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De alto nível, elenco de Velho Chico exibiu coesão de uma companhia teatral
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Mauricio Stycer

Veja cenas de ''Velho Chico''

Veja cenas de ''Velho Chico''

“Velho Chico” talvez seja a novela com elenco mais enxuto exibida em muitos anos. Com menos de 30 atores em papéis fixos, a trama de Benedito Ruy Barbosa ofereceu chances quase iguais para atores consagrados ou para novatos e menos experientes.

“O grupo todo é comprometido como se fosse uma companhia de teatro. Não há diferença entre o mais experiente e o menos, o que importa é a experiência humana por onde todos passam”, diz Luiz Fernando Carvalho, diretor da novela.

A imagem de uma companhia de teatro faz sentido para quem acompanha o trabalho de Carvalho. “A preparação não termina nunca! A cada mudança do personagem, corresponde a muitas conversas e ensaios sobre o encaminhamento das cenas, muito trabalho sobre as dúvidas de cada um”, diz.

velhochicoluziasantoIsso ajuda a entender como figuras com pouca ou nenhuma experiência em interpretação, como Lucy Alves (Luzia), por exemplo, conseguiram atuar em condições de igualdade com atores de alto nível, como Domingos Montagner (Santo), Irandhir Santos (Bento) e Dira Paes (Beatriz).

O mesmo vale para atores em papéis menores, como Gésio Amadeu (Chico Criatura), Suely Bispo (Doninha), Mariene de Castro (Dalva), Batoré (Queiroz), Luci Pereira (Ceci) e Lucas Veloso (Lucas). A cada entrada em cena é como se estivessem tendo a chance de fazer um número solo no palco – e raramente decepcionaram.

velhochicoiolandaafranioterezaComo fez em “Meu Pedacinho de Chão”, Carvalho tirou algumas estrelas da “zona de conforto” e os obrigou a se desdobrarem em “Velho Chico”. É o caso do próprio Antonio Fagundes, que vinha se repetindo em várias novelas e criou um coronel Saruê sensacional. Ou de Marcos Palmeira (Cícero), Christiane Torloni (Iolanda) e Marcelo Serrado (Carlos Eduardo), que criaram tipos difíceis e com muitas nuanças.

velhochicosantorocarvalho2Na primeira fase, o mesmo se aplica a Rodrigo Santoro (Afrânio), talvez em seu melhor papel em muitos anos.

O cuidado com a preparação também explica por que alguns bons atores, mal aproveitados em outros papéis, tiveram a oportunidade de brilhar tanto em “Velho Chico – Selma Egrei (Encarnação) é o melhor exemplo. Umberto Magnani (Romão) foi outro que parecia muito feliz em cena. Também ajuda a entender a evolução ao longo da novela de alguns atores, em especial Camila Pitanga (Tereza), que demorou um pouco a entregar o que esperava dela.

velhochicoiolandaNa primeira fase, essa capacidade do diretor de explorar o talento escondido ou ignorado de jovens atores chamou a atenção. Carol Castro (Iolanda), Julia Dalavia (Tereza), Renato Goes (Santo), Barbara Reis (Doninha) deram show em cena.

Não poderia deixar de mencionar outras atuações de alto nível oferecidas por grandes atores, como Chico Diaz (Belmiro), Rodrigo Lombardi (capitão Rosa), Julio Machado (Clemente), Eulália (Fabiula Nascimento) e Carlos Vereza (Benício). Em resumo, um time para não esquecer.

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Após 17 anos, Lúcia Araújo deixa o comando do canal Futura
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Mauricio Stycer

luciaaraujofuturaGerente geral do Futura desde 1999, a jornalista Lúcia Araújo vai deixar o cargo em dezembro. O comando do canal da Fundação Roberto Marinho será assumido por João Alegria, atual número 2 na emissora. O Futura é uma das principais referências em comunicação de caráter educativo no país.

Lúcia deixa o Futura para cuidar de projetos pessoais, entre os quais o lançamento de seu primeiro romance, “Cozido goiano e outras imposturas”. Sob a sua gestão, o canal conquistou mais de cem prêmios e indicações nacionais e internacionais, entre os quais duas indicações para o Emmy Internacional.

Antes do Futura, a jornalista trabalhou na Band, Cultura e GNT. Também foi colaboradora da “Folha” e do canal americano CNBC.

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Do humor popularesco ao Emmy, veja a incrível trajetória do Zorra
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Mauricio Stycer

Em pouco mais de um ano, o ''Zorra'' mudou tanto que parece um outro programa. Criado em 1999, sempre foi visto como um humorístico popularesco. No ano passado, sofreu uma reforma profunda. E esta semana chegou a notícia que comprova que o caminho parece estar certo. Pela primeira vez, conseguiu uma indicação ao prêmio Emmy Internacional. Criação de Marcius Melhem e Mauricio Farias, o novo ''Zorra'' abandonou os bordões, os personagens popularescos e a claque gravada do velho ''Zorra''. E este ano passou a apostar em humor político. Este é o tema do ''UOL Vê TV'' desta semana (veja no vídeo acima).

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Gazeta censura publicação de vídeo que teria motivado demissão de Ronald
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Mauricio Stycer

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Cancelado de forma abrupta após a exibição de 16 episódios, “A Semana com Ronald Rios” é hoje um programa-fantasma. A TV Gazeta tirou da internet todos os vídeos, incluindo aquele que é apontado como o responsável pelo fim da atração.

Segundo Ronald, o desaparecimento do programa no site do canal e no You Tube é um caso único. A emissora nega. “A TV Gazeta preserva ou não os materiais na internet de acordo com os seus interesses artísticos e bases contratuais com os envolvidos”, informou. “O projeto ‘A Semana’, como o nome sugere, tratava de assuntos factuais e, portanto, sua preservação nos canais de compartilhamento de vídeo foi considerada desnecessária”.

Em todo o caso, o blog conseguiu uma cópia do trecho polêmico, exibido originalmente em 24 de junho. Trata-se de uma piada com Edir Macedo, líder da Igreja Universal e proprietário da Rede Record. O vídeo foi ao ar no blog às 16h30 e teve que ser retirado menos de três horas depois, a pedido da Gazeta, que alegou que ''a matéria em questão utiliza um trecho em vídeo com direitos autorais da emissora''.

Em seu programa, Ronald comentava notícias da semana e fazia brincadeiras a respeito. No fatídico episódio, ele comentou a informação, divulgada pelo site Notícias da TV, de que a Record estava em negociações para produção de uma série e um filme sobre Suzane von Richthofen.

''Mas a verdade é que Record quer porque quer entrar no mercado de dramaturgia'', diz Ronald no vídeo. ''Inspirados em 'Narcos' e histórias cheias de crueldade baseadas em fatos reais de alguém tentando enganar todo mundo por dinheiro. Já vazou, até, um trailer do seriado novo deles''.

Na sequência, o apresentador resgatou um famoso vídeo, exibido pelo “Jornal Nacional”, da Globo, no qual Macedo aparece dando aulas sobre como arrecadar dízimo para a igreja. Incluiu trilha sonora e o exibiu como se fosse o teaser de um seriado, intitulado “Edir Macedo em ‘Um bispo no pedaço’”.

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Na conclusão, Ronald diz: ''Tenho que assistir. Não perderei esse programa por nada. Deixo até de pagar o Netflix esse mês para contribuir com o dízimo.''

A emissora informou na ocasião que o programa de Ronald saiu do ar porque “o contrato terminou”. Consultado pelo blog, Ronald discorda. “Esse é o vídeo que causou o cancelamento. Três dias depois disso ir ao ar, o programa havia sido cancelado. O responsável pelo meu setor (Núcleo Jovem) não me deu nenhum motivo fora o fato deles quererem ‘renovar’. Ele inclusive disse que o programa ia bem de audiência.”

A Gazeta nega ter cancelado o programa por conta desta piada. “O projeto ‘A Semana’ não foi bem avaliado pela emissora, que tinha restrições artísticas ao produto e decidiu descontinuá-lo. O apresentador foi comunicado e reagiu de forma destemperada à notícia, não deixando espaço para uma conversa que poderia ter resultado na produção de um outro produto. Diante disso, o contrato foi denunciado e rescindido com fiel cumprimento das cláusulas pactuadas”, diz o comunicado enviado ao blog.

O apresentador diz que, ao contrário, a emissora havia sinalizado interesse em continuar com o programa: “A gente inclusive já tinha recebido o manual do que pode/não pode fazer nas eleições. Eu havia há poucas semanas gravado campanhas institucionais da TV. Sabe, essas coisas de prevenção a dengue. Tinha até gravado uma chamada nova do programa mais ou menos um mês antes disso.”

Como faz com outras emissoras, a Igreja Universal compra horários na grade da Gazeta. Internamente, a avaliação é que esta teria sido a causa do afastamento de Ronald e do desaparecimento de todos os vídeos do programa. “Eu me sinto injustiçado porque foi uma questão do canal privilegiar dinheiro sobre conteúdo”, diz Ronald. ''E no fim das contas, eu acabei me aposentando de TV. É um jogo muito estressante.''

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Apresentadora da TV argentina passa vergonha ao entrevistar Cauã Reymond
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Mauricio Stycer

cauagimenez
Em viagem a Buenos Aires para promover a estreia de “A Regra do Jogo” no canal Telefe, Cauã Reymond se sentou no sofá de Susana Giménez, uma espécie de Hebe Camargo argentina, para uma entrevista que virou motivo de piada

A conversa, exibida na noite de domingo (25), foi repleta de erros e mal-entendidos, causados principalmente por despreparo de quem fez a pauta para Susana.

cauagimenez2Seguindo um roteiro repleto de informações desatualizadas ou, simplesmente, erradas, a apresentadora viu Cauã corrigi-la em inúmeras situações. Susana confundiu a atual namorada do ator, Mariana Goldfarb, com a ex-mulher dele, Grazi Massafera. Trocou a Barra por Copacabana.

Perguntou se era verdade que Cauã usava apenas homeopatia. “Mentira”, respondeu o ator. “Medita todo os dias pela manhã”, disse ela. “Mentira também”, respondeu ele. “Onde pratica surfe?”, quis saber. “Na praia”, cortou Cauã. “Comprou o seu primeiro computador aos 13 anos. É verdade?” “Não”. “Com quantos anos comprou?”, insistiu Susana. “Uns 25”.

regradojogoargentinaCauã fez muito sucesso na Argentina na época em que “Avenida Brasil” foi exibida. Por causa do personagem “Jorgito”, foi tratado como ídolo pop em Buenos Aires. Por conta disso, agora em “A Regra do Jogo, que estreia no próximo dia 3 como “El Juego Del Pecado”, o ator está sendo apresentado como o principal personagem da novela.

Abaixo, a íntegra da entrevista:

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Público enxerga com olhos de Santo em linda homenagem a Domingos Montagner
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Mauricio Stycer

Santo vive! No primeiro capítulo de “Velho Chico” gravado depois da morte de Domingos Montagner, exibido nesta segunda-feira (26), o espectador viveu a experiência de estar presente em cena, pelos olhos do personagem que o ator vivia na novela.

Por decisão do autor, Bruno Luperi, e do diretor, Luiz Fernando Carvalho, as cenas de Montagner foram mantidas, mas os demais personagens passaram a contracenar com a câmera, como se ela fosse Santo. ''Essa tragédia implicou em algumas mudanças do texto. No capítulo desta segunda-feira começa esta nova linguagem. Onde ele (Santo) tinha que estar ele vai estar, desta maneira subjetiva. Sempre participando e fazendo parte das situações'', disse Luperi ao UOL um pouco antes de a novela ir ao ar.

''As mudanças não foram estruturais. Alguns personagens assumiram funções dele, como o Bento (Irandhir Santos). Sem desrespeitar a natureza dos personagens. Então, foi tudo preservado, do ponto de vista da história'', disse o autor. O recurso da “câmera subjetiva” deixou bem claro para o público que Santo estava presente em cena. “O resultado, estético, ficou muito bonito. É uma singela homenagem”, observou.

“Na direção, eles tiveram a possibilidade de dilatar um pouco o tempo de fala. Os atores estão curtindo muito olhar para a câmera, falar com a câmera, interpretarem em outro tempo. As luzes também estão diferentes. Está sublime. Não é nada lúgubre, pesado. É uma homenagem à vida”, acrescentou o autor, neto de Benedito Ruy Barbosa.

No primeiro bloco de “Velho Chico”, houve dois blocos de cena. No primeiro, passado na casa da família Dos Anjos, Miguel (Gabriel Leone) e Olivia (Giullia Buscacio) contam para toda família que vão se casar e que estão esperando um filho.

No terceiro bloco, Bento encontra Santo vestido para o casamento de Olivia e Miguel. O irmão mais novo diz ao mais velho que não combina vê-lo de gravata. E assim, enquanto fala com a câmera, o personagem de Irandhir vai tirando a gravata de Santo. De chorar.

A edição incluiu alguns áudios de Santo, aproveitados de falas antigas de Domingos Montagner na novela. Um ''te amo'' para a filha Olivia. Também alguns ''sim'' e ''é'' em resposta a falas de Bento e Tereza, além de ''cuide bem da minha filha''. A própria respiração do personagem reverberou em cena.

Algumas cenas, previamente escritas, foram adaptadas para a nova situação. Foi o caso da conversa de Tereza e Miguel antes do casamento, que seria com Santo, bem como a de Olivia e Bento.

Na cena do casamento, aliás, foi possível notar que a atriz Giullia Buscacio não resistiu à emoção e chorou abertamente (veja no álbum de imagens no alto).

Todas as principais falas dos atores foram dirigidas diretamente à câmera, ou seja, a Santo. Ficou claro, sem que ele precisasse responder, que o personagem estava presente em cena. Triste, mas muito bonito. Ou, como diz o diretor Luiz Fernando Carvalho: ''Linguagem é vida''.

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Encrenca bate recorde, vence o Pânico e festeja 17 meses à frente da Band
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Mauricio Stycer

encrencca2015Principal audiência da RedeTV!, o humorístico “Encrenca” bateu novo recorde de audiência neste domingo (25), em São Paulo, alcançando média de 6,4 pontos (e 9,4% de participação), entre 20h e 22h40.

No confronto com o “Pânico”, entre 21h20 e 22h40, o “Encrenca” venceu por 6,73 a 5,43 pontos de média. O programa da RedeTV! tem vencido o da Band seguidamente desde setembro de 2015. Em junho deste ano, o “Pânico” conseguiu reverter a situação, mas desde julho o “Encrenca” voltou a ser vitorioso nesta disputa particular.

Na competição com a Band ao longo do horário de exibição do “Encrenca”, a RedeTV! comemora vitórias desde abril de 2015, de forma ininterrupta. Ou seja, a emissora tem ficado em quarto lugar, aos domingos, na faixa horária de exibição do seu humorístico há 17 meses.

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O dia em que Silvio Santos foi hipnotizado e “viu” Helen Ganzarolli pelada
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Mauricio Stycer

Em outubro de 2015, em meio à guerra de audiência com Rodrigo Faro, Eliana apelou a um “show de hipnose” para tentar reverter os números do Ibope a seu favor. Por 30 minutos, o hipnólogo Rafael Baltresca, aparentando a maior seriedade, fez sete cobaias passarem por diferentes experiências no palco. Foi um espetáculo patético e constrangedor, sem nenhum efeito prático – o SBT perdeu da Record por 8 a 11 naquele domingo.

Quase um ano depois, neste domingo (25), Silvio Santos recorreu ao mesmo hipnólogo para um show em seu programa. Mas Silvio não é Eliana. O dono do SBT transformou o número de hipnose numa palhaçada completa, das mais engraçadas.

No vídeo acima, é possível ver o momento em que o próprio Silvio foi hipnotizado e viu Helen Ganzarolli totalmente nua. O apresentador ri de tudo, até mesmo quando está “dormindo”. Mais tarado do que nunca, Silvio se divertiu demais. Depois, “apaixonado” por Cabrito Tevez, saiu correndo atrás do humorista pelo palco. Imperdível.

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Finais imprevistos, ambíguos e inconclusos reforçam o valor de “Justiça”
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Mauricio Stycer

justicaosquatropresosPor que a maioria das novelas e séries termina com final feliz para o herói e destino trágico para o vilão? Porque, de um modo geral, é isso que os espectadores esperam e os autores, para não decepcioná-los, entregam de mão beijada.

Manuela Dias, a autora de “Justiça”, merece crédito por encerrar a sua série de forma menos convencional, com finais imprevistos, situações ambíguas e histórias inconclusas. Os quatro episódios tiveram desfechos que fugiram do óbvio.

justicaregina2O primeiro episódio termina com Regina (Camila Márdila) praticando tiro. O que significa? É uma sugestão que ela pretende matar Elisa (Debora Bloch), a quem responsabiliza pela morte do marido, Vicente (Jesuíta Barbosa). Vai conseguir? Nunca saberemos.

O segundo episódio tem um final feliz tradicional, quando Fatima (Adriana Esteves) é pedida em casamento por Firmino (Júlio Andrade) ao som de ''Amor Perfeito''. Mas o que aconteceu com sua filha? Mayara (Julia Dalavia) continuou na prostituição. ''Sou de câncer com ascendente em Beyoncé. Nasci para brilhar'', disse ela durante um programa com um gringo.

justicakellenOutro personagem deste episódio teve um final ambíguo. Douglas (Enrique Diaz) desiste de se casar com a evangélica Irene (Clarissa Pinheiro) para voltar aos braços da prostituta Kellen (Leandra Leal). Ele tem consciência que está trocando uma vida correta por uma duvidosa, mas diz que não é capaz de resistir ao prazer da aventura.

justicaarraesO terceiro episódio também deixa algumas pontas em aberto. Débora (Luisa Arraes) finalmente conseguiu capturar e matar Osvaldo (Pedro Wagner), o homem que a estuprou, mas termina vagando por uma estrada. O que será que vai acontecer com ela? Reencontrará o marido? Vai conseguir adotar uma criança? Nunca saberemos.

Já Celso (Vladimir Brichita), o traficante e dono do bordel, termina feliz da vida com a mulher grávida, Rose (Jessica Ellen), apesar de ter sofrido um desfalque de Kellen (“Peguei meu FGTS”). O natural seria que este personagem tivesse um desfecho mais atribulado e não um final feliz.

justicacauacalloniO quarto episódio, igualmente, fugiu do convencional. Vania (Drica Moraes), responsável por arruinar o vilão, Antenor (Antonio Calloni), teve morte trágica. Já Mauricio (Cauã Reymond), que arquitetou o plano de vingança contra Antenor, termina sem saber o que fazer e, numa boa sacada, encontra a igualmente perdida Debora na estrada. Por fim, Teo (Pedro Nercessian), o filho do escroque, abusa do cinismo e mostra que vai seguir os passos do pai.

Como escrevi há três semanas, “Justiça” foi uma série muito acima da média, um dos grandes acontecimentos de 2016 na TV aberta, apesar de alguns problemas evidentes, inclusive no texto. Acho que Manuela Dias foi excessivamente didática e, às vezes, subestimou o espectador ao “desenhar” alguns dramas. Também, em certas situações, quis chocar o público a qualquer preço e encadeou drama atrás de drama de forma quase gratuita.

Mas nesta última semana, a autora deu a volta por cima, terminando a série de maneira inteligente e instigante, deixando o espectador sem respostas para tudo. Muito bom.

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“Cadê a peruca? Ninguém lembra mais”, diz diretor sobre atuação de Fagundes
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Mauricio Stycer

velhochicoafraniorevoltadoO desempenho de Antonio Fagundes na reta final de “Velho Chico” está chamando a atenção. Vivendo a decadência do coronel Saruê, o ator tem emocionado em diversas cenas da novela. No capítulo desta quinta-feira (22), perturbado com o abandono da mulher, Iolanda, dos dois filhos, do neto, e a morte da mãe, Afrânio decidiu cimentar parte da sua residência, para abafar as lembranças.

velhochicofagundescarvalhomontagner“É o melhor desempenho do Fagundes nos últimos tempos”, diz o diretor da novela, Luiz Fernando Carvalho (na foto entre Fagundes e Domingos Montagner na festa de lançamento da novela, em março). “Cadê a peruca? Ninguém se lembra mais! O personagem é todo uma peruca só que se esfarela pouco a pouco.”

A referência de Carvalho a este adereço do figurino do personagem se explica. Durante meses, houve reclamações, inclusive dentro da Globo, sobre a peruca usada por Fagundes para compor Saruê.

velhochicofagundescoronelafranio2A peruca fazia parte de um conjunto, como explicou Carvalho ao UOL, em abril. “Você pode ver no Saruê uma mistura de Donald Trump com Sarneys da vida, ACM, Menem, todos os latino-americanos, metade galãs, metade presidentes da República. Que faziam plástica, pintavam o cabelo, tinham esse lado de galã mexicano. Que Ronald Reagan também tinha. Esse cara (Saruê) assimila tudo isso e dá à novela essa eletricidade do tragicômico e, às vezes, do patético”.

Cinco meses depois, Saruê está perto de reencontrar o Afrânio que foi um dia, na juventude. Carvalho é só elogios para o desempenho do ator: “Fagundes faz um personagem muito longe dele. Que coragem! Poucos fariam esse deslocamento, que implica em abandono do ego e vaidades.”

O diretor acrescenta: “É sem duvida um apuro na arte de interpretar, um exemplo a ser seguido, sem falar do alto nível de comprometimento. Um grande desafio que ele venceu com louvor e sensibilidade, traçando um retrato fiel da decadência do coronelismo do passado e do presente.”

Veja cenas de ''Velho Chico''

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