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“The Newsroom” volta com críticas à cobertura do atentado de Boston
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Mauricio Stycer

thenewsroombostonA terceira e última temporada de “The Newsroom” começa a ser exibida neste domingo (23), às 21h, pela HBO. Serão apenas seis episódios de despedida. É uma espécie de prêmio de consolação para a série, que teve bastante repercussão ao estrear, em 2012, mas cujas críticas sempre foram mais negativas do que positivas.

Criada por Aaron Sorkin, o mesmo de “The West Wing”, “The Newsroom” descreve o cotidiano em um canal de TV pago especializado em notícias 24 horas. O drama gira em torno do principal âncora da emissora, Will McAvoy (Jeff Daniels), e do grupo de jornalistas e produtores que o cercam.

Como em todo episódio, o da estreia da terceira temporada discute, inspirado em fatos reais, questões éticas relacionadas ao exercício do jornalismo – no caso, a cobertura do atentado ocorrido na maratona de Boston, em 15 de abril de 2013, que causou a morte de três pessoas e deixou mais de 200 feridos.

thenewsroomredacaoOs muitos erros cometidos pela mídia, incluindo agências de notícias, sites, jornais e TVs, são lembrados, bem como os equívocos que nasceram nas redes sociais. O episódio discute o dilema entre dar a notícia antes de todo mundo, sem uma confirmação oficial, ou correr o risco que o concorrente noticie primeiro. No segundo caso, perde-se o furo, mas ao menos a imagem da emissora não ficará arranhada por conta da divulgação de boatos ou informações imprecisas.

Sempre didática, “The Newsroom” procura convencer o espectador que o chamado “jornalismo cidadão”, feito de forma colaborativa, não é confiável, como mostram as acusações falsas que nasceram nas redes sociais sobre supostos suspeitos de terem participado do atentado.

Paralelamente, acompanhamos o esforço do autor em “humanizar'' os personagens, contrapondo os problemas profissionais aos seus dramas amorosos. No início da terceira temporada seguem avançados os preparativos para o casamento de McAvoy com a produtora MacKenzie McHale (Emily Mortimer).

Com diálogos inteligentes – e rápidos – o programa exige muita atenção do espectador. Como nos 19 episódios das duas primeiras temporadas, o novo capítulo de “The Newsroom” exibe um retrato, às vezes, emocionante e, até, glorificante do jornalismo.

Para quem é do ramo, porém, a série reflete o idealismo de Sorkin, mostrando de forma pouco sutil e até ingênua o que o jornalismo deveria ser, mas não é. Como escrevi logo depois de ver alguns episódios da primeira temporada, é um telejornal dos sonhos.

Abaixo um trailer da terceira temporada (sem legendas)

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“The Bachelor” estreia com promessa de boa diversão e baixaria
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Mauricio Stycer

thebachelorgianlucafabioFamoso nos Estados Unidos, onde já teve 18 temporadas, e exibido com mais ou menos sucesso em três dezenas de países, o reality “The Bachelor” finalmente estreou no Brasil nesta sexta-feira (21).

Trata-se de um concurso no qual um homem solteiro procura uma mulher entre 25 candidatas, confinadas em uma mansão.

O reality encontrou espaço na grade da RedeTV!, uma escolha das mais acertadas, considerando que um dos campeões de audiência da emissora é o “Teste de Fidelidade”, uma espécie de “programa-irmão”.

O primeiro solteiro do “The Bachelor” é Gianluca Perino, um italiano radicado no Brasil há dez anos, sócio de restaurantes em São Paulo e amigo de Rico Mansur e Álvaro Garnero, dois famosos “playboys” da cidade.

Simpático, descontraído, sem nenhum constrangimento diante do assédio das candidatas, Perino parece uma ótima escolha para o papel. “Só posso me considerar um homem de sorte”, disse, antes de dar as boas vindas às mulheres – um mix de modelos, estudantes e profissionais liberais.

As primeiras 13 chegaram de helicóptero – ainda que a RedeTV! não tenha mostrado nenhuma imagem delas dentro do aparelho, que só foi visto pousado. As outras 12, compareceram de carro. Só este tratamento diferenciado já mostrou que o público pode esperar boas surpresas do padrão de produção do programa.

Há todo um esforço de sugerir romantismo na tarefa de Perino. O subtítulo do programa, por exemplo, é “Em Busca do Grande Amor”. O apresentador, Fábio Arruda, disse que o italiano é um “príncipe encantado”. Também o chamou de “sedutor dos tempos modernos”. Uma das candidatas apareceu vestida de noiva.

Mas, de um modo geral, o propósito do “The Bachelor” é outro, bem distante deste. O programa, que vai ao ar às 23h05, promete tudo o que você está imaginando – inclusive sexo, que está liberado.

Ao final do primeiro episódio, Perino dispensou logo dez mulheres. A partir de agora, vai avaliar mais detidamente as 15 “sobreviventes” – um elenco, de fato, diversificado, diferente do padrão de outros realites. Tem toda cara de que vai proporcionar, mesmo que involuntariamente, boas risadas para o público.

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Briga de mulheres em “Império” lembra famosa cena de “Celebridade”
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Mauricio Stycer

BrigaImperioJujuCarmenAguinaldo Silva escreveu uma cena caprichada de briga entre mulheres em “Império''. Foi ao ar nesta quarta-feira (19), tendo como protagonistas Juju Popular (Cris Vianna) e Carmen (Ana Carolina Dias), na noite de inauguração do restaurante Vicente.

BrigaCelebridadeMariaClaraLaura2A coreografia da briga, com uma personagem sentada sobre a outra, a estapeando em um banheiro, é muito parecida com a surra que Maria Clara (Malu Mader) deu em Laura (Claudia Abreu), em uma cena sempre lembrada de “Celebridade'' (2003), de Gilberto Braga.

No momento em que a cena foi ao ar, fãs saudosos de “Celebridade'', no Twitter, consideraram que houve uma “cópia''. Não acredito. Aguinaldo Silva pode até ter se inspirado ou homenageado Gilberto Braga, que já escreveu inúmeras cenas de brigas de mulheres em novela.

BrigaTietePerpetuaCarecaMas o autor de “Império'' é ele próprio um grande admirador deste clichê, que desagrada muito as feministas. No currículo de Aguinaldo Silva, há várias outras cenas de brigas entre mulheres.

Em “Tieta'' (1989), uma das personagens mais famosas do autor, Perpétua (Joana Fomm), protagonizou algumas cenas de brigas do gênero. Na mais lembrada, no último capítulo, parte para cima da protagonista (Betty Faria), mas é surpreendida quando Tieta arranca a sua peruca e revela que a beata é careca.

BrigaSenhoraDestinoNazareMariadoCarmoPara quem não se lembra, uma das cenas mais célebres de “Senhora do Destino'' (2004) é a surra que Maria do Carmo (Susana Vieira) dá em Nazaré Tedesco (Renata Sorrah) por ela ter roubado sua filha Lindalva (Carolina Dieckmann), recém-nascida.

Em “Duas Caras'' (2007), o autor colocou as mesmas atrizes em situação de antagonismo e escreveu uma cena de briga com tintas cômicas para Célia Mara (Renata Sorrah) e Branca (Susana Vieira). Na mesma novela, Maria Paula (Marjorie Estiano) se cansou das maldades Silvia (Aline Moraes) e a encheu de sopapos.

BrigaFinaEstampaGriseldaTeresaJá em “Fina Estampa'' (2011), a rivalidade entre Griselda (Lilia Cabral) e Tereza Cristina (Christiane Torloni) acaba, naturalmente, em tapa. Numa cena também com pitadas de humor, a heroína chama a vilã de “dondoca de bosta'' e acaba acertando, por acidente, o marido dela, Rene (Dalton Vigh).

Agora em “Império'', antes mesmo da surra que Juju Popular aplicou em Carmen, mulheres já haviam saído no tapa. O pugilato tem sido rotina desde a entrada em cena de Amanda (Adriana Birolli), que odeia Danielle (Maria Ribeiro) e cobiça o seu marido, José Pedro (Caio Blat). Além de se ofenderem em todas as refeições, as duas frequentemente se enfrentam na mão mesmo.

Outros autores
Briga de mulher é um dos clichês mais recorrentes da telenovela. Gilberto Braga, Gloria Perez e João Emanuel Carneiro, para ficar apenas em três autores do horário nobre, também adoram mostrar duas personagens se estapeando.

BrigaAguaVivaBraga já escreveu ao menos cinco cenas marcantes. Em “Dancin Days'' (1978), a briga foi entre as irmãs Júlia (Sônia Braga) e Yolanda (Joana Fomm). Na sua novela seguinte, “Água Viva'' (1980), como bem lembraram alguns leitores, ele escreveu a primeira briga dentro de um banheiro, protagonizada por Ligia (Betty Faria) e Selma (Tamara Taxmann). Em “Vale Tudo'' (1988), o público festejou quando Raquel (Regina Duarte) rasgou o vestido de casamento de Maria de Fátima (Glória Pires) e ainda deu uns tapas na filha.

BrigaInsensatoCoracaoMarinaUrsulaA melhor cena do gênero que escreveu talvez tenha sido a exibida em “Celebridade'' (2003), quando Maria Clara (Malu Mader) acertou suas contas com Laura (Claudia Abreu) em um banheiro, esbofeteando a megera até sangrar. Em “Insensato Coração''' (2011), a pancadaria se deu entre a golpista Úrsula (Lavínia Vlasak) e a mocinha Marina (Paolla Oliveira).

BrigaCaminhoIndiasMelissaYvone2As brigas femininas nas novelas de Gloria Perez não são menos célebres. Sempre lembrada é a surra, em “Caminho das Índias'' (2009), que Melissa (Christiane Torloni), aplica em Yvone (Letícia Sabatella), após descobrir que seu marido, Ramiro (Humberto Martins), tem um caso com a ela.

Mais recentemente, em “Salve Jorge'' (2013), a autora presenteou o público com uma dezena de cenas de brigas entre personagens femininas. Só Morena (Nanda Costa) teve seis cenas no total, a mais esperada a surra que deu em Livia Marini (Claudia Raia).

BrigaAvenidaBrasilCarminhaMonalisaMais jovem neste time, João Emanuel Carneiro incluiu briga entre mulheres nas duas novelas que escreveu para o horário nobre. Na primeira, “A Favorita'' (2008), a troca de tapas é entre as protagonistas Flora (Patrícia Pilar) e Donatela (Claudia Raia). Já em “Avenida Brasil'', rola uma briga feia entre Carminha (Adriana Esteves) e Monalisa (Heloisa Perissé) por causa de Tufão (Murilo Benício).

Este texto foi publicado originalmente no UOL Televisão.


The Voice: Decote da jurada chama mais a atenção que a voz dos candidatos
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Mauricio Stycer

TheVoiceClaudiaLeitteComo acontece quase sempre, os jurados do “The Voice Brasil” chamaram mais a atenção do que os candidatos do concurso de talentos da Globo. E como ocorre com frequência, também, Claudia Leitte brilhou mais que os demais, com um decote espetacular, diante do qual não era possível prestar atenção em mais nada.

Tirando o decote da cantora, o primeiro programa ao vivo da temporada correu dentro da normalidade. Daniel fez uma comparação sem propósito entre o Dia da Consciência Negra, celebrado na quinta-feira (20), e a necessidade de o público votar de forma consciente no “The Voice”. “Não somos o dono da verdade, vamos votar com consciência'', disse.

Lulu Santos apostou na redundância: “Vou continuar na minha técnica de destacar quem eu acho que de fato se destacou''. Carlinhos Brown filosofou: “Hoje é o Dia da Consciência Negra. Que esse dia nos revele outras consciências: que esse é um país miscigenado.”

E Tiago Leifert, com toda a pompa possível, deu uma importante notícia ao público: pela primeira vez na história do “The Voice Brasil”, um casal foi formado por participantes. O apresentador também não economizou nos elogios a Claudia Leitte: “Você está muito bonita hoje. Você está demais. Claudia Leitte está excelente hoje''.

Quatro cantores (Kim Lirio, Lui Medeiros, Romero Ribeiro e a dupla Danilo Reis e Rafael) foram escolhidos por voto do público e outros quatro (Jésus Henrique, Leandro Bueno, Rose Oliver e Edu Camargo) foram salvos pelos jurados.

Atualizado às 16h: Na primeira noite ao vivo, “The Voice Brasil'' registrou a pior audiência desta temporada, 21 pontos. Leia mais aqui.

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UOL Vê TV: Pânico e CQC se “renovam” para 2015 reciclando velhos rostos
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Mauricio Stycer

Comento no programa desta semana o anúncio da volta de Rafael Cortez ao “CQC'', assim como os possíveis retornos de Rafinha Bastos à bancada do mesmo programa, e de Carlinhos, o “Mendigo'', ao Pânico. Os dois programas tiveram um ano fraco de audiência e vão passar por várias reformulações para a temporada de 2015.

A boa audiência alcançada pelo “CQC'' esta semana, a melhor do ano, é um sinal de que o público espera por novidades. Como havia sido anunciado, Marcelo Tas não participou do programa e foi substituído por Ana Paula Padrão.


Operador de câmera aparece no “Teste de Fidelidade”; RedeTV! nega farsa
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Mauricio Stycer

TesteFidelidadeCamera
Cercado de suspeitas sobre a veracidade das cenas que mostra, o programa “Teste de Fidelidade”, apresentado por João Kleber, sofreu mais um arranhão neste domingo (16). A certa altura de um dos quadros, quando um homem está sendo seduzido por duas mulheres, um operador de câmera foi visto no fundo da tela (no alto à direita).

A cena, rápida, chamou a atenção de alguns espectadores. Seria a prova de que o “teste” é uma grande encenação, feita com o conhecimento não apenas das modelos contratadas, mas também das supostas vítimas.

Procurada, a RedeTV! nega a farsa. Segundo o diretor do programa, Rafael Paladia, uma das microcâmeras escondidas falhou durante a gravação. Para sanar o problema, explicou, uma das sedutoras foi orientada pelo ponto eletrônico a ficar de pé tapando a visão do “infiel”, enquanto um técnico arrumava o equipamento. Paladia garante que o rapaz não viu nada.

Por um vacilo da edição, a cena foi ao ar e está disponível no You Tube (no minuto 14:34). Agradeço ao “detetive” Edney Rodrigues por me chamar a atenção do erro. Na versão colocada no site da emissora (veja abaixo), a falha foi corrigida.


Em novo cargo, Silvio de Abreu decreta o fim das inovações em novelas
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Mauricio Stycer

silviodeabreu2013

Em entrevista concedida um mês antes de ser formalmente anunciado como o diretor responsável por todas as novelas da Globo, Silvio de Abreu deixou claro que o tempo de inovações terminou. “Eu acho que novela tem que voltar a ser novela. Essa história de fazer novela para ficar parecida com seriado não dá certo”, disse à edição digital da “Caras”.

Segundo a nova estrutura da emissora anunciada esta semana, Abreu agora se reporta diretamente a Carlos Henrique Schroder, diretor-geral da Globo. É por ele que vão passar sinopses e projetos de novelas, bem como a decisão sobre quais faixas horárias vão ocupar.

alemdohorizonteflorestaAbreu não cita diretamente, mas a menção a “novela parecida com seriado” parece obviamente dirigida a experiências recentes da teledramaturgia da Globo, como “Além do Horizonte” (2013), de Carlos Gregório e Marcos Bernstein, e “Geração Brasil” (2014), de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, ambas exibidas às 19h30.

“Novela é uma história folhetinesca com romance, com comédia, com drama, que a pessoa fique motivada a assistir todo dia e que tenha um gancho a cada comercial, e um gancho forte no final do capítulo”, disse à repórter Flavia Faccini.

Em defesa desta visão conservadora, ele acrescenta: “O gênero é esse e é assim que tem que ser feito. Qualquer coisa que se fizer fora disso não dá certo. Então, se você não gosta de novela, vai fazer minissérie, seriado, vai fazer outra coisa, porque novela é assim.”

meupedacinhoprofessoraQuestionado especificamente a respeito de “Meu Pedacinho de Chão”, dirigida por Luiz Fernando Carvalho, Abreu jogou um balde de água fria em quem imaginou que a experiência inovadora poderia gerar frutos: “Não sei se funcionou. A novela foi prestigiada, um trabalho muito bem feito, mas não era o que o público espera de uma novela, por isso é uma experiência.”

A repórter lembrou a Abreu do insucesso de sua mais recente experiência como autor, ao reescrever “Guerra dos Sexos” (2012), um antigo sucesso de sua própria autoria. A resposta do diretor de Dramaturgia da Globo é surpreendente: ele se compara a William Shakespeare.

guerradossexoscafe“A novela não caiu nas graças do público porque foi muito mal lançada, em uma época ruim. Em vez de estrear 19h30 estreou 18h45, em cima do horário político e no horário de verão. Nem ‘Romeu e Julieta’ de Shakespeare da primeira vez ia dar certo”, diz.

Em outra passagem da entrevista, Abreu reafirma uma boa notícia: a duração das novelas será mais flexível. “A gente já estabeleceu isso na Globo: cada novela vai ter a duração que a história permitir”.

Segundo ele, está decretado o fim da “barriga”, aquela embromação típica que ocorre no meio das histórias. “Nós vamos ter novelas de 100 capítulos e de 200, depende da história. O ruim é quando você não tem história para contar e fica enchendo linguiça, e quando eu supervisiono ou escrevo eu não faço isso. Isso é uma coisa que não quero que aconteça mais.”

A entrevista pode ser lida aqui.

Correção (às 17h): Na versão original deste texto, escrevi que esta havia sido a primeira entrevista concedida por Silvio de Abreu depois de ser nomeado Diretor de Dramaturgia Diária da Globo. O site da “Caras'' acaba de informar que, na verdade, a entrevista foi concedida no dia 18 de outubro, na festa de lançamento da novela “Alto Astral'', mas só foi publicada um mês depois, no dia 18 de novembro. Abreu foi formalmente anunciado no novo cargo no dia 17 de novembro.


Mudança na estrutura da Globo reflete transformação dos hábitos do público
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Mauricio Stycer

GloboEntretenimento
Em pé (da esq. para dir.), a diretora de Desenvolvimento Artístico, Monica Albuquerque, o diretor-geral, Carlos Henrique Schroder, e o diretor de Produção, Eduardo Figueira; sentados, os diretores de gênero Ricardo Waddington, Silvio de Abreu, Guel Arraes e Boninho

A Globo anunciou nesta segunda-feira (17) o desmembramento do poderoso cargo de diretor de Entretenimento em quatro diretorias, divididas segundo gêneros, formatos e horários de programas. Sai Manoel Martins, que desde 2008 dava a palavra final em toda a produção de conteúdo de entretenimento da emissora, e entram quatro novos diretores.

Silvio de Abreu será responsável por Dramaturgia Diária (novelas); Guel Arraes vai comandar a Dramaturgia Semanal (séries); e a área de Variedades terá dois diretores, Boninho (para programas diários e realities) e Ricardo Waddington (para atrações noturnas e de fins de semana).

A estrutura se completa com duas diretorias que já existiam: Produção, comandada por Eduardo Figueira, e Desenvolvimento Artístico, dirigida por Monica Albuquerque.

A mudança mais importante está em uma das frases do comunicado: “A área passará por uma transformação: deixará de ser centralizada para ser orientada pelo conteúdo”. Ou, como disse o diretor-geral, Carlos Henrique Schroder: “Com esse modelo, colocamos todo o talento e capacidade da Globo a serviço do conteúdo, gerando produtos mais focados em cada especialidade para nossa audiência.”

Trata-se, obviamente, de uma alteração importante na estrutura de poder da emissora, reflexo da troca na direção-geral ocorrida em janeiro de 2013 com a saída de Octavio Florisbal e a chegada de Schroder.

Mas vai além. É uma mudança que parece fazer sentido quando se pensa nas transformações tecnológicas e de hábito que já afetam – e vão afetar cada vez mais – a forma de consumir TV no Brasil. O público tende a se orientar cada vez menos pela ideia de “grade” e mais pela possibilidade de ver os programas que deseja, no horário e no aparelho (TV, laptop, smartphone) que bem entender.


Marcelo Rezende diz que tentou convencer a Globo a não atacar Edir Macedo
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Mauricio Stycer

MarceloRezendaMacedo
A pretexto do seu aniversário de 63 anos, festejado no último dia 11, o jornalista Marcelo Rezende ganhou uma homenagem especial da Record neste domingo (16). Por duas horas e dez minutos, ele ouviu elogios de colegas, amigos e fãs no palco do “Domingo Show”, além de ter sido objeto de uma visita da equipe do programa, previamente gravada, em sua casa.

O ápice da bajulação se deu no final, quando o apresentador Geraldo Luis lhe entregou um vaso de flores e leu uma carta repleta de elogios assinada por Edir Macedo, líder da Igreja Universal e dono da Rede Record. “Essas flores vêm de um homem de uma grande alma e de uma coragem extraordinária”, disse o apresentador do “Domingo Show”.

“É a primeira vez, em 43 anos, que o dono de uma empresa me manda uma carta”, disse Rezende, antes de iniciar um discurso de quase 10 minutos, concluído com um beijo ao patrão (imagem acima).

Rezende surpreendeu ao afirmar que, em 1992, trabalhando na Rede Globo, foi convocado a uma reunião para discutir a realização de um “Globo Repórter” com o objetivo de atacar Macedo. Abaixo a transcrição do que disse:

“Era uma reunião para sentar o pau no bispo Macedo. Era pra fazer uma reportagem, todo mundo. Eu tô olhando a reunião. Eu tô lá, os caras esperando pra ver o que eu tenho pra dizer. Mudo eu tava, mudo eu fiquei. Quando acabou aquela reunião, para fazer um ‘Globo Repórter’, pra sentar a borduna no bispo Macedo e na igreja, eu olhei. ‘Posso falar uma coisa?’ Tava todo mundo esperando que eu falasse. ‘Vocês vão cometer dois erros. O primeiro erro é que vocês vão bater na fé das pessoas. Quem entra, em busca de uma palavra, ela vai buscar um algo pra confortar o seu coração, e vocês vão agredir todas essas pessoas. A segunda coisa é uma reflexão’. Aí ficou todo mundo me olhando. ‘A reflexão é a seguinte. Um homem mente. Ele mente pra um, ele mente pra 50, ele mente pra 50 milhões. É possível um homem mentir pra 200 países?' Será? Esse homem, que fez essa carta pra mim, com essa generosidade, é um homem que pode chegar e mentir pra todo mundo? Não. Não pode.”

Rezende não revelou se convenceu os seus interlocutores na Globo a desistirem do programa, nem qual foi a reação às suas palavras. O apresentador do “Cidade Alerta” prosseguiu em sua defesa de Macedo, dizendo que a construção do Templo de Salomão é a maior prova da honestidade do criador da Igreja Universal:

“Todo mundo esculhamba o sujeito porque ‘é um ladrão, rouba dinheiro dos outros’. A pergunta que te faço é: pra que ele ia investir tanto dinheiro pra fazer aquele Templo de Salomão? Pra quê? Se o dinheiro já tava lá, ficava com o dinheiro pra ele. Mas ele fez.”

O apresentador relatou a sua visita ao templo: “Quando você olha o Templo de Salomão aqui no Brás você fica impactado. Aquilo é grande, tem uma dimensão gigantesca. Quando você entra naquela santuário, você entende a dimensão, você se vê diante de Deus e você se sente feliz.”

E voltou a fazer elogios a Macedo, pela “missão espinhosa e difícil” que ele tem, de levar “a palavra de Deus para aquelas pessoas que precisam”. Ao final, disse: “Eu quero agradecer o senhor de coração. Vou lhe jogar um beijo. Primeira vez que eu jogo um beijo pro patrão.”

Adendo (atualizado às 11h): Questionada pelo blog, a Globo afirma desconhecer o episódio a que Marcelo Rezende se refere e, por isso, não vai comentá-lo. A emissora afirma ainda: “O nosso jornalismo se pauta pela isenção, correção e agilidade, de acordo com o que pregam nossos princípios editoriais. Assim, fazemos matérias sobre fatos de interesse público e não para desqualificar o que ou quem quer que seja''.

Memória
Record abraça “guerra religiosa” e mostra enriquecimento de bispo rival de Edir Macedo


Câmera 360º da Globo é legal, mas entrega bem menos do que promete
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Mauricio Stycer


A Globo estreou neste domingo, durante a transmissão de Flamengo e Coritiba, um recurso tecnológico nunca usado antes em uma partida de futebol no Brasil: a chamada câmera 360º.

Com múltiplas câmeras montadas ao redor do campo, a tecnologia israelense possibilita a exibição de uma jogada a partir de diversos ângulos. Essa forma de mostrar lances já é usada em transmissões de futebol americano, por exemplo.

Quem viu o jogo pela Globo teve a oportunidade de observar que o recurso é muito legal. Pena que a emissora “economizou” na estreia.

Apesar de toda a promoção, apenas dois lances – o primeiro gol do Flamengo e o primeiro do Coritiba – mereceram ser vistos pela câmera 360º. Depois de encerrada a partida, a Globo mostrou também o segundo gol do Coxa com este recurso.

Curiosamente, os três lances exibidos com a nova tecnologia ocorreram no mesmo lado do campo. O segundo e o terceiro gols do Flamengo, feitos do outro lado, não foram vistos.

A Globo havia dito que a nova tecnologia poderia ajudar a esclarecer lances duvidosos, também. Pois o pênalti a favor da equipe carioca, que causou dúvidas, também não mereceu o uso da câmera 360º.

Enfim, a estreia da nova câmera deixou um gosto de “quero mais”. É um recurso bem bacana, que dá um ar futurista à transmissão, mas pelo jeito ainda não está totalmente pronto para uso pela Globo.

Este texto foi publicado originalmente no blog UOL Esporte Vê TV.