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Detetive Vê TV: créditos na abertura de “Império” têm três erros
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Mauricio Stycer

imperioerroaberturaUm erro bobo, nos créditos de abertura de “Império”, virou assunto nas redes sociais. A grafia do sobrenome de Marina Ruy Barbosa, depois de três capítulos, segue aparecendo com uma letra errada (veja à direita). Com bom humor, a própria atriz riu da situação, postando no Twitter uma imagem de Ney Latorraca caracterizado com o personagem Barbosa, de “Fogo no Rabo”, a genial paródia de novela feita pelo saudoso “TV Pirata”.

O leitor Leonardo Montino me alerta que um outro erro de grafia alterou ligeiramente o nome da atriz-mirim Julia Belmont (nos créditos ela aparece como “Julia Belmonte).

Um terceiro erro, não tão bobo, chamou menos atenção. O nome de Chay Suede, que vive o protagonista da trama na fase inicial, aparece nos créditos abaixo da palavra “apresentando”. Este é um crédito que se dá, tanto na televisão quanto no cinema, para estreantes – uma forma de informar ao público que se trata de alguém que nunca trabalhou antes como ator.

Chay Suede não é um estreante. Em 2011, depois de ter participado do show de talentos “Ídolos”, ele foi escalado pela Record como um dos protagonistas da novela “Rebelde”. Em fevereiro deste ano, também apareceu em um episódio da série “Milagres de Jesus”, da mesma emissora.

Vários leitores observaram nos comentários que a Globo já fez isso antes e tratou como estreantes atores que já tinham feito trabalhos em outras emissoras. Lembro que a repetição de um erro, mesmo que como um padrão, não o diminui.

Atualizado às 14h48.


UOL Vê TV: Globo parte para o tudo ou nada com a novela “Império”
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Mauricio Stycer

Nesta edição do programa “UOL Vê TV'', falo sobre a importância da nova novela das 21h, “Império'', para a Globo. A atração, que tem a missão de resgatar a audiência do horário nobre, chegou até a ser notícia no “Jornal Nacional''.

Dos 36 pontos, em média, de “Amor à Vida'' para os 30 de “Em Família'', registrou-se uma uma das maiores quedas de audiência já ocorridas no horário. Foi noticiado, por isso, que a Globo teria prometido ao mercado publicitário uma audiência de 35 pontos para “Império'', o que ela nega.

A queda de audiência no horário é uma realidade já há bastante tempo. Em 28 de junho de 2004, estreava na Globo a novela “Senhora do Destino”, de Aguinaldo Silva. Encerrada em março do ano seguinte, depois de 221 capítulos, foi a última novela da emissora a ter uma média acima de 50 pontos.

Em dez anos, e 16 novelas, o Ibope do horário mais nobre da Globo caiu, até chegar ao seu nível mais baixo este ano, com “Em Família”. Chamo a atenção nesta curva descendente para dois momentos. “A Favorita”, de João Emanuel Carneiro, exibida entre 2008 e 2009, foi a última produção a alcançar a média de 40 pontos. E “Fina Estampa”, de Aguinaldo Silva, apresentada entre 2011 e 2012, foi a que mais perto chegou, até hoje, de alcançar novamente este número, com média de 39,1.

É preciso levar em conta, naturalmente, que os números do Ibope são atualizados constantemente com base em critérios demográficos. Em 2006, em São Paulo, um ponto equivalia a 47 mil domicílios. Hoje vale 65.201 domicílios.

Também é preciso levar em conta que nos últimos anos mudou a forma de ver televisão. Vem ocorrendo uma migração cada vez maior para canais pagos, outras mídias (como smartphones) e também têm aumentado o número de aparelhos desligados.

Veja abaixo a audiência média das novelas das 21h nos últimos dez anos:
“Senhora do Destino”, Aguinaldo Silva – 50,49 pontos
“América”, Gloria Perez – 49,21
“Belíssima”, Silvio de Abreu – 48,43
“Páginas da Vida”, Manoel Carlos – 47,10
“Paraíso Tropical”, Gilberto Braga/Ricardo Linhares – 42,91
“Duas Caras”, Aguinaldo Silva – 41,11
“A Favorita”, João Emanuel Carneiro – 39,53
“Caminho das Índias”, Gloria Perez – 38,69
“Viver a Vida”, Manoel Carlos – 35,72
“Passione”, Silvio de Abreu – 35,23
“Insensato Coração”, Gilberto Braga/Ricardo Linhares – 35,9
“Fina Estampa”, Aguinaldo Silva – 39,1
“Avenida Brasil”, João Emanuel Carneiro – 38,8
“Salve Jorge”, Gloria Perez – 34,00
“Amor à Vida”, Walcyr Carrasco – 35,57
“Em Família”, Manoel Carlos – 29,8

Obs: Agradeço ao Fábio Dias, do site O Cabide Fala, pelos números exatos.


“O Rebu” é uma boa novela, mas o seu marketing é melhor
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Mauricio Stycer


Poucas novelas recentes apresentaram uma diferença tão grande entre o que prometem ser e o que são, de fato, quanto “O Rebu”. A nova trama das 23h da Globo, lançada há uma semana, veio embalada por tanta fanfarra que chega a ser difícil analisá-la com clareza. É uma boa novela, mas não tão boa quanto o marketing que a cercou.

Como as três produções que a antecederam desde 2011 (“O Astro”, “Gabriela” e “Saramandaia”), trata-se de um misto de homenagem e “remake” de uma novela famosa exibida na década de 70, num momento em que a teledramaturgia começava a se firmar como o principal produto da Globo.

Escrita por Bráulio Pedroso (1931-1990), “O Rebu” foi ao ar em 1974. Toda a história se concentrava em torno de um crime ocorrido durante uma festa oferecida por um milionário à elite do Rio.

Ao longo de 112 capítulos, a novela avançava para mostrar a investigação policial e andava para trás para mostrar antecedentes dos personagens. Esta narrativa em três tempos, natural num romance policial, foi considerada de uma ousadia sem par na televisão, na época.

Segundo os registros, a audiência da novela ficou abaixo da expectativa, o que foi creditado justamente ao fato de a história se construir em três tempos e não de forma linear.

Curiosamente, no material de divulgação da nova versão e nas diversas entrevistas dadas a respeito, o diretor-geral (José Luiz Villamarin), os autores (George Moura e Sergio Goldemberg) e os principais atores trataram de enfatizar esta questão como uma espécie de troféu.

“Com certeza, hoje, o telespectador está mais preparado para assistir a ‘O Rebu’ por estar mais familiarizado com este tipo de narrativa que modifica a lógica do tempo real”, disse, por exemplo, Villamarin.

Ora, se esta inovação ocorreu há 40 anos, por que tanta preocupação em explicá-la em 2014? Será que a emissora tem a percepção de que o público, ao longo deste tempo, segue incapaz de compreender uma história não linear?

“O Rebu” de 2014 terá apenas 36 capítulos, um número que, na tradição brasileira, até dificulta classificá-la como novela. Com esta duração, um terço da original, corre-se menos riscos em caso de dificuldades com a audiência.

Outro cartão de visitas da nova novela é a equipe formada em torno de Villamarin, responsável por dois trabalhos recentes de excelente padrão, de fato, as séries “O Canto da Sereia” (2013) e “Amores Roubados” (2014). É como se este selo de qualidade prévio garantisse a qualidade de “O Rebu”.

Não foi bem isso que ocorreu, na minha opinião. O efeito de luz obtido na novela, que busca enfatizar o tom de mistério da trama, não impressiona. A câmera na mão, em algumas cenas na mansão, ajuda a dar um ar teatral, exagerado, a diálogos que, em tese, deveriam ser naturais. O mesmo acontece com a interpretação de alguns atores, como Cássia Kis Magro e Sophie Charlotte, que têm merecido closes de forma indiscriminada.

A trama é atraente, mas nada original. Como qualquer romance policial centrado no “quem matou”, todos os personagens têm um bom motivo para cometer o crime. Enquanto panorama da elite brasileira, “O Rebu” pouco mostrou até agora.

A condução da trama em três tempos tem sido bem feita, mas não há muito mérito nisso. Aliás, cabe uma crítica pela demora na chegada da polícia à cena do crime – depois de cinco capítulos, ela ainda não ocorreu.

A trilha sonora, resgatando velhos e não tão velhos sucessos, talvez seja o maior trunfo da novela até agora. O excelente desempenho de Patricia Pillar e Tony Ramos não surpreende ninguém. Mariana Lima, Julio Andrade, Daniel de Oliveira, Jean Pierre Noher e Camila Morgado já tiveram excelentes momentos.

“O Rebu” tem se mostrado um ótimo entretenimento, mas está longe de representar uma ousadia, uma novidade ou mesmo um trabalho com a qualidade de “Amores Roubados” e “O Canto da Sereia”.

A audiência, até o momento, tem oscilado ao sabor do horário. Os números da Grande São Paulo, a principal referência do mercado, mostram isso. Às segundas-feiras, exibida mais cedo, logo depois da novela das 21h, “O Rebu” obteve 24 pontos na estreia (14/7) e 22 uma semana depois. Nos demais dias, caiu bastante: 16 pontos na terça (15/7), 13 na quinta e 14 na sexta.


Querendo falar de tudo, programa de Justus acaba tratando de quase nada
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Mauricio Stycer

justusszafirkleberDos muitos talk shows hoje em exibição na TV aberta, o “Roberto Justus +”, na Record, se diferencia por ser o único que é temático. Uma vez por semana, o publicitário recebe diferentes convidados para debater um mesmo assunto.

É um formato, como já escrevi, que engessa o programa e acaba limitando o alcance das entrevistas. Às vezes o tema do programa é até bom, mas o espectador fica com a sensação de que os convidados poderiam render entrevistas mais interessantes se a pauta fosse livre.

Pior é quando o assunto escolhido parece ruim, forçado ou impossível de ser tratado em 30 minutos. Esta semana, por exemplo, o programa foi sobre “polêmica”, ou seja, sobre praticamente tudo que passa na televisão.

Justus recebeu João Kleber e Beth Szafir para falar sobre aspectos “polêmicos” de suas trajetórias – o “Teste de Fidelidade”, no caso do primeiro, e a participação da segunda no “Aprendiz Celebridades”.

O apresentador até fez boas perguntas e comentários sobre o programa de João Kleber: “Esse 'Teste de Fidelidade' engana quem?”, quis saber. “A pessoa para ser enganada em rede nacional recebe cachê?”, prosseguiu. “O homem traído não passa o mão onde precisa passar”, observou. “As pessoas não se batem de um jeito muito convicente”, acrescentou.

João Kleber, como sempre, assegurou que não engana ninguém. No máximo, admitiu, pode vir a ser enganado por participantes. “Não vou mentir pra você que tem situação que precebi que havia combinação entre os casais”, disse.

A conversa tinha tudo para render muito, mas Justus logo quis falar dos palavrões que Beth Szafir proferiu durante o “Aprendiz”. Em seguida, um repórter mostrou pessoas que não respeitam leis, como jogar lixo na rua e parar o carro em cima da faixa de pedestres.

Por fim, o programa perdeu um bom tempo falando de “pessoas que optaram por ser polêmicas”, como Justin Bieber, Angelina Jolie, Woody Allen, Madonna, Michael Jackson, entre outros.

“O tema ‘polêmica’ está muito agradável”, disse Justus a certa altura sem se dar conta que a frase mostrava como o programa estava sem rumo. Querendo discutir tudo, acabou não falando de quase nada.


Apresentador ajuda Neymar a fazer propaganda de óculos no “Fantástico”
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Mauricio Stycer

neymarfantastico

Garoto-propaganda de uma marca italiana de óculos, o jogador Neymar usou um modelo aparentemente de grau durante a entrevista que deu ao “Fantástico”, exibida neste domingo (20). A exposição do produto ao longo de 13 minutos foi realçada por um diálogo do atacante com o jornalista Tadeu Schmidt, um dos apresentadores do programa:

Tadeu Schmidt: “Você usa óculos mesmo ou é só charme?”
Neymar: “Isso é só um estilinho.”

Segundo o site da ESPN Brasil, o contrato com a marca rende R$ 15,4 milhões ao ano para o jogador. Neymar usou óculos da marca em diferentes momentos da campanha da seleção brasileira na Copa do Mundo – quase sempre um modelo semelhante ao que exibiu na entrevista dada ao “Fantástico”.

Questionada pelo blog se o apresentador e a emissora ignoravam que o jogador estava expondo um produto durante a entrevista, a Globo disse que a pergunta de Schmidt foi '' espontânea, uma curiosidade do jornalista ao ver Neymar usando o óculos''.

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Cinco mistérios não solucionados no último capítulo de “Em Família”
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Mauricio Stycer

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Novela é ficção, sem muito compromisso com a realidade, e “Em Família” não é exceção. Em todo caso, muitos espectadores sentiram falta de respostas para algumas questões que ficaram em aberto na novela encerrada na sexta-feira (18). As principais reclamações que vi foram as seguintes:

1. Verônica (Helena Ranaldi) e Silvia (Bianca Rinaldi) souberam que estavam grávidas praticamente ao mesmo tempo. Mas no final, o público só viu o filho da mulher de Felipe (Thiago Mendonça). Nada da criança que a pianista teve com Cadu (Reynaldo Gianecchini).

2. Qual foi a responsabilidade de Juliana (Vanessa Gerbelli) na morte de Gorete (Carol Macedo), sua empregada? Em diferentes momentos da novela, Manoel Carlos insinuou que este caso poderia ser esclarecido, mas a novela terminou sem menção ao assunto. O médico que poderia ajudar no caso fez uma rápida aparição no capítulo final, mas o assunto não foi abordado.

3. Laerte (Gabriel Braga Nunes) morre ao ser baleado por Lívia (Louise D' Tuani) na porta da igreja logo após o casamento com Luiza (Bruna Marquezine). Por que ninguém chamou por socorro? A pianista aparece com a arma na mão, depois é levada por um PM e ponto final. O que aconteceu com ela?

4. Laerte não merecia um enterro? A viúva (Luiza) não deveria chorar por alguns dias a morte do marido? Helena (Julia Lemmertz) não poderia ter feito algum comentário sobre a tragédia, uma quase repetição da sua própria história? Manoel Carlos optou por uma passagem de tempo, incluindo apenas uma cena da mãe do vilão, Selma (Ana Beatriz Nogueira), no cemitério, ao lado da lápide do filho e do marido.

5. Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller) tinham o plano de adotar uma criança. O assunto morreu também.

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Confesso que fui otimista demais com “Em Família”


Confesso que fui otimista demais com “Em Família”
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Mauricio Stycer

emfamilialuizahelena
Relendo os muitos textos que escrevi sobre “Em Família”, me dou conta que o prólogo da novela me levou a ter uma visão positiva, talvez otimista demais, em relação ao que o folhetim prometia.

Manoel Carlos planejou uma longa abertura, em dois tempos. Primeiro, focada na infância dos três protagonistas – Helena, Laerte e Virgílio. Depois, na juventude deles. Sem preocupação com o ritmo, o autor pensou em apresentar quase todos os principais personagens e os conflitos mais sérios neste prólogo.

Assustada com a baixa audiência deste início, a Globo determinou uma redução no tempo dedicado à introdução, mutilando-a. Em vez dos dez capítulos previstos, a introdução terminou no sétimo.

emfamiliahelenalaertejovensOlhando agora, tudo indica que o público não reagiu de forma negativa ao formato escolhido para introduzir a história, mas à trama propriamente. Para piorar, assim que “Em Família” entrou na fase contemporânea, houve um segundo e ainda mais barulhento movimento de rejeição – desta vez à escalação do elenco.

Ana Beatriz Nogueira como mãe de Gabriel Braga Nunes; Julia Lemmertz como sobrinha de Vanessa Gerbelli e filha de Natalia do Valle… Pouca gente “comprou” essa liberdade que só a ficção permite.

Num sinal de excesso de confiança, ou de que não estava com os sentidos afiados, Manoel Carlos deu de ombros para esta reclamação generalizada, dizendo que com o passar do tempo o público iria se acostumar com o elenco. O que nunca aconteceu.

Temas apresentados na introdução foram mal desenvolvidos na “fase adulta” da novela. O ciúme doentio de Laerte desapareceu (ou hibernou) por uma centena de capítulos, só reaparecendo na reta final. A ambiguidade da primeira Helena, apaixonada por Laerte, mas sempre seduzindo Virgílio, deu lugar a uma personagem inexpressiva na fase adulta.

Luiza (Bruna Marquezine) herdou o espírito da Helena jovem (vivida pela mesma atriz), enquanto a Helena adulta (Lemmertz) se transformou numa figura de uma cor só, pálida, chata e reclamona. O público também não digeriu essa mudança.

emfamiliajuliananandoA complexidade da relação entre as irmãs Chica e Selma foi igualmente esquecida. O problema com bebida do jovem Felipe evoluiu para o alcoolismo do médico, mas o autor não conseguiu evitar que o público ficasse com a impressão de que se tratava de “mais um personagem bêbado” em novela.

Shirley, a criança malvada e invejosa do prólogo, não evoluiu como se espera de uma vilã. Aliás, nem ela nem Laerte, que também poderia ter sido um bom catalisador para a raiva do público – elemento essencial num folhetim.

Algumas boas tramas foram desenvolvidas. A melhor, na minha opinião, foi a obsessão de Juliana (Vanessa Gerbelli, acima) em ter filhos.A personagem cresceu e Manoel Carlos soube criar uma história intrincada ao redor dela.

emfamiliacasamentoclaramarinaOutro bom tema, a da descoberta tardia da sexualidade da pacata dona de casa Clara (Giovana Antonelli), mereceu um tratamento acanhado, possivelmente por medo de provocar ainda mais rejeição do público.

A questão dos maus tratos aos idosos de uma casa de repouso oscilou entre o tom de denúncia e o de comédia, nenhum dos dois causando impacto. Da mesma forma, a busca de Alice (Erika Januza) pelo estuprador da mãe e a de Andre (Bruno Gissoni) por seus pais verdadeiros não conseguiram empolgar, talvez por serem muito batidos.

emfamilialuizalaerte3Contra todas as recomendações de bom senso, Luiza (Bruna Marquezine) se apaixonou por Laerte (Gabriel Braga Nunes), o homem que foi o amor de juventude de sua mãe e tentou assassinar seu pai. Situação absurda, mas aceitável num folhetim, foi mais uma a provocar rejeição do público sem reverter em boa audiência para a novela.

Manoel Carlos defendeu até o fim a ideia de que “Em Família” foi, como todas as suas novelas, uma história baseada em diálogos de qualidade. Não enxergou, porém, que desta vez faltaram boas histórias e uma direção mais intensa. Sobraram conversas longas e cansativas.

Pecado mortal, “Em Família” não repercutiu, não provocou polêmica (com exceção do “beijo lésbico”) e, muitas vezes, deu sono.

Alguns textos que escrevi sobre a novela
1. Ótimo prólogo de “Em Família” podia ter sido uma minissérie
2. Navegando em águas calmas demais, “Em Família” ainda não pegou no Twitter
3. Sem barraco, mas com “flashback” e beijo, “Em Família” sai do marasmo
4. Irritação do público com Luiza é ponto a favor de “Em Família”
5. Usado para promover “Em Família”, beijo entre mulheres não significou nada


Lázaro Ramos: “Quantas novelas você viu com uma família negra completa?”
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Mauricio Stycer

lazaroramos
Em uma boa entrevista à revista “Trip”, recém-lançada, Lázaro Ramos comentou a campanha “Somos Todos Macacos”, lançada por uma agência de publicidade para criticar o racismo contra jogadores de futebol. Na visão do ator, a campanha fez uma comparação indevida. “Não quero me tirar com a comparação de um animal, e sim pela igualdade. Sabemos que temos diferenças, mas temos os direitos iguais e somos humanos iguais.”

O ator, que atualmente está na novela “Geração Brasil”, vai além e faz uma observação interessante sobre o lugar dos negros na televisão:

“Acho arriscadíssima essa campanha porque uma das coisas que tiram dos negros todos os dias é o direito à humanidade. Em dramaturgia, por exemplo, teve muito avanço em relação aos atores negros, mas às vezes é humanidade que falta. Quantas novelas você viu com uma família negra completa? Isso é a humanidade, mostrar qualidades e defeitos.”

A entrevista, que aborda vários outros temas, pode ser lida aqui.


“Tudo Pela Audiência” dá aula sobre apelação na TV, mas não faz rir
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Mauricio Stycer

tudopelaaudienciaCanal que mais investe em humor brasileiro na TV, o Multishow criou enorme expectativa com a sua mais nova atração, anunciada pela primeira vez em março. Uma campanha publicitária forte e muita agitação nas redes sociais completaram o serviço mais recentemente.

Com título provocador, “Tudo Pela Audiência” chamou a atenção pela proposta excelente: parodiar e rir de programas de auditório. Dois grandes nomes, entre os mais talentosos da nova geração, comandam a atração: Fábio Porchat e Tatá Werneck.

“Qual é a receita para se ter um programa de sucesso, um programa que tem audiência?”, perguntaram os dois logo no início da estreia, nesta terça-feira (15). A resposta, meio longa, reproduzo abaixo:

“Você pega duas xicaras de Silvio Santos, pequenas rodelas de Faustão, polvilha com Sonia Abrão por cima, oréganos de Groisman, você unta com uma porção de Gugu Liberato, Galisteu ralada e raspada em cima, você deixa no forno cinco minutos, você borrifa uma Fernanda Lima, uma Cicarelli em cima, corta em Mara Maravilhas, você glaceia tudo isso com Fausto Silva e nós temos, então, o ‘Tudo Pela Audiência’.”

Por quase uma hora, o programa apresentou quadros que mimetizam manjadas atrações apelativas – um cantor bem popular (no caso, Naldo Benny), debate sobre sexo, briga entre vizinhos (“O Barraco do Dia''), distribuição de dinheiro para o público (´''Você quer bufunfa?''), provocação com famosos (“Você tira o pastel?'') e a apresentação de histórias de vida comoventes (“Chora Brasil''), entre outras. O foco, também ironizado, é a ascendente classe C.

O problema é que tudo pareceu mais didático do que propriamente engraçado. Porchat e Tatá deram a impressão de estar mais preocupados em dar uma aula sobre como conseguir audiência a qualquer preço do que em fazer o espectador rir deste esforço.

Não deixa de ser honesto o comentário de Porchat logo no início: “Está no ar essa verdadeira tese de doutorado sobre o desespero pelo sucesso”. “Tudo Pela Audiência” se revelou um excelente exercício de metalinguagem, mas ficou devendo em matéria de humor.

É preciso dar um desconto porque este foi apenas o primeiro de 22 episódios. E uma segunda temporada já está encomendada.

Veja também
Tatá Werneck e Porchat recebem Naldo em estreia de “Tudo pela Audiência''


Meninos, eu vi: 15 momentos inesquecíveis da Copa no Brasil
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Mauricio Stycer

Passei 40 dias no Rio de Janeiro, enviado pelo UOL Esporte, para acompanhar a Copa do Mundo. Foram sete partidas no Maracanã e muitos momentos – cômicos, curiosos, bizarros ou dramáticos – que presenciei. Abaixo, uma seleção:

copamangaratiba11. A Itália isolada em Mangaratiba: Os italianos se fecharam tanto em sua concentração no resort Portobello que nem o prefeito da cidade conseguiu chegar perto. Evandro Capixaba queria presentear Balotelli com um cavalo esculpido em madeira, mas foi impedido.

Copaargentinos2. A primeira festa dos argentinos em Copacabana. No terceiro dia da Copa, foi possível ter uma ideia do que seria a invasão dos hermanos ao Brasil. Foi a estreia da musiquinha falando que “Maradona es más grande que Pelé”.

3. O novo Maracanazo. Numa das melhores partidas da Copa, o Chile ganhou da Espanha por 2 a 0. Empolgado, na zona mista, o meia Valdívia definiu a eliminação dos campeões de 2010 como um “novo Maracanazo”.

copachilenos4. A invasão de chilenos. Desesperados para assistir a partida contra a Espanha no Maracanã, cerca de 100 chilenos invadiram o estádio pelo centro de imprensa. Passado o susto de quem presenciou a cena, escrevi um texto, tentando entender o que ocorreu: Invasão de chilenos é ato extremo de multidão frustrada.

5. Torcida brasileira sem inspiração. Comparada a dos argentinos e chilenos, a torcida brasileira deu vexame na Copa, tanto nos estádios quanto na Fan Fest. Sem inspiração, se limitava a repetir uma velha canção, dizendo “Sou brasileiro, com muito com orgulho…” A situação levou a Brahma e a Globo a ensinarem novas músicas ao torcedor.

copasuarez6. Somos todos Suarez. A punição ao melhor jogador uruguaio, pela mordida que deu no italiano Chiellini, mexeu com os brios da torcida. Na partida seguinte, contra a Colômbia, no Maracanã, dezenas deles usaram máscaras com a cara do jogador e levantaram faixas em protesto contra a Fifa.

copajamesrodriguez7. O gol mais bonito da Copa. Há controvérsias, mas na minha opinião o gol de James Rodriguez contra o Uruguai, no qual ele mata a bola no peito e chuta sem deixá-la cair, foi o mais bonito do Mundial. Depois do jogo, até o técnico perdedor elogiou o jogador.

8. Não vai ter Copa. Não foi só no Brasil que houve muito pessimismo antes e euforia durante a Copa do Mundo.  Entrevistei um pesquisador que mostrou haver um comportamento padrão comum em grandes eventos, como Copa e Jogos Olímpicos, tanto da mídia quanto do público.

9. Fuleco é carisma. Um mascote gigante da Copa, colocado na avenida Atlântica, em Copacabana, virou atração turística. A fila para fazer foto com o tatu colorido demorava até 10 minutos em dias de muito movimento.

CopaDonaMarta10. Holandeses no Dona Marta. A visita de um grupo de jogadores da Holanda a uma favela pacificada do Rio rendeu boas fotos e histórias. O mais curioso foi a reação de muitas crianças da comunidade, que reclamaram da ausência dos principais craques do time, Robben e Van Persie.

CopaBrasilVergonha11. Madrugada de pesadelo. A chegada da seleção brasileira à Granja Comary depois do 7 a 1 foi um momento melancólico. O ônibus chegou a Teresópolis por volta das 2h da manhã. Os jogadores não conseguiram ver a faixa dizendo “Vergonha”, colocada no caminho: soldados do Exército se posicionaram diante do protesto.

12. Dona Lucia elogia Felipão. No dia seguinte ao 7 a 1, o então técnico da seleção deu uma entrevista tentando explicar o desastre. Tão alheio à realidade quanto ele, o coordenador Carlos Alberto Parreira leu uma carta, supostamente enviada por uma torcedora, tecendo elogios à Felipão.

Copasambodromo13. Torcida argentina ocupa o Sambódromo. Um mês depois de iniciada a invasão, a torcida argentina voltou a tomar o Rio de Janeiro para a final da Copa. Um dos ícones da cidade, a Praça da Apoteose, virou estacionamento para carros e motor-homes dos torcedores.

14. Galvão decide criticar Felipão. Essa não vi ao vivo, mas pela TV. Depois de quase dois anos elogiando o técnico da seleção brasileira, o principal narrador da Globo decidiu criticá-lo aos 45 minutos do segundo tempo, ou seja, na decisão do terceiro lugar, perdida pelo Brasil diante da Holanda. Um pouco tarde, não? 

copaalemanhatorcida15. A festa alemã dentro do Maracanã. Duas horas depois da partida que deu a Copa de 2014 à Alemanha, torcedores do país ainda comemoravam o título dentro do estádio. Foi um momento muito especial. O Maracanã vazio e aqueles 300 torcedores cantando. Dois jogadores, Grosskreutz e Podolski, retornam a campo para se juntarem à festa.