagem lembra um pouco a turma da praia de “Fina Estampa”, que passou a novela jogando vôlei, e o playboy Juan (Carlos Casagrande, abaixo), que igualmente não fazia nada de importante na trama.

finaestampajuan2Nesta segunda-feira, Robertão mereceu uma longa cena na praia, onde se exibiu tomando um banho de mar de cueca (acima) ao som de “Vamos Dançar”, de Ed Motta, justamente a mesma música que serviu de tema para Juan na novela anterior de Aguinaldo Silva.

A música é aquela que diz: “Eu não nasci pra trabalho / Eu não nasci pra sofrer / Eu percebi que a vida / É muito mais que vencer”.

“O Aguinaldo deve ser muito fã dessa música”, escreve o “detetive”. “E se precisa da mesma música, é porque as tramas são quase as mesmas”, ironizou.

Cenas de “Império''

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