Blog do Mauricio Stycer

Globo “libera geral” com “Tá no Ar”, mas não muda política de vetos
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Mauricio Stycer

No “UOL Vê TV” desta semana comento o novo programa de humor da Globo, “Tá no Ar”, autorizado a citar concorrentes, parodiar comerciais e rir da própria Globo. Mas lembro que a liberdade dada aos criadores do humorístico não se estende a outras áreas, que sofrem com restrições da emissora.


“Aprendiz Celebridades” diverte ao expor candidatos ao constrangimento
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Mauricio Stycer

No esforço de revitalizar o reality “O Aprendiz”, a Record estreou nesta terça-feira (22) uma versão disputada por 15 “celebridades”. Comandado por Roberto Justus, o programa estreou em ritmo intenso, logo expondo os candidatos ao constrangimento de improvisar num picadeiro.

Foi um festival. Os candidatos protagonizam uma cena mais ridícula que a outra, promovendo ótima diversão para quem estava diante da televisão. Imagino como deve ter sido difícil escolher as piores. Três foram eleitas: Alexia Dechamps, Beth Szafir e Ana Moser.

Ao final do episódio, Justus, Cacá Rosset e Renato Santos convocaram as três para discutir suas performances e o apresentador eliminou a atriz Alexia Dechamps. Não houve o clássico “você está demitida”, já que não ocorreu uma tarefa em grupo, relacionada ao objetivo principal do “Aprendiz”. “Ela titubeou, mostrou insegurança”, explicou.

Antes, a apresentação dos 15 participantes também foi um momento de muita diversão. Cada um procurou explicar por que é uma celebridade, o que seria desnecessário se fossem, realmente, famosos. “Eu fiquei conhecida por gostar das pessoas e elas de mim”, disse, por exemplo, Szafir.

Nos EUA, apresentado por Donald Trump, a versão com celebridades foi a solução encontrada para renovar o fôlego do reality a partir da sétima temporada. Desde 2008, já foram seis programas neste formato e um sétimo será exibido ainda em 2014. A audiência segue em queda constante, mas ainda em um patamar considerado atraente para os produtores e para a rede NBC.

“Você sabe por que tanta gente quer ser celebridade? Porque é um bom negócio”, explicou Justus, na abertura do programa. Resta ao apresentador torcer que o público esteja interessado neste negócio que a Record começou a exibir.

AprendizCelebridadesPubEm tempo: Em março, ao serem divulgados os nomes dos 15 participantes do reality manifestei decepção com o elenco. Record precisa renovar sua agenda de telefones de celebridades, escrevi, observando. “O grupo escolhido coloca em questão o próprio conceito de ‘celebridade’, ao misturar figuras pouco conhecidas com outras desimportantes, além de tipos mais do que batidos e, ainda, alguns que são famosos por não ter maior expressão.”

Um dia depois, Justus respondeu, dizendo que não foi a fama, em si, mas a inteligência dos candidatos o critério utilizado na seleção do elenco “Não precisa ser a pessoa mais conhecida. Estou muito feliz com o casting escolhido. Não ueria pessoas extremamente conhecidas, mas inteligentes. Nossa miss [Priscila Machado], por exemplo, tem curso superior. Não é qualquer miss. Quis nivelar por cima”, justificou Justus.

Nesta terça-feira, dia da estreia do programa, a Record publicou um anúncio de página inteira na “Folha” com um foto do elenco e a seguinte frase: “Quem sempre estampou a cara em capa de revista agora vai ter que dar a cara para bater.” O problema, como apontei em março, é justamente esse: quantos desta turma já estamparam uma capa de revista?

Este texto foi publicado originalmente aqui.


“CQC” faz pegadinha capenga sobre “justiça com as próprias mãos”
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Mauricio Stycer

Em uma encenação exibida por 12 minutos nesta segunda-feira (21), o “CQC” quis mostrar que uma pessoa inocente pode ser vítima da fúria de gente desinformada.

Três atores protagonizaram o teatro em uma esquina não identificada (acho que de São Paulo), na qual um suposto assaltante é amarrado a um poste por duas de suas “vítimas”. Seguranças escondidos foram obrigados a entrar em ação quando um sujeito que via a cena apareceu com uma barra de ferro na mão destinado a agredir o falso assaltante.

Antes de mostrar esta encenação, o programa exibiu imagens de reportagens reais sobre inocentes que foram vítimas de atos de “justiceiros”. “Será que a justiça com as próprias mãos é justa?”, perguntou o repórter Mauricio Meirelles.

Todo o trabalho pareceu ter um propósito didático – o de mostrar que a fúria nas ruas pode vitimar gente inocente. “Muitas pessoas são vítimas e não têm nada a ver com isso. Às vezes, o cara é inocente, aí vê a aglomeração… E quando você vê, está cometendo um crime também, está batendo num cara que não tem nada a ver com isso”, disse Meirelles a um motociclista que falou em “pegar a arma” para atacar o falso assaltante.

A intenção é até louvável, mas lógica por trás do raciocínio me pareceu capenga. A “pegadinha” do “CQC” poderia ter sido complementada com um discurso mais claro, lembrando que praticar “justiça com as próprias mãos” é uma barbaridade em si – e não somente quando a vítima é inocente.


“Pânico” ri da falta de originalidade na TV brasileira
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Mauricio Stycer

Em clima de brincadeira, o “Pânico” abordou um assunto sério neste domingo: a desfaçatez com que diferentes emissoras e programas copiam atrações alheias, sem dar crédito ou pagar os direitos devidos por isso.

O motivo para a reportagem foi a troca de comentários no Twitter entre Luciano Huck e Marcos Mion há uma semana. O apresentador da Globo ironizou a estreia de um novo quadro do colega, no qual ele atua como entregador de pizza, dizendo que lhe parecia “familiar”. O apresentador da Record respondeu dizendo que o formato havia sido adquirido de uma produtora israelense.

A reportagem do “Pânico” lembra que originalidade é um artigo em falta na televisão brasileira. É incrível a naturalidade com que os entrevistados repetem a ideia de que “na TV, nada se cria, tudo se copia”. Veja:


 


Narrador e empresário, Luciano do Valle ampliou espaço do esporte na TV
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Mauricio Stycer

Esqueça o narrador dos últimos anos. A voz continuava poderosa e vibrante, mas era visível a perda de agilidade na identificação de jogadores e na descrição das jogadas. O Luciano do Valle que vai ficar na memória do “fã do esporte” é o das décadas de 80 e 90, especialmente.

Diferentemente de outros narradores, Luciano do Valle não era um grande inventor de bordões. “Não somos artistas, somos jornalistas”, disse em uma entrevista recente à ESPN Brasil, explicando por que não usava bordões. Suas transmissões, carregadas de emoção, eram fundadas na descrição dos lances.

Um bom resumo do seu talento pode ser visto/ouvido nas transmissões dos jogos do Brasil na Copa de 1982. Diante de uma seleção dos sonhos, a empolgação do narrador corresponde exatamente ao que o espectador brasileiro estava vendo em campo.

Trabalhou na Globo (1971-82) e na Record (1982-83, 2003-06), mas foi na Band (1983-2003, 2006-14) que mostrou uma outra faceta do seu talento: a de promotor de esportes. Meio empresário, meio narrador, Luciano do Valle ampliou o espaço da cobertura esportiva do canal e ajudou a dar visibilidade a muitos atletas e a esportes como vôlei, basquete, automobilismo, boxe e, até sinuca.

Ao ajudar a Band a se tornar “o canal do esporte”, em outros tempos, Luciano do Valle de certa forma antecipou a ideia de TV segmentada no Brasil, que ganharia corpo anos depois na TV paga. Não é pouca coisa.

Atualizado às 21h: No momento da morte de Luciano do Valle, a Globo se redimiu de um momento triste, ocorrido em 2012. Na ocasião, ao lembrar dos 30 anos da derrota do Brasil para a Itália na Copa de 1982, o “Esporte Espetacular” exibiu uma reportagem caprichada, incluindo até entrevista com Paolo Rossi. Mas, ao exibir lances do jogo, a emissora optou por colocar a narração dos radialistas Waldir Amaral e Jorge Cury, da Rádio Globo, e não o áudio original, com Luciano do Valle, então narrador da Rede Globo. Lamentei o fato aqui. Neste sábado, já na abertura do “Jornal Nacional”, a emissora exibiu um lance de Brasil e Itália no Sarriá narrado por Luciano. A reportagem do telejornal mostrou mais uma vez os lances que o “Esporte Espetacular”, dois anos atrás, suprimiu. Ainda no telejornal, os três principais narradores da emissora, Galvão Bueno, Cleber Machado e Luis Roberto, deram depoimentos sobre o colega.

Mais informações sobre a sua morte, ocorrida neste sábado (19), podem ser lidas aqui e aqui.


Na troca de farpas entre Gilberto Braga e Gloria Perez, ambos têm razão
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Mauricio Stycer

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Em 1980, escrevendo “Água Viva”, Gilberto Braga inaugurou na Globo a prática de contar com a ajuda de colaboradores e co-autores na tarefa. Em uma recente entrevista a “O Globo”, ele lembrou como convenceu Boni a indicar alguém (no caso, Manoel Carlos) para ajudá-lo no trabalho. Depois de relatar esta história, Braga observou que nem todos os autores recorrem a colaboradores. E disse:

“Para certos autores é fácil. Por exemplo, a Glória Perez escreve com a maior facilidade, sozinha. Ela é bem minha amiga, e uma vez me deu esporro porque eu disse que escrever novela é cansativo. Ela disse: ‘Ora, Gilberto, eu escrevo um capítulo em cinco, seis horas. Às vezes nem releio e mando. No dia seguinte eu olho como terminei e continuo. Uma cena atrás da outra’. Enfim, me deu uma bronca. Quando ela acabou, falei: ‘Mas, Glória, tem um problema: na hora que passa, a gente nota’ (risos).”

Gloria Perez, naturalmente, não gostou da maldade e, questionada no Twitter, respondeu à altura: “Problema maior é quando passa por três autores, dez colaboradores e a gente nota, né? =)))”.

Esta discussão é boa. Pensando em “Insensato Coração” (2011) e “Salve Jorge” (2012), as novelas mais recentes de ambos, marcadas por tantos problemas e erros, é possível dizer que os dois têm razão.

A próxima novela de Braga, “Três Mulheres”, programada para 2015, será escrita em parceria com Ricardo Linhares e João Ximenes Braga. O próximo trabalho de Gloria, ainda para este ano, será a série policial “Dupla Identidade”.


Rafinha Bastos e Rafael Cortez mostram saber rir de si mesmos
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Mauricio Stycer

Saber rir de si mesmo é um sinal de inteligência. Por insegurança ou falta de visão, raramente se vê na TV aberta emissoras ou artistas dispostos a este saudável exercício de humor. Esta semana, por uma feliz coincidência, a regra foi quebrada em diferentes canais.

Na quarta-feira (16), Rafinha Bastos estreou um novo quadro no seu “Agora É Tarde”, na Band. Mais do que “inspirado”, a atração foi abertamente copiada do famoso talk show de David Letterman, exibido na rede americana CBS. Ao invés de esconder o fato, como é de praxe no Brasil, o apresentador colocou o nome do original no título do seu quadro. Veja:


 

rafaelcortezgeladeiraNo mesmo dia, a Record começou a divulgar um vídeo promocional sobre o novo programa de Rafael Cortez, “Me Leva Contigo”. O “teaser” ri do fato de o apresentador estar na “geladeira”, ou seja, sem trabalhar há um tempão, desde o fim de “Got Talent Brasil”, em 2013. “É isso aí, Rafa. A gente tirou você da geladeira para esquentar os nossos corações”, diz a locutora. Ficou muito bom. O vídeo, que ficou algumas horas fora do ar, pode ser visto aqui.


Mais do que de autor, “Meu Pedacinho de Chão” é novela de diretor
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Mauricio Stycer

meupedacinhozelao
Diferentemente do cinema, onde os diretores reinam, no mundo da teledramaturgia quem sempre deu as cartas foram os autores. O espectador brasileiro se acostumou a identificar as novelas pelo nome de quem as escreve. “Meu Pedacinho de Chão”, nova atração da Globo no horário das 18h, alterou este quadro. Mais do que uma novela de Benedito Ruy Barbosa, ela é de Luiz Fernando Carvalho.

Exibida originalmente em 1971, pela TV Cultura e pela Rede Globo, “Meu Pedacinho de Chão” foi definida pelo autor como uma “novela educativa”. “A proposta foi mostrar o problema do homem do campo, ensiná-lo sobre as doenças (tracoma, tétano, verminose), levá-lo para uma sala de aula, dar-lhe melhores condições de higiene e ao mesmo tempo mostrar o interesse das classes patronais (fazendeiros e autoridades) pelo camponês analfabeto, sem questionar nunca sua miséria e seus problemas”, disse Ruy Barbosa em depoimento.

meupedacinhoprofessoraReescrita (e reduzida) para a versão de 2014, “Meu Pedacinho de Chão” perdeu muito do seu caráter sócio-educativo e, com a ajuda do diretor, se tornou uma aventura fabulosa e, mais importante, encantadora.

Quem bate os olhos pela primeira vez, tem a impressão de que Carvalho apostou numa novela para crianças. Tenho observado, porém, que ele conseguiu o feito de agradar gente de todas as idades com a proposta de ambientar a história num mundo distante do real, onde os animais são de plástico, a vegetação parece de papel e as pessoas andam como bonecos.

meupedacinhoepaQue pai, hoje, ficaria chateado ao saber que o filho trocou uma carreira como advogado pela de engenheiro agrônomo? No mundo encantado da Vila de Santa Fé isso faz sentido, embalado ainda por uma direção que está extraindo interpretações fantásticas, no limite do exagero, seja de atores consagrados como de rostos menos conhecidos.

Raras vezes vi um elenco tão afinado com uma proposta como em “Meu Pedacinho de Chão”. Antonio Fagundes (Giácomo), Juliana Paes (Catarina) e Rodrigo Lombardi (Pedro Falcão) estão surpreendentes em papéis pouco usuais. Osmar Prado (coronel Epaminondas) tem dado shows diários, ainda que o tipo que criou seja menos original.

meupedacinhorodapeQuatro ótimos personagens secundários rivalizam com os protagonistas e estão abrindo espaço para o trabalho de atores menos conhecidos do público da televisão. Irandhir Santos (Zelão), Flavio Bauraqui (Rodapé), Dani Ornellas (Amância) e Paula Barbosa (Gina) têm brilhado em cena. Sem falar das duas crianças encantadoras, Tomás Sampaio (Serelepe) e Geytsa Garcia (Pituquinha), que pontuam a narrativa.

No terreno da fábula, a paixão do analfabeto Zelão pela professora Juliana (Bruna Linzmeyer) chama mais atenção, mas não anula o esforço do coronel Epaminondas em manter o povo na ignorância. É uma opção pelo entretenimento, realizada com muita criatividade e inteligência.

Exibidos os seus primeiros oito capítulos, “Meu Pedacinho de Chão” se apresenta como uma grata surpresa de 2014.


Sem barraco, mas com “flashback” e beijo, “Em Família” sai do marasmo
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Mauricio Stycer

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Estou entre aqueles que acham “Em Família” uma novela bem escrita, mas chata, com pouca história para contar. Não estou sozinho nessa, como se pode comprovar por dois fatores: a audiência decrescente e a baixa repercussão dos capítulos nas redes sociais.

Foi justamente em homenagem a esta parcela do público, que ainda não desistiu, mas acompanha sem entusiasmo a trama de Manoel Carlos, que o capítulo desta segunda-feira (14) exibiu duas cenas “barulhentas”.

Não teve barraco ou gritaria, nem briga ao redor da mesa de jantar — “armas” utilizadas com frequência na novela anterior a essa. “Em Família” saiu da rotina, primeiro, mostrando uma lembrança de Helena (Julia Lemmertz). O “flashback” retoma uma das últimas cenas do prólogo da novela, quando as jovens Helena (Bruna Marquezine) e Neidinha (Jessica Barbosa) estão recém-chegadas ao Rio.

emfamiliaaborto1Neidinha foi atacada e violentada por bandidos ao pegar uma van na rua. Ao ver a amiga chegar em casa, toda machucada, Helena leva a mão à barriga e dá sinais que está passando mal. No capítulo desta segunda-feira, o público viu o desenrolar de parte da história. Helena sofreu um aborto espontâneo e perdeu o filho que esperava de Laerte (Guilherme Leicam).

A cena era necessária para a exibição, um pouco depois, do grande chamariz de audiência do capítulo: o beijo da filha de Helena, Luiza, em Laerte (Gabriel Braga Nunes), dentro do carro, em frente ao prédio da família dela, no Leblon. Não houve incesto, como o “flashback” esclareceu, mas os fãs não perdoaram Luiza: “Fura-olho”, gritaram para a menina no Twitter.

As duas cenas estavam previstas na novela, mas teriam sido antecipadas, segundo relatos de quem acompanha os bastidores da Globo, em função do baixo Ibope de “Em Família”.

O efeito foi positivo. Segundo levantamento do TV Square, uma empresa que monitora comentários nas redes sociais, a novela nesta segunda foi o programa com mais comentários por minuto (68,4) e a atração que mais recebeu comentários (8,73% do total) no Twitter e no Facebook.

O Ibope não chegou a bater recordes, mas ajudou a levantar a novela. Em São Paulo, “Em Família” marcou 30 pontos, depois de ter registrado, no sábado, a sua pior média: 22 pontos. No Rio, a trama chegou a 35 pontos, segunda melhor marca da novela